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sexta-feira, 2 de dezembro de 2016

DO CANCIONEIRO POLITICAMENTE INCORRETO



Lobo Bobo
(Carlos Lyra e Ronaldo Bôscoli)

Era uma vez um Lobo Mau
Que resolveu jantar alguém
Estava sem vintém
Mas arriscou
E logo se estrepou...

Um chapeuzinho de maiô
Ouviu buzina e não parou
Mas Lobo Mau insiste
E faz cara de triste
Mas chapeuzinho ouviu
Os conselhos da vovó
Dizer que não prá lobo
Que com lobo não sai só...

Lobo canta, pede
Promete tudo, até amor
E diz que fraco de lobo
É ver um chapeuzinho de maiô...

Mas chapeuzinho percebeu
Que o Lobo Mau se derreteu
Prá ver você que lobo
Também faz papel de bobo...

Só posso lhe dizer
Chapeuzinho agora traz
O Lobo na coleira
Que não janta nunca mais...

sábado, 12 de novembro de 2016

COVER DO SÁBADO

Lobo Bobo é uma canção de Carlos Lyra e Ronaldo Bôscoli gravada por João Gilberto no seu álbum de estreia, Chega de Saudade, com arranjos e produção de Antônio Carlos Jobim e Aloísio de Oliveira, lançado em 1959 pela Odeon.

André Midani, diretor comercial da gravadora Odeon, na época, sugeriu a Bôscoli que prestasse atenção ao rock de Celly e Tony Campelo, que era tematicamente mais próximo do público jovem e, por isso, fazia mais sucesso. Bôscoli foi para casa pensando no assunto e resolveu escrever uma letra cheia de malícia que destoasse completamente da maioria das canções da bossa nova, completamente assexuadas, falando sobre barquinhos e flores.


A canção tornou-se um clássico da bossa nova, sendo gravada por diversos intérpretes, como Walter Wanderley, Leila Pinheiro, Carlos Lyra, Emílio Santiago, Ed Motta e Luiz Caldas, mas talvez a gravação icônica seja a de Wilson Simonal.

wikipedia

terça-feira, 25 de outubro de 2016

DO CANCIONEIRO POLITICAMENTE INCORRETO


Minha Namorada
(Carlos Lyra e Vinícius de Moraes)

Se você quer ser minha namorada
Ah, que linda namorada
Você poderia ser
Se quiser ser somente minha
Exatamente essa coisinha
Essa coisa toda minha
Que ninguém mais pode ser

Você tem que me fazer um juramento
De só ter um pensamento
Ser só minha até morrer
E também de não perder esse jeitinho
De falar devagarinho
Essas histórias de você
E de repente me fazer muito carinho
E chorar bem de mansinho
Sem ninguém saber por quê

Porém, se mais do que minha namorada
Você quer ser minha amada
Minha amada, mas amada pra valer
Aquela amada pelo amor predestinada
Sem a qual a vida é nada
Sem a qual se quer morrer

Você tem que vir comigo em meu caminho
E talvez o meu caminho seja triste pra você
Os seus olhos têm que ser só dos meus olhos
Os seus braços o meu ninho
No silêncio de depois
E você tem que ser a estrela derradeira
Minha amiga e companheira
No infinito de nós dois

domingo, 9 de outubro de 2016

DO CANCIONEIRO POLITICAMENTE INCORRETO


O Negócio é Amar
(Carlos Lyra e Dolores Duran)

Tem gente que ama, que vive brigando
E depois que briga acaba voltando
Tem gente que canta porque está amando
Quem não tem amor leva a vida esperando
Uns amam pra frente, e nunca se esquecem
Mas são tão pouquinhos que nem aparecem
Tem uns que são fracos, que dão pra beber
Outros fazem samba e adoram sofrer

Tem apaixonado que faz serenata
Tem amor de raça, amor vira-lata
Amor com champagne, amor com cachaça
Amor nos iates, nos bancos de praça
Tem homem que briga pela bem-amada
Tem mulher maluca que atura porrada
Tem quem ama tanto que até enlouquece
Tem quem dê a vida por quem não merece

Amores à vista, amores à prazo
Amor ciumento que só cria caso
Tem gente que jura que não volta mais
Mas jura sabendo que não é capaz
Tem gente que escreve até poesia
E rima saudade com hipocrisia

Tem assunto à bessa pra gente falar
Mas não interessa o negócio é amar

sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

MÚSICA NA SEXTA

Carlos Eduardo Lyra Barbosa nasceu no Rio de Janeiro, em 1936.

Um de seus primeiros instrumentos foi a gaita de boca. Montou a primeira Academia de Violão com o compositor Roberto Menescal, por onde passaram Marcos Valle, Edu Lobo, Nara Leão e Wanda Sá, entre outros. Participou da primeira geração da Bossa Nova junto com seu parceiro Ronaldo Bôscoli, os também parceiros Tom Jobim e Vinícius de Moraes e o intérprete João Gilberto, todos representados no LP "Chega de Saudade", lançado em 1959.

Em 1957, começou a compor em parceria com Ronaldo Bôscoli. Lobo Bobo foi a primeira música composta pelos dois.

Certa feita, Bôscoli escreveu um poema e desafiou seu novo parceiro a fazer a música. Lyra nunca tinha composto melodia para letra pré-elaborada, mas aceitou o desafio. Se é Tarde me Perdoa, fruto dessa experiência, é um samba-canção que caiu no gosto de vários nomes da MPB.

Denilson Monteiro, autor de “A bossa do lobo”, uma biografia de Ronaldo Bôscoli, classifica a música como uma ode à indulgência de um amante infiel.

Em 1991, Bôscoli dá mais uma prova de seu humor sarcástico, que não poupava nem a si próprio:

“A música mais parecida comigo é Se é Tarde me Perdoa, que fiz com Carlinhos Lyra, pois eu sempre cheguei mentindo, cheguei partindo, cheguei à toa. É o meu autorretrato”.

 
Se É Tarde Me Perdoa
Carlos Lyra / Ronaldo Bôscoli
Se é tarde me perdoa
Pois eu não sabia
Que você sabia
Que a vida é tão boa
 
Se é tarde me perdoa
Eu cheguei mentindo
Eu cheguei partindo
Eu cheguei à toa
 
Se é tarde me perdoa
Trago desencantos
De amores tantos
Pela madrugada
 
Se é tarde me perdoa
Venho só cansado