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sábado, 10 de setembro de 2016

OLYMPIA

A obra Olympia, do pintor Edouard Manet, causou muita controvérsia na França napoleônica. A representação explícita do descanso de uma cortesã francesa era muito diferente de outras imagens que o artista fez para representar o ambiente social. Ainda que a imagem possa ser situada num contexto mais amplo de nus femininos e que a pose lembre a obra Vênus de Urbino, de Ticiano, Olympia causou muito escândalo devido ao seu caráter expressamente não alegórico e da representação de uma mulher sem roupa fora do conceito de nu clássico.


Na arte do século XIX, os nus eram aceitáveis, desde que retratassem ninfas clássicas e figuras divinas. Enquanto nisso, Manet pintava Victorine Meurent, modelo e sua companheira, em um ambiente contemporâneo.

A modelo aparece adornada com uma orquídea rosada no cabelo, joias e calçados que chamam a atenção para a sua nudez artificial e sua condição de cortesã. O chinelo solto é um símbolo da perda da inocência, assim como a orquídea é uma representação tradicional da sexualidade.

Na obra, o pintor promove a ideia realista de que a arte pode retratar a vida cotidiana de uma forma direta. A pintura não tem o estilo idealizado e uniforme dos nus classicos, assim como a luz implacável acrescenta um toque de brutalidade à cena. A mulher olha para fora da tela de modo confrontador, com uma falta de modéstia perceptível e a empregada negra, totalmente vestida, representa outro ponto controverso na pintura.

4 DETALHES DE OLYMPIA SE DESTACAM:

1. A MULHER NUA:

O nu, alegoria da arte canônica, era considerado o mais elevado exemplo da realização artística. No entanto, este não foi o caso de Olympia, tida como mera representação de uma mulher sem roupas. Seus adornos a definem como uma cortesão, e foi por isso que lhe foi atribuída uma posição inferior à das outras figuras nuas que aparecem em quadros da época romântica.

2. A EMPREGADA DE OLYMPIA:

A empregada negra chama-se Laura e é usada como modelo profissional na pintura. Em pé, totalmente vestida, Laura segura um buquê de flores, provavelmente enviado por um cliente para a sua patroa. Olympia parece indiferente à presença da empregada. Essa distância emocional é reforçada pela separação física das figuras.

3. GATO PRETO:

O gato preto, símbolo da superstição, indica a condição de tabu da cena representada. Posicionado ao lado da empregada negra, o gato chama a atenção para os estereótipos da feminilidade e sexualidade negra que circulavam na época em que o quadro foi exibido.

4. BUQUÊ DE FLORES:

Símbolo clássico da sexualidade feminina, o buquê chama a atenção para a carga erótica da cena. O motivo floral aparece novamente na colcha sobre o divã da modelo, realçando ainda mais a sua condição de cortesã comum.

Olympia

FICHA TÉCNICA - OLYMPIA:

Autor: Edouard Manet 
Onde ver: Museu d'Orsay, Paris, França 
Ano: 1863 
Técnica: Óleo sobre tela 
Tamanho: 1,30 m x 1,90 m 
Movimento: Realismo

sábado, 14 de maio de 2016

OLYMPIA

A obra Olympia, do pintor Edouard Manet, causou muita controvérsia na França napoleônica.

A representação explícita do descanso de uma cortesã francesa era muito diferente de outras imagens que o artista fez para representar o ambiente social. Ainda que a imagem possa ser situada num contexto mais amplo de nus femininos e que a pose lembre a obra Vênus de Urbino, de Ticiano, Olympia causou muito escândalo devido ao seu caráter expressamente não alegórico e da representação de uma mulher sem roupa fora do conceito de nu clássico.


Na arte do século XIX, os nus eram aceitáveis, desde que retratassem ninfas clássicas e figuras divinas. Enquanto nisso, Manet pintava Victorine Meurent, modelo e sua companheira, em um ambiente contemporâneo.

A modelo aparece adornada com uma orquídea rosada no cabelo, joias e calçados que chamam a atenção para a sua nudez artificial e sua condição de cortesã. O chinelo solto é um símbolo da perda da inocência, assim como a orquídea é uma representação tradicional da sexualidade.

Na obra, o pintor promove a ideia realista de que a arte pode retratar a vida cotidiana de uma forma direta. A pintura não tem o estilo idealizado e uniforme dos nus classicos, assim como a luz implacável acrescenta um toque de brutalidade à cena. A mulher olha para fora da tela de modo confrontador, com uma falta de modéstia perceptível e a empregada negra, totalmente vestida, representa outro ponto controverso na pintura.

4 DETALHES DE OLYMPIA SE DESTACAM:

1. A MULHER NUA:

O nu, alegoria da arte canônica, era considerado o mais elevado exemplo da realização artística. No entanto, este não foi o caso de Olympia, tida como mera representação de uma mulher sem roupas. Seus adornos a definem como uma cortesão, e foi por isso que lhe foi atribuída uma posição inferior à das outras figuras nuas que aparecem em quadros da época romântica.

2. A EMPREGADA DE OLYMPIA:

A empregada negra chama-se Laura e é usada como modelo profissional na pintura. Em pé, totalmente vestida, Laura segura um buquê de flores, provavelmente enviado por um cliente para a sua patroa. Olympia parece indiferente à presença da empregada. Essa distância emocional é reforçada pela separação física das figuras.

