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sábado, 12 de agosto de 2017

COVER

Arrumação é uma composição de Elomar gravada pela primeira vez no antológico Na Quadrada das Águas Perdidas, em 1978.


Em 1984, Elomar, Vital Farias, Xangai e Geraldo Azevedo lançaram um projeto chamado Cantoria, com o qual percorreram todo o Brasil com enorme sucesso. A gravadora Kuarup gravou as apresentações e lançou um excelente disco. Em 1988, o quarteto lança, nos mesmo moldes, Cantoria 2. Arrumação recebeu uma linda interpretação do goiano Francisco Aafa.

quinta-feira, 29 de junho de 2017

ÁLBUM DA QUINTA

NA QUADRADA DAS ÁGUAS PERDIDAS - 1978 - ELOMAR

Na Quadrada das Águas Perdidas foi gravado nos estúdios do Seminário Livre de Música da Universidade Federal da Bahia em dezembro de 1978, com participação de muitos amigos do baiano Elomar Figueira de Mello. É o seu terceiro disco (o segundo LP; o primeiro foi um compacto lançado em 1968). Arrumação e Campo Branco estão entre as músicas mais pedidas nos shows de Elomar. Seus discos, via de regra, contêm um glossário com as expressões do sertão usadas por ele em suas composições.


Artista de estilo único, nada que se fale sobre ele pode traduzir a sua obra e a sua criatividade. Para entendê-lo, há que se ouvi-lo.

"Assim que ouviu os primeiros acordes de viola, violão e sanfona e as primeiras estrofes das tiranas dos côcos e parcelas dos três Zés, têm início as primeiras fugidas de casa, pelas bocas-de-noite, não só para ouvir como também, por excelência, para aprender os primeiros tons no braço do violão, o qual será, a partir dali, seu instrumento definitivo. Note-se bem que estas proezas davam-se às voltas e muito às escondidas, pois que não só para seus pais e parentes, como também para toda sociedade de então, labutar com música era coisa para vagabundo. Tocador de violão, viola ou sanfona, era sinônimo de irresponsável."
(http://www.elomar.com.br/biografia.html)


Disco 1 
1. A Meu Deus um Canto Novo 
2. Na Quadrada das Águas Perdidas 
3. A Pergunta 
4. Arrumação 
5. Deserança 
6. Chula no Terreiro 
7. Campo Branco 
8. Parcelada (do Auto da Catingueira) 
9. Estrela Maga dos Ciganos 
10. Função

Disco 2 
1. Noite de Santos Reis 
2. Cantoria Pastoral 
3. O Rapto de Joana do Tarugo 
4. Canto de Guerreiro Mongoió 
5. Clariô (do Auto da Catingueira) 
6. Bespa (do Auto da Catingueira) 
7. Dassanta (do Auto da Catingueira) 
8. Curvas do Rio 
9. Tirana (de O Tropeiro Gonsalin) 
10. Puluxias (de O Tropeiro Gonsalin)

Todas as composições são de Elomar.


Gravação: Alcivando Luz e João Américo 
Mixagem: Alcivando Luz 
Canto e violão: Elomar 
Flauta: Elena Rodrigues 
Violão e charango: Dércio Marques 
Vozes: Dércio Marques, Xangai e Carlos Pita
Direção: Carlos Pita e Dércio Marques 
Produção de Agravi: Antônio C. Limonge 

Uma curiosidade sobre o disco: a gravação e a mixagem ficaram a cargo de Alcivando Luz, autor de, entre outras músicas, "É Preciso Perdoar" (parceria com Carlos Coqueijo), gravada por João Gilberto. Foi na casa de Alcivando que Gal, Gil e Caetano foram apresentados a João Gilberto.

sábado, 10 de junho de 2017

COVER DO SÁBADO

Suíte Correnteza foi gravada no primeiro disco solo de Geraldo Azevedo (como Pout-Pourri Correnteza), lançado pela Som Livre, em 1977. A suíte é composta por "Caravana" e "Talismã", de Geraldo e Alceu Valença, e "Barcarola do São Francisco", de Geraldo e Carlos Fernando.


