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segunda-feira, 30 de abril de 2018

CLÁSSICOS PARA A VIDA ETERNA

APENAS UM RAPAZ LATINO-AMERICANO (1976) BELCHIOR

Sérgio Luiz Gallina


Eu sou apenas um rapaz
Latino-Americano
Sem dinheiro no banco
Sem parentes importantes
E vindo do interior
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Mas trago de cabeça
Uma canção do rádio
Em que um antigo
Compositor baiano
Me dizia
Tudo é divino
Tudo é maravilhoso
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Tenho ouvido muitos discos
Conversado com pessoas
Caminhado meu caminho
Papo, som, dentro da noite
E não tenho um amigo sequer
Que ainda acredite nisso não
Tudo muda
E com toda razão
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Eu sou apenas um rapaz...
----
Mas sei
Que tudo é proibido
Aliás, eu queria dizer
Que tudo é permitido
Até beijar você
No escuro do cinema
Quando ninguém nos vê
----
Não me peça que eu lhe faça
Uma canção como se deve
Correta, branca, suave
Muito limpa, muito leve
Sons, palavras, são navalhas
E eu não posso cantar como convém
Sem querer ferir ninguém
----
Mas não se preocupe meu amigo
Com os horrores que eu lhe digo
Isso é somente uma canção
A vida realmente é diferente
Quer dizer
Ao vivo é muito pior
----
E eu sou apenas um rapaz
Latino-Americano
Sem dinheiro no banco
Por favor
Não saque a arma no Saloon
Eu sou apenas o cantor
----
Mas se depois de cantar
Você ainda quiser me atirar
Mate-me logo!
À tarde, às três
Que à noite
Tenho um compromisso
E não posso faltar
Por causa de vocês
----
Eu sou apenas um rapaz
Latino-Americano
Sem dinheiro no banco
Sem parentes importantes
E vindo do interior
Mas sei que nada é divino
Nada, nada é maravilhoso
Nada, nada é secreto
Nada, nada é misterioso, não
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HÁ UM ANO MORRIA BELCHIOR

quarta-feira, 3 de maio de 2017

ÁLBUM DA QUINTA

ALUCINAÇÃO - 1976 - BELCHIOR

Alucinação é o segundo álbum do cearense Belchior, lançado em 1976 pela Polygram. Conta com sucessos que consagraram o cantor, como "Apenas um Rapaz Latino-Americano", "Como Nossos Pais" e "Velha Roupa Colorida", as duas última estrondosos sucessos na voz de Elis Regina. Graças a esses hits, o álbum vendeu 30 mil cópias em apenas um mês. No total, o álbum vendeu mais de 500 mil cópias, consagrando-o como um ídolo de massa.

Belchior encontrou apoio no produtor Mazzola, que levou uma fita demo para executivos da gravadora ouvirem em uma reunião artística. “Eles não curtiram muito. Na visão de alguns, Belchior era apenas um cara narigudo, com cara de nordestino e voz nasalada. E enfatizaram que ele não ia acontecer nunca”, lembra Mazzola.


O disco tornou-se um clássico instantâneo que atravessou gerações. Em dez faixas, o compositor, falecido em 30 de abril último,  relata suas angústias frente à cidade grande e o ocaso do sonho hippie, com ironia e um pouco de amargura.

Participaram das gravações músicos consagrados, como o baixista Paulo César Barros, o tecladista Zé Roberto Bertrami e o guitarrista Rick, que havia conhecido Belchior alguns anos antes.


