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segunda-feira, 10 de junho de 2019
segunda-feira, 11 de junho de 2018
sexta-feira, 27 de outubro de 2017
segunda-feira, 10 de julho de 2017
sábado, 19 de novembro de 2016
segunda-feira, 14 de novembro de 2016
DO CANCIONEIRO POLITICAMENTE INCORRETO
Pra que discutir com Madame
(Haroldo Barbosa e Janet de Almeida)
Madame diz que a raça não melhora
Que a vida piora
Por causa do samba
Madame diz que o samba tem pecado
Que o samba coitado
Devia acabar
Madame diz que o samba tem cachaça
Mistura de raça,
Mistura de cor
Madame diz que o samba é democrata
É música barata
Sem nenhum valor.
Vamos acabar com o samba
Madame não gosta que ninguém sambe
Vive dizendo que samba é vexame
Pra que discutir com madame?
No carnaval que vem também concorro
Meu bloco de morro
Vai cantar ópera
E na avenida entre mil apertos
Voces vão ver gente cantando concerto
Madame tem um parafuso a menos
Só fala veneno,
Meu Deus que horror
O samba brasileiro democrata
Brasileiro na batata
É que tem valor.
segunda-feira, 28 de março de 2016
CLÁSSICOS PARA A VIDA ETERNA
SAMBA DA MINHA TERRA* (1978) JOÃO GILBERTO
Sérgio Luiz Gallina
O samba da minha terra deixa a gente mole
Quando se canta todo mundo bole (2x)
Quando se canta todo mundo bole (2x)
O samba da minha terra deixa a gente mole
Quando se canta todo mundo bole (2x)
----
Quem não gosta do samba, bom sujeito não é
É ruim da cabeça ou doente do pé
Eu nasci com o samba, no samba me criei
Do danado do samba, nunca me separei
-----------------------------------------
*Dorival Caymmi
quinta-feira, 5 de novembro de 2015
ÁLBUM DA QUINTA
AMOROSO - 1977 - JOÃO GILBERTO
Amoroso, lançado em 1977, é um dos trabalhos mais importantes da carreira de João Gilberto. O álbum marcou seu retorno às paradas de sucesso brasileiras.
A longa temporada dedicada à sua carreira internacional - principalmente nos Estados Unidos - aliada à crescente produção de músicas de protesto contra a ditadura militar que o Brasil enfrentava, fez com que o veterano “saísse de moda” com suas canções românticas embaladas em harmonias sofisticadas.
No ano seguinte ao lançamento bem-sucedido de Amoroso, João Gilberto voltou ao país para espetáculos em Salvador e São Paulo. Em 1980, a canção "Wave", uma das oito faixas do disco, foi escolhida como parte da trilha sonora da novela Água Viva, da TV Globo, emissora que, no mesmo ano, realizou um especial do músico junto às cantoras Bebel Gilberto, sua filha, então com 14 anos, e Rita Lee no Teatro Fênix.
Lançado simultaneamente nos Estados Unidos e no Brasil, esse foi o primeiro álbum do cantor com três músicas estrangeiras: S’Wonderful (George & Ira Gershwin), Estate (Martino e Brighetti) e a clássica Besame Mucho (Consuelo Velasquez).
Lado A
1. S' Wonderful (George Gershwin - Ira Gershwin)
2. Estate (Brno Martino - Bruno Brighetti)
3. Tin Tin Por Tin Tin (Haroldo Barbosa - Geraldo Jaques)
4. Besame Mucho (Consuelo Velasquez)
Lado B
1. Wave (Tom Jobim)
2. Caminhos Cruzados (Tom Jobim - Newton Mendonça)
3. Triste (Tom Jobim)
4. Zíngaro (Tom Jobim - Chico Buarque)
João Gilberto - violão e voz
Milcho Leviev - synthesizer
Bud Shank - flauta
Grady Tate - bateria
Ralph Grierson - teclados
Michael Boddicker - synthesizer
Claus Ogerman - aranjos e regência
Joe Correro - bateria
Paulinho Da Costa - percussão
Jim Hughart - baixo
sábado, 21 de março de 2015
COVER DO SÁBADO
"Ronaldo foi pra Guerra" é um álbum da banda Lobão e os Ronaldos, lançado em 1984 pela RCA Victor. No álbum tem a canção Me Chama, de autoria de Lobão, que se tornou um grande sucesso e foi regravada por diversos artistas. Outra música de sucesso foi a canção "Corações Psicodélicos", regravada pelo Roupa Nova.
