Beleza de versão. Vale conferir.
segunda-feira, 26 de agosto de 2013
domingo, 25 de agosto de 2013
DAS MADRUGADAS
Pra terminar (ou começar) a semana com estilo. Johnny Cash
& Willie Nelson - Ghost Riders in the Sky.
LEITURA DE DOMINGO
Preservando as espécies
João Ubaldo Ribeiro
Em Itaparica, não existe muita preocupação com esse negócio de privacidade, visto que, desde o tempo em que a luz era desligada pela prefeitura às dez horas da noite, o sabido saía com a moça, se esgueirando entre os escurinhos do Jardim do Forte e, no dia seguinte, na quitanda de Bambano, o fato já tinha alcançado ampla repercussão, com fartura de pormenores. O mesmo acontecia em todas as outras áreas e diz o povo que, quando meu tio-avô Zé Paulo, tido como mais rico que dezoito marajás, soltava um pum, sozinho numa sala de seu casarão, os puxa-sacos já ficavam de plantão no Largo da Quitanda e, no instante em que ele passava, se manifestavam efusivamente.
- Bom dia, coronel, bufou cheiroso outra vez!
- Muito bem bufado, coronel, quem está preso quer estar solto!
Quanto a câmeras de vigilância e segurança, correntemente na moda, receio que a situação é semelhante. Manolo quis botar uma no Bar de Espanha, mas desistiu depois que soube que todo mundo estava planejando pedir para fazer um teste com a Globo. Além disso, não há muita motivação para a instalação de câmeras, porquanto o que assaltar sempre foi meio escasso e Romero Contador, que não erra nem conta de raiz quadrada, já mostrou na ponta do lápis que, se alguém roubar o nosso PIB, vai passar o resto da vida altamente endividado, pois a verdade, por mais duro que seja reconhecer, é que nossa economia não interessa nem a deputado estadual e mal sobra o que furtar para os corruptos locais.
Não havia, portanto, razão aparente para o movimento deflagrado por Zecamunista, como sempre meio de surpresa. Nada indicava que estivesse motivado para nova campanha cívica, ainda mais envolvendo questões exóticas, como a privacidade. Depois de mais uma vitoriosa temporada de pôquer por todo o Recôncavo, onde chegou a ganhar dois barcos de pesca – que rebatizou de Marx e Engels e doou à Cooperativa Comunista Deus É Mais, há muitos anos fundada por ele, em Valença – voltara à ilha na semana anterior, na discreta companhia de “duas senhoras de Nazaré das Farinhas, minhas correligionárias”, como ele me disse ao telefone, sem mais adiantar e muito menos me convidar para conhecer as duas correligionárias. Desde esse dia, fora visto apenas uma vez, comprando uma garrafinha de catuaba no Mercado e voltando apressadamente para casa, no passo ligeirinho de clandestino a que a vida de militante bolchevique o acostumou. E já se pensava que as correligionárias iam ocupá-lo por mais tempo que o esperado, ouvindo-se também a maledicência de que “Zeca não é mais aquele”, mas eis que ele, como se nada tivesse acontecido, compareceu ao Bar de Espanha, na happy hour das nove da manhã, e fez o anúncio inesperado.
- Estou fundando o Movimento de Preservação e Defesa do Corno Nacional – disse ele. – Essa viagem acabou de me convencer de que o corno está em extinção. Um dos parceiros com quem eu joguei, não vou dizer onde, contou, quase satisfeito, que foi largado pela mulher, que tinha confessado ter um amante. Mas não era por isso que largava o marido, era porque estava sufocada, queria o espaço dela. O espaço dela era na cama do outro, mas todo mundo finge que acredita e fica tudo por isso mesmo. É a globalização descaracterizando a identidade nacional, não zelamos pelo nosso patrimônio cultural, encaramos tudo com a mais leviana das inconsequências e, se não tomarmos providências agora, nossos descendentes nem saberão o significado da palavra “corno” e toda sua riqueza emocional, artística e histórica!
