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quarta-feira, 26 de junho de 2019
quinta-feira, 23 de agosto de 2018
DO CANCIONEIRO POLITICAMENTE INCORRETO
Marina
(Dorival Caymmi)
Marina morena Marina você se pintou
Marina você faça tudo
Mas faça o favor
Não pinte este rosto que eu gosto
Que eu gosto e que é só meu
Marina você já é bonita
Com o que Deus lhe deu
Me aborreci, me zanguei
Já não posso falar
E quando eu me zango, Marina
Não sei perdoar
Eu já desculpei tanta coisa
Você não arrajava outro igual
Desculpe Marina, morena
Mas eu tô de mal, de mal com você
De mal com você
segunda-feira, 2 de julho de 2018
terça-feira, 26 de junho de 2018
sexta-feira, 26 de janeiro de 2018
MÚSICA NA SEXTA
A Cor do Som é um grupo brasileiro que se criou a partir do séquito de músicos que acompanhavam Moraes Moreira após a sua saída dos Novos Baianos. Originalmente, esse era o nome da banda instrumental que acompanhava os Novos Baianos, título sugerido por Caetano Veloso.
A banda surgiu em meados de 1977, formada por músicos experientes no cenário nacional. Experimentando novos padrões de som, valeu-se das vivências anteriores com Moraes Moreira e Pepeu Gomes, entre outros, sendo considerado um movimento pós-tropicalista. Em seu primeiro disco homônimo (WEA 1977), tinha como integrantes Dadi Carvalho (ex-Novos baianos e Jorge Ben) no baixo, seu irmão Mú Carvalho (ex-A Banda do Zé Pretinho) nos teclados, Gustavo Schroeter (ex-A Bolha) na bateria e Armandinho Macêdo (Trio Elétrico Armandinho, Dodô & Osmar) na guitarra, bandolim e guitarra baiana. A partir do segundo disco "Ao Vivo Em Montreux", o percussionista (e colega de Armandinho na sua outra banda) Ary Dias passa a fazer parte do grupo.
Misturando rock, ritmos regionais e música clássica, foram convidados por Claude Nobs a participar do Montreux Jazz Festival, na Suíça, tornando-se o primeiro grupo musical brasileiro a participar do evento. A apresentação contou com material quase todo inédito e rendeu um disco ao vivo. A partir do terceiro trabalho, "Frutificar", passam a executar músicas cantadas, a pedido da gravadora, o que os eleva a novos níveis de popularidade. Uma delas é “Abri a Porta”, de Gilberto Gil e Dominguinhos.
Abri a Porta
Gilberto Gil / Dominguinhos
Abri a porta
Apareci
A mais bonita
Sorriu pra mim
Naquele instante
Me convenci
O bom da vida
Vai prosseguir
Vai prosseguir
Vai dar pra lá do céu azul
Onde eu não sei
Lá onde a lei
Seja o amor
E usufruir do bem, do bom e do melhor
Seja comum
Pra qualquer um
Seja quem for
Abri a porta
Apareci
Isso é a vida
É a vida, sim
segunda-feira, 9 de outubro de 2017
sexta-feira, 18 de agosto de 2017
DO CANCIONEIRO POLITICAMENTE INCORRETO
Sarará Miolo
(Gilberto Gil)
Sara, sara, sara, sarará
Sara, sara, sara, sarará
sarará miolo
Sara, sara, sara cura
Dessa doença de branco
Sara, sara, sara cura
Dessa doença de branco
De querer cabelo liso
Já tendo cabelo louro
Cabelo duro é preciso
Que é para ser você, crioulo
segunda-feira, 26 de junho de 2017
domingo, 4 de junho de 2017
VERSÃO BARSILEIRA
No Woman, No Cry foi gravada em 1974 por Bob Marley & The Wailers para o álbum Natty Dread. A versão que se tornou mais conhecida foi gravada ao vivo em Londres e lançada no álbum Live! de 1975, e é considerada a definitiva.
Em 1979, o baiano Gilberto Gil gravou a a sua versão, Não Chore Mais, no álbum Realce.
