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sábado, 15 de março de 2014

A MORTE DE MARAT

A Morte de Marat, é uma pintura do francês Jacques-Louis David. Neste quadro despojado, porém comovente, David lamenta a morte de seu amigo próximo, o revolucionário Jean-Paul Marat.



A vítima foi um dos principais membros da Convenção Nacional - órgão que governou a França na época do Terror, Revolução Francesa. Sua orientação política extremista fez com que reunisse muito inimigos, em especial após a queda dos girondinos.

Em 13 de julho, uma jovem chamada Charlotte Corday, uma adversária política de Marat, obteve uma audiência com ele em sua sala de banho. Algo comum, já que ele sofria de uma doença de pelo que o forçava a tomar banhos frequentemente. Por isso, o revolucionário usava seu banheiro como escritório.

Durante a reunião, Corday esfaqueou Marat até a morte. Em seu julgamento, ela declarou: "Eu matei um homem para salvar cem mil vidas". Três dias após, ela foi mandada para a guilhotina.

Jacques-Louis David foi convidado pela Convenção a pintar um memorial a Marat. Ele era uma boa escolha, porque compartilhava dos mesmos ideais revolucionários e tinha um estilo neoclássico rigoroso, adequado à situação.

Depois da Revolução, o quadro se tornou constrangedor para o novo regimo e em 1795 foi devolvido a David. Sua reputação só foi ser restaurada com o poeta e crítico de arte Charles Baudelaire que, sobre ela, comentou: "Esta obra contém algo ao mesmo pungente e terno; uma alma alça voo no ar frio do aposento, entre estas paredes frias, em volta desta fria banheira funerária".

4 detalhes de A Morte de Marat se destacam:

1. Face de Marat

Durante a Revolução, Marat foi um dos homens mais poderosos da França. Ele foi um jornalista radical, editor da publicação L'Ami du Peuple (O Amigo do Povo). David alterou a aparência do amigo para ajustá-la à de um herói martirizado. Removeu suas marcas de pele e o rejuvenesceu, embora Marat realmente usasse esta espécie de turbante molhado de azeite devido a sua doença.

2. Faca do crime

A faca de Charlotte está no chão, como se ela estivesse fugido e deixado-a no chão. Segundo alguns relatos, porém, a faca ficou alojada no peito de Marat. Mas David excluiu todo elemento que prejudicasse a imagem de mártir do revolucionário. Ele também "limpou" a imagem, deixando-a com pouco sangue e mudando o fundo ornamentado do banheiro.

3. Mobília

Para enfatizar que Marat era um "homem do povo", David pintou este caixote velho como uma escrivaninha improvisada. Foi nesta superfície em que o artista assinou sua dedicatória "Ao Marat, David".

4. Carta na mão

A carta na mão de Marat é uma apresentação de Charlotte: "Basta minha grande infelicidade para dar-me o direito à sua bondade". David distorce a verdade para destacar a natureza generosa do assassinado e demonizar a assassina. Na verdade, Charlotte conseguiu entrar porque afirmou ter informações sobre os reacionários, inimigos monarquistas.

Ficha Técnica - A Morte de Marat:

Autor: Jacques-Louis David
Onde ver: Musées Royaux des Beaux Arts, Bruxelas, Bélgica
Ano: 1793
Técnica: Óleo sobre tela
Tamanho: 165cm x 128cm
Movimento: Neoclassicismo

FRASE DO DIA

"Serrei suas duas pernas, os seus dois bracinhos, você ficou sendo a Vênus de Millus do meu jardim."
Rogério Skylab

sexta-feira, 14 de março de 2014

ASSIM CAMINHA A HUMANIDADE...

No EGO

Veridiana Freitas tomou uma decisão: fará uma cirurgia para voltar a ser virgem, com direito a promessa para ficar cinco meses sem ter relações sexuais. 

"Estou superansiosa e quero fazer por vaidade. Vou me guardar esses cinco meses e, quando encontrar o meu príncipe encantado, quero que seja perfeito, um sonho de fadas", afirmou ela.

Não seria mais negócio reconstituir o cérebro em vez do hímen?

CARGO À DISPOSIÇÃO

É muito interessante quando as pessoas colocam o “cargo à disposição”. É normalmente quando estão contrariadas e alguma coisa vai dando muito errado.

Salvo um servidor público, cujo estatuto eu não conheço direito, mas todo mundo fala que nem o Padim Ciço consegue arrancar do cargo, ninguém é, lembrando o ministro Magri, “imexível”.

O cargo de alguém está e sempre estará à disposição do seu contratante. Cargo à disposição é redundância.