Com efeito, meus caros senhores, em primeiro lugar, o corno desaparece a olhos vistos, ninguém mais liga. Isso não é possível, não é sustentável, é um abismo. Já basta não haver mais mistério quanto à paternidade, por causa da novidade dos exames de DNA. A vida perdeu a emoção, nunca mais aquelas investigações de paternidade que não chegavam a nenhuma conclusão, nunca mais confissões arrepiantes no leito de morte. E a espionagem eletrônica, celulares rastreadores, gravadores secretos, câmeras minúsculas, visão noturna, detectores disso e daquilo, tudo bisbilhotado e bisbilhotável? Nada mais é sagrado? O sujeito quer ser corno em paz e não permitem, têm que incomodá-lo com denúncias e provas que ele nunca pediu, pensem nisso! Até um dos últimos bastiões da liberdade está sendo destruído! Onde ficará Lupicínio Rodrigues, onde ficará Ataulfo Alves, onde ficará a dúvida cruel, onde ficará a viagem de negócios, onde ficará a tarde no dentista?
- Eles não sabem o que dizem, são uns inocentes – disse Zeca, ao ver que suas palavras haviam ocasionado um debate de grandes proporções. – As ideias novas sempre provocam reações negativas, inclusive entre aqueles que vão se beneficiar delas, é a maldição do pioneirismo.
Aqui para nós, seu real objetivo não era bem a preservação de uma espécie. Pretendia mesmo era montar mais um esquema para beneficiar as classes populares da ilha, ou seja, quase todo mundo. Esse papo de corno não passava de marketing, destinado a aproveitar e incrementar um clima já existente. O próximo passo será bolar um serviço para o nosso nicho de mercado. O nosso nicho não é o corno comum, que esse já perdeu o sentido e ainda não sabe, mas o corno saudosista, o tradicionalista, o que tem nostalgia dos velhos tempos dourados, o que ainda acredita. Não duvidava que fosse possível obter incentivos do Ministério da Cultura. E já podia antecipar os anúncios estampados nos jornais: “Corneie seu ente querido à moda antiga, venha à nossa ilha”.
- Há outros esquemas, mas eu prefiro esse – disse ele. – Nós vamos fornecer a mão de obra.
http://contobrasileiro.com.br
A NOITE DO VAMPIRO
Sinopse: Um vampiro tenta dormir, mas um terrível predador se aproxima.
Gênero: Animação
Diretor: Alê Camargo Duração: 6 min Ano: 2006 Formato: Vídeo
País: Brasil Local de Produção:
Cor: Colorido
Sinopse: Um vampiro tenta dormir, mas um terrível predador se aproxima.
Produção: Buba Filmes
Roteiro: Alê Camargo
Animação: Alê Camargo
Modelagem: Alê Camargo
Pintura Digital de Cenários: Camila Carrossine
DO FUNDO DO BAÚ
O guitarrista Vincent Bell, cujo nome verdadeiro é Vincent Gambella, também conhecido como Vinnie Bell, nasceu no Brooklyn, Nova York, em 1935.
Um dos maiores geeks da guitarra pop, Vinnie Bell entrará para a história da música como o inventor do som de guitarra "aquático", que era uma grande novidade em gravações instrumentais da década de 1960. Sua utilização mais notória ocorreu em 1969, na gravação do tema do filme "Midnight Cowboy", pela dupla Ferrante & Teicher; o efeito tornou-se talvez a mais copiada técnica entre os guitarristas, até o pedal wah-wah tornar-se equipamento padrão em 1970.
Na verdade, Bell provavelmente pode ter criado o pedal wah-wah, também, pois há evidências de que ele os construiu já no início da década de 1950.Experimentando constantemente os dispositivos eletrônicos caseiros para alterar os efeitos de guitarra elétrica, Bell tocou em um zilhão de sessões de estúdio em Nova York e Los Angeles nos anos 1960 e 1970.
O álbum “Airport Love Theme”, com a trilha sonora do filme Aeroporto, foi lançado em Junho de 1970 e foi um grande sucesso.
(Informações obtidas no site http://www.vinniebell.com/).
Um dos maiores geeks da guitarra pop, Vinnie Bell entrará para a história da música como o inventor do som de guitarra "aquático", que era uma grande novidade em gravações instrumentais da década de 1960. Sua utilização mais notória ocorreu em 1969, na gravação do tema do filme "Midnight Cowboy", pela dupla Ferrante & Teicher; o efeito tornou-se talvez a mais copiada técnica entre os guitarristas, até o pedal wah-wah tornar-se equipamento padrão em 1970.