Em 1979, o baiano Gilberto Gil gravou a a sua versão, Não Chore Mais, no álbum Realce.
terça-feira, 23 de agosto de 2016
DAS MADRUGADAS
This popular set matches the brilliant harmonica player Toots Thielemans with such top Brazilian performers as Ivan Lins, Djavan, Oscar Castro-Neves, Dori Caymmi, Ricardo Silveira, João Bosco, Gilberto Gil, Milton Nascimento, Caetano Veloso, Luiz Bonfá, Edu Lobo and Eliane Elias, in addition to bassist Brian Bromberg, keyboardist Michael Lang, trumpeter Mark Isham and Dave Grusin. Thielemans is often in a supportive role behind the many soothing brazilian singers and performers. The atmospheric date surprisingly does not have any Antonio Carlos Jobim songs, instead emphasizing lesser-known tunes (other than Toots' greatest hit "Bluesette"). Easily recommended to fans of brazilian pop and jazz, this CD was soon followed by a second (and equally rewarding) set featuring many of the same performers.
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Oscar Castro-Neves,
Ricardo Silveira,
Tom Jobim,
Toots Thielemans
quinta-feira, 14 de julho de 2016
ÁLBUM DA QUINTA
EXPRESSO 2222 - 1972 - GILBERTO GIL
Expresso 2222 é o quinto álbum de do cantor e compositor baiano Gilberto Gil, lançado em julho de 1972. Marcou a sua volta ao Brasil após um exílio involuntário de quase três anos, e é uma fusão de várias tendências musicais. A revista Rolling Stone classificou-o na 26ª posição na sua lista dos 100 maiores discos da música brasileira.
O nome Expresso 2222 se refere a um trem pego por Gil para sair de sua cidade natal em direção à Salvador. O álbum abre com a interpretação instrumental rústica e cativante de Pipoca Moderna, com a Banda de Pífaros de Caruaru, como que apresentando as raízes da música nordestina em sua forma mais crua e em seu habitat natural. Logo a seguir, Back in Bahia, um rockão que fala sobre o retorno de Gil ao país.
O Canto da Ema propõe uma mistura da tradição do forró com a modernidade do rock. Clássico do repertório de Jackson do Pandeiro, Chiclete Com Banana ganha uma versão que beira o lado mais rítmico e interessante da bossa nova. Ele e Eu é outro momento rock de Gil e seus músicos. Sai do Sereno é outra tentativa de fundir forró e rock, com Gal Costa duelando nos vocais com Gil.
A parte final do álbum tem três faixas nas quais a incrível habilidade de Gilberto Gil como violonista e cantor ficam exacerbadas. Se em Expresso 2222 o baiano ainda se vale de alguma percussão, em O Sonho Acabou e Oriente é só ele, no melhor esquema voz e violão.
Lado A
1. Pipoca Moderna (Caetano Veloso e Sebastiano Biano)
2. Back in Bahia (Gilberto Gil)
3. O Canto da Ema (Ayres Viana, Alventino Cavalcante e João do Vale)
4. Chiclete com Banana (Jackson do Pandeiro)
5. Ele e Eu (Gilberto Gil)
Lado B
1. Sai do Sereno (Onildo Almeida)
2. Expresso 2222 (Gilberto Gil)
3. O Sonho Acabou (Gilberto Gil)
4. Oriente (Gilberto Gil)
Gilberto Gil - vocal, violão e percussão
Lanny Gordin - guitarra e baixo
Bruce Henry - baixo e vocais
Antonio Perna - piano e vocais
Tuti Moreno - bateria
Gal Costa - vocal na faixa B-1
Banda de Pífanos de Caruaru - participação na faixa A-1
Roberto Menescal - produção
wikipedia / mundopop.net
domingo, 26 de junho de 2016
domingo, 17 de abril de 2016
DO FUNDO DO BAÚ
Uma Noite em 67 é um documentário brasileiro de 2010, dirigido por Renato Terra e Ricardo Calil. Com imagens de arquivo da Rede Record e depoimentos de músicos como Chico Buarque, Caetano Veloso, Gilberto Gil e Roberto Carlos, o documentário conta a história da final do "3º Festival da Música Popular Brasileira".
