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terça-feira, 6 de agosto de 2019
sexta-feira, 23 de novembro de 2018
segunda-feira, 14 de maio de 2018
CLÁSSICOS PARA A VIDA ETERNA
IRACEMA (1978) ELIS REGINA & ADONIRAN BARBOSA
Sérgio Luiz Gallina
Iracema, eu nunca mais te vi
Iracema, meu grande amor foi embora
Eu chorei, eu chorei de dor porque
Iracema, meu grande amor foi você
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Iracema, eu sempre dizia
Cuidado ao atravessar essas ruas
Eu falava, mas você não escutava não
Iracema, você atravessou contra mão
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E hoje, ela vive lá no céu
Ela vive bem juntinho de Nosso Senhor
De lembrança, guardo somente suas meias e seu sapato
Iracema, eu perdi o seu retrato
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Iracema
Faltavam vinte dias para o nosso casamento
E nós ia se casar
Você atravessou a São João
Veio um carro, te pega e te pincha no chão
O chofer não teve culpa, Iracema
Você atravessou contra mão
Paciência, Iracema, paciência
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E hoje, ela vive lá no céu
Ela vive bem juntinho de Nosso Senhor
De lembrança, guardo somente suas meias e seu sapato
Iracema, eu perdi o seu retrato
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Iracema, meu grande amor foi você
Iracema, você atravessou contra mão
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sexta-feira, 27 de janeiro de 2017
MÚSICA NA SEXTA
João Rubinato, o Adoniran Barbosa, nasceu em Valinhos, em 6 de agosto de 1910, e morreu em São Paulo, em 23 de novembro de 1982.
Abandonou a escola cedo, pois não gostava de estudar e precisava trabalhar para ajudar a família numerosa - Adoniran tinha sete irmãos. O compositor e cantor tem um longo aprendizado, num arco que vai do marmiteiro às frustrações causadas pela rejeição de seu talento. Quer ser artista – escolhe a carreira de ator. Procura de várias maneiras fazer seu sonho acontecer. Tenta, antes do advento do rádio, o palco, mas é sempre rejeitado. Sem padrinhos e sem instrução adequada, o ingresso nos teatros como ator lhe é para sempre abortado. O samba, no início da carreira, tem para ele caráter acidental. Escolado pela vida, sabia que o estrelato e o bom sucesso econômico só seriam alcançados na veiculação de seu nome na caixa de ressonância popular que era o rádio.
O seu primeiro sucesso como compositor vira canção obrigatória das rodas de samba, das casas de espetáculo: Trem das Onze. É bem possível que todo brasileiro conheça, senão a música inteira, ao menos o estribilho, que se torna intemporal. Adoniran alcança, então, o almejado sucesso que, entretanto, dura pouco e não lhe rende mais que uns minguados trocados de direitos autorais. A música, que já havia sido gravada pelo autor em 1951 e não fizera sucesso ainda, é regravada novamente pelos “Demônios da Garoa”, conjunto musical de São Paulo (esta cidade é conhecida como a terra da garoa, da neblina, daí o nome do grupo). Embora o conjunto seja paulista, a música acontece primeiramente no Rio de Janeiro, com sucesso retumbante.
Arguto observador das atividades humanas, sabe também que o público não se contenta apenas com o drama das pessoas desvalidas e solitárias; é necessário que se dê a este público uma dose de humor, mesmo que amargo. Compôs inúmeros sucessos que foram gravados por inúmeros artistas. Morreu de enfisema pulmonar aos 72 anos.
"Apaga o fogo, Mané" é de 1956.
Apaga o Fogo Mané
Adoniran Barbosa
Inez saiu dizendo que ia comprar um pavio
pro lampião
Pode me esperar Mané
Que eu já volto já
Acendi o fogão, botei a água pra esquentar
E fui pro portão
Só pra ver Inez chegar
Anoiteceu e ela não voltou
Fui pra rua feito louco
Pra saber o que aconteceu
Procurei na Central
Procurei no Hospital e no xadrez
Andei a cidade inteira
E não encontrei Inez
Voltei pra casa triste demais
O que Inez me fez não se faz
E no chão bem perto do fogão
Encontrei um papel
Escrito assim:
-Pode apagar o fogo Mané que eu não volto mais
domingo, 7 de agosto de 2016
sexta-feira, 21 de novembro de 2014
MÚSICA NA SEXTA
João Rubinato, o Adoniran Barbosa, nasceu em Valinhos, em 6 de agosto de 1910, e morreu em São Paulo, em 23 de novembro de 1982.
