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sábado, 17 de janeiro de 2015

OPINIÃO

A MARCHA PELO CHARLIE HEBDO E O CARÁTER (OU FALTA DELE) FRANCÊS

                                 Carlos Augusto Bissón
Nesta semana, vimos, inegavelmente, um espetáculo de mídia memorável. O “Je suis Charlie”, ou o seu oposto “Je ne suis pas Charlie”,se espalhou em escala global, dividindo opiniões. O curioso e o bizarro do assassinato de 12 pessoas (jornalistas e policiais) na redação do jornal humorístico Charlie Hebdo é que esse acontecimento colocou a França no lugar em que ela, arrogantemente, acha que merece estar: no centro das atenções do mundo. 

O que me pergunto, porém, é qual é o percentual de pessoas, entre esses alegados um milhão e meio de manifestantes reunidos hoje (11/01) em Paris em protesto pelo massacre, que têm uma posição se não generosa, pelo menos tolerante à presença de quatro milhões de muçulmanos em território francês. Pois, ainda que o governo e a imprensa digam, protocolarmente, que os autores do atentado não representam os preceitos do islamismo (e não representam mesmo), o fato é que a burca e o véu estão proibidos em lugares públicos na França. A hostilidade do francês médio contra os muçulmanos, mesmo que eles façam parte da imensa maioria não fanática e extremista, é, sabidamente, grande. E o que vcs acham que significa o fato de que parte dos manifestantes deste domingo cantou a Marselhesa ? Um chamado à união nacional ou a exaltação da guerra contra os “invasores”?

Como a maioria dos países latinos e católicos, e em grau muito mais exacerbado, diga-se, a França sempre teve uma enorme resistência em conviver com a diferenciação cultural e religiosa. Historicamente, o entendimento de “integração” francês passa, necessariamente, pela adesão subserviente da minoria discordante ou a sua expulsão e extermínio, não pela convivência entre contrários. No século XVI, o protestantismo foi combatido no país a ferro e fogo, incluindo-se ao o assassinato de 40 mil pessoas (Noite de São Bartolomeu).Sim, houve uma revolução lá em 1789 que papagaiou para o mundo os ideais de “liberdade, igualdade e fraternidade”, mas é de se questionar, o quanto destes valores são experimentados e praticados pelo grosso dos franceses ontem e hoje. Apesar de ser a nação onde se criou o conceito de esquerda na política, de defesa da liberdade e dos oprimidos, há inúmeros exemplos de que a França é xenófoba e intolerante, coisa que o ex-embaixador Marcos Azambuja sugere, mas não diz com todas as letras, em sua entrevista publicada hoje (11/01) em Zero Hora.

A França é, na verdade, “bonitinha, mas ordinária”. Todos nós amamos aqueles esplendores culturais e gastronômicos, mas levar a sério o que os franceses mostram de si mesmos é falta de simancol. Exagero ? Hoje, os governanates de Israel e França, Benjamin Netanyahu e François Hollande, estiveram na Grande Sinagoga de Paris para homenagear os mortos do Charlie e do mercado kosher. Parece que alguém andou dizendo, antes ou durante a cerimônia, “que a França não é a França sem os judeus”. Puxa, essa deve ser uma ideia “nova” por lá, pois o antisemitismo é prata da casa. Houve o famoso Caso Dreyfuss. Há evidências mais do que suficientes de que, durante a ocupação alemã na II Guerra, o Governo de Vichy entregou até crianças judias para a Gestapo– sem que os nazistas pedissem tal coisa. Filmes americanos como “Casablanca” venderam a fantasia do que a maioria dos franceses era antinazista. Na verdade, era indiferente à presença dos alemães ou abertamente colaboracionista. O que se chamava de “Resistência” nada mais era do que os comunistas e direitistas isolados, como Charles De Gaulle.

E, do pouco que pude ver do que o Charlie Hebdo publica, o trabalho daqueles velhinhos bobos usava uma linguagem despudorada, chula e desrespeitosa (aquela estrela no ânus Maomé é de lascar) que nada mais fazia do que reforçar preconceitos rasteiros e o etnocentrismo francês. Ou seja, aquilo que se chama de direita. Sim, o Charlie também ataca o Catolicismo como instituição, mas seus petardos contra os árabes e o islamismo são, digamos assim, muito mais devastadores, sobretudo em função da precária condição social destes últimos na França.

