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quinta-feira, 26 de outubro de 2017

ÁLBUM

CLUBE DA ESQUINA 2 - 1978 - MILTON NASCIMENTO

Clube da Esquina 2 é o décimo segundo álbum de Milton Nascimento. Gravado em 1978, contou com a participação de uma verdadeira constelação de músicos e intérpretes convidados, como Francis Hime, João Donato, Elis Regina, Joyce, Chico Buarque, Gonzaguinha e Azimuth, entre outros.


Lado Um
1. Credo (Milton Nascimento, Fernando Brant)
Participação: Grupo Tacuabé
2. Nascente (Flávio Venturini, Murilo Antunes)
Participação: Flávio Venturini
3. Ruas da Cidade (Lô Borges, Márcio Borges)
Participação: Lô Borges
4. Paixão e Fé (Tavinho Moura, Fernando Brant)
Participação: Canarinhos de Petrópolis
5. Casamiento de Negros (Violeta Parra)
Participação: Grupo Tacuabé
6. Olho d'Água (Paulo Jobim, Ronaldo Bastos)
Participação: Canarinhos de Petrópolis


Lado Dois
1. Canoa, Canoa (Nelson Angelo, Fernando Brant)
2. O Que Foi Feito Deverá (Milton Nascimento, Fernando Brant)/O Que Foi Feito de Vera (Milton Nascimento, Márcio Borges)
Participação: Elis Regina, Gonzaguinha e Lô Borges
3. Mistérios (Joyce, Maurício Maestro)
Participação: Boca Livre
4. Pão e Água (Lô Borges, Márcio Borges, Roger Mota)
Participação: Lô Borges
5. E Daí? (A Queda) (Milton Nascimento, Ruy Guerra)


Lado Três
1. Canção Amiga (Milton Nascimento, Carlos Drummond de Andrade)
Participação: Kiko
2. Canción por la Unidad de Latino America (Pablo Milanés, Chico Buarque)
Participação: Chico Buarque
3. Tanto (Beto Guedes, Ronaldo Bastos)
Participação: Beto Guedes e Lô Borges
4. Dona Olímpia (Toninho Horta, Ronaldo Bastos)
5. Testamento (Nelson Angelo, Milton Nascimento)
6. A Sede do Peixe (Para o que Não Tem Solução) (Milton Nascimento, Márcio Borges)


Lado Quatro
1. Léo (Milton Nascimento, Chico Buarque)
2. Maria, Maria (Milton Nascimento, Fernando Brant)
3. Toshiro (Novelli)
Participação Vocal: Cristiano
4. Reis e Rainhas do Maracatu (Milton Nascimento, Novelli, Nelson Angelo, Fran)
Participação: Azimuth
5. Que Bom Amigo (Milton Nascimento)


Arranjos – César Camargo Mariano, Francis Hime, Milton Nascimento
Baixo – Milton Nascimento, Toninho Horta
Clarinete – José Botelho
Regência – César Camargo Mariano
Bateria – Beto Guedes, Ivan Conti (Mamão), Nenê, Tutty Moreno
Produção executiva – Ronaldo Bastos
Flauta – Danilo Caymmi, Mauro Senise
Guitarr e violão – Beto Guedes, Lô Borges, Milton Nascimento, Nelson Angelo, Tavinho Moura, Toninho Horta
Harmônica – Mauricio Einhorn
Orgão – Wagner Tiso
Percussão – Milton Nascimento, Nelson Angelo, Nenê
Piano – Flávio Venturini, Francis Hime, José Roberto Bertrami, João Donato, Milton Nascimento, Wagner Tiso
Trombone – João Donato
Trompete – Márcio Montarroyos, Toninho Horta
Vocais – Bebeto, Beto Guedes, Chico Buarque, Claudio Nucci, Cristina Buarque, César Camargo Mariano, Elis Regina, Lô Borges, Luiz Gonzaga, Milton Nascimento, Nelson Angelo, Toninho Horta

sábado, 23 de setembro de 2017

COVER

O Gosto do Amor é uma composição de Gonzaguinha gravada por Gal Costa em dueto com o autor no álbum Água Viva, de 1978.