Lado A
1. Apenas um Rapaz Latino-Americano  
2. Velha Roupa Colorida 
3. Como Nossos Pais  
4. Sujeito de Sorte  
5. Como o Diabo Gosta 

Lado B
1. Alucinação
2. Não Leve Flores
3. A Palo Seco
4. Fotografia 3x4
    5. Antes do Fim


Produzido por: Marco Mazzola
Belchior: voz e violão
José Roberto Bertrami: piano, órgão, sintetizador, ARP String Ensemble e arranjos
Paulo César Barros: baixo
Antenor Gandra: guitarra, violão e viola caipira
Pedrinho: bateria
Ariovaldo Contesini: percussão
Rick Ferreira: steel-guitar em "Não Leve Flores" e viola caipira em "Antes do Fim"
Lui: viola caipira em "Como o Diabo Gosta" e harmônica em "Apenas Um Rapaz Latino-Americano" e "Antes do Fim"
Orlando Silveira: acordeom em "Não Leve Flores"
Evinha, Maritza e Regina: coro em "Apenas Um Rapaz Latino-Americano"

Com wikipedia e Estadão

segunda-feira, 1 de maio de 2017

CLÁSSICOS PARA A VIDA ETERNA

FOTOGRAFIA 3x4 (1974) BELCHIOR

SérgioLuiz Gallina

Foi-se o poeta, ficou a poesia. Gods bless Belchior!


Eu me lembro muito bem do dia em que eu cheguei
Jovem que desce do norte prá cidade grande
Os pés cansados e feridos de andar légua tirana
De lágrimas nos olhos de ler o Pessoa
E de ver o verde da cana
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Em cada esquina que eu passava um guarda me parava
Pedia os meus documentos e depois sorria
Examinando o 3x4 da fotografia
E estranhando o nome do lugar de onde eu vinha
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Pois o que pesa no norte pela lei da gravidade
Disso Newton já sabia, cai no sul, grande cidade
São Paulo violento, corre o Rio que me engana
Copacabana, zona norte e os cabarés da Lapa onde eu morei
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Mesmo vivendo assim, não me esqueci de amar
Que o homem é prá mulher e o coração, pra gente dar
Mas a mulher que eu amei não pode me seguir
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Esses casos de família e de dinheiro eu nunca entendi bem
Veloso, o sol não é tão bonito pra quem vem do norte e vai viver na rua
A noite fria me ensinou a amar mais o meu dia
E pela dor eu descobri o poder da alegria
E a certeza de que tenho coisas novas prá dizer
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A minha história é talvez igual a tua
Jovem que desceu do norte que no sul viveu na rua
Que ficou desnorteado, como é comum no seu tempo
Que ficou desapontado, como é comum no seu tempo
Que ficou apaixonado e violento como você
----
A minha história é talvez igual a tua
Jovem que desceu do norte que no sul viveu na rua
Que ficou desnorteado, como é comum no seu tempo
Que ficou desapontado, como é comum no seu tempo
Que ficou apaixonado e violento como você
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Como você...
Como você que me ouve agora
Como você...
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sábado, 5 de março de 2016

COVER DO SÁBADO

A Palo Seco é uma composição do cearense Belchior gravada pela primeira vez em seu disco Mote e Glosa, de 1974. O próprio compositor regravaria a canção no disco Alucinação, de 1976, assim como Ednardo, em seu disco Romance do Pavão Mysteriozo, no mesmo ano.


Fagner, outro cearense, também gravou a sua versão da canção no disco Ave Noturna, em 1975.

sexta-feira, 4 de abril de 2014

MÚSICA NA SEXTA

“Se diz a palo seco
o cante sem guitarra;
o cante sem; o cante;
o cante sem mais nada;
se diz a palo seco
a esse cante despido:
ao cante que se canta
sob o silêncio a pino."

João Cabral de Melo Neto

Antônio Carlos Gomes Belchior Fontenelle Fernandes nasceu em Sobral, CE, em outubro de 1946. Foi um dos membros do chamado Pessoal do Ceará, que tinha Fagner, Ednardo, Rodger, Cirino e outros.

Começou sua carreira apresentando-se em festivais de música no Nordeste, entre 1965 e 1970. Em 1971, increveu-se no IV Festival Universitário e ganhou o primeiro lugar com a música "Hora do Almoço", interpretada por Jorge Melo e Jorge Teles. Na mesma época, conheceu o cantor e compositor Sérgio Ricardo, que escolheu a música "Mucuripe", feita em parceria com Fagner, para fazer parte do disco "Bolso do Pasquim".