À La Voltaire, eu defendo até a morte o direito desse jornal de publicar o que quiser, e estou revoltadíssimo com o assassinato dos cartunistas, mas isto não quer dizer concordância com o ridículo daquelas charges. E, ressalte-se,se há o medo da esquerda mundial de que a extrema-direita cresça e assuma o poder na França, uma parte dessa culpa pode e deve ser debitada ao “espírito Charlie” e ao “socialista” François Hollande - independente de qualquer teoria conspiracional que envolva os EUA, seja ela verdadeira ou delirante. Os franceses com as quais conversei no interior do país e em Paris no ano passado – empregados de hotéis e restaurantes - se dividiam em dois grupos: os que não acham que Hollande seja de esquerda e os que o julgam incompetente. Sob esse ponto de vista, acho que ele até deve agradecer pelo atentado ao Charlie Hebdo, já que o ultradireitista Jean Marie Le Pen classificou o jornal como “anarco-trotskista”. Com o assassinato dos cartunistas, Hollande tem a oportunidade reverter a maré a seu favor, vitimando-se.

Por fim, tenho de reconhecer que a fajutice francesa é extremamente eficaz como marketing. A imagem divulgada esta semana na TV de marroquinos, árabes, reunidos com cartazes onde se lia “Je suis Charlie” é de uma deliciosa ironia. Eles são muçulmanos e se solidarizaram com que os satirizou impiedosamente. Talvez, mesmo eles, não queiram ficar de fora “desse show da vida, que é fantástico”...

segunda-feira, 22 de setembro de 2014

SOFIA LOREN

A SUPERESTRELA SOFIA LOREN FAZ 80 ANOS

Carlos Augusto Bissón 

Quando Sofia Loren fez 70 anos, um amigo comentou: "troco duas de 35 ou 3 de 23 por ela". Agora, aos 80, feitos em 20/09, não se diria tanto, mas não se pode negar que ela é uma senhora belíssima. Nascida e criada nos cortiços de Roma, Sofia nunca negou sua origem pobre. Ao contrário, sempre disse que,ao lado de sua inteligência, a pobreza foi um fator de sorte para ela.

A meu ver, ela foi a última grande estrela cinematográfica produzida pela Europa, considerando-se que estourou na metade dos anos 50. Sim, houve Brigitte Bardot, mas esta abandonou o cinema quando tinha 43 anos porque se achava "uma velha". Foi o que acabou se tornando. Hoje, mal consegue andar. Falava-se também em Claudia Cardinale, mas esta não tem os olhos, os lábios, a pele, o cabelo e, sobretudo o corpo curvilíneo de Sofia. A estrela tem 1,74 de "formosura" exuberante, e muitos atores temiam contracenar com ela por causa de seu tamanho. Alan Ladd, por exemplo, usou um banquinho para filmar "A lenda da estátua nua" com Sofia. Apesar dos seus notórios dotes físicos e da capacidade de incendiar o imaginário masculino (e feminino) em todo o mundo, ela dizia que "sex-appeal é 50% do que vc tem e 50% do que os outros pensam que vc tem".

Sofia provou que não era só uma mulher bonita quando fez "Duas mulheres" e ganhou o Oscar de Melhor Atriz (1962) fazendo o papel de uma "mamma". Aliás, seus padecimentos para ter um filho foram notícia internacional nos anos 60. Ela teve dois abortos antes de Carlo Ponti Jr nascer em dezembro de 1968. Muito se comentava também a respeito de seu relacionamento com o produtor Ponti (de "Doutor Jivago"), 22 anos mais velho do que ela. Freud explica. Durante a infância, Sofia nunca teve a atenção do pai, que se separou de sua mãe para viver com outra mulher. Era, como se diz, uma "orquídea", flor que gosta de pau velho. Seu possível affair com Cary Grant, 30 anos mais velha do que ela, durante as filmagens de "Orgulho e paixão" também foi muito comentado naqueles anos (1957). 

