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terça-feira, 6 de janeiro de 2015

DOS FERIADOS

Ouvi muito, mas muito queixume, de muilealvalerosenses que não viajaram nos feriados de final de ano. A bronca era com a “falta do que fazer”. 

Eu, como sempre, fico em casa mesmo, pouca diferença sinto se a Terreira da Tribo está recebendo visitas ou não. Ou, ainda, se algum lugarzinho com cerveja artesanal a R$ 50,00 a garrafa está aberto.

O que me ocorre é que a turma sempre reclama que a vida “é uma loucura”, “uma correria”, que não tem tempo pra nada. E aquelas grosas de livros que me dizem que leem foram parar aonde? 

Quando têm tempo pra ler os milhares de alfarrábios que citam, quando poderiam ler o último Pondé tranquilamente, reclamam que não têm nada pra fazer. Aqueles livros que entopem até o teto as cabeceiras das camas já foram todos de-vo-ra-dos em noites e noites varadas em prol do prazer da leitura e da viagem que só um livro proporciona?

Vá entender esse povo....

quarta-feira, 13 de março de 2013

Livro que virou filme


Colocando na estante “O Estrangeiro”, de Albert Camus, que citei aqui ontem, fiquei pensando sobre a sorte de alguns livros que viraram filmes. Não vou entrar no mérito da linguagem e nem dizer o que a gente ouve em qualquer conversa sobre qualquer livro que virou filme: “O livro é muuuiiito melhor! Eu de-vo-rei! Li em uma noite”. (Qualquer livro que virou filme foi lido em uma noite, mesmo sendo a trilogia Senhor dos Anéis). E claro que vou esquecer um montão, mas foram os que me vieram à cabeça.
Estava pensando na sorte mesmo de um livro ter sido escolhido por um diretor, ou quem decide que um livro virará filme.

Alguns dão tanta sorte que nem eram conhecidos antes do filme: Coração Satânico – Willian Hjortsberg, O Clube Dumas – Arturo Pérez-Reverte, que virou O último Portal, de Roman Polanski. Pelo menos eu não conhecia. Alguém pensou em ler o Poderoso Chefão, do Mario Puzzo, depois de ver o Marlon Brando?
Certamente, Umberto Eco vendeu alguns livros para leitores que não entenderam nada de seus livros depois do Willian de Sean Connery.

O estrangeiro, supra citado, foi vivido por Marcello Mastroianni.
A lista é enorme. Mas nada me desperta maior compaixão e tristeza do que o Mandrake do Rubem Fonseca. Na primeira vez que vi em filme foi com o Peter Coyote (tudo bem, avacalharam com o livro mesmo... mas Peter Coyote, francamente...), e depois me aparece o Marcos Palmeira. Porra, o Peter Coyote nem o Polansky conseguiu fazer ele trabalhar bem (Lua de Fel), ele é ruim até caçando ET. E o sobrinho do Chico Anysio sempre vai despertar aquela lembrança do pisoteador de cacau. E o pior é que este deve ter tido a anuência do autor, já que o diretor é filho dele. O Mandrake que eu conheço desde Lúcia McCartney não é assim.

Luiggi

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

LIVRO


Nunca tive problemas com ler e reler algum livro. Pelo contrário. Desde que goste dele, por óbvio. Na coluna de Luiz Antônio de Assis Brasil na ZH de hoje vejo essa frase:

“Quando um livro não merece ser lido três vezes, não merece ser lido nenhuma vez. Isso vale também para um filme.”

Gostei. Luiggi também concorda.

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

NÃO LI, CONFESSO, NÃO LI


Há algum tempo, em conversa com Kevin, pronunciei a frase menos muilealvalerosense da história. Escrevi, inocentemente, “Não li esse livro”. Não lembro qual era. Não sou como Luiggi, que lê Joyce, Camus, Bakunin, Malatesta e Guimarães Rosa no original. Nem como qualquer outro muilealevalerosense. A frase saiu ao natural. Depois, me dei conta. Se falasse isso em qualquer mesa de bar por aí, ia ser alvo de comentários desatinados: “Não leu?!?!” E parece que vejo a gesticulação da interlocutora desesperada com tamanha ignorância, sacudindo a cabeça e os braços como o bonecão do posto enquanto repete incrédula: “Não leu?!?!”. Não interessa qual o livro. Se for novidade da última Feira então...
Muilealevalerosense sempre está lendo alguma coisa. E sempre carregando algum livro no sovaco.
A Muileal é uma terra estranha. Se você falar em Paulo Coelho, todos se apressam em dizer que nunca leram. Mas, se falar no Capital - que nenhum comunista por aqui leu -, todo mundo fica quieto. Ou se falar em Kant também ninguém diz que não leu.
Sigo espantando as mesas com minha ignorância. Sempre querendo aprender. E nada...
(Que vontade de dizer: “Porra, mal tenho tempo de ler o Correio enquanto cago!”. Mas ando comportado.)
Aquele abraço nos meus familiares.

sábado, 5 de janeiro de 2013

LIVROS

O camarada não pode simplesmente ler um livro.
Primeiro, tem aquele charmoso. A turma falando que foi aqui ou acolá e o querido quieto olhando pra baixo como se estivesse ouvindo as maiores barbaridades. Está, na realidade, esperando a pergunta que algum idiota certamente fará: “E tu?”. Era o que ele esperava. Aguardava essa pergunta como um vegetariano aguarda ser convidado para um churrasco. O sujeito faz aquela cara de pau grande e atocha: “Não gosto de agitação, prefiro ficar em casa lendo um bom livro, tomando um bom vinho...” As reticências são importantes. Porra, cada um faz o que quiser da sua vida. Mas ler um BOM livro, tomar um BOM vinho. Alguém, por acaso, anseia a hora de ler um livro ruim? De tomar um vinho avinagrado? Faça-me o favor...
Depois vem aquela gente da cultura de sovaco, sempre com um livro debaixo do braço. Essa gente também não lê um livro simplesmente. Eles “devoram”. Normalmente é dito assim “DE-VO-REI o fulano, não consegui largar até de manhã”. Duas coisas: nesses casos, nunca é dito o nome do livro, sempre o do autor. Acho que gostam de parecer íntimos. E também tenho impressão que essa gente não lê de dia. Quando chega a manhã, sempre largam os livros. Certamente pra fazer alguma atividade menor do que a leitura (A-DO-RAM dizer assim: “leiam, leiam, leiam tudo, não importanta, leiam tudo”. Tenho vontade de dar o código tributário pra essa gente ler, pra ver se vão DE-VO-RAR) mas que fazem para o bem de nós - mortais - que não devoramos nenhum autor até o amanhecer precisamos deles. Se não, o eixo de rotação da terra muda.
Agora, tem uma nova. Pelo menos pra mim. Continuam não lendo. Agora, estão imersos nos livros. “Fulana leva na bolsa o livro no qual está imersa”. E la nave va.