3. GATO PRETO:

O gato preto, símbolo da superstição, indica a condição de tabu da cena representada. Posicionado ao lado da empregada negra, o gato chama a atenção para os estereótipos da feminilidade e sexualidade negra que circulavam na época em que o quadro foi exibido.

4. BUQUÊ DE FLORES:

Símbolo clássico da sexualidade feminina, o buquê chama a atenção para a carga erótica da cena. O motivo floral aparece novamente na colcha sobre o divã da modelo, realçando ainda mais a sua condição de cortesã comum.

Olympia

FICHA TÉCNICA - OLYMPIA:

Autor: Edouard Manet 
Onde ver: Museu d'Orsay, Paris, França 
Ano: 1863 
Técnica: Óleo sobre tela 
Tamanho: 1,30 m x 1,90 m 
Movimento: Realismo

sábado, 21 de novembro de 2015

BAR NO FOLIES-BERGÈRE

De diversas maneiras, Bar no Folies-Bergère, do pintor impressionista francês Edouard Manet, reúne tanto a complexidade das preocupações visuais do artista quanto o tema central da burguesia, recorrente nas telas de diversos artistas impressionistas.


Na obra Manet apresenta um desafio adicional nas complexas interações visuais entre a garçonete e os reflexos no espelho atrás dela. O balcão de mármore acomoda objetos de um café-concerto e, no espelho, a clientela do bar se revela em busca de diversão. A ovem não chega a chamar a atenção do observador, com a sua pose entediada, pensativa ou resignada, como se também estivesse sendo exposta, possivelmente disponível para os clientes.

O enigma da obra encontra-se no ângulo de reflexo no espelho em relação à suposta posição do espectador e à aparente ausência do homem diante do balcão, que aparece refletido à direita da tela.

A jovem ocupa uma posiçã central na obra, mas existem outros detalhes que captam a atenção do espectador. Com as mãos apoiadas no balcão a moça cria uma pirâmide que reúne os itens expostos. Garrafas, frutas e rosas harmonizam com o rosto, o vestido e o cabelo dela, confirmando a associação feita por Manet.

Atrás da garçonete, o espelho reflete uma cena confusa. O balcão horizontal encontra correspondência no reflexo a meia distância. Existe certa nebulosidade no espelho para distinguir o reflexo da realidade. A imagem de um homem à direita, no alto, parece sem sentido e tanto a presença dele como as costas da garçonete parecem fora da realidade.

Três detalhes de Um Bar no Folies-Bergère se destacam:

1. Garçonete:

A jovem retratada na tela é Suzon. A jovem não era modelo e de fato trabalhava no Folies-Bergère. Algumas propagandas do bar mostravam clientes flertando com as atendentes, dando a entender que elas também estavam à venda.

2.Mundo burguês:

Manet fez questão de incorporar ao trabalho a superficialidade da busca pelo prazer, típica do mundo burguês. Ao mesmo tempo, o pintor questionava o papel da pintura, da garçonete, do espectador e dele mesmo.

3. Elementos no espelho:

A composição dos elementos no espelho fazem com que o espectador se esforce para entender a cena. Quem aprecia a tela precisa se questionar se está no lugar do cliente ou em algum lugar à parte, simplesmente observando a interação.

sábado, 3 de maio de 2014

BAR NO FOLIES-BERGÈRE

De diversas maneiras, Bar no Folies-Bergère, do pintor impressionista francês Edouard Manet, reúne tanto a complexidade das preocupações visuais do artista quanto o tema central da burguesia, recorrente nas telas de diversos artistas impressionistas.


Na obra Manet apresenta um desafio adicional nas complexas interações visuais entre a garçonete e os reflexos no espelho atrás dela. O balcão de mármore acomoda objetos de um café-concerto e, no espelho, a clientela do bar se revela em busca de diversão. A ovem não chega a chamar a atenção do observador, com a sua pose entediada, pensativa ou resignada, como se também estivesse sendo exposta, possivelmente disponível para os clientes.

O enigma da obra encontra-se no ângulo de reflexo no espelho em relação à suposta posição do espectador e à aparente ausência do homem diante do balcão, que aparece refletido à direita da tela.

A jovem ocupa uma posiçã central na obra, mas existem outros detalhes que captam a atenção do espectador. Com as mãos apoiadas no balcão a moça cria uma pirâmide que reúne os itens expostos. Garrafas, frutas e rosas harmonizam com o rosto, o vestido e o cabelo dela, confirmando a associação feita por Manet.

Atrás da garçonete, o espelho reflete uma cena confusa. O balcão horizontal encontra correspondência no reflexo a meia distância. Existe certa nebulosidade no espelho para distinguir o reflexo da realidade. A imagem de um homem à direita, no alto, parece sem sentido e tanto a presença dele como as costas da garçonete parecem fora da realidade.

Três detalhes de Um Bar no Folies-Bergère se destacam:

1. Garçonete:

A jovem retratada na tela é Suzon. A jovem não era modelo e de fato trabalhava no Folies-Bergère. Algumas propagandas do bar mostravam clientes flertando com as atendentes, dando a entender que elas também estavam à venda.

2.Mundo burguês:

Manet fez questão de incorporar ao trabalho a superficialidade da busca pelo prazer, típica do mundo burguês. Ao mesmo tempo, o pintor questionava o papel da pintura, da garçonete, do espectador e dele mesmo.

3. Elementos no espelho:

A composição dos elementos no espelho fazem com que o espectador se esforce para entender a cena. Quem aprecia a tela precisa se questionar se está no lugar do cliente ou em algum lugar à parte, simplesmente observando a interação.