Final do III Festival da Música Popular Brasileira da TV Record, em 21 de outubro de 1967. Entre os candidatos que disputavam os principais prêmios figuravam Chico Buarque, Caetano Veloso, Gilberto Gil com Os Mutantes, Roberto Carlos, Edu Lobo e Sérgio Ricardo, protagonista da célebre quebra da viola no palco e lançado para a platéia, depois das vaias para “Beto Bom de Bola”. Com imagens de arquivo e apresentações de músicas como “Roda Viva”, “Alegria Alegria”, “Domingo no Parque” e “Ponteio”, o filme registra o momento do tropicalismo, os rachas artísticos e políticos na época da ditadura e a consagração de nomes que se tornaram ídolos até hoje no cenário musical brasileiro.
O júri era composto por 15 membros: Chico Anysio, Sandino Hohagen, Júlio Medaglia, Roberto Corte Real, Raul Duarte, Ferreira Gullar, Tereza Aragão, Carlos Manga, Roberto Freire, Luis Guedes, Carlos Vergueiro, Sebastião Bastos, Franco Paulino, Sérgio Cabral, Salomão Schwartzmann.
Os seis primeros colocados:
1º lugar: PONTEIO (Edu Lobo/Capinan) Edu Lobo y Marília Medalha con el Quarteto Novo y Momento Quatro. Arreglos de Airto Moreira
2º lugar: DOMINGO NO PARQUE (Gilberto Gil) Gilberto Gil y Os Mutantes
3º lugar: RODA VIVA (Chico Buarque) Chico Buarque e MPB-4
4º lugar: ALEGRIA, ALEGRIA (Caetano Veloso) Caetano Veloso y Os Beat Boys
5º lugar: MARIA, CARNAVAL E CINZAS (Lu¡z Carlos Paraná) Roberto Carlos y O Grupo
6º lugar: GABRIELA (Francisco Fuzzetti “Maranhão”) MPB-4
As outras finalistas:
BOM DIA (Nana Caymmi/Gilberto Gil) Nana Caymmi
A ESTRADA E O VIOLEIRO (Sidney Miller) Nara Leão y Sidney Miller
O CANTADOR (Dori Caymmi/Nelson Motta) Elis Regina
BETO BOM DE BOLA (Sérgio Ricardo) Sérgio Ricardo
SAMBA DE MARIA (Francis Hime/Vinícius de Moraes) Jair Rodrigues
VENTANIA [De como um homem perdeu seu cavalo e continuou andando] (Hilton Acioly/Geraldo Vandré) Geraldo Vandré
Melhor letra: A ESTRADA E O VIOLEIRO (Sidney Miller)
Melhor intérprete: Elis Regina, O CANTADOR (Dori Caymmi/Nelson Motta)
Melhor arranjo: Rogério Duprat, DOMINGO NO PARQUE (Gilberto Gil)
wikipedia / http://festivalesdempb.blogspot.com.br/
Final do III Festival da Música Popular Brasileira da TV Record, em 21 de outubro de 1967. Entre os candidatos que disputavam os principais prêmios figuravam Chico Buarque, Caetano Veloso, Gilberto Gil com Os Mutantes, Roberto Carlos, Edu Lobo e Sérgio Ricardo, protagonista da célebre quebra da viola no palco e lançado para a platéia, depois das vaias para “Beto Bom de Bola”. Com imagens de arquivo e apresentações de músicas como “Roda Viva”, “Alegria Alegria”, “Domingo no Parque” e “Ponteio”, o filme registra o momento do tropicalismo, os rachas artísticos e políticos na época da ditadura e a consagração de nomes que se tornaram ídolos até hoje no cenário musical brasileiro.
O júri era composto por 15 membros: Chico Anysio, Sandino Hohagen, Júlio Medaglia, Roberto Corte Real, Raul Duarte, Ferreira Gullar, Tereza Aragão, Carlos Manga, Roberto Freire, Luis Guedes, Carlos Vergueiro, Sebastião Bastos, Franco Paulino, Sérgio Cabral, Salomão Schwartzmann.