Na verdade, Bell provavelmente pode ter criado o pedal wah-wah, também, pois há evidências de que ele os construiu já no início da década de 1950.Experimentando constantemente os dispositivos eletrônicos caseiros para alterar os efeitos de guitarra elétrica, Bell tocou em um zilhão de sessões de estúdio em Nova York e Los Angeles nos anos 1960 e 1970.
O álbum “Airport Love Theme”, com a trilha sonora do filme Aeroporto, foi lançado em Junho de 1970 e foi um grande sucesso.
(Informações obtidas no site http://www.vinniebell.com/).
DAS MADRUGADAS
Numa das últimas edições do Pauta Extra, fui presenteado por Mr. Muller, para meu orgulho, com uma "coluna", se é que assim se pode dizer, chamada "O blém do Kevin". Minha primeira indicação foi Maxine, de Donald Fagen, uma das mais belas músicas de todos os tempos. Eis que, fuçando no iutubi, por acaso, descobri uma versão que não conhecia (Jad & Den Quintet), mas que é um exemplo de uma obra de arte tratada com o merecido respeito. Enjoy it.
PS.: Para João Guedes e Bebeto Mohr.
DAS MADRUGADAS
Capote nunca entregou seu artigo para a Rolling Stone, queixando-se que a turnê não tinha sido tão interessante quanto ele esperava. (Em vez disso, Andy Warhol entrevistou-o sobre o porquê de ele [Mick Jagger] não ter "excitado a sua imaginação".) Os comentários subsequentes de Capote sobre Mick nos programas de entrevistas na TV foram rabugentos, mas não totalmente desatentos:
Não há qualquer correlação entre um Jagger e um Sinatra... [Mick] não tem talento, a não ser um olhar de mosca morta... Essa coisa unissex é uma coisa sem sexo. Acredite em mim, ele e tão sexy quanto um sapo fazendo xixi... Acho que ele poderia ser um homem de negócios. Ele tem essa facilidade de ser capaz de pensar nos recibos enquanto chicoteia o palco durante "Midnight rumbler".
Não há qualquer correlação entre um Jagger e um Sinatra... [Mick] não tem talento, a não ser um olhar de mosca morta... Essa coisa unissex é uma coisa sem sexo. Acredite em mim, ele e tão sexy quanto um sapo fazendo xixi... Acho que ele poderia ser um homem de negócios. Ele tem essa facilidade de ser capaz de pensar nos recibos enquanto chicoteia o palco durante "Midnight rumbler".
sábado, 24 de agosto de 2013
COVER DO SÁBADO
Negue foi composta em 1960 por Adelino Moreira e Enzo de Almeida Passos. Maior sucesso de Adelino, foi gravada pela primeira vez por Carlos Augusto e regravada por vários cantores, entre eles, Cauby Peixoto, Agostinho dos Santos e Maria Bethânia.
Em 1983, a música foi incluída no disco Camisa de Vênus, da banda homônima, com grande sucesso.
Em 1983, a música foi incluída no disco Camisa de Vênus, da banda homônima, com grande sucesso.
INUNDAÇÃO EM PORT-MARLY
O pintor impressionista francês Alfred Sisley é o autor da
obra Inundação em Port-Marly. Ao lado de Camille Pisarro e Claude Monet, Sisley
é considerado um dos paisagistas de maior destaque do Impressionismo.
Ano: 1876
Técnica: Óleo sobre tela
Tamanho: 60cm x 81cm
Movimento: Impressionismo
O artista procurava por localidades rurais cujas vistas
permitissem explorar aspectos específicos da pintura de paisagens. Ele tinha
interesse pelas relações visuais dentro de uma paisagem, concentrando-se na
superfície, na textura, na cor, no tom, no movimento e na composição.
As cheias do rio Sena na refião de Port-Marly, no ano de
1876, foram um prato cheio para que Sisley explorasse os efeitos flutuantes de
cor, luz, textura e superficies. Seis telas foram produzidas sobre esse tema e
elas podem ser consideradas um exemplo inicial de série de pinturas.
A tela apresentada hoje retrata os arredores da taberna
Nicolas. Nela os tons de vermelho, branco e azul do estabelecimento ganham
equilíbrio nas árvores submersas e na água que se movimenta a distância. A água
sumindo ao longe transmite a ideia de profundidade e as superficies e formas
contrastantes se integram em uma paleta suave e tranquila.
