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terça-feira, 5 de maio de 2015

DE COZINHA


Algumas coisas diferenciam os homens dos meninos. Assim como algumas coisas separam os “chefs” e os cozinheiros dos aventureiros da cozinha.

Como qualquer coisa nesta vida, com teoria e prática um curioso pode se transformar em um profissional. Aprende técnicas de corte e cocção e tudo inerente à profissão.

Mas é possível saber se um amador algum dia vai ser um profissional. Se você escutar de alguém fazendo comida que vai usar “um temperinho, um alhozinho, uma flambadinha” pra depois comer “com um arrozinho, uma saladinha, um vinhozinho” já vai saber com quem está tratando. Podem reparar, cozinheiros sérios não usam "coisinhas" em sua cozinha.

domingo, 12 de janeiro de 2014

ARTESANAL E COLONIAL

O ser humano é realmente estranho. O que pra uns é sinônimo de qualidade, pra outros é quase que motivo pra sair correndo.

Muito na moda e em voga agora, está a cerveja artesanal. Artesanato, me socorre o Aurélio:, é "Técnica do trabalho manual não industrializado". Devem estar me enganando com o “artesanal”, já que a maioria das cervejas artesanais são feitas, para orgulho dos cervejeiros e, principalmente, de quem conhece a cerveja artesanal, depois de muita pesquisa pelo mundo e com maquinário de primeira linha. E se for artesanal mesmo, é feita no galpão onde o pessoal se reúne desde criança, e é melhor nem pensar no dia seguinte à cervejada. 

Prefiro uma industrializada mesmo, com todas as lendas de repolho que pairam sobre elas. E, cá pra nós, de vez em quando dá pra tomar uma industrializada melhorzinha. Mas, claro, aí não dá pra contar no feicebuque que conhece uma cervejaria que ninguém mais conhece.

Já que estamos nos etílicos, tem ainda o vinho colonial. É aquele famoso do gostinho da uva. O colonial, no caso, é o de garrafão em garrafinha. O merlot, o cabernet, e qualquer outro, vai ter o gosto da colônia. Você percebe as mãos do produtor no vinho. As mãos depois do trabalho árduo. E no rótulo também. Só não vai ter uva isabel no vinho colonial. O que é estranho, pois é a única parreira que você vê nas terras do produtor. Umas das maiores dificuldades deste mundo é abrir uma garrafa desse vinho. E ter a sinceridade necessária pra dizer pro colono que você prefere o vinho de uma vinícola. Nota: quem faz vinho colonial não gosta de ser chamado de colono.

Da mesma forma, a galinha caipira não é criada por caipiras. A galinha caipira cresce livre pelos pátios, comendo minhocas e qualquer coisa que se arraste pela terra. E qualquer coisa depositada na terra também. Sua carne, normalmente, é mais dura e mais escura. Os apreciadores da iguaria negam, mas matar o coitado do bicho deve dar uma satisfação secreta, uma espécie de euforia por caçar o alimento. Mesmo que a caça se restrinja ao quintal. E as gemas de seus ovos são de um amarelo forte e desagradável.

Enfim, sou fã de asfalto e do carimbo SIF.

Nota da Redação: Sobre outro clássico do gênero, a comidinha caseira, já escrevemos AQUI.

quarta-feira, 15 de maio de 2013

KEVIN REFLETE


Outro dia comentei com Luiggi sobre algo que percebo há anos. Já repararam como volta e meia, quando o assunto é restaurantes, alguém comenta que adora comer em determinado lugar porque lá tem uma 'comidinha' caseira maravilhosa? Ou, pelo menos, honesta. Termo que se usa muito quando se quer falar sobre a qualidade de um vinho (É um cabernet honesto...). Mas isso é assunto pra outra hora. 

Na ocasião, meu interlocutor, do alto de sua momentânea impaciência, vociferou: "Comida caseira não existe. Somente "comidinha" caseira. O que é a maior asneira do mundo. O fato de ser caseira vira sinônimo de "boa", feita com "carinho" pela tia Cotinha, que nos amava tanto. Se eu vou num restaurante, quero comida de restaurante, c...! Não quero uma volta à infância."

Passado o momento de rara ira de Luiggi, o sensato, pus-me a refletir sobre a maneira como as pessoas tratam determinadas coisas. "Vamos nos encontrar no fim de semana. Passa lá em casa que a gente faz um churrasquinho, toma uma cervejinha na boa..." 

Combinando um répi auãr: "Nos encontramos após o serviço pra tomar um chopinho. Conheço um barzinho maravilhoso que serve um picadinho simples, mas de primeira. Queijinho, salaminho, pepininho... E vou te fazer experimentar uma cachacinha maravilhosa que tem lá." 

Não sei se o outro não prefere apenas saborear o seu prosaico uisquinho com gelinho...