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terça-feira, 12 de junho de 2018

PRIMEIROS PARÁGRAFOS INESQUECÍVEIS

"Meu nome é Artur Gordon Pym. Meu pai era respeitado comerciante dum dos armazéns da marinha em Nantucket, onde nasci. Meu avô materno era advogado de muita prática. Tinha sorte em tudo e especulara, com grandes resultados, em ações do Edgarton New Bank, como o chamavam outrora. Por esses e outros meios conseguira juntar ponderável soma de dinheiro. Gostava mais de mim do que de qualquer outra pessoa no mundo, creio que eu esperava herdar a maior parte do que ele possuía, por sua morte. Mandou-me, com seis anos de idade, à escola do velho Sr. Ricketts, cavalheiro que só tinha um braço, e de modos excêntricos. É muito conhecido de quase todas as pessoas que já visitaram Nova Bedford. Permaneci em sua escola até completar dezesseis anos, quando passei para a academia do Sr. E. Ronald, na colina. Ali, fiz intimidade com o filho do Sr. Barnard, capitão que geralmente viajava nos navios de Lloyd & Vredenburgh. O Sr. Barnard é também muito conhecido em Nova Bedford e tem muitos parentes, tenho certeza, em Edgarton. Seu filho chamava-se Augusto e era cerca de dois anos mais velho do que eu. Estivera numa viagem de pesca de baleia com seu pai no John Donaldson, e sempre me falava de suas aventuras no sul do oceano Pacífico. Acostumei-me a ir frequentemente com ele à sua casa e lá passar todo o dia, por vezes toda a noite. Ocupávamos a mesma cama e ele queria ter a certeza de que eu ficaria acordado até quase clarear, ouvindo-lhe as estórias dos nativos da ilha de Tinian e outros lugares que visitara em suas viagens. Por fim, não pude deixar de interessar-me pelo que ele dizia e, gradualmente, senti o maior desejo de fazer-me ao mar. Eu possuía um barco a vela denominado Ariel, que valia cerca de sessenta e cinco dólares. Tinha uma meia ponte ou camarote de proa e era armado em chalupa. Esqueci-lhe a tonelagem, mas poderia conduzir dez pessoas sem muito
aperto. Nesse barco tínhamos o costume de atirar-nos em extravagâncias das mais loucas deste mundo; e quando agora penso nelas, parece-me que o estar vivo hoje se deve a um milhar de prodígios."

A Narrativa de Arthur Gordon Pym - Edgar Allan Poe - 1838

terça-feira, 17 de abril de 2018

PRIMEIROS PARÁGRAFOS INESQUECÍVEIS

"Estava exausto, mortalmente exausto com aquela longa agonia e, quando por fim me desamarraram e pude sentar-me, senti que perdia os sentidos. A sentença - a terrível sentença de morte - foi a última frase que chegou, claramente, aos meus ouvidos. Depois, o som das vozes dos inquisidores pareceu apagar-se naquele zumbido indefinido de sonho. O ruído despertava em minha alma a idea de rotação, talvez devido à sua associação, em minha mente, com o ruído característico de uma roda de moinho. Mas isso durou pouco, pois, logo depois, nada mais ouvi. Não obstante, durante alguns momentos, pude ver, mas com que terrível exagero! Via os lábios dos juízes vestidos de preto. Pareciam-me brancos, mais brancos do que a folha de papel em que traço estas palavras, e grotescamente finos - finos pela intensidade de sua expressão de firmeza, pela sua inflexível resolução, pelo severo desprezo ao sofrimento humano." 

O Poço e o Pêndulo (Histórias Extraordinárias) - Edgar Allan Poe - 1842

terça-feira, 25 de julho de 2017

PRIMEIROS PARÁGRAFOS INESQUECÍVEIS

"A desgraça se apresenta sob muitos aspectos. O infortúnio da terra sob muitos disfarces. Abraçando o vasto horizonte como o arco-íris, suas tonalidades são tão variadas quanto as nuances daquele arco - e igualmente distintas, embora sejam intimamente misturadas. Abarcando o amplo horizonte como faz o arco-íris! Como se explica que de uma imagem tão bela eu tenha derivado um exemplo de fealdade? Como retirei do símbolo da aliança da paz um exemplo de infortúnio? Do mesmo modo que na ética o mal é uma consequência do bem, é de fato da alegria que nasce a infelicidade. Seja porque a lembrança da felicidade passada nos enche hoje de angústia: ou porque nos entregamos às agonias que se originam no êxtase do que poderia ter sido."

