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segunda-feira, 7 de dezembro de 2015

O MUNDO MONGO

No G1:

A suposta autora do crime foi presa em flagrante. Testemunhas relataram à polícia que Stephanie estava "aparentemente transtornada".

terça-feira, 17 de novembro de 2015

POLITICAMENTE CORRETO

Outro dia, li uma notícia sobre uma troca de desaforos no Facebook (o foro da moda) entre o dono de uma lanchonete de São Paulo e uma cliente. 

O motivo foi uma postagem da cliente criticando a decoração de 'conteúdo machista' do estabelecimento (clique na imagem ao lado). 

Os termos utilizados na rede foram de 'sapatão' e 'putinha de quinta' a 'otário' e 'traficantezinho de quinta'. O mundo está ficando muito chato...

quarta-feira, 13 de maio de 2015

O MUNDO MONGO POLITICAMENTE CORRETO

Não gosto do Danilo Gentili. Acho ele um sujeito chato e sem graça. Mas não vi nada de mal na postagem dele no tuíter sobre o Dia Mundial da Enfermagem. Aliás, a piada não é nova e tem variações, como a do cara que se formou em odonto porque não passou na medicina, do cara que fez arquitetura porque não passou na engenharia...
Só que o Conselho Regional de Enfermagem (Coren) do Rio de Janeiro encarou a bobagem como uma afronta à classe e publicou uma nota que é um primor:

“Danilo Gentili: O Plenário do Coren – RJ tem compromisso com a liberdade de expressão, mas não tem tolerância para aceitar desrespeito aos profissionais que trabalham na saúde e na doença da população brasileira. Exigimos sua retratação”.

O que eu mais gostei foi "Exigimos sua retratação." Ora, vão se catar...

quarta-feira, 17 de dezembro de 2014

POLITICAMENTE CORRETO

A Fundação Zoo-Botânica que administra um zoológico de Belo Horizonte resolveu instituir uma votação para a escolha do nome de um filhote de gorila. Os três nomes sugeridos pela administração são africanos, e uma ONG entrou com uma representação no Ministério Público para cancelar a votação porque considera que as opções de nomes podem configurar racismo.

"Inaceitável a postura da Fundação, no sentido de vincular um ícone histórico de racismo – o macaco – a nomes de origem africana, com o intuito, segundo a Fundação, de fazer homenagem à origem africana do animal, sem levar em consideração a magnitude dos danos aos grupos étnicos-raciais diretamente atingidos", diz a nota da ONG Insod (Instituto de Inovação Social e Diversidade Cultural).

Na última sexta-feira, duas promotoras de justiça enviaram recomendação à Fundação Zoo-Botânica para que suspenda a votação ou troque as opções de nomes, sob o argumento de que “muito embora bem intencionada, a votação pode atuar em sentido contrário ao pretendido: ao invés de prestar uma homenagem ao continente africano, contribuirá, por certo, para a perpetuação de uma opressão sistêmica e estrutural ao povo negro”.

Por via das dúvidas, o Latino batizou o seu macaco de Twelves.

quarta-feira, 19 de novembro de 2014

POLITICAMENTE CORRETO

Dois indivíduos assaltaram um estabelecimento comercial no centro da Muileal esta manhã. Quando fugiam com cerca de mil reais, celulares e cigarros, o dono do estabelecimento sacou uma arma e atirou nos meliantes. 

Um deles, de 19 anos, foi atingido no braço; o outro, de 17, tentou fugir. A polícia apreendeu o menor e prendeu o ferido.

Certamente, os policiais, ao darem voz de prisão, tiveram a preocupação de deixar as coisas bem claras:

- Você está preso! E você, apreendido!

quarta-feira, 3 de setembro de 2014

POLITICAMENTE CHATO

No iG

"Vídeo divulgado pelo Estado Islâmico que mostra a suposta decapitação do jornalista americano Steve Sotloff em represália a ataques aéreos lançados pelos EUA no Iraque é autêntico, informou a porta-voz do Conselho de Segurança Nacional dos Estados Unidos, Caitlin Hayden, nesta quarta-feira (3)."

