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terça-feira, 16 de maio de 2017

PRIMEIROS PARÁGRAFOS INESQUECÍVEIS

"Inteiramente nus e com os corpos cuidadosamente pintados de vermelho e azul, Assis Chateaubriand e sua filha Teresa estavam sentados no chão, mastigando pedaços de carne humana. Um enorme cocar de penas azuis de arara cobria os cabelos grisalhos dele e caía sobre suas costas, como uma trança. O excesso de gordura em volta dos mamilos e a barriga flácida, escondendo o sexo, davam ao jornalista, à distância, a aparência de uma velha índia gorda. Pai e filha comiam com voracidade os restos do bispo Pero Fernandes Sardinha, cujo barco adernara ali perto, na foz do rio Coruripe, quando o religioso se preparava para retornar à pátria portuguesa. Quem apurasse o ouvido poderia jurar que ouvia, vindos não se sabe de onde, acordes do Parsifal, de Wagner. No chão, em meio aos despojos de outros náufragos, Chateaubriand viu um exemplar do Diário da Noite, em cujo cabeçalho era possível ler a data do festim canibal: 15 de junho de 1556. De repente dia escureceu completamente e ele sentiu algo úmido e frio encostado em seu pescoço."

Chatô, o Rei do Brasil - Fernando Morais - 1994

terça-feira, 28 de outubro de 2014

PRIMEIROS PARÁGRAFOS INESQUECÍVEIS

"Inteiramente nus e com os corpos cuidadosamente pintados de vermelho e azul, Assis Chateaubriand e sua filha Teresa estavam sentados no chão, mastigando pedaços de carne humana. Um enorme cocar de penas azuis de arara cobria os cabelos grisalhos dele e caía sobre suas costas, como uma trança. O excesso de gordura em volta dos mamilos e a barriga flácida, escondendo o sexo, davam ao jornalista, a distância, a aparência de uma velha índia gorda. Pai e filha comiam com voracidade os restos do bispo Pedro Fernandes Sardinha, cujo barco adernara ali perto, na foz do rio Coruripe, quando o religioso se preparava para retornar à pátria portuguesa. Quem apurasse o ouvido poderia jurar que ouvia, vindos não se sabe de onde, acordes do Parsifal, de Wagner. No chão, em meios aos despojos de outros náufragos, Chateaubriand viu um exemplar do Diário da Noite, em cujo cabeçalho era possível ler a data do festim canibal: 15 de junho de 1556. De repente o dia escureceu completamente e ele sentiu algo úmido e frio encostado em seu pescoço."


Chatô - O Rei do Brasil - Fernando Morais - 1994

quarta-feira, 9 de abril de 2014

AGORA SIM...

Em entrevista à revista Status, Guilherme Fontes falou sobre Chatô – O Rei do Brasil, filme que está em produção desde 1995 e o levou a ser acusado de mau uso de dinheiro público.

“Não tive canal para contar. E o que eu contei ninguém acreditou! O fato é que uma mentira repetida vira verdade”, disse. 

O ator afirmou ainda que tudo não passou de uma conspiração dos tubarões do cinema nacional contra um estreante atrevido.

"Os nomes são terríveis, envolvem pessoas famosas e respeitadas. Não há condições de citá-los. Durmo tranquilo porque nunca desviei um real. Essas duas condenações (ele foi condenado a devolver R$ 36,5 milhões ao Estado e em 2010 foi condenado a três anos, um mês e seis dias de reclusão por sonegação fiscal) são uma piada. O que captei de fato foram R$ 12 milhões. Recebi R$ 8,6 milhões, que investi integralmente no projeto. Quando você quer destruir alguém, basta mandar fiscais. Caí na besteira de dizer: 'podem vir os fiscais'. Só que eles vieram mesmo, vieram todos! O Brasil é fake! É uma história complicada".

Finalmente, tudo esclarecido: uma mentira repetida vira verdade, não dá para citar os nomes envolvidos no complô para incriminá-lo e o Brasil é fake. Nada como um dia após o outro...