Em 1988, Geraldo Azevedo, Elomar, Xangai e Vital Farias fizeram uma versão ao vivo de Suíte Correnteza no disco Cantoria 2 (Cantoria 1 havia sido lançado em 1984), pela Kuarup Discos.

sexta-feira, 1 de julho de 2016

MÚSICA NA SEXTA

Elomar Figueira Mello nasceu em Vitória da Conquista, BA, em 1937. Seu nome aparece com variações nos primeiros discos, o que contribuiu para difundir dúvidas e confusões sobre a grafia. A forma adotada na publicação de suas obras desde o álbum Na Quadrada das Águas Perdidas, de 1978, fixou-se como Elomar Figueira Mello, que é seu nome civil.

A formação protestante foi herdada da família. Passagens do Velho Testamento estão sempre presentes nas letras de sua obra, como na música "Ecos de uma Estrofe de Abacuc".

Lançou, em 1968, seu primeiro disco, um compacto simples que trazia suas composições "O Violeiro" e "Canções da Catingueira". No mesmo ano, teve "O Robot" e "Mulher Imaginária" gravadas por Israel Filho, também em compacto simples. Em 1972, lançou o LP "Das Barrancas do Rio Gavião". O disco, independente, gravado no estúdio J.S. Gravações Bahia, vinha com apresentação de Vinícius de Morais, na qual o poeta declarava fazer Elomar "uma sábia mistura do romanceiro medieval e do cancioneiro do nordeste".

O LP trazia doze faixas, todas de sua autoria, e prenunciava a carreira de um compositor fiel às suas raízes, guardando os jeitos, falares e sonoridades do povo do semiárido e também as influências medievais europeias tão presentes no interior do nordeste, entre elas: "O Violêro", "Zefinha", "Incelença do Amor Retirante", "Cantiga de Amigo" e "Cavaleiro do São Joaquim". Em 1979, lançou, com Arthur Moreira Lima, o LP "Parcelada Malunga", pelo selo Marcus Pereira.

É do LP Das Barrancas do Rio Gavião a música "O Pidido".

O Pidido
Elomar Figueira Melo

Já qui tu vai lá prá fêra 
Traga di lá para mim 
Água da fulô qui chêra 
Um nuvelo e um carrin 
Trais um pacote de misse 
Meu amigo ah se tu visse 
Aquele cego cantadô! 
Um dia ele me disse 
Jogano um mote de amô 
Qui eu havéra de vivê 
Pur esse mundo 
E morrê ainda em flô 
Passa naquela barraca 
Daquela mulé reizêra 
Onde almuçamo paca 
Panelada e frigidêra 
Inté você disse vã lõa 
Gabano a boia bôa 
Qui das casas da cidade 
Aquela era a primêra 
Trais pra mim uãs brividade 
Qui eu quero matá a sôdade 
Fais tempo qui fui na fêra 
Ai sôdade... 
Apois sim vê se num isquece 
Quinda nessa lua chêa 
Nós vai brincá na quermesse 
Lá no Riacho d'Arêa 
Na casa daquêle home 
Feiticêro e curadô 
Qui o dia intêro é home 
Fiiho de Nosso Sinhô 
Mais dispois da mêa noite 
É lubisome cumedô 
Dos pagão qui as mãe isqueceu 
Do batismo salvadô 
E tem mais dois garrafão 
Cum dois canguin responsadô 
Apois sim vê se num isquece 
De trazê ruge e carmim 
Ah se o dinheiro desse! 
Eu queria um tracilin 
E mais treis metro de chita 
Qui é preu fazê um vistido 
E ficá bem mais bunita 
Qui Madô de Juca Dido 
Qui Zefa de Iô Joaquim 
Já qui tu vai lá prá fêra 
Meu amigo trais 
Essas coisinhas para mim...