Mas se o vídeo é autêntico a decapitação é suposta? Confuso aqui...

segunda-feira, 14 de abril de 2014

POLITICAMENTE CORRETO


No "grenau" da decisão do charmoooso Gauchão 2014, o árbitro Márcio Chagas, vítima de atos racistas em uma das rodadas anteriores, foi aplaudido pelas duas torcidas ao entrar em campo. 

Começa o jogo, e na primeira falta que ele marca contra o time da casa, a torcida, em coro, entoa um estrondoso "Filho da puta! Filho da puta!" 

Hehehe... Estranho esse modismo do politicamente correto.

quarta-feira, 2 de abril de 2014

LINGUAGEM


Tem alguma coisa indigna em fazer faxina? Eu penso que não. E imagino que toda turma politicamente correta, ou melhor, que usa o vocabulário politicamente correto, também pense assim.

Então por que chamar uma pessoa que vai à sua casa fazer faxina de secretária?

sexta-feira, 3 de maio de 2013

POLITICAMENTE CORRETO

Vivemos em uma terra estranha. O Collor se elegeu pra presidente sem nenhum voto. Ou você conhece alguém que votou no Collor?

O Big Brother. Ninguém gosta, ninguém assiste. E todos os anos tem uma nova edição. Estranho...

Isso sem falar (e já falando) em risíveis passeatas contra a corrupção ou pela paz. (Li em algum lugar que se tem uma coisa que corrupto morre de medo é de gente caminhando).

Mas agora percebo que o mesmo fenômeno se repete com o “politicamente correto”. Eu só vejo textos contra o “politicamente correto”.  Todo mundo se queixando do “politicamente correto”. Inclusive eu.

Mas isso começa a parecer como o inimigo imaginário. Ao mesmo tempo vira mote e escudo. A moda agora é falar contra o politicamente correto. Mas é estranho que estes textos também são politicamente corretos.

segunda-feira, 22 de abril de 2013

CANTANDO DE MANEIRA POLITICAMENTE CORRETA

O TOA, sempre preocupado com seus leitores, disponibiliza novas versões de grandes clássicos.

Não faça mais feio no seu próximo acampamento. Quando estiver em Morungava ou Cidreira, depois de perturbar o dono do violão, você pode cantar, depois de tocar só o início de Stairway to Heaven, “Onde a terra começar, vento afrodescendente  gente eu sou, onde a terra terminar, vento afrodescendene eu sou”.

Tomando seu uísque, sozinho na penumbra de um bar, lembre Dorival Caymmi, cantarole baixinho, mas com volume suficiente pra mesa do lado ouvir: “Só deficiente intelectual amou como eu amei, só deficiente intelectual quis o bem que eu quis”. Ou cante do Lupicínio: “ E aí, eu comecei a cometer deficiências intelectuais”.

No dia em que você estiver em um CTG, comemorando o aniversário de um cunhado, se pararem de tocar vanerão, peça, sem medo de magoar ninguém, “Afrodescendetezinho do Pastoreio, acendo esta vela pra ti...”.

Quando Caetano Veloso vier novamente à Muileal, se você tiver R$ 800,00 e disposição pra comprar ingressos que se esgotam em horas (todos os ingressos na Muileal se esgotam para tudo) não hesite se ele for cantar O Estrangeiro. Repreenda-o com firmeza: “O amor é portador de necessidades especiais no campo visual, Ray Charles é pessoa portadora de necessidades especiais no campo visual, Stevie Wonder é pessoa portadora de necessidades especiais no campo visual e o portador de distúrbio congênito caracterizado pela ausência completa ou parcial de pigmento na pele, cabelos e olhos, devido à ausência ou defeito de uma enzima envolvida na produção de melanina, Hermeto também é quase portador de necessidades especiais no campo visual”.

O mesmo Caetano já pecou na tradução da canção de Dylan, que deveria ter sido: “E não tem mais nada afrodescendente amor”.