Sofia trabalhou em Hollywood e fez inúmeras tolices lá, mas deixou pelo menos um grande filme, o belíssimo "El Cid". Voltou à Itália pra filmar, entre outros, os oscarizados "Matrimônio à italiana" e "Ontem, hoje e amanhã", com seu ator preferido, Marcello Mastroianni. É uma legenda do cinema. Faz parte do nosso imaginário coletivo e continuará a sê-lo por muito tempo. Vida longa para a superestrela.

quinta-feira, 29 de agosto de 2013

MAIS MÉDICOS

Carlos Augusto Bissón, no feicebúqui.




SE OS MÉDICOS CUBANOS SÃO “ESCRAVOS”, TODO FUNCIONÁRIO PÚBLICO BRASILEIRO TAMBÉM É...

O mais curioso da atitude dos médicos brasileiros que xingaram seus colegas cubanos em Fortaleza nesta semana é a visão que esses xenófobos e racistas têm do serviço público. Sim, senhores, porque é preciso deixar bem claro: os médicos cubanos são FUNCIONÀRIOS PÚBLICOS. E toda a discussão promovida pela mídia e pelos brucutus de sempre em torno dos supostos “direitos trabalhistas” desses profissionais vindos de Cuba se dá em trono da premissa equivocada de que eles são...médicos particulares, contratados pelo Governo Dilma sem direito às garantias da CLT... REPITO: eles são servidores públicos, CEDIDOS ao programa Mais Médicos. Em qualquer cedência de órgão público no Brasil, ou pelo menos, no RS, há ressarcimento à ORIGEM, a qual, muitas vezes, é responsável pelo pagamento do funcionário. É sob este prisma, portanto, que o “problema” salarial cubano deve ser visto. O Governo dos Castro tem o direito de dispor profissionalmente dos servidores, cujo estudo custeou e que emprega nos postos de saúde de lá, da maneira que for mais conveniente aos interesses do Estado. 

O que é visível é que a mercantilização da Saúde no Brasil nas últimas décadas atingiu tal ponto que muitos médicos brasileiros (suponho que não a totalidade) consideram “escravidão” trabalhar no serviço público. Mesmo que eles tenham estudado gratuitamente em universidades federais e estaduais, financiadas pelo dinheiro do contribuinte- eu e você. Alguém pode argumentar que os cubanos foram chamados de “escravos” pelos colegas brasileiros porque vivem sob a ditadura de Fidel Castro. Bem, aí é estabelecer a equivalência discriminatória entre o povo de um país e o regime político sob o qual este vive. O nome disso é fascismo. SE, porém, a questão é aquela apontada pela jornalista potiguar Micheline Borges – a de que as médicas cubanas têm cara de “empregadas domésticas” – bom, aí, temos mais um caso de discriminação social "bem" brasileiro e de, sobretudo, solidariedade de classe entre as elites, que é histórica neste país (releiam “O caso da vara”, do Machado de Assis, Roberta Flores PedrosoRoberta Eilert Barella eHelena Terra).Afinal de contas, muitos dos médicos cubanos vêm das classes pobres. A maioria dos nossos, da classe MÉDIA ALTA para cima. A mesma solidariedade, só para dar um exemplo, que falta em relação aos salários dos porteiros e seguranças de nossos prédios, devidamente terceirizados.

Mas, fiquem tranquilos. Eu não estou comparando os nossos médicos a porteiros e domésticas, ainda que a vinculação dos primeiros com a indústria farmacêutica possa ser bem mais custosa aos nossos bolsos (vou postar nos comentários o artigo de Luís Nassif sobre o tema). O que me interessa é, como escreveu o Bob Fernandes, que há 11 milhões de brasileiros vivendo em 700 municípios nos quais não há um ÙNICO médico. Eu não estou exigindo que os nossos profissionais de Saúde se metam em grotas. Isso até os políticos da oposição sabem que NÂO acontece e não vai acontecer, já que os médicos ganham bem mais do que 10 mil ou 20 mil reais oferecidos pelas Prefeituras (já repararam que não apareceu nenhum parlamentar para defender esse, com o perdão da palavra, “povo” doutor ?). O que me choca – em termos, já que estamos no Brasil - é que haja médicos nativos que lutam para que nenhum de seus colegas estrangeiros se disponha a ir até essas bibocas. Aí, é uma questão de falta da humanidade – humanidade que, se supõe, deveria estar minimamente presente nesta profissão (com compensação financeira, é claro,porque não exijo que médicos sejam santos).