COMO ASSIM?

No UOL
Led Zeppelin relançará quatro músicas inéditas

MÚSICA NA SEXTA

Maria da Graça Costa Penna Burgos, Gal Costa, nasceu em Salvador, BA, em 1945.

Estreou como cantora em junho de 1964, no show "Nós por exemplo", que marcou a inauguração do Teatro Vila Velha, em Salvador, atuando ao lado de Caetano Veloso, Tom Zé, Maria Bethânia, Djalma Correa, Alcivando Luz, Fernando Lona e Gilberto Gil. Nesse ano, o grupo ainda apresentou, no mesmo teatro, o show "Nova bossa velha, velha bossa nova".

A partir de 1968, o produtor Guilherme Araújo começou a empresariar a cantora, e sugeriu a mudança de seu nome artístico de Maria das Graças para Gal Costa

Em 1977 lança o disco Caras & Bocas, fazendo muito sucesso, principalmente com a música Tigresa.

Está nesse disco também Negro Amor, versão de Caetano Veloso e Péricles Cavalcanti para “It’s all over now, baby blue", música de Bob Dylan, do disco Bringing It All Back Home, de 1965. A gravação conta com Maurício Einhorn na Gaita (Harmônica).


Negro Amor
Bob Dylan (versão Caetano Veloso e Péricles Cavalcanti)
 Vá, se mande, junte tudo que você puder levar
 Ande, tudo que parece seu é bom que agarre já
 Seu filho feio e louco ficou só
 chorando feito fogo à luz do sol
 Os alquimistas já estão no corredor
 e não tem mais nada negro amor
 
 A estrada é pra você e o jogo é a indecência
 junte tudo que você conseguiu por coincidência
 e o pintor de rua que anda só
 desenha maluquice em seu lençol
 sob seus pés o céu também rachou
 e não tem mais nada negro amor
 
 Seus marinheiros mareados abandonam o mar
 seus guerreiros desarmados não vão mais lutar
 seu namorado já vai dando o fora
 levando os cobertores? E agora?
 até o tapete sem você voou
 e não tem mais nada negro amor
 e não tem mais nada...
 
 As pedras do caminho deixe para trás
 esqueça os mortos que não levantam mais
 o vagabundo esmola pela rua
 vestindo a mesma roupa que foi sua
 risque outro fósforo, outra vida, outra luz, outra cor
 e não tem mais nada negro amo

Com dicionário Cravo Albim de MPB

FRASE DO DIA

"Faço a música que quero com a técnica que consegui."
Egberto Gismonti

quinta-feira, 13 de março de 2014

ALFACE

Num bolicho que tem na minha rua, uma cliente e o bolicheiro comentam o preço exorbitante da alface. Lá pelas tantas, a cliente solta um suspiro e lamenta: "É uma pena, porque eu A-DO-RO alface!"

Não, minha senhora. Não. Ninguém A-DO-RA alface. A Lactuca sativa é uma simpática hortaliça, da qual eu gosto, inclusive, mas não é A-DO-RÁ-VEL. Pode-se adorar picanha, beterraba, mogango com leite e até (Deus me defenda!) açaí. Mas de alface a gente apenas gosta. 

Simples assim.


VIDA LOUCA


A cantora Paula Fernandes (aquela com cara de santinha que vive postando fotos com as pernas de fora porque aposta plenamente no seu talento musical), em entrevista no Caldeirão do Huck, revelou que tem uma cintura de 58cm e que não faz dieta, apenas exercícios. 

“Não faço dieta, mas mantenho uma vida saudável. Não fumo, não bebo e como coisas saudáveis, isso faz toda a diferença”.

Que vidinha de m*...

ÁLBUM DA QUINTA

WHAT'S GOING ON - 1971 - MARVIN GAYE

What's Going On foi lançado em maio de 1971. O LP refletiu o início de uma nova tendência na soul music norte-americana. Incorporando elementos do jazz e da música clássica, com um forte elemento percussivo e com letras introspectivas sobre o abuso de drogas, a pobreza e a Guerra do Vietnã, ele tornou-se imediatamente uma sensação e é considerado pela crítica não só um marco da música pop, como também um dos maiores álbuns de todos os tempos.

Em 2003, What's Going On foi considerado pela a revista americana Rolling Stone o sexto melhor álbum de todos os tempos, além de estar na lista dos 200 álbuns definitivos no Rock and Roll Hall of Fame.


