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terça-feira, 11 de outubro de 2016

DO CANCIONEIRO POLITICAMENTE INCORRETO


Nó na Madeira
(João Nogueira e José Eugênio Monteiro)

Eu sou é madeira
Em samba de roda já dei muito nó...
Em roda de samba sou considerado,
De chinelo novo brinquei carnaval, carnaval

Eu sou é madeira
Meu peito é do povo do samba e da gente,
E dou meu recado de coração quente
Não ligo a tristeza, não furo eu sou gente

Sou é a madeira
Trabalho é besteira, o negócio é sambar
Que samba é ciência e com consciência
Só ter paciência que eu chego até lá...

Sou nó na madeira
Lenha na fogueira que já vai pegar
Se é fogo que fica ninguém mais apaga
É a paga da praga que eu vou te rogar

sexta-feira, 14 de agosto de 2015

MÚSICA NA SEXTA

João Nogueira nasceu em 1941, no Rio de Janeiro.

Filho de músico profissional, nunca deixou de estar em contato com o samba e o choro devido às presenças de Pixinguinha, Jacob do Bandolim, Donga e João da Baiana, amigos de seu pai e frequentadores de sua casa.

Segundo o livro "Noel, uma biografia", de João Máximo, seu pai chegou a tocar com Noel Rosa. Aprendeu a tocar violão acompanhando o próprio pai, que morreu quando ele tinha 10 anos. "Seu" João Nogueira era violonista e chegou a tocar com o Conjunto Regional, de Rogério Guimarães, e com Jacob do Bandolim. Com a sua morte, a família passou por uma fase difícil. Assim, foi obrigado a trabalhar como vitrinista e vendedor. Trabalhou, também, como funcionário da Caixa Econômica.

Aos 15 anos, começou a fazer música junto com a irmã, a compositora Gisa Nogueira. No fim da década de 1960 já havia composto mais de 40 músicas.

Iniciou a carreira no "Festival de Juiz de Fora".

Em 1977, chegou às lojas "Espelho", uma produção de Paulo César Pinheiro com arranjos do maestro Geraldo Vespar, lançado no Teatro João Caetano.

Paulo Cesar Pinheiro conta que João Nogueira um dia mencionou que empacara na letra de um samba em homenagem ao pai cuja melodia já estava pronta. Nas palavras do próprio Paulo César “Não conseguia sair do que já escrevera. Queria saber se eu não topava dar um jeito. E me mostrou. Era realmente lindo. - João - eu disse - deixa de ser preguiçoso. Se você chegou até onde chegou, você termina sozinho. Mas ele cismou que estava bloqueado, que verso nenhum vinha mais, que era difícil falar do velho, sua adoração maior, e que no refrão, o mais importante em sua opinião, nem tinha ideia do que escrever. Peguei o gravador e registrei nele o que seria nossa primeira parceria”.


Espelho 
(João Nogueira/Paulo Cesar Pinheiro)
Nascido no subúrbio nos melhores dias
Com votos da família de vida feliz
Andar e pilotar um pássaro de aço
Sonhava ao fim do dia ao me descer cansaço
Com as fardas mais bonitas desse meu país
O pai de anel no dedo e dedo na viola
Sorria e parecia mesmo ser feliz
Eh, vida boa
Quanto tempo faz
Que felicidade!
E que vontade de tocar viola de verdade
E de fazer canções como as que fez meu pai (Bis)
Num dia de tristeza me faltou o velho
E falta lhe confesso que ainda hoje faz
E me abracei na bola e pensei ser um dia
Um craque da pelota ao me tornar rapaz
Um dia chutei mal e machuquei o dedo
E sem ter mais o velho pra tirar o medo
Foi mais uma vontade que ficou pra trás
Eh, vida à toa
Vai no tempo vai
E eu sem ter maldade
Na inocência de criança de tão pouca idade
Troquei de mal com Deus por me levar meu pai
E assim crescendo eu fui me criando sozinho
Aprendendo na rua, na escola e no lar
Um dia eu me tornei o bambambã da esquina
Em toda brincadeira, em briga, em namorar
Até que um dia eu tive que largar o estudo
E trabalhar na rua sustentando tudo
Assim sem perceber eu era adulto já
Eh, vida voa
Vai no tempo, vai
Ai, mas que saudade
Mas eu sei que lá no céu o velho tem vaidade
E orgulho de seu filho ser igual seu pai
Pois me beijaram a boca e me tornei poeta
Mas tão habituado com o adverso
Eu temo se um dia me machuca o verso
E o meu medo maior é o espelho se quebrar

sexta-feira, 12 de junho de 2015

MÚSICA NA SEXTA

João Nogueira nasceu em 1941, no Rio de Janeiro.