Berenice – Edgard Allan Poe - 1835

domingo, 30 de agosto de 2015

LEITURA DE DOMINGO

SOMBRAS

       Edgar Allan Poe
Vós que me ledes por certo estais ainda entre os vivos; mas eu que escrevo terei partido há muito para a região das sombras. Por que de fato estranhas coisas acontecerão, e coisas secretas serão conhecidas, e muitos séculos passarão antes que estas memórias caiam sob vistas humanas. E, ao serem lidas, alguém haverá que nelas não acredite, alguém que delas duvide e, contudo, uns poucos encontrarão muito motivo de reflexão nos caracteres aqui gravados com estiletes de ferro. O ano tinha sido um ano de terror e de sentimentos mais intensos que o terror, para os quais não existe nome na Terra. 

Pois muitos prodígios e sinais haviam se produzido, e por toda a parte, sobre a terra e sobre o mar, as negras asas da Peste se estendiam. Para aqueles, todavia, conhecedores dos astros, não era desconhecido que os céus apresentavam um aspecto de desgraça, e para mim, o grego Oinos, entre outros, era evidente que então sobreviera a alteração daquele ano 794, em que, à entrada do Carneiro, o planeta Júpiter entra em conjunção com o anel vermelho do terrível Saturno. 

O espírito característico do firmamento, se muito não me engano, manifestava-se não somente no orbe físico da Terra, mas nas almas, imaginações e meditações da Humanidade. Éramos sete, certa noite, em torno de algumas garrafas de rubro vinho de Quios, entre as paredes do nobre salão, na sombria cidade de Ptolemais. Para a sala em que nos achávamos a única entrada que havia era uma alta porta de feitio raro e trabalhada pelo artista Corinos, aferrolhada por dentro. Negras cortinas, adequadas ao sombrio aposento, privavam-nos da visão da lua, das lúgubres estrelas e das ruas despovoadas; mas o ressentimento e a lembrança do flagelo não podiam ser assim excluídos.

Havia em torno de nós e dentro de nós coisas das quais não me é possível dar conta, coisas materiais e espirituais: atmosfera pesada, sensação de sufocamento, ansiedade; e, sobretudo, aquele terrível estado de existência que as pessoas nervosas experimentam quando os sentidos estão vivos e despertos, e as faculdades do pensamento jazem adormecidas. Um peso mortal nos acabrunhava. Oprimia nossos ombros, os móveis da sala, os copos em que bebíamos. E todas se sentiam opressas e prostradas, todas as coisas exceto as chamas das sete lâmpadas de ferro que iluminavam nossa orgia. Elevando-se em filetes finos de luz, assim que permaneciam, ardendo, pálidas e imotas. E no espelho que seu fulgor formava sobre a redonda mesa de ébano a que estávamos sentados, cada um de nós, ali reunidos, contemplava o palor de seu próprio rosto e o brilho inquieto nos olhos abatidos de seus companheiros. 

Não obstante, ríamos e estávamos alegres, a nosso modo – que era histérico – , e cantávamos as canções de Anacreonte – que são doidas -, e bebíamos intensamente, embora o vinho purpurino nos lembrasse a cor do sangue. Pois ali havia ainda outra pessoa em nossa sala, o jovem Zoilo. 