Em 2000, Cássia Eller lançou a sua versão da música no DVD Com Você... Meu Mundo Ficaria Completo, gravado ao vivo no Palace, em São Paulo.


sexta-feira, 22 de setembro de 2017

DO CANCIONEIRO POLITICAMENTE INCORRETO

O Gosto do Amor
(Luiz Gonzaga Jr.)

Curiosa pra danar
Fui chegando no forró
Só vi gente empareada
Parecendo até um nó
Todo mundo coladinho
No escuro do salão
No picado miudinho
Sem querer sair mais não
Das meninas ai e ui
Dos rapazes ui e ai
E das veia diga Deus
Porque que eu já não posso mais
Xote, rock, foxtrote
Um beijinho no cangote
Tome xote, muito xote
Tô querendo é provar

Mãe falou pra eu ter cuidado
Pai falou é tentação
Mãe falou não vá na dança
Pai falou é perdição
Mãe falou isso é pecado
Pai falou faç'isso não
Mãe falou ruim pra diabo
Pai falou até que é bão
Mãe gritou isso vicia e esse vício só traz dor
Pai falou de dor se chega ao céu é o gosto do amor

Ai, mãe, que vontade de gritar
Ai, mãe, que vontade de dançar
Agarradinha nesse nego eu vou me embora
Ainda tô na dor e tô querendo me acabar
Imagina quando eu chegar no céu
Aí mesmo é que eu vou gostar

sexta-feira, 27 de janeiro de 2017

DO CANCIONEIRO POLITICAMENTE INCORRETO


Pois é, seu Zé
(Gonzaguinha)
  
Ultimamente ando matando até cachorro a grito
E a plateia aplaudindo e pedindo bis
Nas refeições uma chachaça e às vezes um palito
E a platéia aplaudindo e pedindo bis
Ando tão mal que ando dando nó em pingo d'água 
Só mato a sede quando choro um pouco a minha mágoa
Mas a platéia ainda aplaude ainda pede bis 
a platéia só deseja ser feliz...

Se vira
Bota um sorriso nos lábios

De tanto andar na corda bamba eu sou equilibrista
E a plateia aplaudindo e pedindo bis
Equilibrando a vida e a morte eu sou malabarista
E a plateia aplaudindo e pedindo bis
Mas não me queixo dessa sorte eu sou um comodista
E já me chamam por aí de verdadeiro artista
Pois a plateia ainda aplaude ainda pede bis 
a platéia só deseja ser feliz...

Se vira
Bota um sorriso nos lábios

quinta-feira, 5 de janeiro de 2017

ÁLBUM DA QUINTA

PLANO DE VÔO - 1975 - LUIZ GONZAGA JR.

Em 1975 Gonzaguinha ainda era um cantor e compositor com um trabalho restrito a um público mais elitizado. Ainda assinava como Luiz Gonzaga Jr, e seus discos eram mais experimentais e menos populares. Porém, o prestígio e a qualidade do seu trabalho eram incontestáveis, e Plano de Vôo, o terceiro de sua discografia, é um de seus melhores discos.



"Geraldinos e Arquibaldos", "Gás Neon" (também gravada por Maria Bethânia), "Mundo Novo, Vida Nova" e "Tá Certo, Doutor" entraram para o rol dos clássicos do compositor, que assina todas as canções, com exceção da linda "Assim Seja, Amém", uma parceria com Miltinho, do MPB4. Os músicos são do grupo Modo Livre, que acompanhava Ivan Lins.



Gilson Peranzzetta - piano, teclados
João Cortez - bateria percussão
Fred Barbosa - baixo, percussão
Ricardo Pontes - sax, flauta
Milton Nascimento - violão (Tá certo, doutor)
Miltinho - violão (Tá certo, doutor)
Cláudio Guimarães - guitarra (Mundo novo, vida nova)


Lado 1
1- Começo da Festa
2 - Tá Certo, Doutor
3 - Gás Neon
4 - Quebra Pau
5 - Assim Seja, Amém
6 - Suor e Serragem

Lado 2
1-  Mundo Novo, Vida Nova
2 - Contos de Fadas
3 - Catatonia Integral
4 -  Niel Cabeça de Bola
5 - Plano de Vôo
6 - Geraldinos e Arquibaldos


taratitaragua

sexta-feira, 30 de dezembro de 2016

MÚSICA NA SEXTA

Luiz Gonzaga do Nascimento Júnior, Gonzaguinha, nasceu em 1945, no Rio de Janeiro.