Em 1972, começou a obter o reconhecimento nacional a partir da gravação da mesma "Mucuripe" por Elis Regina. Lança, em 1974, seu primeiro LP, “Mote e Glosa”.

Dois anos depois, grava seu segundo disco e talvez o de maior sucesso, Alucinação. Nesse disco Belchior regrava “A Palo Seco”, que já havia gravado em Mote e Glosa.

Há quem jure que A Palo Seco é uma “resposta” de Belchior a “Eu também vou reclamar”, de Raul Seixas e Paulo Coelho (Eu sou apenas um rapaz latino americano que não tem cheiro nem sabor). Só que a música de Raul vem depois da de Belchior.

 A Palo Seco
Belchior
 Se você vier me perguntar por onde andei
 No tempo em que você sonhava.
 De olhos abertos, lhe direi:
 – Amigo, eu me desesperava.
 Sei que, assim falando, pensas
 Que esse desespero é moda em 73.
 Mas ando mesmo descontente.
 Desesperadamente eu grito em português:
  - Tenho vinte e cinco anos de sonho e
 De sangue e de América do Sul.
 Por força deste destino,
 Um tango argentino
 Me vai bem melhor que um blues.
 Sei, que assim falando, pensas
 Que esse desespero é moda em 73.
 E eu quero é que esse canto torto,
 Feito faca, corte a carne de vocês.

segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

CLÁSSICOS PARA A VIDA ETERNA

COMO NOSSOS PAIS - 1976 - ELIS REGINA

Sérgio Luiz Gallina

Como Nossos Pais foi composta por Belchior e gravada, pela primeira vez, por Elis Regina, no álbum Falso Brilhante, de 1976.


Não quero lhe falar, 
Meu grande amor, 
Das coisas que aprendi 
Nos discos...

Quero lhe contar como eu vivi 
E tudo o que aconteceu comigo 
Viver é melhor que sonhar 
Eu sei que o amor 
É uma coisa boa 
Mas também sei 
Que qualquer canto 
É menor do que a vida 
De qualquer pessoa...

Por isso cuidado meu bem 
Há perigo na esquina 
Eles venceram e o sinal 
Está fechado prá nós 
Que somos jovens...

Para abraçar seu irmão 
E beijar sua menina na rua 
É que se fez o seu braço, 
O seu lábio e a sua voz...

Você me pergunta 
Pela minha paixão 
Digo que estou encantada 
Como uma nova invenção 
Eu vou ficar nesta cidade 
Não vou voltar pro sertão 
Pois vejo vir vindo no vento 
Cheiro de nova estação 
Eu sei de tudo na ferida viva 
Do meu coração...

Já faz tempo 
Eu vi você na rua 
Cabelo ao vento 
Gente jovem reunida 
Na parede da memória 
Essa lembrança 
É o quadro que dói mais...

Minha dor é perceber 
Que apesar de termos 
Feito tudo o que fizemos 
Ainda somos os mesmos 
E vivemos 
Ainda somos os mesmos 
E vivemos 
Como os nossos pais...

Nossos ídolos 
Ainda são os mesmos 
E as aparências 
Não enganam não 
Você diz que depois deles 
Não apareceu mais ninguém 
Você pode até dizer 
Que eu tô por fora 
Ou então 
Que eu tô inventando...

Mas é você 
Que ama o passado 
E que não vê 
É você 
Que ama o passado 
E que não vê 
Que o novo sempre vem...

Hoje eu sei 
Que quem me deu a idéia 
De uma nova consciência 
E juventude 
Tá em casa 
Guardado por Deus 
Contando vil metal...

Minha dor é perceber 
Que apesar de termos 
Feito tudo, tudo, 
Tudo o que fizemos 
Nós ainda somos 
Os mesmos e vivemos 
Ainda somos 
Os mesmos e vivemos 
Ainda somos 
Os mesmos e vivemos 

Como os nossos pais...