Morto, estendido a fio comprido, amortalhado, era como o gênio e o demônio da cena. Mas ah! Não tomava ele parte em nossa alegria! Seu rosto, convulsionado pela doença, e seus olhos, em que a Morte havia apenas extinguido metade do fogo da peste, pareciam interessar-se pela nossa alegria,, na medida em que, talvez, possam os mortos interessar-se pela alegria dos que têm de morrer. Mas embora eu, Oinos, sentisse os olhos do morto cravados sobre mim, ainda assim obrigava-me a não perceber a amargura de sua expressão. E mergulhando fundamente a vista nas profundezas do espelho de ébano, cantava em voz alta e sonorosa as canções do filho de Teios. Mas, Pouco a pouco, minhas canções cessaram e seus ecos, ressoando ao longe, entre os reposteiros negros do aposento, tornavam-se fracos e indistintos, esvanecendo-se. 

E eis que dentre aqueles negros reposteiros, onde ia morrer o rumor das canções, se destacou uma sombra negra e imprecisa, uma sombra tal como a da lua quando baixa no céu, e se assemelha ao vulto dum homem: mas não era a sombra de um homem, nem a de um deus, nem a de qualquer outro ente conhecido. E, tremendo um instante entre os reposteiros do aposento, mostrou-se afinal plenamente sobre a superfície da porta de ébano. Mas a sombra era vaga, informe, imprecisa, e não era sombra nem de homem, nem de deus, de deus da


Grécia, de deus da Caldéia, de deus egípcio. E a sombra permanecia sobre a porta de bronze, por baixo da cornija arqueada, e não se movia, nem dizia palavra alguma, mas ali ficava parada e imutável. Os pés do jovem Zoilo, amortalhado, encontravam-se, se bem me lembro, na porta sobre a qual a sombra repousava. Nós, porém, os sete ali reunidos, tendo avistado a sombra no momento em que se destacava dentre os reposteiros, não ousávamos olhá-la fixamente, mas baixávamos os olhos e fixávamos sem desvio as profundezas do espelho de ébano. E afinal, eu, Oinos, pronunciando algumas palavras em voz baixa, indaguei da sombra seu nome e lugar de nascimento. E a sombra respondeu: “Eu sou a SOMBRA e minha morada está perto das catacumbas de Ptolemais, junto daquelas sombrias planícies infernais que orlam o sujo canal de Caronte”. 

E então, todos sete, erguemo-nos, cheios de horror, de nossos assentos, trêmulos, enregelados, espavoridos, porque o tom da voz da sombra não era de um só ser, mas de uma multidão de seres e, variando suas inflexões, de sílaba para sílaba, vibrava aos nossos ouvidos confusamente, como se fossem as entonações familiares e bem relembradas dos muitos milhares de amigos que a morte ceifara.

domingo, 12 de outubro de 2014

LEITURA DE DOMINGO

Silêncio
       Edgar Allan Poe
Escuta – disse o demônio, pousando a mão sobre a minha cabeça.
– O país de que te falo é um país lúgubre, na Líbia, às margens do rio Zaire. E ali não há repouso nem silêncio. As águas do rio, amarelas e insalubres, não correm para o mar, mas palpitam sempre sob o olhar ardente do Sol, com um movimento convulsivo. De cada lado do rio, sobre as margens lodosas, estende-se ao longe um deserto sombrio de gigantescos nenúfares, que suspiram na solidão, erguendo para o céu os longos pescoços espectrais e meneando tristemente as cabeças sempiternas. E do meio deles sai um sussurro confuso, semelhante ao murmúrio de uma torrente subterrânea. E os nenúfares, voltados uns para os outros, suspiram na solidão.

E o seu império tem por limite uma floresta alta, cerrada, medonha! Lá, – como as vagas em torno das Híbridas, pequenos arbustos agitam-se sem repouso, contudo não há vento no céu! – e as grandes árvores primitivas oscilam continuamente, com um estrépito enorme. E dos seus cumes elevados filtra, gota a gota, um orvalho eterno. A seus pés contorcem-se num sono agitado, flores desconhecidas – venenosas. E por cima das suas cabeças, com um ruge-ruge retumbante, precipitam-se as nuvens negras a caminho do ocidente, até rolarem as cataratas para trás da muralha abrasada do horizonte. E nas margens do rio Zaire há repouso nem silêncio.

