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quarta-feira, 1 de outubro de 2014

CARIMBO

Existe um provérbio, cuja origem não faço a menor ideia qual seja, que diz que “a caneta é mais poderosa que a espada”. Inocentes. Quem disse isso nunca entrou numa repartição pública.

O carimbo, esse sim, é mais poderoso que qualquer coisa. Eu não sei se com a tecnologia de hoje ainda existe a figura do carimbo. Misericordiosamente, não tenho frequentado repartições. Mas tomemos o carimbo como metáfora.

Receita Federal, INSS, cartórios e tabelionatos de qualquer natureza, Junta Comercial, e, minha memória tenta apagar e não consegue, a Secretaria da Fazenda do Estado. Quem já pisou em algum desses ambientes (ou outros que tais) é porque precisa imperiosamente de algum documento chancelado pelo estado. E essa chancela se materializa na forma do carimbo. 

Quando seu documento é carimbado numa repartição, a comparação mais apropriada que se pode fazer é a de um gol em jogo de decisão. O documento pode ter uma barata esmagada sobre o texto, mas se tiver um carimbo, tá valendo.

Não sabe o que é angústia quem nunca esteve na frente de uma pessoa com um carimbo na mão, ponderando, sabe-se lá o quê, sobre o seu destino, com o carimbo balançando sobre a almofada de tinta. Coisas triviais, como a documentação que você porta, nem sempre são levadas em conta.

E agora Ermã me informa que a turma do carimbo está recuando. Buscam anuência de um superior para dar ou não a carimbada. Aquele carimbo, outrora assustador e vigoroso, agora tem o mesmo poder de um pau mole em busca de um viagra na mão de um burocrata.

quinta-feira, 20 de março de 2014

CARIMBO

As pessoas andam um tanto apressadas pra firmar opinião sobre alguma coisa. E, pior ainda, carimbando todo mundo com a mesma pressa.

Se uma pessoa critica uma negra pelo excesso de maquiagem, ou simplesmente diz que ela está feia, é chamada de racista. Se uma pessoa não embarca de primeira na história de uma moça que diz ter sofrido uma tentativa de estupro dentro de um bar, é machista. 

Se uma pessoa não vê nenhum problema em um jovem ator não gostar de teatro é, além de um ignorante completo, um sujeito que não percebe como os atores velhos são melhores mas não são valorizados. Mesmo pra papel de salva-vidas em Miami.

Se uma pessoa diz que não pretende, nunca, pegar no pinto do amigo (como dizia Tim Maia), é um homofóbico. Um radialista diz que não gosta de gatos e é acusado de desumano, desalmado e outras coisas. E por aí vai a valsa.

Atualmente, estamos vivendo uma espécie de mundo voltado para a proteção das autointituladas minorias. Todo mundo pode – e deve – se defender e se proteger como puder. Mas pra se proteger não precisa atacar. Ainda mais sem razão.