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sexta-feira, 2 de março de 2018

MÚSICA NA SEXTA

Antônio Viana Gomes, o Tony Tornado, nasceu em 1930, em Mirante de Paranapanema, SP. Iniciou sua carreira artística no final dos anos 1950, cantando rock no programa “Hoje é dia de rock”, da Rádio Mayrink Veiga, com o nome artístico de Tony Checker.

Nos anos 60, foi morar em Nova York, onde atuava como traficante de drogas e proxeneta. Conheceu por lá, Tim Maia.

Em 1969, de volta ao Brasil, trabalhou no conjunto de Ed Lincoln e também cantava na noite com o pseudônimo de Johnny Bradfor, fingindo ser estrangeiro.

Após Tony ter vencido, em 1970 (na fase brasileira, na fase internacional ficou em terceiro lugar), o V Festival Internacional da Canção, acompanhado do Trio Ternura, com a música BR-3 (Antônio Adolfo e Tibério Gaspar), que se tornaria sua música mais popular, lançou o álbum Toni Tornado. No disco, havia músicas de autoria de Roberto e Erasmo Carlos, Getúlio Cortes, Dom Salvador, Hyldon e do próprio Tony.

Ibrahim Sued, concorrente desclassificado, insinuava que BR-3 não era somente a sigla da rodovia Rio-Belo Horizonte, mas um código de viciados que designava uma veia no braço onde se injetava cocaína. A sugestão fazia parte de um lobby para um livro escrito por um general de nome Jaime Graça (amigo de Ibrahim), chamado “Tóxico”, em cuja capa vermelha o título lembrava uma carreira de cocaína e nas primeiras páginas sugeria que BR-3 era um hino toxicômano, substituindo os versos originais por: “Há uma seringa, que vem do céu cruzando o braço, e uma agulha feita em aço, pra esperar a outra vez”. 

Para Flávio Cavalcanti era uma referência ao LSD. Para muita gente, uma apologia à maconha. Os autores de BR-3 responderam ao Serviço Nacional de Informações (cujo diretor, à época, era João Batista Figueiredo), devido à suspeita de que a letra teria conotações a drogas e também a grupos políticos como os Panteras Negras.

BR-3
Antônio Adolfo e Tibério Gaspar

A gente corre na BR-3
A gente morre na BR-3
Há um foguete
Rasgando o céu, cruzando o espaço
E um Jesus Cristo feito em aço
Crucificado outra vez
E a gente corre na BR-3
E agente morre na BR-3
Há um sonho
Viagem multicolorida
Às vezes ponto de partida
E às vezes porto de um talvez
E a gente corre na BR-3
E a gente morre na BR-3
Há um crime
No longo asfalto dessa estrada
E uma notícia fabricada
Pro novo herói de cada mês

sexta-feira, 24 de novembro de 2017

MÚSICA NA SEXTA

Antonio Adolfo Maurity Sabóia nasceu em 1947, no Rio de Janeiro. Iniciou sua carreira profissional em 1963 como pianista do conjunto Samba Cinco, participando das sessões de jazz e bossa nova do Beco das Garrafas. Ainda nesse ano, escreveu "3-D", sua primeira composição, e formou, com Nelson Serra e Cacho Pomar, o Trio 3-D. O trio evoluiu para Conjunto 3-D, com a participação dos cantores Eduardo Conde e Beth Carvalho, e se desfez em 1968, tendo gravado quatro LPs.

Em 1967, começou a trabalhar em parceria com Tibério Gaspar. As primeiras composições da dupla foram: "Caminhada", finalista do II Festival Internacional da Canção (FIC), "Tema triste", "Rosa branca" e, no ano seguinte "Sá Marina", sucesso nacional na gravação de Wilson Simonal.

Em 1969, viajou pela Europa acompanhando a cantora Elis Regina. De volta ao Brasil, participou de trilhas sonoras de novelas da TV Globo, com as músicas "Teletema", "Ao redor" e "Manequim", todas com Tibério Gaspar. Ainda em 1969, formou, com Luis Claudio Ramos, Luizão Maia, Victor Manga e as cantoras Julie e Bimba, o conjunto A Brazuca. Mais tarde, Julie foi substituída por Luis Keller. O conjunto se manteve no cenário artístico até 1971 e gravou dois LPs e dois compactos simples pela Odeon.

A música Juliana abre o primeiro disco de Antônio Adolfo & A Brazuca.