Em uma madrugada, Agnaldo Timóteo contou para Gonzaguinha que estava vivendo um romance perturbado com Paulo Cesar Souza (para quem Timóteo compôs “A bolsa do posto 3”, sucesso na década de 70), cheio de desencontros e brigas. Gonzaguinha escreveu, então, pensando nessa história, "Grito de Alerta", canção de uma dolorida e conturbada história de amor buscando paz.

Porém, antes de Agnaldo saber da existência da canção, Gonzaguinha a entregou para a cantora Maria Bethânia, que no ano anterior gravara com sucesso "Explode Coração", do compositor. Bethânia incluiu "Grito de Alerta" no álbum Mel, de 1979, abrindo o lado B do LP. A canção de tema homoafetivo ganhou interpretação intensa e dramática pela cantora, responsável por outras canções de personagens que se entregam intensamente ao amor, e tornou-se logo um grande sucesso dela e um dos maiores êxitos do bem sucedido álbum.

Quando Agnaldo Timóteo ficou sabendo da canção, Bethânia já tinha a gravado. Irritado por não ter sido o primeiro a gravar a canção cuja história era sobre ele, acabou sendo o segundo a gravar. Sua versão foi adicionada ao álbum Deixe-me Viver, mas não conseguiu destaque.

Sobre o episódio, Timóteo se pronunciou: “Eu fiquei pau da vida com o Gonzaguinha porque aquela história era minha, eu deveria ter sido até parceiro dele na música. Eu falei: Puta que pariu, Gonzaguinha, então eu te conto uma história de minha cama e você dá a música para a Bethânia gravar!?”

No ano seguinte foi Gonzaguinha quem a gravou no seu álbum 'De Volta ao Começo'.



Grito de Alerta
Gonzaguinha
  Primeiro você me azucrina
 Me entorta a cabeça
 Me bota na boca
 Um gosto amargo de fel...
  Depois
 Vem chorando desculpas
 Assim meio pedindo
 Querendo ganhar
  Um bocado de mel...
 Não vê que então eu me rasgo
 Engasgo, engulo
 Reflito e estendo a mão
 E assim nossa vida
 É um rio secando
 As pedras cortando
 E eu vou perguntando:
 Até quando?...
São tantas coisinhas miúdas
 Roendo, comendo
 Arrasando aos poucos
 Com o nosso ideal
 São frases perdidas num mundo
 De gritos e gestos
 Num jogo de culpa
 Que faz tanto mal...
  Não quero a razão
 Pois eu sei
 O quanto estou errado
 E o quanto já fiz destruir
 Só sinto no ar o momento
 Em que o copo está cheio
 E que já não dá mais
 Pra engolir...
  Veja bem!
 Nosso caso
 É uma porta entreaberta
 E eu busquei
 A palavra mais certa
 Vê se entende
 O meu grito de alerta
 Veja bem!
 É o amor agitando o meu coração
 Há um lado carente
 Dizendo que sim
 E essa vida dá gente
 Gritando que não.

sexta-feira, 25 de novembro de 2016

DO CANCIONEIRO POLITICAMENTE INCORRETO


Moleque
(Gonzaguinha)

No tiro, estilingue, bodoque
O terço, o toque, o coque
No quengo, na cuca, cabeça
De qualquer caraça avessa,
Qualquer caratonha fechada,
Azeda de feia zangada,
Que mexa, chateia, me bula,
Pra ver quanto alto sapo pula
Pedra vai levar

Ah! Moleque se um dia eu te pego
Erva daninha, estrepe
De ripa, marmelo te esfrego
Moleque vem cá moleque
Moleque vem cá moleque
Não, não eu não vou lá
Vem me pegar, eu quero ver

De mão, de pé, pau cajado
Na tapa, na briga me acabo,
Revolvo, reviro, decido,
E mesmo no ganho ou perdido,
Me amigo ao meu amigo inimigo,
Me livro do mau e do perigo,
De bicho pelado que trança
Idéias de uma vingança,
Que é pra me cuidar

Ah! Moleque...

Fruto gostoso, desejado,
Lua, vizinho, cuidado,
Cercadura, arame rela
Rosto, rosa, luz, janela
Siu, assovio, voz rouca,
Beijo estalado na boca
Depois a corrida abraçado
No peito o gosto de um amor roubado
Que é só pra provar

Ah! Moleque...