4 detalhes de Inundação em Port-Marly se destacam:
1. Profundidade da cena:
A sutileza nos tons variados de cinza e marrom acrescenta
profundidade e textura à cena.
2. Pinceladas em forma de C:
Na água, muitas pinceladas têm forma de C, frequentemente
recurvadas nas duas direções e reforçadas com duas ou mais cores ou tons.
Embora elas pareçam estranhas de perto, reproduzem perfeitamente o constante
movimento da água.
3. Misturas de cor ou variações de tom:
O quadro apresenta poucas misturas de cor ou variações de
tom, sendo boa parte da tinta aplicada na tela como cor única.
4. Árvores submersas:
Abaixo das árvores submersas, o movimento das águas é
captado por meio dos reflexos e pelas sombras dos troncos.
Ficha Técnica - Inundação em Port-Marly:
Autor: Alfred Sisley
Onde ver: Museu d'Orsay, Paris, França Ano: 1876
Técnica: Óleo sobre tela
Tamanho: 60cm x 81cm
Movimento: Impressionismo
TONY IOMMI
Em livro, guitarrista do Black Sabbath conta como perdeu parte dos dedos
Tony Iommi sofreu acidente, fez prótese caseira e virou músico consagrado.
Leia trecho de biografia sobre drama na juventude; banda vem ao Brasil.
Do G1, em São Paulo
Se o guitarrista Tony Iommi seguisse os conselhos médicos que ouviu aos 17 anos, após perder parte dos dedos em um acidente de trabalho, talvez o Black Sabbath não existisse, e os brasileiros não estivessem ansiosos para ver o shows da banda em outubro no Brasil.
A turnê da banda pelo Brasil começa dia 9 de outubro, em Porto sAlegre; segue para SP, no dia 11; passa pelo Rio, no dia 13; e termina em Belo Horizonte, no dia 14.
"O melhor que você pode fazer é desistir, na verdade. Arranje outro emprego, faça alguma outra coisa", disseram os médicos ao jovem músico inglês, que havia perdido parte de dois dedos em acidente em uma fábrica na qual trabalhava.
Iommi não se conformou, criou próteses caseiras e se transformou em um dos músicos mais importantes do heavy metal tocando ao lado de Ozzy Osbourne.
Ele lembra o episódio no trecho abaixo, do livro "Iron Man - minha jornada com o Black Sabbath". A biografia lançada em 2011 em inglês ganhou recente versão brasileira, pela Editora Planeta.
"Então, como eu contei antes, era meu último dia no trabalho. Havia uma senhora que dobrava pedaços de metal em uma máquina e eu os soldava. Como ela tinha faltado naquele dia, me colocaram para trabalhar na máquina dela, porque, caso contrário, eu não teria nada para fazer. Eu nunca tinha trabalhado com aquilo e não sabia como fazer. Era uma prensa de guilhotina grande, com um pedal. Você puxava uma folha, empurrava o pedal com o pé e aí aquela coisa descia, com um estrondo, e dobrava o metal.
Tudo correu bem durante a manhã. Depois de voltar do horário de almoço, pisei no pedal e a prensa veio direto na minha mão direita. Quando puxei a mão de volta por reflexo, as pontas dos meus dedos foram arrancadas. Estique a sua mão, alinhe o dedo indicador e o dedo mindinho e desenhe uma linha entre a ponta deles: a parte dos dois dedos do meio foram cortadas. Os ossos ficaram projetados para fora. Eu simplesmente não conseguia acreditar.
Tinha sangue por todo lado. Fiquei tão em choque que no início nem senti dor.
Fui levado para o hospital e, em vez de fazer algo para parar o sangramento, colocaram minha mão em um saco. Rapidamente, ele ficou cheio, e pensei: “quando alguém vai me ajudar?”. Eu estava sangrando até a morte ali!
Algum tempo depois, alguém chegou ao hospital trazendo os pedaços que tinham sido arrancados, dentro de uma caixa de fósforos. Eles estavam todos negros, completamente arruinados, então não seria possível colocá-los de volta. Depois de mais algum tempo, cortaram a pele do meu braço e colocaram por cima das pontas dos meus dedos feridos. As unhas caíram na mesma hora. Colocaram um pouco de barba por trás delas para ver se as unhas cresciam, enxertaram a pele e foi isso.