A morte da parceira musical Tammi Terrell, no início de 1970, havia sido o estopim para Marvin Gaye interromper sua carreira musical, que há muito tempo o incomodava. Apesar do grande sucesso artístico, Marvin estava descontente com seu trabalho, que considerava irrelevante, especialmente frente às transformações sociais pela quais viviam os Estados Unidos no final da década de 1960. Os atritos de Marvin com a direção da Motown a respeito de suas ambições artísticas passaram a ser constantes desde então até o final da relação entre ambos. Como fruto dessas discussões e da reclusão de Marvin, surgiria What's Going On, disco que mudaria os rumos da música negra norte-americana. 


Além da faixa-título, "Mercy Mercy Me" e "Inner City Blues (Make Me Wanna Holler)" atingiram o Top 10 Pop Hits e o primeiro lugar da lista R&B da Billbaord. What's Going On é formado por nove consistentes canções - a maior parte dela ligadas a outra. O álbum é narrado pelo ponto de vista de um veterano da Guerra do Vietnã, que retornava ao seu país após ter lutado por este, onde ele encontra nada além de injustiça, sofrimento e ódio. O irmão de Gaye, Frankie, havia returnado do país asiático em 1970, após servir as Forças Armadas dos Estados Unidos durante três anos.


O sucesso comercial do disco garantiu a Gaye o total controle sobre seu próprio trabalho. Mais do que isso, ajudou outros artistas da Motown a assumirem o controle de seu próprio destino, como foi o caso de Stevie Wonder.

What's Going On é também o primeiro álbum em que a principal banda de estúdio da Motown Records, conhecida como The Funk Brothers, recebeu créditos oficiais. Críticos, artista e público em todo o mundo costumam eleger What's Going On como um dos mais importantes discos da história da música pop, sendo considerado por muitos como um dos melhores de todos os tempos.

Side A
1. What's Going On (Al Cleveland, Marvin Gaye, Renaldo Benson) – 3:52
2. What's Happening Brother (James Nyx, M. Gaye) – 2:44
3. Flyin' High (In the Friendly Sky) (M. Gaye, Anna Gordy Gaye, Elgie Stover) – 3:49
4. Save the Children (Cleveland, M. Gaye, Benson) – 4:03
5. God Is Love (M. Gaye, A. Gaye, Stover, Nyx) – 1:49
6. Mercy Mercy Me (The Ecology) (M. Gaye) – 3:14

Side B
1. Right On (Earl DeRouen, M. Gaye) – 7:31
2. Wholy Holy (Cleveland, M. Gaye, Benson) – 3:08
3. Inner City Blues (Make Me Wanna Holler) (M. Gaye, Nyx) – 5:26


Marvin Gaye - composer, drums, keyboards, liner notes, piano, producer, vocals
Bob Babbitt - bass
Chet Forest - drums
Eli Fountain - alto sax
James Jamerson - bass
Joe Messina - guitar
Wild Bill Moore - tenor sax
David Van De Pitte - arranger, conductor, orchestral arrangements
Earl Van Dyke - guitar
Robert White - guitar

wikipedia

FRASE DO DIA

"Fi-lo porque qui-lo."
Jânio Quadros

quarta-feira, 12 de março de 2014

EM LIBERDADE

No UOL:

"Médico de Michael Jackson vai cuidar de crianças"

Que nem o finado...

COMO ASSIM?

No Terra:
Glória Maria não gostou do comentário de uma seguidora no Instagram. De acordo com a coluna Zapping, do jornal Agora São Paulo, a apresentadora teria publicado uma foto em que aparecia maquiada com sombra azul e batom vermelho.

Uma seguidora comentou: "que susto!". "Negros te assustam? A mim, assustam o racismo, a falta de respeito e a falta de educação", rebateu a jornalista. Em outra resposta, continuou: "imagino que você deve ser linda. E orgulhosa de ser branquinha. Adorei meu make e meu cabelo. E acho normal que você tenha achado tudo horroroso. Tome cuidado para o preconceito não te consumir". Logo depois, a foto foi apagada da rede social.

Pode ser que eu tenha desaprendido a ler ou a notícia esteja incompleta, mas não consegui ver racismo no comentário da seguidora. 

DE RÁDIO

Não vou citar os nomes simplesmente porque não confio na minha memória. E era aquela hora da noite em que a gente não pode se responsabilizar pelo que ouve.

Durante a transmissão do carnaval, comentarista critica fortemente a escola, em especial a ala que acabara de passar à sua frente, quando do fundo da cabine ouve-se um grito: “Não!”.

Entra o repórter, diretamente da avenida: “Muito bonita essa ala em que desfila o presidente da empresa!”