No medo, não tremo, não corro,
Avança, me lanço, estouro
Valente, eito combato,
E ao mesmo tempo me trato
Covarde na sabedoria
Que ergue, cresce, se cria
Só na hora boa e precisa
E corta o mal bem onde enraíza
Que é pra não voltar

sexta-feira, 30 de outubro de 2015

MÚSICA NA SEXTA

Em uma madrugada, Agnaldo Timóteo contou para Gonzaguinha que estava vivendo um romance perturbado com Paulo Cesar Souza (para quem Timóteo compôs “A bolsa do posto 3”, sucesso na década de 70), cheio de desencontros e brigas. Gonzaguinha escreveu, então, pensando nessa história, "Grito de Alerta", canção de uma dolorida e conturbada história de amor buscando paz.

Porém, antes de Agnaldo saber da existência da canção, Gonzaguinha a entregou para a cantora Maria Bethânia, que no ano anterior gravara com sucesso "Explode Coração", do compositor. Bethânia incluiu "Grito de Alerta" no álbum Mel, de 1979, abrindo o lado B do LP. A canção de tema homoafetivo ganhou interpretação intensa e dramática pela cantora, responsável por outras canções de personagens que se entregam intensamente ao amor, e tornou-se logo um grande sucesso dela e um dos maiores êxitos do bem sucedido álbum.

Quando Agnaldo Timóteo ficou sabendo da canção, Bethânia já tinha a gravado. Irritado por não ter sido o primeiro a gravar a canção cuja história era sobre ele, acabou sendo o segundo a gravar. Sua versão foi adicionada ao álbum Deixe-me Viver, mas não conseguiu destaque.

Sobre o episódio, Timóteo se pronunciou: “Eu fiquei pau da vida com o Gonzaguinha porque aquela história era minha, eu deveria ter sido até parceiro dele na música. Eu falei: Puta que pariu, Gonzaguinha, então eu te conto uma história de minha cama e você dá a música para a Bethânia gravar!?”

No ano seguinte foi Gonzaguinha quem a gravou no seu álbum 'De Volta ao Começo'.


Grito de Alerta
Gonzaguinha
  Primeiro você me azucrina
 Me entorta a cabeça
 Me bota na boca
 Um gosto amargo de fel...
  Depois
 Vem chorando desculpas
 Assim meio pedindo
 Querendo ganhar
  Um bocado de mel...
 Não vê que então eu me rasgo
 Engasgo, engulo
 Reflito e estendo a mão
 E assim nossa vida
 É um rio secando
 As pedras cortando
 E eu vou perguntando:
 Até quando?...
São tantas coisinhas miúdas
 Roendo, comendo
 Arrasando aos poucos
 Com o nosso ideal
 São frases perdidas num mundo
 De gritos e gestos
 Num jogo de culpa
 Que faz tanto mal...
  Não quero a razão
 Pois eu sei
 O quanto estou errado
 E o quanto já fiz destruir
 Só sinto no ar o momento
 Em que o copo está cheio
 E que já não dá mais
 Pra engolir...
  Veja bem!
 Nosso caso
 É uma porta entreaberta
 E eu busquei
 A palavra mais certa
 Vê se entende
 O meu grito de alerta
 Veja bem!
 É o amor agitando o meu coração
 Há um lado carente
 Dizendo que sim
 E essa vida dá gente
 Gritando que não.

sexta-feira, 21 de agosto de 2015

ÁLBUM DA QUINTA

PLANO DE VÔO - 1975 - LUIZ GONZAGA JR.

Em 1975 Gonzaguinha ainda era um cantor e compositor com um trabalho restrito a um público mais elitizado. Ainda assinava como Luiz Gonzaga Jr, e seus discos eram mais experimentais e menos populares. Porém, o prestígio e a qualidade do seu trabalho eram incontestáveis, e Plano de Vôo, o terceiro de sua discografia, é um de seus melhores discos.


"Geraldinos e Arquibaldos", "Gás Neon" (também gravada por Maria Bethânia), "Mundo Novo, Vida Nova" e "Tá Certo, Doutor" entraram para o rol dos clássicos do compositor, que assina todas as canções, com exceção da linda "Assim Seja, Amém", uma parceria com Miltinho, do MPB4. Os músicos são do grupo Modo Livre, que acompanhava Ivan Lins.