Juliana
Antonio Adolfo e Tibério Gaspar

Num fim de tarde, meio de dezembro
Ainda me lembro e posso até contar
O sol caia dentro do horizonte
Juliana viu o amor chegar

A lua nova perto da ribeira
Trançava esteiras sobre os araças
Entrando em relva seu corpo moreno
Juliana viu o amor chegar

Botão de rosa perfumosa e linda
tão menina ainda a desabrochar
Pelos canteiros do amor primeiro
foi chegada a hora do seu despertar

E a poesia então fez moradia
na roseira vida que se abria em par
Entre suspiros junto à ribeira
Juliana viu o amor chegar

E Juliana então se fez mulher
E Juliana viu o amor chegar

quinta-feira, 20 de julho de 2017

ÁLBUM DA QUINTA

ANTONIO ADOLFO & A BRAZUCA - 1971

O disco Antonio Adolfo & A Brazuca, de 1971, marcou várias mudanças na banda. Julie deixou o grupo e foi substituída pelo vocalista Luiz Keller. E uma história curiosa: Vitor Manga deixara o grupo para excursionar com Wilson Simonal no México um ano antes. Seus problemas com drogas acabaram fazendo com que o cantor de "Sá Marina" o despedisse - e ele, desgostoso, acabou morrendo de overdose. A tristeza com a partida de Vitor acabou gerando a carregadíssima balada "Tributo a Vitor Manga".

O disco conta com músicas como "Panorama", "Pela Cidade", "Cláudia", "Atenção! Atenção!", a progressiva "Transamazônica" e o soul "Que se dane". A primazia da parceria Antonio Adolfo e Tibério Gaspar foi substituída por várias composições da dupla Luiz Cláudio Ramos e Mariozinho Rocha e por músicas creditadas à Brazuca.


Antonio Adolfo lançaria mais um disco pela Philips, em 1972, e depois passaria a se dedicar à produção independente, gravando e distribuindo seus discos por conta própria, a partir do pioneiro selo Artezanal. Tibério Gaspar iniciaria uma parceria com o cantor e compositor Guilherme Lamounier. 

Uma curiosidade: Vitor era sobrinho do homem de televisão Carlos Manga, que após a morte do músico decidiu se vingar procurando Wilson Simonal durante meses, munido de um revólver - fato que foi revelado pelo próprio Carlos Manga numa entrevista à Playboy nos anos 90. Vários amigos em comum acabaram impedindo que o encontro entre os dois acontecesse.


Lado 1
1 - Panorama (Mariozinho Rocha e Luiz Cláudio)
2 - Cláudia (Tibério Gaspar e Antônio Adolfo)
3 - Tributo a Victor Manga (Brazuca)
4 - Pela Cidade (Tibério Gaspar e Antônio Adolfo)
5 - Grilopus nº 1 (1ª parte) (Antônio Adolfo)
6 - Que se dane (Mariozinho Rocha e Luiz Cláudio)

Lado 2
1 - Atenção! Atenção! (Brazuca)
2 - Cotidiano (Tibério Gaspar e Antônio Adolfo)
3 - Transamazônica (Brazuca)
4 - Cortando Caminho (Brazuca)
5 - Grilopus nº 1 (2ª parte) (Antônio Adolfo)
6 - Caminhada (Tibério Gaspar e Antônio Adolfo)


Antonio Adolfo: Piano
Luiz Cláudio Ramos: Guitarra
Luizão Maia: Baixo
Paulo Braga: Bateria
Bimba: Vocais
Luiz Keller: Vocais


quinta-feira, 16 de março de 2017

ÁLBUM DA QUINTA

FEITO EM CASA - 1977- ANTÔNIO ADOLFO

Depois de um tempo fora do Brasil, quando acompanhou Elis Regina em uma turnê pela Europa e passou um tempo nos EUA trabalhando com Sérgio Mendes, Stevie Wonder e Dionne Warwick, entre outros, Antonio Adolfo volta e lança Feito em Casa de forma independente. Março de 2017 marca os 40 anos de lançamento do disco.


O disco, que saiu pelo seu próprio selo, Artezanal, foi o pioneiro da produção independente no Brasil. A produção, os arranjos e as 11 faixas do álbum são assinadas por Adolfo, que contou com Toninho Barbosa (Estúdio Sonoviso) para a gravação e mixagem. Para dar ainda mais vida às suas canções, ele chamou uma grande banda para acompanhá-lo.