Era noite e a chuva caía enquanto caía, era água mas quando chegava ao chão era sangue! E eu estava na planície lodosa, por entre os nenúfares, vendo a chuva que caía sobre mim. E os nenúfares voltados uns para os outros suspira na solenidade da sua desolação.

De repente apareceu a lua através do nevoeiro fúnebre vinha toda carmesim! e o meu olhar caiu sobre um rochedo enorme, sombrio, que se erguia a borda do Zaire, refletindo a claridade da lua; era um rochedo sombrio sinistro de uma altura descomunal!

Sobre o seu cume estavam gravadas algumas letras. Caminhei através dos pântanos de nenúfares, até a margem para ler as letras gravadas na pedra; mas não pude decifrá-las. Ia voltar quando a lua brilhou mais viva e mais vermelha; olhando outra vez para o rochedo distingui só caracteres. E esses caracteres diziam: desolação.

Levantei os olhos; na crista do rochedo estava um homem de figura majestosa. Pendia-lhe dos ombros a antiga toga romana, cobrindo-se até aos pés. Os contornos da sua pessoa não se distinguiam, mas as feições eram as da divindade porque brilhavam através da escuridão da noite a do nevoeiro. Tinha a fronte alta e pensativa, os olhos profundos e melancólicos. Nas rugas do semblante, liam-se as legendas da desgraça e da fadiga o aborrecimento da humanidade e o amor da solidão. Escondi-me no meio dos nenúfares para ver o que aquele homem fazia ali.

E o homem assentou-se no rochedo, deixou pender a cabeça sobre a mão e espraiou a vista pela soledade, contemplou os arbustos buliçosos e as grandes árvores primitivas; depois, ergueu os olhos para a céu a para a lua carmesim. Eu observava as ações do homem escondido no meio dos nenúfares e o homem tremia na solidão. Todavia a noite avançava e ele continuava assentado sobre o rochedo.

Então o homem desviou os olhos do céu para o rio lúgubre para as águas amarelas do Zaire, e para as legiões sinistras dos nenúfares; escutou-lhes os suspiros melancólicos e as oscilações murmurantes E eu o espreitava sempre, do meu esconderijo e o homem tremia na solidão. Todavia a noite avançava e ele continuava assentado sobre o rochedo.

Embrenhei-me na profundezas longínquas do pântano, caminhei sobre e as flores dos nenúfares e chamei os hipopótamos que habitavam a espessura do bosque. E os hipopótamos ouviram o meu chamado e vieram os Behemothes até o pé do rochedo e soltaram um rugido medonho. E eu, escondido por entre os nenúfares, espreitava os movimentos do homem e o homem tremia na solidão. Todavia a noite avançava e ele continuava assentado sobre o rochedo.

Então invoquei os elementos e uma tempestade horrorosa rosa sobreveio. E o céu tornou-se lívido pela violência da tempestade e a chuva caía em torrente sobre a cabeça do homem e as ondas do rio transbordavam e o rio espumava enfurecido e os nenúfares suspiravam com mais força, e a floresta debatia-se com o vento, e o trovão ribombava e os raios flamejavam, e o rochedo estremecia.

Irritei-me e amaldiçoei a tempestade, o rio e os nenúfares, o vento e as floresta, o céu e o trovão. E na minha maldição os elementos emudeceram e a lua parou na sua carreira, e o trovão expirou e o raio deixou de faiscar, e as nuvens ficaram imóveis e as águas tornaram n repousar no seu imenso leito, e as árvores cessaram de se agitar, e os nenúfares não suspiraram mais e na floresta não se tornou a ouvir o mínimo murmúrio, nem a sombra de um som no vasto deserto sem limites. Olhei para os caracteres escritos no rochedo e os caracteres diziam agora: Silêncio.

Volvi outra vez os olhos para o homem, e o seu rosto estava pálido de terror. De repente, levantou a cabeça, ergueu-se sobre o rochedo e pôs o ouvido à escuta. Mas não se ouviu nem uma voz no deserto ilimitado. E os caracteres gravados no rochedo diziam sempre: Silêncio. E o homem estremeceu e fugiu e para tão longe fugiu que jamais o tornei a ver.