Os seis primeros colocados:
1º lugar: PONTEIO (Edu Lobo/Capinan) Edu Lobo y Marília Medalha con el Quarteto Novo y Momento Quatro. Arreglos de Airto Moreira
2º lugar: DOMINGO NO PARQUE (Gilberto Gil) Gilberto Gil y Os Mutantes
3º lugar: RODA VIVA (Chico Buarque) Chico Buarque e MPB-4
4º lugar: ALEGRIA, ALEGRIA (Caetano Veloso) Caetano Veloso y Os Beat Boys
5º lugar: MARIA, CARNAVAL E CINZAS (Lu¡z Carlos Paraná) Roberto Carlos y O Grupo
6º lugar: GABRIELA (Francisco Fuzzetti “Maranhão”) MPB-4
As outras finalistas:
BOM DIA (Nana Caymmi/Gilberto Gil) Nana Caymmi
A ESTRADA E O VIOLEIRO (Sidney Miller) Nara Leão y Sidney Miller
O CANTADOR (Dori Caymmi/Nelson Motta) Elis Regina
BETO BOM DE BOLA (Sérgio Ricardo) Sérgio Ricardo
SAMBA DE MARIA (Francis Hime/Vinícius de Moraes) Jair Rodrigues
VENTANIA [De como um homem perdeu seu cavalo e continuou andando] (Hilton Acioly/Geraldo Vandré) Geraldo Vandré
Melhor letra: A ESTRADA E O VIOLEIRO (Sidney Miller)
Melhor intérprete: Elis Regina, O CANTADOR (Dori Caymmi/Nelson Motta)
Melhor arranjo: Rogério Duprat, DOMINGO NO PARQUE (Gilberto Gil)
wikipedia / http://festivalesdempb.blogspot.com.br/
sexta-feira, 25 de março de 2016
MÚSICA NA SEXTA
Em maio de 1973 a gravadora Phonogram (ex-Philips, e depois Polygram) organizou no Palácio das Convenções do Anhembi um evento em que reuniria em duplas os maiores nomes de seu elenco. Gilberto Gil e Chico Buarque compuseram para a ocasião a música “Cálice”. Sobre a composição e a apresentação Gilberto Gil fala, conforme relato em seu site:
A Polygram queria fazer um grande evento com todos os seus artistas no formato de encontros, e foi dada a mim e ao Chico a tarefa de compor e cantar uma música em dupla.
Era semana santa e nós marcamos um encontro no sábado no apartamento dele, na Rodrigo de Freitas (a lagoa referida, aliás, por ele na letra). Eu pensei em levar alguma proposta e, um dia antes, no fim da tarde, me sentei no tatame, onde eu dormia na ápoca, e me pus a esvaziar os pensamentos circulantes para me concentrar. Como era sexta-feira da Paixão, a ideia do calvário e do cálice de Cristo me seduziu, e eu compus o refrão incorporando o pedido de Jesus no momento da agonia. Em seguida escrevi a primeira estrofe, que eu comecei me lembrando de uma bebida amarga chamada Fernet, italiana, de que o Chico gostava e que ele me oferecia sempre que eu ia a sua casa.
No sábado não foi diferente: ele me trouxe um pouco da bebida, e eu já lhe mostrei o que tinha feito. Quando, cantando o refrão, eu cheguei ao 'cálice', no ato ele percebeu a ambiguidade que a palavra, cantada, adquiria, e a associou com 'cale-se', introduzindo na canção o sentido da censura. Depois, como eu tinha trazido só o refrão melodizado, trabalhamos na musicalização da estrofe a partir de ideias que ele apresentou. E combinamos um novo encontro.
Ele acabou fazendo outras duas estrofes e eu mais uma, quatro no total, todas em oito decassílabos. Dois ou três dias depois nos revimos e definimos a sequência. Eu achei que devíamos intercalar nossas estrofes, porque elas não apresentavam um encadeamento linear entre si. Ele concordou, e a ordem ficou esta: a primeira, minha, a segunda, dele; a terceira, minha, e a última, dele.
Na terceira, o quarto verso e os dois finais já foram influenciados pela idéia do Chico de usar o tema do silêncio. O termo, alías, já aparecia na outra estrofe minha, anterior: 'silêncio na cidade não se escuta', quer dizer: no barulho da cidade, não é possível escutar o silêncio; quer dizer: não adianta querer silêncio porque não há silêncio, ou seja: não há censura, a censura é uma quimera; além do mais, 'mesmo calada a boca, resta o peito' e 'mesmo calado o peito, resta a cuca': se cortam uma coisa, aparece outra.