O disco foi comercializado diretamente por ele com as lojas em vários centros do Brasil. Ele colocou um teclado no porta-malas do carro e visitou muitas cidades, promovendo alguns shows relâmpago em campus universitários. A aceitação comercial de Feito em Casa motivou diversos artistas a partirem para a produção independente.


Face A
1 - Feito em Casa (Antônio Adolfo)
2 - Acalanto (Antônio Adolfo)
3 - Venice - (Antônio Adolfo)
4 - Chickote - (Antônio Adolfo)
5 - Dia de paz (Antônio Adolfo e Jorge Mautner)
6 - Beijinho (Antônio Adolfo)

Face B
1 - Variações (Antônio Adolfo)
3 - Aonde você vai? (Antônio Adolfo)
3 - As luzes estão brilhando (Antônio Adolfo e Jorge Mautner)
4 - Vê (Antônio Adolfo)
5 - Virry (Antônio Adolfo)


Antônio Adolfo - piano, piano Rhodes, órgão Hammond, Mini Moog, Arp Strings, arranjos e produção
Jamil Joanes e Luizão Maia - baixo
Luiz Cláudio Ramos - guitarra e violão
Rubinho - bateria
Ariovaldo ContesiniPeninha e Chico Batera - percussão
Danilo Caymmi e Franklin - flauta
Márcio Montarroyos - trompete
Oberdan Magalhães - sax
SuzanaLunaCláudia Telles e Marcio Lott - vocais
JoyceMalu e Antônio Adolfo - voz solo

quinta-feira, 13 de outubro de 2016

ÁLBUM DA QUINTA

POVO DAQUI - 1980 - TECA & RICARDO

Primeiro álbum lançado pela dupla formada por Teca Calazans e Ricardo Villas após o retorno ao Brasil, depois de uma década radicados na França, Povo Daqui apresenta novas composições e regravações de canções presentes nos álbuns editados em solo francês. 


Além do colaborador habitual Leonardo Ribeiro, o trabalho conta com a participação de diversos músicos de renome, dentre eles, Antônio Adolfo, Mauro Senise, Nelson Ângelo, Novelli, Robertinho Silva, Sivuca e Toninho Horta, com orquestrações e regências dos maestros Guerra-Peixe e Eduardo Souto Neto. Algumas letras carregam forte conotação política, como a impactante e bastante atual "Minoria", que reflete o momento histórico pelo qual o país passava.


Lado A
1. Ciranda da Lua no Mar (Teca Calazans e Ricardo Vilas) 00:00
2. Estrela da Canção (Ricardo Vilas) 02:54
3. Aguaceiro (Teca Calazans e Ricardo Vilas) 07:02
4. Triste Tropical (Ricardo Vilas) 10:06
5. Imagem Moderna (Ricardo Vilas) 13:20
6. Minoria (Ricardo Vilas) 16:28

Lado B
7. Povo Daqui (Teca Calazans) 18:55
8. Velha Amizade (participação especial: Boca Livre) (Ricardo Vilas) 22:36
9. Desafio (Ricardo Vilas) 26:45
10. As Flores Deste Jardim (Ricardo Vilas) 30:22
11. Caicó (tradicional - adaptação: Teca Calazans) 33:51


Teca Calazans - voz
Ricardo Villas - voz, violões
Leonardo Ribeiro - violão, baixo
Toninho Horta - violão, guitarra
Novelli - baixo
Sivuca - acordeom
Robertinho Silva - bateria, percussão
Antônio Adolfo - piano
Nélson Ângelo - violão, guitarra
Nivaldo Ornelas - sax, flauta
Luiz Alves - baixo acústico
Chico Batera - percussão
Boca Livre - vocais
Guerra-Peixe e Eduardo Souto Neto - orquestrações e regência

quinta-feira, 15 de outubro de 2015

ÁLBUM DA QUINTA

VIRALATA - 1979 - ANTONIO ADOLFO

Viralata, de 1979, é um disco recheado com muito jazz, funk, baião e música latina. Foi lançado pelo selo Artezanal e traz o pianista carioca em 12 faixas em que o que manda é uma entre os ritmos citados. 


Destaque para a magnífica "Cascavel", que abre o disco, que ainda conta com outros belos temas, como "Paraíba do Sol", "Caminhada", "Vermelhinho" e "Nordeste", uma variação sobre a canção "A Saudade Mata a Gente", de Antônio Almeida e João de Barro.