Naquela festa à fantasia, com motivo de jovem guarda, não erre ao cantar Leno e Lilian: “Pessoa jovem do sexo feminino economicamente marginalizada não tem ninguém”

As antigas músicas de carnaval estão cheias de problemas, mas não esqueça de cantar corretamente ao brincar no carnaval: “Tava jogando sinuca uma afrodescendente com distúrbio intelectual me apareceu”.

Enfim, a lista é enorme...

Luiggi

sábado, 13 de abril de 2013

CEGUEIRA POLITICAMENTE CORRETA


Politicamente correto

Gilberto Henrique Buchmann 

É impressionante o tempo que se perde tentando encontrar formas politicamente corretas de expressar conceitos que poderiam ser definidos com facilidade por meio de uma ou de duas palavras. 
Nos eventos relacionados com os cegos, por exemplo, invariavelmente há no ar um sentimento de dúvida sobre a maneira correta pela qual alguém de visão normal deve dirigir-se ou referir-se a nós, sem falar que por vezes este assunto se torna alvo de discussão, havendo perda inútil e injustificável de um precioso tempo, que poderia ser muito melhor aproveitado se utilizado em discussões efetivamente produtivas, objetivando de fato resolver problemas.

No princípio, usava-se com naturalidade a palavra "cego" (como faz até hoje grande parte dos povos dos países desenvolvidos, pelo menos nos de língua inglesa e alemã), que não tem nenhum cunho ofensivo, pois cego, em sua forma substantiva, é definido nos dicionários como sendo "um indivíduo que não enxerga", ou conceitos equivalentes. Mais tarde, alguém achou que, em vez de "cego", deveria ser usada a expressão "deficiente visual". Mas então entrou-se numa importantíssima polêmica, segundo a qual era preciso
distinguir entre cego (que não tem nenhum resíduo de visão) e deficiente visual (que tem visão parcial).

Havia-se chegado a uma definição perfeita, pois tanto cego quanto deficiente visual caracterizam de forma absolutamente satisfatória alguém que não enxerga. Mas houve os que acharam que em ambas as expressões havia discriminação, pois se privilegiava a deficiência em detrimento do ser humano, surgindo daí a expressão "pessoa portadora de deficiência".

Este é, a meu ver, o limite, além do qual não se pode ir sem fazer papel ridículo. Mas o limite foi ultrapassado, porque alguém achou que não se poderia usar o termo "deficiente" em relação a alguém que tem uma incapacidade física, sensorial ou motora. Adotou-se, então, a expressão "pessoa portadora de necessidades especiais", que considero imbecil e que me recuso peremptoriamente a usar.

Até aqui, nada demais, pois tudo o que foi dito é de domínio público. Contudo, arrisco-me a dizer que a questão não pára por aqui, já que provavelmente o próximo passo será ampliar o termo anteriormente mencionado para "pessoa portadora de necessidades especiais no campo visual" ou "pessoa portadora de necessidades especiais no campo auditivo", ao que se seguirá um acirrado debate acerca da conveniência da palavra "campo", que talvez pudesse ser substituída com mais propriedade por "área" ou por "âmbito".

Encerrada esta questão, qualquer que seja a palavra vencedora, virá a etapa seguinte, com a inevitável ampliação do conceito, sob pena de aquele então em vigor conter algum elemento ofensivo ou discriminatório. Poder-se-á, então, chegar a um conceito como "pessoa portadora de necessidades especiais relativas a dificuldades advindas de circunstâncias geradoras de comprometimento parcial ou total da região cerebral responsável pelo funcionamento do sentido da visão".

Uma definição como esta poderá durar algum tempo, até que alguém resolva desengavetar o problema e propor outra, ainda mais completa. Diante disso, gostaria de dar minha contribuição, sugerindo como ideal, pelo menos por ora, para definir uma pessoa que não enxerga, a expressão "pessoa portadora de características anatômico-sensoriais cujas consequências resultantes são necessidades especiais relativas a dificuldades intrinsecamente relacionadas a circunstâncias geradoras de fatores potencialmente capazes de acarretar comprometimento parcial ou total da região cerebral responsável pela manutenção das condições imprescindíveis à ocorrência dos processos físico-químicos envolvidos no conjunto de mecanismos de cunho orgânico que têm por finalidade regular o funcionamento do sentido da visão".