MANCHETES

"Em show na Capital, Demi Lovato tocará música vencedora do Oscar"

"Após capotar carro, ator de 'Em Família' vai a bar com amigos"

CRIATURAS QUE O MUNDO ESQUECEU

Eliana Leite da Silva, mais conhecida como Eliana Pittman (Rio de Janeiro, 14 de agosto de 1945) iniciou sua carreira em 1961 ao lado do saxofonista norte-americano Booker Pittman, seu padrasto, mas não demorou muito para seguir carreira solo. 

Ao longo de sua carreira, gravou mais de vinte discos, muitos deles lançados em diversos países, e ganhou vários prêmios.


Fez shows no Brasil e no exterior e na década de 1970 emplacou vários sucessos, como "Das 200 para lá (esse mar é meu)" e "Mistura de Carimbó" (1976), estrondoso sucesso, pelo qual recebeu o título de "Rainha do Carimbó", por popularizar o ritmo típico do Pará.

A CRÔNICA DO CAJO

Coisas que devem acontecer com todo mundo...

Estou baixando essa lei, obrigatoriedade no seu cumprimento... como toda lei (sic). 

Hoje no final da tarde, em Lajeado, fui lanchar, e na frente do bar dois meninos queriam fazer voar seu avião de papel. Por si só é muito bom ver uma brincadeira dessas sem tecnologias prontas e os guris de seus sete ou oito anos se divertindo na rua com algo criado por eles. Na rua! Enfim, divertiam-se, mas o avião teimava em não voar como eles queriam.

Como os voos eram erráticos, esperei o momento em que ele viria em minha direção. Sortudo como eu, foi só pensar... Bem, peguei o aviãozinho que tinha caído ao meu lado e chamei os piás. Então fiz uns ajustes, mostrando a eles como fazê-los e o que iria acontecer. E o aviãozinho de papel voou e até que voou legal. Depois de um outro voo, um dos meninos se virou pra mim e disse que dependendo do ajuste o avião subiria ou desceria (eu tinha feito dois aerofólios atrás), já tentando entender outros modos possíveis de voar. A diversão ficou mais animada e eles mesmos agora faziam os ajustes. Não precisavam mais de mim. Terminei meu lanche e fui pra aula da noite com a alma mais leve.


Eu tenho duas filhas, já adultas hoje, e a Valentina, que faz dois anos em abril. Brinco hoje com a Valen como brincava com minhas filhas. Vi hoje no sorriso dos guris o sorriso que vejo na minha neta quando se vivencia uma coisa legal. É um sorriso de alegria. De satisfação por algo. Do resultado da diversão realizada. E também me lembrei do post que meu velho amigo Roque Reckziegel colocou na rede, mostrando seu artesanato de férias. E mandei uma mensagem lembrando dos tempos em que a gente mexia com artesanato, junto com outro velho amigo, o Luís Augusto Fischer (bem, o Roque era o verdadeiro artesão... coisa de família, eu e o Mano tentávamos acompanhar, se bem que ele até que tinha algum talento, enquanto eu, o máximo de rebeldia na minha vida artesã tinha sido confeccionar uma pulseira em latão onde estava escrito "shit", que minha amiga Marta Arretche tinha pedido, um ato de rebeldia naqueles inícios dos anos 70, e como comungávamos de um mesmo ideal...). 

Quando criamos o (Clã)Destino, tínhamos a hora da sessão risadinha, em que se ria de qualquer bobagem. Era lei. E era sobre isso que comecei a escrever. O sorriso dos guris, o das minhas filhas e o da hora da sessão risadinha, os nossos sorrisos de alegria e o de todas as pessoas devem ser lei. A lei do direito à alegria. Deve ser lei fazer acontecer coisas boas com todo mundo, como as coisas boas que tive hoje, de ver a brincadeira, participar dela, lembrar das minhas filhas, da minha neta, da época das rebeldias juvenis, do mudar o mundo. Leis para a felicidade. Temos que ser felizes. Mas hoje estamos cada vez mais embrutecidos com o que vemos acontecer e... parou, não quero falar sobre isso. Hoje eu tive um dia feliz!

Cajo 

GRANDES FRASES DE GRANDES FILMES

"This is the worst part, you live." 
("Esta é a pior parte, você vive.")
Bad Blake (Jeff Bridges) - Crazy Heart (Coração Louco) - 2009

FRASE DO DIA

“Mulheres comportadas raramente fazem história.”
Marilyn Monroe

terça-feira, 11 de março de 2014

PAUTA EXTRA 50


PAUTA EXTRA 50. O último Pauta Extra.