Gilson Peranzzetta - piano, teclados
João Cortez - bateria percussão
Fred Barbosa - baixo, percussão
Ricardo Pontes - sax, flauta
Milton Nascimento - violão (Tá certo, doutor)
Miltinho - violão (Tá certo, doutor)
Cláudio Guimarães - guitarra (Mundo novo, vida nova)


Lado 1
1- Começo da Festa
2 - Tá Certo, Doutor
3 - Gás Neon
4 - Quebra Pau
5 - Assim Seja, Amém
6 - Suor e Serragem

Lado 2
1-  Mundo Novo, Vida Nova
2 - Contos de Fadas
3 - Catatonia Integral
4 -  Niel Cabeça de Bola
5 - Plano de Vôo
6 - Geraldinos e Arquibaldos


taratitaragua

sexta-feira, 4 de outubro de 2013

MÚSICA NA SEXTA

Em uma madrugada, Agnaldo Timóteo contou para Gonzaguinha que estava vivendo um romance perturbado com Paulo Cesar Souza (para quem Timóteo compôs “A bolsa do posto 3”, sucesso na década de 70), cheio de desencontros e brigas. Gonzaguinha escreveu, então, pensando nessa história, "Grito de Alerta", canção de uma dolorida e conturbada história de amor buscando paz.

Porém, antes de Agnaldo saber da existência da canção, Gonzaguinha a entregou para a cantora Maria Bethânia, que no ano anterior gravara com sucesso "Explode Coração", do compositor. Bethânia incluiu "Grito de Alerta" no álbum Mel, de 1979, abrindo o lado B do LP. A canção de tema homoafetivo ganhou interpretação intensa e dramática pela cantora, responsável por outras canções de personagens que se entregam intensamente ao amor, e tornou-se logo um grande sucesso dela e um dos maiores êxitos do bem sucedido álbum.

Quando Agnaldo Timóteo ficou sabendo da canção, Bethânia já tinha a gravado. Irritado por não ter sido o primeiro a gravar a canção cuja história era sobre ele, acabou sendo o segundo a gravar. Sua versão foi adicionada ao álbum Deixe-me Viver, mas não conseguiu destaque.

Sobre o episódio, Timóteo se pronunciou: “Eu fiquei pau da vida com o Gonzaguinha porque aquela história era minha, eu deveria ter sido até parceiro dele na música. Eu falei: Puta que pariu, Gonzaguinha, então eu te conto uma história de minha cama e você dá a música para a Bethânia gravar!?”

No ano seguinte foi Gonzaguinha quem a gravou no seu álbum 'De Volta ao Começo'.



Grito de Alerta
Gonzaguinha
  Primeiro você me azucrina
 Me entorta a cabeça
 Me bota na boca
 Um gosto amargo de fel...
  Depois
 Vem chorando desculpas
 Assim meio pedindo
 Querendo ganhar
  Um bocado de mel...
 Não vê que então eu me rasgo
 Engasgo, engulo
 Reflito e estendo a mão
 E assim nossa vida
 É um rio secando
 As pedras cortando
 E eu vou perguntando:
 Até quando?...
São tantas coisinhas miúdas
 Roendo, comendo
 Arrasando aos poucos
 Com o nosso ideal
 São frases perdidas num mundo
 De gritos e gestos
 Num jogo de culpa
 Que faz tanto mal...
  Não quero a razão
 Pois eu sei
 O quanto estou errado
 E o quanto já fiz destruir
 Só sinto no ar o momento
 Em que o copo está cheio
 E que já não dá mais
 Pra engolir...
  Veja bem!
 Nosso caso
 É uma porta entreaberta
 E eu busquei
 A palavra mais certa
 Vê se entende
 O meu grito de alerta
 Veja bem!
 É o amor agitando o meu coração
 Há um lado carente
 Dizendo que sim
 E essa vida dá gente
 Gritando que não.

sexta-feira, 24 de maio de 2013

MÚSICA NA SEXTA

Luiz Gonzaga do Nascimento Júnior, Gonzaguinha, nasceu em 1945, no Rio de Janeiro.
Filho do compositor e cantor Luiz Gonzaga, aprendeu a tocar violão com o padrinho Henrique Xavier. Aos 14 anos, compôs sua primeira música, "Lembranças da primavera", seguida, mais tarde, por "Festa" e "From US of Piauí", todas gravadas por seu pai, em 1967. Formou-se em Economia pela Faculdade de Ciências Cândido Mendes (RJ). Faleceu em 1991, vítima de um acidente de automóvel nas proximidades de Curitiba (PR), após realizar show nessa capital.