Aí, no dia em que nós fomos apresentar a música no show, desligaram o microfone logo depois de termos começado a cantá-la. Tenho a impressão de que ela tinha sido apresentada à censura, tendo-nos sido recomendado que não a cantássemos, mas nós fizemos uma desobediência civil e quisemos cantá-la."
Em seu livro 85 anos de Música Brasileira, Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello ainda falam acerca da apresentação e da música:
"Irritadíssimo com o microfone desligado, Chico tentava outro mais próximo, que era cortado em seguida, e assim, numa cena tragicômica, foram todos sendo "calados", impedindo-o de cantar "Cálice" até o fim. Liberada cinco anos depois, a canção foi incluída no elepê anual de Chico, com ele declarando que aquele não era o tipo de música que compunha na época (estava trabalhando no repertório de "Ópera do Malandro"), mas teria que ser registrado, pois sua tardia liberação (juntamente com "Apesar de Você" e "Tanto Mar") não pagava o prejuízo da proibição. Na gravação, as estrofes de Gilberto Gil, que estava trocando a PolyGram pela WEA, são interpretadas por Milton Nascimento, fazendo o coro o MPB 4, em dramático arranjo de Magro."
A Polygram queria fazer um grande evento com todos os seus artistas no formato de encontros, e foi dada a mim e ao Chico a tarefa de compor e cantar uma música em dupla.
Era semana santa e nós marcamos um encontro no sábado no apartamento dele, na Rodrigo de Freitas (a lagoa referida, aliás, por ele na letra). Eu pensei em levar alguma proposta e, um dia antes, no fim da tarde, me sentei no tatame, onde eu dormia na ápoca, e me pus a esvaziar os pensamentos circulantes para me concentrar. Como era sexta-feira da Paixão, a ideia do calvário e do cálice de Cristo me seduziu, e eu compus o refrão incorporando o pedido de Jesus no momento da agonia. Em seguida escrevi a primeira estrofe, que eu comecei me lembrando de uma bebida amarga chamada Fernet, italiana, de que o Chico gostava e que ele me oferecia sempre que eu ia a sua casa.
No sábado não foi diferente: ele me trouxe um pouco da bebida, e eu já lhe mostrei o que tinha feito. Quando, cantando o refrão, eu cheguei ao 'cálice', no ato ele percebeu a ambiguidade que a palavra, cantada, adquiria, e a associou com 'cale-se', introduzindo na canção o sentido da censura. Depois, como eu tinha trazido só o refrão melodizado, trabalhamos na musicalização da estrofe a partir de ideias que ele apresentou. E combinamos um novo encontro.
Ele acabou fazendo outras duas estrofes e eu mais uma, quatro no total, todas em oito decassílabos. Dois ou três dias depois nos revimos e definimos a sequência. Eu achei que devíamos intercalar nossas estrofes, porque elas não apresentavam um encadeamento linear entre si. Ele concordou, e a ordem ficou esta: a primeira, minha, a segunda, dele; a terceira, minha, e a última, dele.
Na terceira, o quarto verso e os dois finais já foram influenciados pela idéia do Chico de usar o tema do silêncio. O termo, alías, já aparecia na outra estrofe minha, anterior: 'silêncio na cidade não se escuta', quer dizer: no barulho da cidade, não é possível escutar o silêncio; quer dizer: não adianta querer silêncio porque não há silêncio, ou seja: não há censura, a censura é uma quimera; além do mais, 'mesmo calada a boca, resta o peito' e 'mesmo calado o peito, resta a cuca': se cortam uma coisa, aparece outra.
Aí, no dia em que nós fomos apresentar a música no show, desligaram o microfone logo depois de termos começado a cantá-la. Tenho a impressão de que ela tinha sido apresentada à censura, tendo-nos sido recomendado que não a cantássemos, mas nós fizemos uma desobediência civil e quisemos cantá-la."
Em seu livro 85 anos de Música Brasileira, Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello ainda falam acerca da apresentação e da música:
"Irritadíssimo com o microfone desligado, Chico tentava outro mais próximo, que era cortado em seguida, e assim, numa cena tragicômica, foram todos sendo "calados", impedindo-o de cantar "Cálice" até o fim. Liberada cinco anos depois, a canção foi incluída no elepê anual de Chico, com ele declarando que aquele não era o tipo de música que compunha na época (estava trabalhando no repertório de "Ópera do Malandro"), mas teria que ser registrado, pois sua tardia liberação (juntamente com "Apesar de Você" e "Tanto Mar") não pagava o prejuízo da proibição. Na gravação, as estrofes de Gilberto Gil, que estava trocando a PolyGram pela WEA, são interpretadas por Milton Nascimento, fazendo o coro o MPB 4, em dramático arranjo de Magro."