 

ENQUANTO ISSO, NO SENADO...


ASSALTO II


Corroborando o comentário do leitor Carlos Alberto, sobre o assalto da deputada e do músico ocorrido no domingo, publicado AQUI no TOA, a própria Zero Hora fornece as estatísticas: a região registra cinco ataques em 10 dias.

Mas nem sempre dá manchete.

LUIGGI RESPONDE

Em uma entrevista ao site UOL, a festejada ativista Ana Paula, pergunta: “Por que a Globeleza pode (aparecer nua) numa TV aberta e a Ana não pode em uma revista adulta?


Eu não vi ninguém dizendo que não pode. (Vi um monte de gente dizendo que não quer ver). Ela pode, inclusive, ficar pelada onde quiser. Seguidamente passa um monte de gente pelada de bicicleta na frente da minha casa e não dá problema nenhum. (Claro que as mais fortes defensoras da 'pelação' participam de bermuda e sutiã.)

Perguntada sobre “como se enxerga no espelho”, ela responde: "Detesto ir ao shopping e não uso grifes." 

Quando me perguntarem qual é a fórmula de báscara, vou responder que a minha lapiseira tá sem grafite.

O SEU TALENTO

“O artista tem direito de viver do seu talento”. Ouvi essa no rádio, faz tempo. E concordo.

E vou adiante. Todo mundo tem direito de viver do seu talento. O churrasqueiro, o encanador, o advogado, o contador e o manobrista do restaurante. Um camarada que escreve num blogue também.

Então, por partes. Por que raios só o artista merece especial deferência? O churrasqueiro, o encanador e todos os outros profissionais do mundo tiveram que estudar e/ou praticar pra aprimorar seu talento.

Muita gente estuda com afinco, com furor, com seriedade e de nada adianta. Seu trabalho vai valer menos do que o dos que fazem melhor. O mundo é assim. Lei de mercado, lei da gravidade, essas coisas, não dá pra revogar.

Um encanador você escolhe. Quero esse, não quero mais, vou pagar pelo trabalho deste e não do daquele. Esse sujeito não tem direito de viver do talento dele?

Acontece que quando se fala no artista viver do seu talento, está implícito que, se ele não tiver mercado suficiente pra se sustentar e a todos os seus filhos que vem tendo desde os treze anos, o estado deve pagar. Ou seja, nós.

Eu acho que todo mundo tem o direito de viver do seu talento. E digo mais: tem a obrigação de viver do seu talento. Do fruto do seu talento.

BREGA CHIQUE

Amado Rodrigues Batista (Davinópolis, 17 de fevereiro de 1951) tem uma trajetória parecida com a de muitos artistas brasileiros: a origem humilde e pobre, o sonho de ficar famoso e os percalços enfrentados até chegar ao topo. 

Ao longo de seus 38 anos de carreira, gravou 39 discos, vendeu mais de 25 milhões de discos e recebeu centenas de prêmios, entre eles, 28 discos de ouro, 28 discos de platina e um de diamante.

Um de seus maiores sucessos foi O Fruto do Nosso Amor (Amor Perfeito), do disco Sementes de Amor, de 1978. Até hoje o refrão "No hospital, na sala de cirurgia..." é cantado em todo o Brasil.


Amor perfeito 
existia entre nós dois
Sem esperar que depois,
fosse tudo se acabar

Mas neste mundo,
que o perfeito não tem vida,
não merecemos querida
viver juntos e amar

Nosso Senhor para sempre te levou
Nem ao menos me deixou
o fruto do nosso amor
Aquele filho seria a nossa alegria
Eu senti naquele dia
ser um pai, ser um senhor

No hospital, na sala de cirurgia
pela vidraça eu via
você sofrendo a sorrir
E seu sorriso
aos poucos se desfazendo
Então vi você morrendo,
sem poder me despedir

PRIMEIROS PARÁGRAFOS INESQUECÍVEIS

"Os bem vizinhos de Naziazeno Barbosa assistem ao “pega” com o leiteiro. Por detrás das cercas, mudos, com a mulher e um que outro filho espantado já de pé àquela hora, ouvem. Todos aqueles quintais conhecidos têm o mesmo silêncio. Noutras ocasiões, quando era apenas a “briga” com a mulher, esta, como um último desaforo de vítima, dizia-lhe: “Olha, que os vizinhos estão ouvindo”. Depois, à hora da saída, eram aquelas caras curiosas às janelas, com os olhos fitos nele, enquanto ele cumprimentava."