Filho de músico profissional, nunca deixou de estar em contato com o samba e o choro, devido às presenças de Pixinguinha, Jacob do Bandolim, Donga e João da Baiana, amigos de seu pai e frequentadores de sua casa.

Segundo o livro "Noel, uma biografia", de João Máximo, seu pai chegou a tocar com Noel Rosa. Aprendeu a tocar violão acompanhando o próprio pai, que morreu quando ele tinha 10 anos. "Seu" João Nogueira era violonista e tocou com o Conjunto Regional, de Rogério Guimarães, e com Jacob do Bandolim. Com a sua morte, a família passou por uma fase difícil. Assim, foi obrigado a trabalhar como vitrinista e vendedor. Foi também funcionário da Caixa Econômica.

Aos 15 anos, começou a fazer música junto com a irmã, a compositora Gisa Nogueira.

No fim da década de 1960 já havia composto mais de 40 músicas e iniciou a carreira no "Festival de Juiz de Fora".

Em 1977, chegou às lojas "Espelho", uma produção de Paulo César Pinheiro, com arranjos do maestro Geraldo Vespar, com show de lançamento no Teatro João Caetano.

Paulo Cesar Pinheiro conta que João Nogueira um dia mencionou que empacara na letra de um samba em homenagem ao pai, cuja melodia já estava pronta. Nas palavras do próprio Paulo César, “Não conseguia sair do que já escrevera. Queria saber se eu não topava dar um jeito. E me mostrou. Era realmente lindo. - João - eu disse - deixa de ser preguiçoso. Se você chegou até onde chegou, você termina sozinho. Mas ele cismou que estava bloqueado, que verso nenhum vinha mais, que era difícil falar do velho, sua adoração maior, e que no refrão, o mais importante em sua opinião, nem tinha ideia do que escrever. Peguei o gravador e registrei nele o que seria nossa primeira parceria”.


Espelho
(João Nogueira/Paulo Cesar Pinheiro)

Nascido no subúrbio nos melhores dias
Com votos da família de vida feliz
Andar e pilotar um pássaro de aço
Sonhava ao fim do dia ao me descer cansaço
Com as fardas mais bonitas desse meu país
O pai de anel no dedo e dedo na viola
Sorria e parecia mesmo ser feliz
Eh, vida boa
Quanto tempo faz
Que felicidade!
E que vontade de tocar viola de verdade
E de fazer canções como as que fez meu pai (Bis)
Num dia de tristeza me faltou o velho
E falta lhe confesso que ainda hoje faz
E me abracei na bola e pensei ser um dia
Um craque da pelota ao me tornar rapaz
Um dia chutei mal e machuquei o dedo
E sem ter mais o velho pra tirar o medo
Foi mais uma vontade que ficou pra trás

Eh, vida à toa
Vai no tempo vai
E eu sem ter maldade
Na inocência de criança de tão pouca idade
Troquei de mal com Deus por me levar meu pai
E assim crescendo eu fui me criando sozinho
Aprendendo na rua, na escola e no lar
Um dia eu me tornei o bambambã da esquina
Em toda brincadeira, em briga, em namorar
Até que um dia eu tive que largar o estudo
E trabalhar na rua sustentando tudo
Assim sem perceber eu era adulto já

Eh, vida voa
Vai no tempo, vai
Ai, mas que saudade
Mas eu sei que lá no céu o velho tem vaidade
E orgulho de seu filho ser igual seu pai
Pois me beijaram a boca e me tornei poeta
Mas tão habituado com o adverso
Eu temo se um dia me machuca o verso
E o meu medo maior é o espelho se quebrar

sábado, 25 de outubro de 2014

COVER DO SÁBADO

O Poder da Criação, deJoão Nogueira e Paulo César Pinheiro, faz parte do disco "Boca do Povo", o sétimo de Joaõ Nogueira, lançado em 1980. É um de seus maiores sucessos, regravados por diversos artistas. Há quem diga que é o samba mais lindo de todos os tempos.

O disco conta com outras músicas que se tornaram clássicos, como "Trabalhadores do Brasil"  e "Cavaleiros Santos", em parceria também com Paulo César Pinheiro, "Bons ventos" (com Ivor Lancellotti) e "Linguagem do morro", de autoria de Padeirinho e Ferreira dos Santos.