Cálice
Gilberto Gil/Chico Buarque
Pai, afasta de mim esse cálice
Pai, afasta de mim esse cálice
Pai, afasta de mim esse cálice
De vinho tinto de sangue
Como beber dessa bebida amarga
Tragar a dor, engolir a labuta
Mesmo calada a boca, resta o peito
Silêncio na cidade não se escuta
De que me vale ser filho da santa
Melhor seria ser filho da outra
Outra realidade menos morta
Tanta mentira, tanta força bruta
Como é difícil acordar calado
Se na calada da noite eu me dano
Quero lançar um grito desumano
Que é uma maneira de ser escutado
Esse silêncio todo me atordoa
Atordoado eu permaneço atento
Na arquibancada pra a qualquer momento
Ver emergir o monstro da lagoa
De muito gorda a porca já não anda
De muito usada a faca já não corta
Como é difícil, pai, abrir a porta
Essa palavra presa na garganta
Esse pileque homérico no mundo
De que adianta ter boa vontade
Mesmo calado o peito, resta a cuca
Dos bêbados do centro da cidade
Talvez o mundo não seja pequeno
Nem seja a vida um fato consumado
Quero inventar o meu próprio pecado
Quero morrer do meu próprio veneno
Quero perder de vez tua cabeça
Minha cabeça perder teu juízo
Quero cheirar fumaça de óleo diesel
Me embriagar até que alguém me esqueça
quinta-feira, 3 de setembro de 2015
ÁLBUM DA QUINTA
REALCE - 1979 - GILBERTO GIL
Realce foi lançado em 1979. A canção título foi inspirada na disco music, e Gil contou com a guitarra de Steve Lukather, da banda Toto, e os teclados de Jerry Hey, arranjador do Earth, Wind and Fire. No ano seguinte, Gil participou de um show do Earth, Wind and Fire no Maracanãzinho e dividiu os vocais com o percussionista da banda Ralph Johnson, que cantou a letra em português.
"Super Homem - a canção" foi composta por Gil após ele ouvir o relato de Caetano Veloso sobre o filme de 1978. O álbum também traz uma versão do reggae "No Woman, No Cry", de Vincent Ford, gravada em 1974 por Bob Marley & the Wailers.
Para gravar Realce em Los Angeles, Gil levou consigo uma banda que consistia de Rubão Sabino (baixo), Luiz Carlos (bateria), Tuca (teclados) e Djalma Correa (percussão). O restante foi gravado por músicos da cena californiana, por força de um desejo do produtor Mazola – que via na idéia toda uma questão que mesclava qualidade e também glamour. "Eu me lembro de ter feito o arranjo de Sarará Miolo na véspera da gravação, enquanto que Logunedé a gente bolou aquele baixo contínuo no saguão, enquanto esperava a van que nos levaria pro estúdio", lembra Gil.
"Eu também me lembro de um enorme set de teclados que ia do chão ao teto e lembrava Emerson, Lake & Palmer. O músico ficou um dia inteiro operando aquela parede de sintetizadores, gravando os playbacks do disco", recorda.