Os Ratos - Dyonélio Machado - 1935

FRASE DO DIA

“Não quero que Havelange diga que gosta de mim como um pai. Não sou filho da puta”
Diego Armando Maradona

segunda-feira, 10 de março de 2014

OS DENTES DO SENADOR

Acordo escutando notícias sobre os dentes do senador. (Tudo bem, tudo bem... Se eu fosse assinante do Estadão ou passasse o domingo acompanhando as notícias eu saberia disso ontem, tá certo.)

Na verdade, sobre dentes de senadores em geral. Mas a coisa aqui é sempre tratada paroquialmente, portanto, especificamente dos dentes do senador Pedro Simon. (Inclusive já se procuram parentes aqui no RS dos 239 desaparecidos no Boeing que caiu em voo de Kuala Lumpur a Pequim, se não, não há motivos para se noticiar isso no rádio.)

Imagino que o senador deverá agora aproveitar o tratamento feito também para “mastigar e digerir” muita coisa que já falou...


ASSALTOS

Carlos Alberto Mohr escreve:
Foto: Facebook / Reprodução
No jornal de maior circulação da cidade, a foto do casal Duca Leindecker e Manuela D'Ávila, sorridentes. Na manchete, o assalto que sofreram (com o roubo do carro em que estavam).

A pergunta é: - Por que os inúmeros habitantes da Muilealevalerosa que diariamente são vítimas do mesmo tipo de roubo não tem  suas fotos estampadas no mesmo periódico???

HORA DA MORTE

A respeito desta notícia, dando conta do preço do tomate em SP, Alabama manda o seguinte comentário:

“Desse modo, vamos ter que indexar tudo pelo índice tomate! Hora da morte! O molho vai ficar mais caro que o vinho!”

OPERAÇÃO PADRÃO (OU DE RÁDIO)


Apresentador de rádio gosta de elogiar quando recebe um bom atendimento em um lugar qualquer. Em especial, atendimento médico e em repartições públicas. Falam como se aquele fosse o atendimento padrão.

Será que realmente acreditam nisso? Será que não sabem que são bem atendidos por serem figuras conhecidas na MuiLeal?

PELA CAUSA

Saiu a Playboy de março com a "tão esperada" foto de biquíni da bióloga Ana Paula Maciel, alçada aos píncaros da glória depois de ter puxado uma cana na Rússia.

A situação é desesperadora, pois ela "ameaça" posar nua, se houver boa receptividade por parte dos leitores da revista, e usar "uma parte" do cachê para bancar um santuário de animais. Por favor, salvem os ursos polares logo!

EXPERIMENTE

É sabido que “gente” é o plural de “cara”.

Experimente trocar qualquer um dos dois da sua frase por nada. Ao invés de "Cara, eu era muito amigo do Renato, cara", somente "Eu era muito amigo do Renato". Ou então "Gente, nunca vi uma coisa dessas, gente" por "Nunca vi uma coisa dessas". 

Vai ficar legal. Isso, claro,  se sua frase não for somente “Gente...” fazendo cara de incompreensão e choque com o mundo em que vive.

Pensem nisso enquanto lhes digo “Até amanhã”.

CLÁSSICOS PARA A VIDA ETERNA

TARDE EM ITAPUà- 1970 - TOQUINHO & VINÍCIUS

Sérgio Luiz Gallina

Tarde em Itapuã, de Toquinho e Vinícius de Moraes, foi gravada em 1971, no disco "Como dizia o poeta...", da dupla com a cantora Marília Medalha. A música foi um estrondoso sucesso radiofônico e se tornou um dos clássicos do tipo "um banquinho e um violão", executada até hoje em todas os bares do Brasil.



Um velho calção de banho
O dia pra vadiar
Um mar que não tem tamanho
E um arco-íris no ar
Depois na praça Caymmi
Sentir preguiça no corpo
E numa esteira de vime
Beber uma água de coco é bom...

Passar uma tarde em Itapuã
Ao sol que arde em Itapuã
Ouvindo o mar de Itapuã
Falar de amor em Itapuã

Enquanto o mar inaugura
Um verde novinho em folha
Argumentar com doçura
Com uma cachaça de rolha
E com o olhar esquecido
No encontro de céu e mar
Bem devagar ir sentindo
A terra toda a rodar é bom...

Passar uma tarde em Itapuã...

Depois sentir o arrepio
Do vento que a noite traz
E o diz-que-diz-que macio
Que brota dos coqueirais
E nos espaços serenos
Sem ontem nem amanhã
Dormir nos braços morenos
Da lua de Itapuã é bom...

Passar uma tarde em Itapuã...