P.S. A foto que ilustra a postagem é aquela que já se sabe aqui no Facebook. VEJA elogiava (1999) a vinda de cubanos para o Brasil no tempo de FHC e Serra (Ministro da Saúde) e relincha furiosamente quando isto acontece no Governo Dilma. Ou seja, o de sempre...

quinta-feira, 4 de abril de 2013

OPINIÃO

A DIVERTIDA DISCUSSÃO SOBRE O
TRANSPORTE PÚBLICO DE PORTO ALEGRE


Carlos Augusto Bissón

Pois, acredito que as recentes manifestações contra o aumento da passagem de ônibus em Porto Alegre de 2,85 reais para 3,05 estão crescendo em termos relativos, e repercutindo nos jornais mais do que deviam, não apenas porque muitos usuários de transporte público estão nas ruas protestando, mas porque, num certo sentido, há descontentes “motorizados” endossando-as. Sobre isto, falo mais adiante.

Ah, e não se pode deixar de mencionar, também que temos uma imprensa naturalmente sequiosa de notícias, a qual, infelizmente para ela, atua numa cidade onde nada de realmente importante acontece - porque, como o RS, estacionou há três décadas - pouco lhe restando, portanto, senão amplificar qualquer “ato de repúdio” promovido pela meia-dúzia de sempre.
Enlouqueci? Pode ser, mas quem não, em Porto Alegre? O que interessa, porém, é que a chave para o entendimento dos protestos estudantis é o fato de que o Prefeito José Fortunati (PDT) foi reeleito no primeiro turno com 65% dos votos, fenômeno que gerou ressentimentos insanáveis. Há muito tempo, friso, pouco se me dá quem é o prefeito de Porto Alegre, pela irrelevância e impotência do cargo numa cidade essencialmente reacionária e imobilista, mas, na postagem que fiz quando Fortunati foi eleito, eu disse que ele – que fala sempre em Deus em seus pronunciamentos – iria precisar mesmo de um aliado deste porte para governar.

Com o resultado eleitoral acachapante que obteve, o prefeito vai “pagar” por esse “pecado” até o final do mandato, pois humilhou seus opositores, deixando-os sem espaço político significativo. Era preciso, portanto, na ótica daqueles últimos, “fazer alguma coisa”. Os descontentes, muitos deles até sem filiação partidária, têm se esmerado nesta tarefa corajosamente, abusando, inclusive, da crescente capacidade gaúcha de beirar o ridículo - como aquela de reclamar da presença de um boneco no Largo Glênio Peres. A conversa da “privatização dos espaços públicos”, decididamente, não colou entre maiores de 25 anos, já que ninguém realmente sério, a exceção dos tarados ou dos dementes políticos, se importa em passear num parque ou entrar num teatro por estes ostentarem um anúncio da Coca-Cola. Imagino, aliás, o “chilique ideológico” que muita gente desta cidade teria se a Prefeitura colocasse uma gigantesca peça da Nike na marquise de seu prédio, coisa que vi em Montevidéu (2011).

Como, por “falta de vontade política”, não tem havido, há décadas, repito, um projeto administrativo que efetivamente modernize e aperfeiçoe o perfil urbano de Porto Alegre, a discussão na cidade tem se limitado à histeria ecológica “neocolona” contra o corte de árvores exóticas ou, até, quanto ao objeto de seu plantio – e vi, num blog, uma crítica severa à preferência da SMAM por jerivás...
Sendo assim, as forças anti-Fortunati, seja qual for a sua coloração partidária, viram no aumento da passagem uma oportunidade para se colocar politicamente na ribalta, liderando o coro dos descontentes numa coisa, por fim, supostamente séria, palpável, de provável interesse da sociedade.