Lado 1
1 - Realce (Gilberto Gil)
2 - Sarará Miolo (Gilberto Gil)
3 - Super Homem - A Canção (Gilberto Gil)
4 - Tradição (Gilberto Gil)
Lado 2
1 - Marina (Dorival Caymmi)
2 - Rebento (Gilberto Gil)
3 - Toda Menina Baiana (Gilberto Gil)
4 - Logunedé (Gilberto Gil)
5 - Não Chores Mais (No Woman, No Cry) (B. Vincent, version by Gilberto Gil)
5 - Não Chores Mais (No Woman, No Cry) (B. Vincent, version by Gilberto Gil)
Gilberto Gil - Bass Arrangement, Clapping, Guitar, Palmas, Pandeiro, Tambourine, Vocals
Ariovaldo - Percussion
Michael Boddicker Moog Synthesizer, Strings, Synthesizer, Synthesizer Bass
Luiz Carlos - Drums
Bill Champlin - Clapping, Palmas, Vocals
Djalma Corrêa - Percussion
Maria d'Apparecida - Vocals
Jorge Ferreira da Silva - Oberheim Synthesizer
John d'Andrea - Saxophone
Maria de Fátima - Vocals
Sergio Dias - Guitar, Soloist
Maria Fattoruso - Vocals
Gary Grant - Trumpet
Larry Hall - Trumpet
Maria Helena - Vocals
Jerry Hey - Trumpet
Kim Hutchcroft - Flute, Saxophone
Mark T. Jordan - Fender Rhodes
Mark Wilson Jordan - Fender Rhodes
Bob Kloud - Bass, Bateria
Liminha - Bass, Drum, Percussion
Steve Lukather - Guitar, Soloist
Mazola - Clapping, Palmas, Producer
Lincoln Olivetti - Fender Rhodes, Piano, String Arrangements
William Frank "Bill" Reichenbach Jr. - Trombone
Maria Rita - Vocals
Rubão Sabino - Bass
Perinho Santana - Guitar
Rick Shlosser - Bateria, Drums
Tuca - Fender Rhodes
Carmen Twillie - Vocals
Larry Williams - Flute, Saxophone
Larry Andrew Williams - Flute, Saxophone
sexta-feira, 31 de julho de 2015
MÚSICA NA SEXTA
Gilberto Passos Gil Moreira nasceu em Salvador, BA, em 1942.
Sua estréia em disco foi em 1962, em compacto simples
lançado pela JS Discos. No ano seguinte, a mesma gravadora lançou o mini-lp
"Gilberto Gil - Sua música, sua interpretação" e mais um compacto
simples. No início da sua carreira artística, ainda em Salvador, apresentou-se
em programas de rádio e televisão.
Em 1982 lança "Um Banda Um", disco que TEM a
música Esotérico, anteriormente lançada em single e no disco ao vivo com os
Doces Bárbaros, de 1976.
Sobre a canção, Gil escreve em seu site: "Uma tentativa de transpor a ideia do mistério divino,
místico-religioso, para o campo do amor terreno; de desmistificar e humanizar a
categorização do esotérico como algo inatingível, colocando-o como inerente à
nossa natureza, à complexidade de nosso afeto. O ímpeto da canção nasceu da
vontade de falar do sentido esotérico das coisas através de algo que fosse
demasiadamente humano como é a relação amorosa entre duas pessoas - não
deixando, no fim, de remeter a questão para a divindade (qualquer mistério está
aquém do mistério do criador)."
Esotérico
Gilberto Gil
Não adianta nem me abandonar
Porque mistério sempre há de pintar por aí
Pessoas até muito mais vão lhe amar
Até muito mais difíceis que eu pra você
Que eu, que dois, que dez, que dez milhões
Todos iguais
Até que nem tanto esotérico assim
Se eu sou algo incompreensível
Meu Deus é mais
Mistério sempre há de pintar por aí
Não adianta nem me abandonar
Nem ficar tão apaixonada, que nada!
Que não sabe nadar
Que morre afogada por mim
quinta-feira, 2 de julho de 2015
ÁLBUM DA QUINTA
GIL & JORGE: OGUM, XANGÔ - 1975 - GILBERTO GIL E JORGE BEN
Lançado em 1975, o álbum é famoso pelo seu experientalismo e pelo improviso dos dois artistas, que interagem entre si durante todo o disco. Quatro faixas têm mais de 10 minutos. Gilberto Gil e o ainda Jorge Ben (hoje, Ben Jor) assumem em "Gil & Jorge" a identificação musical existente entre ambos e que ganhou vida sob o título dos orixás Ogum e Xangô.
Produzido por Paulinho Tapajós e Perinho Albuquerque, o disco têm apenas quatro canções inéditas ("Meu Glorioso São Cristóvão", "Jurubeba", "Filhos de Gandhi" e "Sarro"), sendo o resto composto por regravações: "Nega", que apareceu no álbum auto intitulado de 1971, e "Essa É pra Tocar no Rádio", que seria lançada dali alguns meses no disco Refazenda, pelo lado de Gil; e "Quem Mandou (Pé na Estrada)", lançada por Wilson Simonal em 1973, "Taj Mahal" e "Morre o Burro, Fica o Homem", lançadas no álbum Ben de 1972.