FRASE DO DIA

“Deus fez as mulheres belas. O diabo as fez espertas.”
Leonid S. Sukhorukov

domingo, 9 de março de 2014

CURTA NO TOA - INTIMIDADE


Curta metragem interdisciplinar produzido por alunos de Cinema do Senac. Com Tatiana Marigo e Luciana Vendramini.

Direção Emerson Calvente.

Baseado no conto homônimo de Edla van Steen.

DO FUNDO DO BAÚ

Un Bacio Alla Volta foi gravada em 7 polegadas (45rpm), em 1968, por Supremo Brass Band, com vocais de Nora e Paola Orlandi. A música é uma bossa nova levada pelos vocais das duas irmãs e pelo trompete de Guido Pistocchi, o líder do grupo. 


Un Bacio Alla Volta foi tema da trilha sonora do programa de televisão da RAI , Radiotelefortuna. No Brasil, a música fez muito sucesso nas emissoras de rádio que se dedicavam à música instrumental, além de servir de cortina musical para diversos programas, como os da Rádio Itaí, de Porto Alegre.

LEITURA DE DOMINGO

Entre irmãos
              José J. Veiga
O menino sentado à minha frente é meu irmão, assim me disseram; e bem pode ser verdade, ele regula pelos dezessete anos, justamente o tempo que estive solto no mundo, sem contato nem notícia. Quanta coisa muda em dezessete anos, até os nossos sentimentos, e quanta coisa acontece — um menino nasce, cresce e fica quase homem e de repente nos olha na cara e temos que abrir lugar para ele em nosso mundo, e com urgência porque ele não pode mais ficar de fora.

A princípio quero tratá-lo como intruso, mostrar-lhe a minha hostilidade, não abertamente para não chocá-lo, mas de maneira a não lhe deixar dúvida, como se lhe perguntasse com todas as letras: que direito tem você de estar aqui na intimidade de minha família, entrando nos nossos segredos mais íntimos, dormindo na cama onde eu dormi, lendo meus velhos livros, talvez sorrindo das minhas anotações à margem, tratando meu pai com intimidade, talvez discutindo a minha conduta, talvez até criticando-a? Mas depois vou notando que ele não é totalmente estranho, as orelhas muito afastadas da cabeça não são diferentes das minhas, o seu sorriso tem um traço de sarcasmo que eu conheço muito bem de olhar-me ao espelho, o seu jeito de sentar-se de lado e cruzar as pernas tem impressionante semelhança com o meu pai. De repente fere-me a idéia de que o intruso talvez seja eu, que ele tenha mais direito de hostilizar-me do que eu a ele, que vive nesta casa há dezessete anos, sem a ter pedido ele aceitou e fez dela o seu lar, estabeleceu intimidade com o espaço e com os objetos, amansou o ambiente a seu modo, criou as suas preferências e as suas antipatias, e agora eu caio aí de repente desarticulando tudo com minhas vibrações de onda diferente. O intruso sou eu, não ele.

Ao pensar nisso vem-me o desejo urgente de entendê-lo e de ficar amigo, de derrubar todas as barreiras, de abrir-lhe o meu mundo e de entrar no dele. Faço-lhe perguntas e noto a sua avidez em respondê-las, mas logo vejo a inutilidade de prosseguir nesse caminho, as perguntas parecem-me formais e as respostas forçadas e complacentes. Há um silêncio incômodo, eu olho os pés dele, noto os sapatos bastante usados, os solados revirando-se nas beiradas, as rachaduras do couro como mapa de rios em miniatura, a poeira acumulada nas fendas. Se não fosse o receio de parecer fútil eu perguntaria se ele tem outro sapato mais conservado, se gostaria que lhe oferecesse um novo, e uma roupa nova para combinar. Mas seria esse o caminho para chegar a ele? Não seria um caminho simples demais, e por conseguinte inadequado?