Lado 1
01 - Cascavel (Antonio Adolfo) - 00:00 
02 - Paraíba do Sul (Antonio Adolfo) - 02:56 
03 - Brincadeira em Ré (Antonio Adolfo) - 07:21 
04 - Brincadeira em Mi Bemol (Antonio Adolfo) - 09:08 
05 - Caminhada (Tibério Gaspar - Antonio Adolfo) - 12:12 
06 - Vermelhinho (Antonio Adolfo) - 14:26 

Lado 2
01 - Nordeste (Variação sobre o tema "A Saudade Mata a Gente") (Antonio Adolfo) - 18:06 
02 - Alegria de Carnaval (Tibério Gaspar - Antonio Adolfo) - 21:57 
03 - Diana e Paulo (Antonio Adolfo) - 25:03 
04 - Viralata (Antonio Adolfo) - 28:25 
05 - Assanhada (Antonio Adolfo) - 31:02 
06 - A Marcha (Antonio Adolfo) - 33:23


Antonio Adolfo - piano, arranjos
Téo Lima - bateria
Agenor Mendes - percussão
Jamil Joanes - baixo
Helio Capucci - guitarra
Zé Carlos - flauta, sax tenor, sax soprano
Bidinho - trumpete

Serginho - trombone
Viva Voz - vocal

quinta-feira, 8 de outubro de 2015

ÁLBUM DA QUINTA

ANTONIO ADOLFO & A BRAZUCA - 1969

O primeiro disco do grupo Antonio Adolfo & A Brazuca saiu em 1969, saudado por Carlos Imperial, Roberto Carlos, Chico Anysio, Augusto Marzagão e Luizinho Eça (que escreveram os textos da contra-capa) e puxado por "Juliana", um hit que conquistou o segundo lugar no IV Festival Internacional da Canção (FIC). 

Antonio Adolfo Maurity Sabóia vinha da mistura de jazz e bossa nova em grupos como Samba 5 e Conjunto 3D. O apreço pela mistura de brasilidade e tecnologia, que dá as caras nas letras e melodias da Brazuca, já aparece aí. 



Antonio Adolfo trabalhou com muita gente, mas é mais conhecido pela parceria com o letrista Tibério Gaspar, com quem compôs um rico leque de canções gravadas por Wilson Simonal ("Sá Marina"), Toni Tornado ("BR-3"), Trio Ternura ("Manequim"), Evinha ("Teletema"), entre outras. 

Sucesso não faltou: "Teletema" foi uma das primeiras músicas do país veiculadas em trilhas de novelas (Véu de noiva, 1970, lançada pela Philips), e "BR-3", soul de primeira linha, defendida por Tony Tornado, foi classificada num Festival Internacional da Canção.



Pouco antes dessa época, Antonio & Tibério já haviam se juntado às vocalistas Bimba e Julie, ao baixista Luizão Maia, ao guitarrista Luiz Cláudio Ramos e ao baterista Vitor Manga. O resultado foi este disco, que tem toada-soul (a própria "Juliana"), sons influenciados pelos Beatles ("Futilirama", "Dois tempos"), uma espécie de ciranda moderna ("Moça"), soul brasileiro psicodélico ("Vôo da Apolo", com pioneiros efeitos de teclados) e outras belas músicas, além da versão original de "Teletema", fechada por conversas de estúdio e pelo bater de uma porta.



Lado 1
1. Juliana - Antonio Adolfo, Tibério Gaspar
2. Futilirama - Fernando Leporace, Mariozinho Rocha
3. Moça - Antonio Adolfo, Tibério Gaspar
4. Dois Tempos - Antonio Adolfo, Tibério Gaspar
5. Vôo da Apolo - Antonio Adolfo, Tibério Gaspar

Lado 2
1. Porque Hoje é Domingo - Antonio Adolfo, Tibério Gaspar
2. Maria Aparecida - Luiz Fernando Fonseca,Luiz Cláudio
3. Psiu - Antonio Adolfo, Tibério Gaspar
4. A Cidade e Eu - Antonio Adolfo, Tibério Gaspar
5. Pelas Ruas do Meu Bairro - Luiz Fernando Fonseca,Luiz Cláudio
6. Teletema - Antonio Adolfo, Tibério Gaspar


Antonio Adolfo - piano
Luizão Maia - baixo 
Alex Malheiros - baixo
Victor Manga - bateria 
Luiz Claudio Ramos - guitarra
Julie - vocal
Bimba - vocal

Co-produtor, assistente - Tibério Gaspar
Condutor - Laércio de Freitas
Orquestração - Antônio Adolfo
Produtor - Milton Miranda


http://brnuggets.blogspot.com.br