Algum tempo depois, alguém chegou ao hospital trazendo os pedaços que tinham sido arrancados, dentro de uma caixa de fósforos. Eles estavam todos negros, completamente arruinados, então não seria possível colocá-los de volta. Depois de mais algum tempo, cortaram a pele do meu braço e colocaram por cima das pontas dos meus dedos feridos. As unhas caíram na mesma hora. Colocaram um pouco de barba por trás delas para ver se as unhas cresciam, enxertaram a pele e foi isso.
Então eu simplesmente ficava em casa me lamentando. Eu pensava: “É isso, acabou tudo!”. Não dava para acreditar no meu azar. Tinha acabado de entrar em uma grande banda, era meu último dia no trabalho e eu estava aleijado pelo resto da vida. O gerente da fábrica foi me visitar algumas vezes, um homem mais velho, careca e com um bigodinho, chamado Brian. Ele viu que eu estava deprimido de verdade, então um dia me deu um disco e disse:
– Ponha para tocar.
– Não, não estou com vontade – respondi.
– Não, não estou com vontade – respondi.
Ser obrigado a ouvir música certamente não iria me alegrar naquele momento.
– Bem, acho que você deveria, porque vou lhe contar uma história. Esse cara toca guitarra e usa apenas dois dedos – disse ele.
Era o guitarrista belga de gipsy jazz Django Reinhardt e, caramba, ele era fantástico! Pensei que, se ele conseguia fazer isso, eu também poderia tentar. Foi muito bacana da parte do Brian ter tido a consideração de comprar o disco para mim. Sem ele, não sei o que teria acontecido. Assim que ouvi a música, fiquei decidido a fazer algo sobre a situação em vez de ficar deprimido.
Eu ainda estava com ataduras nos dedos e, por isso, tentei tocar somente com o dedo indicador e o dedo mindinho. Foi muito frustrante, porque, quando se toca bem, é difícil regredir. Provavelmente teria sido mais fácil virar a guitarra de cabeça para baixo e aprender a tocar com a mão direita em vez da esquerda. Pensando em retrospecto, eu gostaria de ter feito isso, mas achei que, como já tocava havia alguns anos, levaria mais uns anos para aprender a tocar desse jeito. Parecia tempo demais, então eu estava determinado a continuar a tocar com a mão esquerda. Insisti em tocar com os dois dedos enfaixados, embora os médicos dissessem:
– O melhor que você pode fazer é desistir, na verdade. Arranje outro emprego, faça alguma outra coisa.
No entanto, eu pensei que, caramba, tinha que haver algo que eu pudesse fazer.
Depois de pensar por um tempo, fiquei imaginando se conseguiria fazer uma proteção para encaixar nos meus dedos. Peguei uma garrafa de detergente, a derreti, a moldei no formato de uma bolinha e esperei esfriar. Depois, fiz um buraco com um ferro de solda até que aquilo coubesse por cima do meu dedo. Eu a esculpi um pouco mais com uma faca, peguei uma lixa e fiquei ali, lixando durante horas, até formar uma espécie de dedal. Coloquei-o em um dos dedos e tentei tocar guitarra com ele, mas não ficou legal. Como era feito de plástico, ficava deslizando para fora da corda e eu mal conseguia tocar, pois doía muito. Depois disso, tentei pensar em algo que pudesse colocar por cima daquilo. Experimentei um pedaço de pano, mas é claro que ele rasgou. Usei diferentes peças de couro, que também não funcionaram. Então, achei uma jaqueta velha e cortei um pedaço de couro dela. Era couro velho e, por isso, um pouco mais resistente. Cortei-o de uma maneira que desse para colocar por cima do dedal e o colei, deixei secar e tentei mais uma vez. Pensei, caramba, agora eu consigo tocar a corda de verdade! Também lixei um pouco o couro, mas depois tive de esfregá-lo em uma superfície rígida para dar uma aparência brilhante, para que não grudasse demais nas coisas. Aquilo precisava ficar bem certinho para que eu conseguisse tocar as cordas para cima e para baixo.