Abandonou a escola cedo, pois não gostava de estudar e precisava trabalhar para ajudar a família numerosa - Adoniran tinha sete irmãos. O compositor e cantor tem um longo aprendizado, num arco que vai do marmiteiro às frustrações causadas pela rejeição de seu talento. Quer ser artista – escolhe a carreira de ator. Procura de várias maneiras fazer seu sonho acontecer. Tenta, antes do advento do rádio, o palco, mas é sempre rejeitado. Sem padrinhos e sem instrução adequada, o ingresso nos teatros como ator lhe é para sempre abortado. O samba, no início da carreira, tem para ele caráter acidental. Escolado pela vida, sabia que o estrelato e o bom sucesso econômico só seriam alcançados na veiculação de seu nome na caixa de ressonância popular que era o rádio.
O seu primeiro sucesso como compositor vira canção obrigatória das rodas de samba, das casas de espetáculo: Trem das Onze. É bem possível que todo brasileiro conheça, senão a música inteira, ao menos o estribilho, que se torna intemporal. Adoniran alcança, então, o almejado sucesso que, entretanto, dura pouco e não lhe rende mais que uns minguados trocados de direitos autorais. A música, que já havia sido gravada pelo autor em 1951 e não fizera sucesso ainda, é regravada novamente pelos “Demônios da Garoa”, conjunto musical de São Paulo (esta cidade é conhecida como a terra da garoa, da neblina, daí o nome do grupo). Embora o conjunto seja paulista, a música acontece primeiramente no Rio de Janeiro, com sucesso retumbante.
Arguto observador das atividades humanas, sabe também que o público não se contenta apenas com o drama das pessoas desvalidas e solitárias; é necessário que se dê a este público uma dose de humor, mesmo que amargo. Compôs inúmeros sucessos que foram gravados por inúmeros artistas. Morreu de enfisema pulmonar aos 72 anos.
"Apaga o fogo, Mané" é de 1956.
Apaga o Fogo Mané
Adoniran Barbosa
Inez saiu dizendo que ia comprar um pavio
pro lampião
Pode me esperar Mané
Que eu já volto já
Acendi o fogão, botei a água pra esquentar
E fui pro portão
Só pra ver Inez chegar
Anoiteceu e ela não voltou
Fui pra rua feito louco
Pra saber o que aconteceu
Procurei na Central
Procurei no Hospital e no xadrez
Andei a cidade inteira
E não encontrei Inez
Voltei pra casa triste demais
O que Inez me fez não se faz
E no chão bem perto do fogão
Encontrei um papel
Escrito assim:
-Pode apagar o fogo Mané que eu não volto mais
sexta-feira, 30 de agosto de 2013
MÚSICA NA SEXTA
Vinícius de Moraes, que disse que São Paulo era o túmulo do
samba, tem uma parceria com um dos maiores – senão o maior – sambistas de São Paulo, o
paulistano Adoniran Barbosa, conhecido, principalmente, por sucessos como Trem
das Onze e Saudosa Maloca. Os dois dividiram a autoria da música Bom dia,
Tristeza, gravada pela primeira vez em 1957, pela cantora Aracy de Almeida.
A parceria aconteceu sem que os dois sequer se conhecessem.
Adoniram conta essa história para Elis Regina, no programa No Fino da Bossa, em
1965.
Elis: Como é que você se tornou parceiro de Vinicius de
Moraes sem sequer conhecê-lo?
Adoniran: Fácil, é fácil, fácil. A Aracy de Almeida, que é
muito amiga dele (ele estava em Paris nessa ocasião, na UNESCO) recebeu uma
carta dele e dentro da carta veio assim essa letra, dois versinhos, e dizia
embaixo “Aracy, faça o que você quiser com esses versos”.
Elis: Então a Aracy pegou e deu pra você.
Adoniran: Então eu tava pertinho dela, não é? E ela era
ligação minha, não é? Ela disse “Ô, Adoniran, bota a música aí”.
Elis: Quer dizer que a letra é de Vinicius de Moraes e a
melodia é que é sua.
Adoniran: A letra é de Vinicius e a musiquinha é minha.