Iniciou sua carreira artística em 1968, participando do I Festival Universitário de Música Popular do Rio de Janeiro, no qual classificou entre as finalistas sua música "Pobreza por pobreza". No ano seguinte, venceu o mesmo festival com sua canção "O trem". Ainda em 1969, fundou, com Ivan Lins, Aldir Blanc e César Costa Filho, entre outros, o Movimento Artístico Universitário (MAU).

Em 1970, participou do V Festival Internacional da Canção (TV Globo) com as músicas "Um abraço terno em você, viu mãe", lançada em compacto simples pela Odeon, e "Mundo novo, vida nova". Três anos depois, gravou seu primeiro LP, "Luiz Gonzaga Jr.", com destaque para sua composição "Comportamento geral".

Em 1974, gravou mais um LP, que incluiu, entre outras, as canções "Galope" e "Meu coração é um pandeiro".No ano seguinte, apresentou-se por todo o Nordeste do país, ao lado de Paulinho da Viola, Fagner e Amelinha. Ainda em 1975, lançou o LP "Plano de vôo", que registrou, entre outras, as canções "Mundo novo, vida nova" e "Geraldinos e Arquibaldos".

Em 1976, gravou o LP "Começaria tudo outra vez", com destaque para a faixa-título e "Espere por mim, morena", além da gravação de "Asa Branca" (Luiz Gonzaga). Com esse disco, sua carreira de compositor ganhou impulso.

Em 1977, lançou, o LP "Moleque Gonzaguinha", destacando-se "Dias de Santos e Silvas". Ainda nesse ano, suas canções "A felicidade bate à sua porta" e "Explode coração", gravadas respectivamente pelo grupo As Frenéticas e por Maria Bethânia, fizeram enorme sucesso.
Em 1979, encabeçando a lista dos maiores arrecadadores de direitos autorais, lançou o LP "Gonzaguinha da vida", realizando show homônimo. O disco contou com a participação de Nana Caymmi na faixa "Por um segundo". No ano seguinte, lançou o LP "Gonzaguinha: de volta ao começo", com destaque para "Ponto de interrogação", "Grito de alerta" e "Sangrando". Transferiu-se, em seguida para Belo Horizonte (MG). Nessa capital, colaborou na programação de Música Popular Brasileira da Rádio Inconfidência.

Fonte: Dicionário Cravo Albin de Música Popular Brasileira

Nota da Redação: Gonzaguinha era filho adotivo. Provavelmente é o artista/compositor - junto de Adoniran Barbosa - cuja obra reflete com maior fidelidade os problemas sociais dos brasileiros. Não por coincidência, os dois gravaram juntos a emocionante música DESPEJO NA FAVELA, autoria de Adoniran. (“Pra mim não tem problema. Em qualquer canto me arrumo, de qualquer jeito me ajeito. Depois, o que eu tenho é tão pouco, minha mudança é tão pequena que cabe no bolso de trás. Mas essa gente aí, como é que faz?”). "Grito de Alerta", também gravada por Maria Bethânia no disco "Mel", foi composta por Gonzaguinha inspirada em uma história contada a ele por seu amigo Agnaldo Timóteo, que oportunamente será abordada aqui no TOA.


Sangrando
Gonzaguinha
Quando eu soltar a minha voz
Por favor entenda
Que palavra por palavra
Eis aqui uma pessoa se entregando
Coração na boca
Peito aberto
Vou sangrando
São as lutas dessa nossa vida
Que eu estou cantando
Quando eu abrir minha garganta
Essa força tanta
Tudo que você ouvir
Esteja certa
Que estarei vivendo
Veja o brilho dos meus olhos
E o tremor nas minhas mãos
E o meu corpo tão suado
Transbordando toda a raça e emoção
E se eu chorar
E o sal molhar o meu sorriso
Não se espante, cante
Que o teu canto é a minha força
Pra cantar
Quando eu soltar a minha voz
Por favor, entenda
É apenas o meu jeito de viver
O que é amar