O disco foi gravado em apenas uma noite, que deve ter sido "mágica" e regada a muito "café preto". Luis Wagner (o guitarreiro) é responsável pelo baixo e Djalma Corrêa pela percussão.
Apesar da ótima qualidade sonora do disco, ele não teve uma receptividade muito boa de público na época, inclusive com algumas críticas negativas dos jornalistas especializados, tanto é que o disco passou pouco tempo nas lojas e nunca foi relançado em LP.
Lado A
1. Meu Glorioso São Cristóvão - Jorge Ben 8:16
2. Nega - Gilberto Gil 10:34
Lado B
1. Jurubeba - Gilberto Gil 11:37
2. Quem Mandou (Pé na Estrada) - Jorge Ben 6:51
Lado C
1. Taj Mahal - Jorge Ben 14:42
2. Morre o Burro, Fica o Homem - Jorge Ben 6:03
Lado D
1. Essa é Pra Tocar no Rádio - Gilberto Gil 6:19
2. Filhos de Gandhi - Gilberto Gil 13:03
3. Sarro - Gilberto Gil/Jorge Ben 1:09
Jorge Ben - voz, violão
Gilberto Gil - voz, violão
Djalma Corrêa - percussão
Luis Wagner - baixo
quinta-feira, 21 de maio de 2015
THE SHOW MUST GO ON
Leio no Estadão que João Marcello Bôscoli e Miele estão à frente de um show em homenagem a Elis Regina que será apresentado no próximo fim de semana no Anhembi (Auditório Celso Furtado).
Gilberto Gil, Fagner, Renato Teixeira, João Bosco e Jair Oliveira (representando Jair Rodrigues) subirão ao palco para interpretar algumas de suas composições que ficaram famosas na voz da "Pimentinha" (gostaria de ver uma única matéria sobre Elis um dia sem essa besteira).
Até aí, tudo bem. O que me chamou a atenção, entretanto, foi o seguinte trecho:
"Dos nomes que farão falta, o de Milton Nascimento é o maior deles. Sua ausência se dá sobretudo por estar o cantor em um momento de recuperação física e por incompatibilidade de cachê, segundo João Marcello. Maria Rita, diz João, já havia feito sua homenagem à mãe em uma turnê pelo País. Ela agradeceu o convite e informou que preferia não participar. O cantor Pedro Mariano alegou estar envolvido com outro projeto e não ter agenda."
Peraí... Se o cachê fosse compatível, a recuperação física ainda seria um problema? E os filhos, hein, hein? Só eu achei estranho isso?
Aí, a notícia carece de exatidão...
Gilberto Gil, Fagner, Renato Teixeira, João Bosco e Jair Oliveira (representando Jair Rodrigues) subirão ao palco para interpretar algumas de suas composições que ficaram famosas na voz da "Pimentinha" (gostaria de ver uma única matéria sobre Elis um dia sem essa besteira).
Até aí, tudo bem. O que me chamou a atenção, entretanto, foi o seguinte trecho:
"Dos nomes que farão falta, o de Milton Nascimento é o maior deles. Sua ausência se dá sobretudo por estar o cantor em um momento de recuperação física e por incompatibilidade de cachê, segundo João Marcello. Maria Rita, diz João, já havia feito sua homenagem à mãe em uma turnê pelo País. Ela agradeceu o convite e informou que preferia não participar. O cantor Pedro Mariano alegou estar envolvido com outro projeto e não ter agenda."
Peraí... Se o cachê fosse compatível, a recuperação física ainda seria um problema? E os filhos, hein, hein? Só eu achei estranho isso?
Aí, a notícia carece de exatidão...
quinta-feira, 14 de maio de 2015
DESNECESSÁRIO (OU O MUNDO MONGO)
Sobre o casamento de Preta Gil e toda extravagância que envolveu o evento, caberia o mesmo comentário que Gilberto Gil fez quando a filha posou pelada: desnecessário, desnecessário...
Sobre o evento e alguns desdobramentos recomendo o texto que
André Forastieri escreveu no site R7.
domingo, 8 de março de 2015
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