Páginas

Mostrando postagens com marcador Augusto dos Anjos. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Augusto dos Anjos. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015

PSICOLOGIA DE UM (URBANO) VENCIDO

A modelo Gisele Bündchen disse que se pudesse viveria descalça, em uma casa de árvore, cercada de animais, como Tarzan e Jane.

Não é só ela que tem esse pensamento. Já ouvi isso de um monte de gente. E eu – filho do carbono e do amoníaco – me pergunto: Por que não podem? E lamento: Por que raios não vão pro meio do mato? É um favor que me fariam. Isso só traria benefício pra todo mundo. Pra esses nostálgicos da selva e pra quem fica. Eu seria todo agradecimento.

Eles viveriam felizes, com seus bichos, fazendo cocô no arbusto, se abanando pra espantar os mosquitos, e eu – monstro de escuridão e rutilância – na cidade, com aluguéis mais baratos, mais vagas de emprego e estacionamento, todo mundo sairia ganhando.

Mas não vão. Ficam aqui. E chateando com esse papo ainda por cima. Eu, envelheço. Já o verme – este operário das ruínas –, que o sangue podre das carnificinas come, e à vida em geral declara guerra, anda a espreitar meus olhos para roê-los, e há de me deixar apenas os cabelos, na frialdade inorgânica da terra.

terça-feira, 12 de novembro de 2013

BUDISMO MODERNO

Budismo moderno
 
 Tome, Dr., esta tesoura, e... corte
 Minha singularíssima pessoa.
 Que importa a mim que a bicharia roa
 Todo o meu coração, depois da morte?!
 
 Ah! Um urubu pousou na minha sorte!
 Também, das diatomáceas da lagoa
 A criptógama cápsula se esbroa
 Ao contato de bronca destra forte!
 
 Dissolva-se, portanto, minha vida
 Igualmente a uma célula caída
 Na aberração de um óvulo infecundo;
 
 Mas o agregado abstrato das saudades
 Fique batendo nas perpétuas grades
 Do último verso que eu fizer no mundo!
 
 
 
Pequena homenagem do TOA a Augusto dos Anjos, filho do carbono e do amoníaco, cuja morte completa hoje (12/11/2013) 99 anos.
 
 

quinta-feira, 2 de maio de 2013

DAS MADRUGADAS


"Bati nas pedras dum tormento rude

E a minha mágoa de hoje é tão intensa

Que eu penso que a Alegria é uma doença

E a Tristeza é minha única saúde."

 

Augusto dos Anjos – Queixas Noturnas (trecho) – 1906