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domingo, 14 de maio de 2017

VERSÃO BRASILEIRA

E po' che fa' foi composta pelo cantor e compositor italiano Pino Daniele e lançada no álbum "Bella 'Mbriana", de 1982. A letra da música foi composta num dialeto napolitano.

Em 1989, Marisa Monte lançou Bem que se Quis, versão de Nélson Motta, em MM (também conhecido como Marisa Monte), seu primeiro álbum. A canção foi o maior sucesso do ano e puxou as vendas do disco, que atingiu a casa de 700 mil cópias.


Bem que se quis
depois de tudo ainda ser feliz
mas já não há caminhos pra voltar.
E o que é que a vida fez da nossa vida?
O que é que a gente não faz por amor?

Mas tanto faz, já me esqueci de te esquecer porque
o teu desejo é o meu melhor prazer
e o meu destino é querer sempre mais,
a minha estrada corre pro seu mar

Agora vem pra perto vem
vem depressa vem sem fim, dentro de mim
que eu quero sentir
o teu corpo pesando sobre o meu,
vem meu amor vem pra mim,
me abraça devagar,
me beija e me faz esquecer
Bem que se quis....

sexta-feira, 7 de novembro de 2014

FRASE DO DIA

"Agora a Elis arranjou um homem à altura dela".
Ronaldo Bôscoli, ao saber que Elis Regina estava com Nélson Motta

segunda-feira, 6 de maio de 2013

domingo, 31 de março de 2013

LEITURA DE DOMINGO

O NOVO MERCADO SEXUAL

Nélson Motta

O jogo virou, de antigas oprimidas dos anos 60, chamadas por John Lennon de "o crioulo do mundo" em "Woman is the Nigger of the World", as mulheres avançaram pelas trilhas abertas pelo feminismo e hoje são presidentes, secretárias de Estado, ministras, comandantes de jatos, de batalhões militares e de grandes grupos econômicos, jogando futebol, dirigindo filmes e dando aulas de todos os assuntos, elas estão em toda parte, até na frente de combate. Mas continuam reclamando.
Pesquisas recentes mostram que nos Estados Unidos, onde elas têm mais poder, dinheiro, independência e liberdade do que nunca, as mulheres estão mais insatisfeitas agora do que nos anos 60, porque, com tantas opções, escolher ficou muito mais difícil. E como Freud já sabia, nunca se sabe o que quer uma mulher. Até o sonho da maternidade balança, algumas já admitem que seria melhor não ter tido filhos, ou que foram eles que destruíram a sua felicidade.
São muitas as Marias hoje em dia, da clássica "Maria-Gasolina", com sua atração irresistível por carros, à moderna "Maria-Chuteira", que acompanhou a evolução sociopatrimonial dos jogadores de futebol. Agora a antropóloga Miriam Goldenberg fala do florescimento nos meios universitários da "Maria-Apostila", que manda recados safados aos professores nas apostilas e no Facebook, tipo "Vai ao barzinho hoje ? Se for, vou sem calcinha". Competindo para ver quem pega mais professores, as "Maria-Lattes", como a famosa plataforma de currículos acadêmicos, valorizam tanto a quantidade quanto a qualidade.
As mulheres passivas, à espera do chamado dos homens, estão saindo de cena. Estamos na era da periguetes, das roupas curtas e justas em corpos sarados, partindo para o ataque e invertendo os papéis de gênero, intimidando e provocando desconforto nos homens. Embora ainda continuem esperando um telefonema no dia seguinte.
Nas pesquisas de Miriam ficou claro que, com essa troca de papéis, os homens estão apavorados. E as mulheres, desesperadas. Assim como na economia, a lei da oferta e da procura vale para o mercado sexual: quando a oferta cresce, a procura amolece.

sábado, 16 de março de 2013

PACOTE DE ABRIL


NELSON MOTTA - O Estado de S.Paulo

Como disse a presidente Dilma, com conhecimento de causa, para ganhar eleições faz-se o diabo. Como fez o presidente Geisel, em 1977, editando o "Pacote de abril" para ajudar a Arena a ganhar as eleições legislativas. Entre outras leis e decretos para assegurar a maioria no Congresso, dava mais cadeiras de deputados aos Estados menos populosos e mais pobres e atrasados, dominados pelo governismo e o coronelismo. Ganhou as eleições, mas até hoje o Brasil democrático perde com esse entulho autoritário.
O pretexto para o arbítrio era equilibrar as desigualdades regionais, como se mais deputados com menos votos pudessem dar mais ordem e progresso ao Acre, Amapá, Roraima, Rondônia e Sergipe, onde cada voto passou a valer no Congresso três vezes mais do que os de Minas Gerais, São Paulo e Rio de Janeiro, distorcendo a representatividade, a federação e o princípio democrático de "um cidadão, um voto".
O analista político Fernando Rodrigues contabilizou: em 2010, os 48 deputados eleitos por esses Estados privilegiados - que continuam entre os mais pobres e atrasados - tiveram, juntos, 1,8 milhão de votos. Já os 46 eleitos pelo Rio de Janeiro receberam 4,5 milhões de votos. Certos parágrafos valem por uma coluna inteira. Mas, além dos caciques regionais, como Sarney e Romero Jucá, quem defende a continuidade dessa partilha autoritária e casuística? Os partidos que hoje dominam esses grotões e não querem perder a vantagem que a ditadura lhes deu.
Todos concordam com a urgência de uma reforma eleitoral, mas ninguém fala nessa aberração, só em financiamento público, lista fechada, voto distrital, o que for mais vantajoso para o partido que propõe, e assim não se faz reforma alguma.
Mesmo na hora em que o pacto federativo é ameaçado pela guerra dos royalties do petróleo, pelos cortes de impostos que prejudicam os Estados, pelos critérios de distribuição dos fundos constitucionais aos entes federativos, ninguém quer discutir as distorções dos colégios eleitorais. É incrível, mas o "Pacote de abril" continua em vigor, como uma diabrura da ditadura para ganhar as eleições.