Tenho tanta coisa a dizer, mas não sei como começar, até a minha voz parece ter perdido a naturalidade, sinto que não a governo, eu mesmo me aborreço ao ouvi-la. Ele me olha, e vejo que está me examinando, procurando decidir se devo ser tratado como irmão ou como estranho, e imagino que as suas dificuldades não devem ser menores do que as minhas. Ele me pergunta se eu moro numa casa grande, com muitos quartos, e antes de responder procuro descobrir o motivo da pergunta. Por que falar em casa? E qual a importância de muitos quartos? Causarei inveja nele se responder que sim? Não, não tenho casa, há muito tempo que tenho morado em hotel. Ele me olha parece que fascinado, diz que deve ser bom viver em hotel, e conta que toda vez que faz reparos à comida mamãe diz que ele deve ir para um hotel, onde pode reclamar e exigir. De repente o fascínio se transforma em alarme, e ele observa que se eu vivo em hotel não posso ter um cão em minha companhia, o jornal disse uma vez que um homem foi processado por ter um cão em um quarto de hotel. Não me sinto atingido pela proibição, se é que existe, nunca pensei em ter um cão, não resistiria me separar dele quando tivesse que arrumar as malas, como estou sempre fazendo; mas devo dizer-lhe isso e provocar nele uma pena que eu mesmo não sinto? Confirmo a proibição e exagero a vigilância nos hotéis. Ele suspira e diz que então não viveria num hotel nem de graça.

Ficamos novamente calados e eu procuro imaginar como será ele quando está com seus amigos, quais os seus assuntos favoritos, o timbre de sua risada quando ele está feliz e despreocupado, a fluência de sua voz quando ele pode falar sem ter que vigiar as palavras. O telefone toca lá dentro e eu fico desejando que o chamado seja para um de nós, assim teremos um bom pretexto para interromper a conversa sem ter que inventar uma desculpa; mas passa-se muito tempo e perco a esperança, o telefone já deve até ter sido desligado. Ele também parece interessado no telefone, mas disfarça muito bem a impaciência. Agora ele está olhando pela janela, com certeza desejando que passe algum amigo ou conhecido que o salve do martírio, mas o sol está muito quente e ninguém quer sair à rua a essa hora do dia. Embaixo na esquina um homem afia facas, escuto o gemido fino da lâmina no rebolo e sinto mais calor ainda. Quando eu era menino tive uma faca que troquei por um projetor de cinema feito por mim mesmo — uma caixa de sapato dividida ao meio, um buraquinho quadrado, uma lente de óculos — e passava horas à beira do rego afiando a faca, servia para descascar cana e laranja. Vale a pena dizer-lhe isso ou será muita infantilidade, considerando que ele está com dezessete anos e eu tinha uns dez naquele tempo? É melhor não dizer, só o que é espontâneo interessa, e a simples hesitação já estraga a espontaneidade.

Uma mulher entra na sala, reconheço nela uma de nossas vizinhas, entra com o ar de quem vem pedir alguma coisa urgente. Levanto-me de um pulo para me oferecer; ela diz que não sabia que estávamos conversando, promete não nos interromper, pede desculpa e desaparece. Não sei se consegui disfarçar um suspiro, detesto aquela consideração fora de hora, e sou capaz de jurar que meu irmão também pensa assim. Olhamo-nos novamente já em franco desespero, compreendemos que somos prisioneiros um do outro, mas compreendemos também que nada podemos fazer para nos libertar. Ele diz qualquer coisa a respeito do tempo, eu acho a observação tão desnecessária — e idiota — que nem me dou ao trabalho de responder.

Francamente já não sei o que fazer, a minha experiência não me socorre , não sei como fugir daquela sala, dos retratos da parede, do velho espelho embaciado que reflete uma estampa do Sagrado Coração, do assoalho de tábuas empenadas formando ondas. Esforço-me com tanta veemência que a consciência do esforço me amarra cada vez mais àquelas quatro paredes. Só uma catástrofe nos salvaria, e eu desejo intensamente um terremoto ou um incêndio, mas infelizmente essas coisas não acontecem por encomenda. Sinto o suor escorrendo frio por dentro da camisa e tenho vontade de sair dali correndo, mas como poderei fazê-lo sem perder para sempre alguma coisa muito importante, e como explicar depois a minha conduta quando eu puder examiná-la de longe e ver o quanto fui inepto? Não, basta de fugas, preciso ficar aqui sentado e purgar o meu erro.

A porta abre-se abruptamente e a vizinha entra de novo apertando as mãos no peito, olha alternadamente para um e outro de nós e diz, numa voz que mal escuto:

— Sua mãe está pedindo um padre.

Levantamos os dois de um pulo, dando graças a Deus — que ele nos perdoe — pela oportunidade de escaparmos daquela câmara de suplício.

FRASE DO DIA

“Mulheres têm duas armas: cosméticos e lágrimas.”
Napoleão Bonaparte

DAS MADRUGADAS

Vídeo oficial da banda. Sem palavras.


P.S.: Para Luiggi e Bebeto Mohr.

DAS MADRUGADAS

"E eu, menos estrangeiro no lugar que no momento
 Sigo mais sozinho caminhando contra o vento"
Caetano Veloso, O Estrangeiro, 1989.