Mesmo usando os dedais, meus dedos doem. Se você olhar para meu dedo do meio, vai ver uma saliência na ponta. Logo debaixo dela fica o osso. Preciso ser cuidadoso, pois, às vezes, quando os dedais saem e eu pressiono a corda com força, a pele por cima das pontas dos meus dedos se rasga. Os primeiros dedais que fiz caíam o tempo todo. E era um problema: um dos roadies ficava rastejando pelo palco, dizendo:
– Onde diabos isso foi parar?
– Onde diabos isso foi parar?
Por isso, quando subo no palco, colo fita cirúrgica em torno dos dedos, aplico um pouco de cola de secagem rápida por cima e encaixo os dedais. E, no fim do dia, tenho que tirar tudo de novo.
Só perdi os dedais algumas vezes. Eu praticamente vivia com os dedais quando estava em turnê e os guardava comigo o tempo todo. Sempre tenho um par reserva e meu técnico de guitarra também tem um.
Passar pela alfândega com essas coisas é outra história. Eu guardava os dedais em uma caixa. Eles revistavam minha bolsa e diziam:
– Ora, o que é isso? Drogas?
E aí, o choque: são dedos. Tive de me explicar para a alfândega em várias ocasiões. E eles reagiam dizendo, simplesmente:
– Putz!
Largavam meus dedos falsos com nojo.
Hoje em dia, o pessoal do hospital fabrica o dedal do meu dedo anelar. Na verdade, fazem uma prótese de braço completo e só o que uso são dois dos dedos, que corto fora. Eu já perguntei:
– Por que vocês não fabricam apenas um dedo?
– Não, é mais fácil para a gente oferecer o braço inteiro.
Então dá para imaginar o que o lixeiro pensa quando encontra um braço no lixo. Os dedais que pego se parecem com dedos de verdade; não tem couro no anelar, dá para tocar com o material do qual é feito. Às vezes, eles são macios demais, então os deixo ao ar livre por um tempo para que endureçam ou coloco um pouco de cola de secagem rápida por cima deles para conseguir chegar ao ponto certo de novo. Se eu não fizer isso, os dedos agarram demais nas cordas. É um processo que leva séculos.
Os dedais caseiros costumavam se desgastar, mas, atualmente, a cobertura dura bastante, só o couro fica gasto. Cada dedal provavelmente dura um mês, talvez metade de uma turnê e, quando começa a se desgastar, tenho de fazer tudo de novo. Continuo a usar o mesmo pedaço de jaqueta com o qual comecei, 40 anos atrás. Não sobrou muita coisa, mas ele deve durar mais alguns anos.
É primitivo, mas funciona. Ou você desiste ou precisa lutar e trabalhar assim. Dá muito trabalho. Fabricá-los é uma fase, mas tentar tocar com eles é outra, porque não dá para sentir nada. Você tem consciência de que há uma saliência em cima dos dedos, por isso precisa praticar para que funcione.
Parte do meu som advém da aprendizagem de tocar principalmente com os dois dedos bons, o indicador e o mindinho. Faço os acordes com eles e depois aplico o vibrato. Uso os dedos decepados especialmente nos solos. Quando puxo as cordas, uso o dedo indicador, e também aprendi a puxá-las com o dedo mindinho. Consigo puxá-la em menor grau com os outros dedos. Antes do acidente, eu não usava o dedo mindinho para nada, então tive de aprender a usá-lo. Tenho uma limitação, pois, mesmo com os dedais, há certos acordes que nunca serei capaz de tocar. Nem sempre consigo tocar da mesma maneira nas situações em que costumava fazer um acorde completo antes do acidente, por isso compenso com um som mais denso. Por exemplo, toco o acorde Mi e a nota Mi e aplico um vibrato nela para fazê-la soar mais forte, o que compensa o som mais denso que eu conseguiria tocar como se ainda tivesse pleno uso de todos os dedos. Foi assim que desenvolvi um estilo de tocar que se adaptasse às minhas limitações físicas. É um estilo pouco ortodoxo, mas funciona para mim."
sexta-feira, 23 de agosto de 2013
MÚSICA NA SEXTA
Eumir Deodato de
Almeida nasceu em 1943 no Rio de Janeiro.
Em 1964, lançou o LP "Inútil paisagem", com músicas de Tom Jobim.
Instrumentista, arranjador, compositor, produtor musical, começou
a tocar acordeom aos 12 anos de idade. Em seguida, começou seus estudos de
piano, orquestração, arranjo e regência.