Os dois só se encontraram uma vez, em 1979,
após um show do Poetinha com Toquinho, no auditório da PUC, em São Paulo. Para
Sérgio Rubinato, sobrinho de Adoniran, que testemunhou o encontro, eles mal trocaram uma
palavra. “Foi comunicação via olhos...”.
Segundo o livro “Adoniran: Dá licença de Contar”, de Ayrton
Mugnaini Jr, Aracy de Almeida e Vinícius estavam no bar do Hotel Comodoro, em
São Paulo, quando ela pediu ao poeta que escrevesse um poema especialmente para
ela. Vinicius escreveu Bom dia, Tristeza em minutos e deu o papel com o poema
a Aracy, dizendo “Faça o que bem entender”. Alguns dias depois, na Rádio
Record, onde Adoniran trabalhava, Aracy o desafiou a musicar o poema. Diz a esposa de Adoniran, Mathilde, que alguns dias depois, seu
marido começou a assobiar e a melodia veio de repente.
Uma outra versão, mais polêmica, credita a autoria da
melodia ao cantor e compositor Noite Ilustrada, que teria entregue a música
pronta a Adoniran, gravada numa fita.
Vinícius nunca se pronunciou a respeito da discussão. Coloco aqui a versão que considero mais bonita, com participação de Roberto Ribeiro.
Bom dia, Tristeza
(Vinícius de Moraes & Adoniran Barbosa)
Bom dia, tristeza
Que tarde, tristeza
Você veio hoje me ver
Já estava ficando
Até meio triste
De estar tanto tempo
Longe de você
Se chegue, tristeza
Se sente comigo
Aqui, nesta mesa de bar
Beba do meu copo
Me dê o seu ombro
Que é para eu chorar
Chorar de tristeza
Tristeza de amar
domingo, 12 de maio de 2013
ADONIRAN NAS MADRUGADAS
Convidado do Fino da Bossa, Adoniran mencionou a bairro do
Bexiga. Elis perguntou o que era o Bexiga e o sambista respondeu que era “o
apelido de um bairro chamado Bela Vista”. Elis riu e perguntou por que o
apelido, ao que Adoniran respondeu também rindo: “Não sei porque que é Bexiga.
Eu sei, mas pra explicar demora muito. Então é melhor rapidinho e rasteiro”.
Questionado por seu parceiro Carlinhos Vergueiro, na música "Torresmo à milanesa", sobre por que a insistência dele em frisar UM torresmo à milanesa: “Porque é mais triste", respondeu Adoniran.
Também no Fino da Bossa se registrou o seguinte diálogo entre Elis e Adoniran:
Elis: Como é que você se tornou parceiro de Vinícius de
Moares sem sequer conhecê-lo?
Adoniran: Fácil, é fácil, fácil. A Aracy de Almeida, que é
muito amiga dele, ele tava em Paris nessa ocasião, na Unesco, e ela recebeu uma
carta dele e dentro da carta veio assim essa letra, dois versinhos, e dizia
embaixo "Aracy, faça o que você quiser com esses versos". Elis: Então a Aracy pegou e deu pra você.

Adoniran: Então eu tava pertinho dela, não é? E ela era ligação minha, não é? Ela disse "Ô, Adoniran, bota a música aí".
Elis: Quer dizer que a letra é de Vinicius de Moraes e a melodia é que é sua.
Adoniran: A letra é de Vinicius e a musiquinha é minha.
A musiquinha, no caso, é “Bom Dia, Tristeza”, que fez grande
sucesso com Maysa e foi gravado também por Elis. Eu recomendo ouvir com Adoniran,somente com violão, ou com Roberto Ribeiro, somente com piano.
Ernesto Paulelli , quando apresentado a Adoniran, este
repetiu: “Arnesto Paulelli”. Foi corrigido, mas insistiu: “É Arnesto, o seu
nome dá samba”. Vou fazer um samba para você. Aduvida? Um dia fui conversar com
o Adoniran, disse Ernesto, e perguntar que história era aquela de dar um bolo nele. Com aquela
voz rouca ele me respondeu: “Arnesto, segura essa, se não tinha mancada, não tinha
samba”.
Saudosa Maloca, foi vetada pela censura em 1963 sob alegação
de “falta de gosto”.
Adoniran Gostava de dizer quando já estava fora da mídia: "Chega
de homenagens. Eu quero o dinheiro".
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