Em 2012, foi realizado um show em homenagem a João Nogueira como parte de um projeto de um samba book, com partituras, letras, CD e um DVD com um show gravado ao vivo.  Gravado no palco do Tom Brasil, em São Paulo, o tributo contou com participações de Zeca Pagodinho, Dona Ivone Lara, Beth Carvalho, João Bosco, Emílio Santiago, Arlindo Cruz & Sombrinha, Carlinhos Vergueiro, Jane Duboc e os filhos do sambista. 

Apesar de não ter participado da gravação original (ao vivo), Chico Buarque gravou em estúdio a canção O Poder da Criação.

sábado, 11 de janeiro de 2014

COVER DO SÁBADO

Samba e Amor, de Chico Buarque, foi gravada no disco Chico Buarque de Hollanda - Volume 4, de 1970. Em 1975, Caetano Veloso regravaria a canção no disco Qualquer Coisa.


Em 1996, João Nogueira e o pianista Marinho Boffa incluíram a canção no disco Chico Buarque - Letra e Música.

sexta-feira, 15 de novembro de 2013

MÚSICA NA SEXTA

João Nogueira nasceu em 1941, no Rio de Janeiro.

Filho de músico profissional, nunca deixou de estar em contato com o samba e o choro devido às presenças de Pixinguinha, Jacob do Bandolim, Donga e João da Baiana, amigos de seu pai e frequentadores de sua casa.

Segundo o livro "Noel, uma biografia", de João Máximo, seu pai chegou a tocar com Noel Rosa. Aprendeu a tocar violão acompanhando o próprio pai, que morreu quando ele tinha 10 anos. "Seu" João Nogueira era violonista e chegou a tocar com o Conjunto Regional, de Rogério Guimarães, e com Jacob do Bandolim. Com a sua morte, a família passou por uma fase difícil. Assim, foi obrigado a trabalhar como vitrinista e vendedor.

Trabalhou, também, como funcionário da Caixa Econômica.

Aos 15 anos, começou a fazer música junto com a irmã, a compositora Gisa Nogueira.

No fim da década de 1960 já havia composto mais de 40 músicas.

Iniciou a carreira no "Festival de Juiz de Fora".

Em 1977, chegou às lojas "Espelho", uma produção de Paulo César Pinheiro com arranjos do maestro Geraldo Vespar, lançado no Teatro João Caetano.


Paulo Cesar Pinheiro conta que João Nogueira um dia mencionou que empacara na letra de um samba em homenagem ao pai cuja melodia já estava pronta. Nas palavras do próprio Paulo César “Não conseguia sair do que já escrevera. Queria saber se eu não topava dar um jeito. E me mostrou. Era realmente lindo. - João - eu disse - deixa de ser preguiçoso. Se você chegou até onde chegou, você termina sozinho. Mas ele cismou que estava bloqueado, que verso nenhum vinha mais, que era difícil falar do velho, sua adoração maior, e que no refrão, o mais importante em sua opinião, nem tinha ideia do que escrever. Peguei o gravador e registrei nele o que seria nossa primeira parceria”.

Espelho 
(João Nogueira/Paulo Cesar Pinheiro)

Nascido no subúrbio nos melhores dias
Com votos da família de vida feliz
Andar e pilotar um pássaro de aço
Sonhava ao fim do dia ao me descer cansaço
Com as fardas mais bonitas desse meu país
O pai de anel no dedo e dedo na viola
Sorria e parecia mesmo ser feliz

Eh, vida boa
Quanto tempo faz
Que felicidade!

E que vontade de tocar viola de verdade
E de fazer canções como as que fez meu pai (Bis)
Num dia de tristeza me faltou o velho
E falta lhe confesso que ainda hoje faz
E me abracei na bola e pensei ser um dia
Um craque da pelota ao me tornar rapaz
Um dia chutei mal e machuquei o dedo
E sem ter mais o velho pra tirar o medo
Foi mais uma vontade que ficou pra trás

Eh, vida à toa
Vai no tempo vai
E eu sem ter maldade

Na inocência de criança de tão pouca idade
Troquei de mal com Deus por me levar meu pai
E assim crescendo eu fui me criando sozinho
Aprendendo na rua, na escola e no lar
Um dia eu me tornei o bambambã da esquina
Em toda brincadeira, em briga, em namorar
Até que um dia eu tive que largar o estudo
E trabalhar na rua sustentando tudo
Assim sem perceber eu era adulto já

Eh, vida voa
Vai no tempo, vai
Ai, mas que saudade

Mas eu sei que lá no céu o velho tem vaidade
E orgulho de seu filho ser igual seu pai
Pois me beijaram a boca e me tornei poeta
Mas tão habituado com o adverso
Eu temo se um dia me machuca o verso
E o meu medo maior é o espelho se quebrar