Em 1959, iniciou sua carreira profissional, apresentando-se
em shows de bossa nova ao lado de Roberto Menescal e Durval Ferreira. Escreveu
arranjos para os primeiros discos de Wilson Simonal e Marcos Valle.
Em 1964, lançou o LP "Inútil paisagem", com músicas de Tom Jobim.
Em seguida gravou, com Os Catedráticos, os LPs
"Impulso! Samba" (1964), "Tremendão" (1964) e
"Ataque", neste último registrando canções de sua autoria, como
"Ataque" e "Razão de viver" (c/ Paulo Sérgio Valle).
Convidado por Augusto Marzagão, presidiu a comissão de
seleção prévia das primeiras edições do Festival Internacional da Canção (FIC),
com a responsabilidade de escolher os compositores que se apresentariam no
Maracanãzinho (RJ). No II FIC, realizado em 1967, três músicas de Milton
Nascimento (com Fernando Brant) foram selecionadas para serem apresentadas no
evento ("Travessia", "Maria minha fé" e "Morro
velho"), razão pela qual é citado como responsável pelo lançamento do
compositor.
Em 1967, mudou-se para Nova York, para
escrever arranjos para Luiz Bonfá, e atuou, em seguida, como arranjador do
disco "Beach Samba", de Astrud Gilberto.
Foi então contratado por Creed Taylor para trabalhar em
discos de outros artistas lançados pela gravadora CTI, como Tom Jobim, Walter
Wanderley, Paul Desmond, Aretha Franklin ("Let me in your life"),
Frank Sinatra ("Sinatra & Co."), Tony Bennett e Roberta Flack
("Killing me softly", "Chapter" e "Quiet fire").
Atuou também com Wes Montgomery, Ray Bryant e Stanley Turrentine.
Em 1969, lançou, com João Donato, o LP
"Donato/Deodato".
Em 1972, gravou o LP "Percepção" e em seguida foi
premiado pelas revistas "Billboard", "Cashbox",
"Record World" e "Playboy", além de ter recebido um Grammy,
na categoria Melhor Performance Instrumental pop/rock, e uma indicação para
Melhor Artista Pop.
No ano seguinte, escreveu um arrojado arranjo para
"Assim falou Zaratustra", de Richard Strauss (tema musical do filme
de Stanley Kubrick "2001: uma odisséia no espaço"), faixa incluída em
seu disco "Prelude", que atingiu a marca de cinco milhões de cópias
vendidas.
ENTÃO... BACANA...
Programa de "cultura" na TV. O convidado é um músico que está lançando seu "mais recente trabalho". O apresentador, depois de um breve introito, falando sobre o quão "bacana" é o dito trabalho, pergunta sobre a participação "bacana" de um grande nome da MPB no CD do rapaz. O entrevistado solta um suspiro e assume aquele ar de " isso é algo normal na minha vida artística" (mas não é) e ataca: - Então..., foi uma participação muito bacana...
Daí pra frente, foi uma overdose de bacanas e entãos, só interrompida quando o cara tocava (E bem, diga-se!).
And I think to myself, what a bacana world...
Daí pra frente, foi uma overdose de bacanas e entãos, só interrompida quando o cara tocava (E bem, diga-se!).
And I think to myself, what a bacana world...
FAMA
Muitas pessoas sonham com a fama. Algumas, ao atingirem o estrelato, arrebanham milhares de seguidores nas "redes sociais" (instagram, feicebuque e afins). Postam fotos na cama, no banho, fazendo xixi (uma ex- BBB, profissão da moda, fez isso), de calcinha, peladas na banheira com os seus bebês, preparando-se para dormir, preparando-se para a balada, mostrando a lingerie que será usada na noite de núpcias... Aí, saem para caminhar na praia, ir ao supermercado ou a um restaurante e ficam irritadinhas com a perseguição dos fotógrafos...
D. Juan, um índio Iaque, personagem dos livros de Carlos Castañeda, um brasileiro que empulhou muito "maluco beleza" nos anos 70, diria que isso é "excesso de importância pessoal".
D. Juan, um índio Iaque, personagem dos livros de Carlos Castañeda, um brasileiro que empulhou muito "maluco beleza" nos anos 70, diria que isso é "excesso de importância pessoal".
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