O fato é que o êxito da ação dos manifestantes – e foram cinco mil nesta segunda-feira, 1º de abril – é fruto da circunstância de que quem anda por Porto Alegre de carro, lotação ou ônibus sofre com os congestionamentos diários do trânsito, sobretudo nas horas de pique, em função das obras viárias que estão sendo realizadas na cidade – e, o que é altamente problemático, ao mesmo tempo. A irritação é geral, inclusive de minha parte, e imagino que muitos que estão em pé, presos no interior de um ônibus, sintam enorme desconforto diante desta situação, pela lentidão com que os veículos se movem.

Entretanto, quem dirige automóvel experimenta igual ou maior descontentamento, já que, em tese, o carro deveria aumentar a autonomia e capacidade de movimentação de quem o tem. Contudo, não é o que está acontecendo. Pior para o prefeito, o qual, para seu azar, ainda comete eventuais deslizes de linguagem. Pois bem, não tenho automóvel e só pego ônibus se este passar pela minha frente (as distâncias que percorro são curtas). Ainda assim, não posso deixar de considerar divertidas as declarações que tenho lido e ouvido por parte dos estudantes que estão protestando contra o aumento das passagens.

Uma delas é de que os ônibus estão sempre insuportavelmente lotados e que atrasam muito (este último item se explica pelo congestionamento citado anteriormente). Bem, já andei de transporte público nas principais cidades do mundo: Londres, Paris, Nova Iorque, Madri etc. Você não pode nem pensar em pegar o metrô que me parece ser o mais organizado e eficiente do mundo, o de Londres, entre 16h30min e 18 horas (o expediente de trabalho lá é o das 9 às 17 horas). Se conseguir entrar nos vagões, você vai se sentir uma “sardinha em lata”, termo que vi nos cartazes dos manifestantes infanto-juvenis porto-alegrenses. O que se vê em plena Europa, naquele horário, não difere em nada dos trens lotados da Central do Brasil. O mesmo acontece quando se pega o metrô de Nova Iorque, por exemplo, na Estação Wall Street.

A outra queixa é de que temos em Porto Alegre a “passagem mais cara do Brasil”. Pode até ser, mas, reconheça-se algo elogiável nesta cidade muquirana, o transporte público de Porto Alegre é, com todas as suas possíveis precariedades, um dos melhores, se não o melhor, das capitais do país – há um bom tempo, aliás, e até por empenho das administrações anteriores. Tente pegar o metrô em São Paulo, por exemplo. Você vai encontrar filas e mais filas às 16h. As estações são um lixo. E os ônibus que circulam por lá são, visivelmente, bem mais velhos do que os nossos. Isto só para citar a maior e mais rica cidade do país. Olhem, essa coisa de que transporte público é, ou deve ser, uma maravilha SEMPRE nada mais é do que uma invenção dos “maqueteiros”, digo, de alguns arquitetos e urbanistas “fora do ar”, esse povo que quer que as cidades não tenham nem carros e nem gente – embora, pitorescamente, digam o contrário - para que se assemelhem às maquetes que montam.

À exceção de Dubai, onde a riqueza do petróleo permite paradas de ônibus abertas, mas com refrigeração (!!!), transporte público é, em maior ou menor grau, algo que se aceita e se usa em todo mundo apenas porque ele, se for metrô, é mais rápido e barato do que o automóvel, já que estes é caro e não há estacionamentos disponíveis para todos. Por fim, o outro argumento dos jovens, cuja ilimitada possibilidade hormonal permite esse tipo de formulação, é que o aumento “prejudicou o lazer e as atividades culturais” dos jovens. Vejamos: são 20 centavos por passagem, 40 a mais por dia no ida e volta.

Sob esta circunstância, o aumento do custo mensal desse pessoal é de...12 reais. Só que eles pagam a metade da passagem ...6 reais... Compra-se uma cerveja e uma carteira de cigarro ou se vai ao cinema com isso?

Pois é...