Ora, os livros dos magos, os melancólicos livros dos magos encerram belos contos, esplêndidas histórias do céu, da terra e do mar poderosos; dos gênios que têm reinado sobre a terra, sobre o mar e sobre o céu sublime. Há muita ciência na palavra das Sibilas. E das florestas sombrias de Dodona saíam outrora oráculos profundos.

Mas jamais se ouviu uma história tão espantosa como esta! Foi o demônio que ma contou, assentado ao um lado, na solidão do túmulo. Quando acabou de falar, desatou a rir e como não pudesse rir com ele, amaldiçoou-me. Então o lince, que vive eternamente no túmulo, saiu do seu esconderijo e veio deitar-se aos pés do demônio, olhando-o fixamente nas pupilas.

terça-feira, 2 de abril de 2013

TELEVISÃO

Série 'Contos de Edgar' adapta contos de Allan Poe

 
Na vida real, o escritor Edgar Allan Poe (1809-1849) teve uma trajetória complicada - deixou a universidade por falta de dinheiro e ficou viúvo cedo. Na ficção, seu alter ego também terá dias difíceis, como mostrará a série "Contos de Edgar", que estreia nesta terça-feira, às 22h15, na Fox.


A atração, produzida por Fernando Meirelles na O2 Filmes, da qual o cineasta é sócio, transporta contos do norte-americano para a realidade brasileira de hoje sob a ótica de Edgar (Marcos de Andrade), um homem que trabalha e mora na sede da empresa de dedetização de um amigo, que tem o hábito de criar histórias a partir do que vê ao conhecer seus clientes.



"A cada episódio, ele vai dedetizar uma casa e interage, fica reparando na casa da pessoa. No final, vemos que ele estava apenas contando uma história para seu parceiro de trabalho, o Fortunato (Danilo Grangheia)", explica Pedro Morelli, diretor geral da série, que criou com Gabriel Hirschhorn.


Sete contos de Edgar Allan Poe foram condensados em cinco episódios semanais. A atmosfera soturna e macabra, típica dos textos do escritor, foram mantidas e adaptadas para ambientes do centro de São Paulo, onde parte das cenas foi gravada. "Estamos trabalhando o gênero. Há movimento de câmera lento com recursos do cinema de suspense, mas evitando clichês. Buscamos deixar mais com cara de cinema do que de TV. Temos de dar arrepio ao público", contou Morelli à reportagem.


Em meio aos atores de teatro escalados para a produção, há uma participação especial da cantora Gaby Amarantos no episódio de estreia, batizado de "Berê", uma referência ao conto original, "Berenice". Na trama, a paraense interpreta uma cantora cuja autoestima anda abalada por conta de seus dentes feios. Para tentar resolver o problema, Cícero (Maurício de Barros), seu primo, paga a troca dos dentes e fica fascinado por eles.


Entretanto, a obsessão é tamanha que, após a constatação de uma infecção, ele a impede de remover os dentes, deixando a vida de Berê em risco. A história se desenrola quando Edgar é contratado para combater uma infestação de ratos na boate onde a cantora costuma se apresentar. "A Berenice original era uma aristocrata, que, aqui, se transformou em cantora brega", revela o diretor geral.


Apesar de ser o narrador da trama, Edgar também se envolve em uma das histórias, que permeia todos os episódios. Depois de ter a vida arruinada por ter seu bar lacrado pela prefeitura, o protagonista sofre com o desaparecimento da mulher Lenora. Ele consegue se reerguer graças à ajuda de Fortunato, seu amigo de infância e dono da dedetizadora DDT Nunca Mais. Edgar, porém, desconfia de que o patrão tenha ligação com o sumiço de sua amada. "A cada episódio, vamos mostrando quem foi essa mulher. Há flashbacks que explicam", diz Morelli.

"Contos de Edgar" foi a série vitoriosa em uma seleção de cerca de 50 projetos que competiam na O2 para serem produzidos para televisão e levou um ano e meio para sair do papel e ser finalizada.