O que quero dizer com tudo isso é que está mais do que na hora de parar de discutir o sexo dos anjos e que devemos voltar nossa atenção para problemas realmente relevantes, coisas que venham de fato a melhorar nossas vidas. Não são expressões mais complexas ou politicamente corretas que farão a diferença. Para evitar a palavra "cego", chegou-se ao absurdo de inventar termos novos, que sequer existem em nossa língua, como "invidente" e "invisual".

Por fim, há uma incoerência a destacar: se a palavra cego é tão ruim, por que ela continua presente nos nomes das entidades que nos representam? Por que a União Brasileira de Cegos, por exemplo, não passa a se chamar União Brasileira de Pessoas Portadoras de Necessidades Especiais no Campo da Visão?

Como disse acima, acho que "deficiente visual" é a melhor definição que já se conseguiu, e que só há discriminação nela para quem quiser que haja. Não percamos mais tempo com essas questiúnculas, quando há tanto a fazer!

Assumamos, pois, que somos cegos ou deficientes visuais. Afinal, temos uma incapacidade sensorial e tentar negar isso é uma forma de discriminação contra nós próprios.

(ethelrosenfeld.com.br) 

quarta-feira, 20 de março de 2013

AH, O POLITICAMENTE CORRETO...

Romário aprova requerimento para discutir futebol e ditadura

Juca Kfouri - 20-03-2013

Durante a votação do requerimento do deputado Romário, que requer a audiência pública para debater a relaçao entre futebol e a ditadura no Brasil, a bancada da bola se fez presente.
Ao ler a justificativa do requerimento, o deputado Romário se referiu à ditadura como “período negro” na história do Brasil. Prontamente, o deputado do PT paulista Vicente Cândido, que tem se mostrado defensor frequente dos interesses da CBF na Câmara, pediu para o Romário retirar a palavra negro para que se evitasse uma carga preconceituosa ao documento.

Sob olhares surpresos dos demais membros da comissão que consideraram descabido o comentário do parlamentar cartola, o deputado Benjamin Maranhão intercedeu em favor do Romário e justificou, ironicamente, que a observação não se referia ao passado “afrodescedente” do Brasil, mas do passado obscuro na história do país.

Depois disso, Romário concordou em substituir o vocábulo negro para obscuro para atender o pedido de Vicente Candido, por mais absurdo que pareceu.

E o requerimento foi aprovado.

domingo, 17 de março de 2013

SOBRE O POLITICAMENTE CORRETO


Eliane Brum

Era uma vez um mundo de gente muito chata. E um tanto perigosa. O Saci estava ali, na dele, pulando numa perna só e aprontando umas e outras, quando… zás! Sequestraram seu cachimbo. O Saci olhou para um lado, olhou para o outro, e viu umas criaturas de olhos estalados e cara de melhores intenções. O Saci não tem medo de quase nada, mas descobriu que morre de medo de seres com cara de melhores intenções. É para o seu bem, disseram os entes desconhecidos. Fumar faz mal. E dá mau exemplo. Se você for bem bonzinho, a gente lhe dá uma prótese aerodinâmica para você saltitar com duas pernas. O Saci disse que estava muito bem obrigado com uma perna só há alguns séculos e ficaria bem satisfeito se pudesse pitar seu cachimbo sem nenhum enxerido apitando no seu ouvido. Não adiantou. Aqueles seres só tinham certezas – e uma delas era saber o que era melhor para ele.
Desde então, vem aparecendo uns sacis sem cachimbo – e sem magia – por aí. Não bastassem lobos que em vez de avós comem cenouras, crianças que não atiram pau no gato e madrastas da Cinderela com doutorado em pedagogia, resolveram mexer com o Saci.