Em 1986, a Globo lança a telenovela Hipertensão. Uma das músicas que compõe a trilha sonora nacional é "Me Chama", na voz de João Gilberto.
Lobão diz que recebeu ligações de João pedindo aprovação da execução, além de ter de explicar o seu estado emocional quando da composição. O compositor, inicialmente, não gostou da supressão do verso "nem sempre se vê mágica no absurdo", mas achou a execução maravilhosa.
Em 1986, a Globo lança a telenovela Hipertensão. Uma das músicas que compõe a trilha sonora nacional é "Me Chama", na voz de João Gilberto.
Lobão diz que recebeu ligações de João pedindo aprovação da execução, além de ter de explicar o seu estado emocional quando da composição. O compositor, inicialmente, não gostou da supressão do verso "nem sempre se vê mágica no absurdo", mas achou a execução maravilhosa.
sábado, 14 de fevereiro de 2015
sexta-feira, 16 de janeiro de 2015
MÚSICA NA SEXTA
João Gilberto do
Prado Pereira de Oliveira nasceu em Juazeiro, BA, em 1931.
Em 1942, viajou para Aracaju (Sergipe), onde estudou durante
quatro anos. De volta a Juazeiro, recebeu de seu pai um violão e formou o
conjunto vocal Enamorados do Ritmo. Em 1947, mudou-se para Salvador. Decidiu
abandonar os estudos para dedicar-se exclusivamente à música.
Iniciou sua carreira profissional em 1949, integrando o cast
de artistas da Rádio Sociedade da Bahia. No ano seguinte, viajou para o Rio de Janeiro, onde passou a
atuar como crooner do conjunto vocal Garotos da Lua, com o qual gravou, em
1951, dois discos 78 rpm, lançados pela gravadora Todamérica.
Em 1952, iniciou sua carreira solo, gravando um disco 78 rpm
para a gravadora Copacabana. No ano seguinte, sua composição "Você esteve com meu
bem" foi gravada por Marisa, que viria a adotar mais tarde o nome
artístico de Marisa Gata Mansa. Ainda em 1953, passou a fazer parte do conjunto
Quitandinha Serenaders, com o qual participou do show "Acontece que eu sou
baiano", na boate Casablanca. Nessa mesma casa noturna, apresentou-se como
artista solista, no show "Esta vida é um carnaval". No ano seguinte, integrou o conjunto Anjos do Inferno, com o
qual se apresentou em São Paulo.
Em 1955, residiu em Porto Alegre, seguindo, no final do ano,
para Minas Gerais, onde passou um tempo com a família, dedicando-se ao estudo
do violão.
Voltou para o Rio de Janeiro em 1957. Nessa época, costumava
frequentar a Boate Plaza, ponto de encontro de músicos que se preocupavam com
uma nova concepção musical que viria a desembocar na bossa nova.
Em 1958, acompanhou ao violão a cantora Elizeth Cardoso na
gravação de "Chega de saudade" (Tom Jobim e Vinicius de Moraes) e
"Outra vez", faixas incluídas no LP "Canção do amor
demais".
Em 1959 gravou seu primeiro LP, "Chega de saudade", lançado pela Odeon, com produção musical de Aloysio de Oliveira e arranjos de Tom Jobim. No repertório, a releitura de antigos sucessos como "Morena boca de ouro" (Ary Barroso e Luís Peixoto), "Rosa morena" (Dorival Caymmi) e "Aos pés da santa cruz" (Marino Pinto e Zé da Zilda), o marco da Bossa Nova “Chega de Saudade” e "Lobo bobo", faixa que lançava uma nova dupla de compositores, Carlos Lyra e Ronaldo Bôscoli, além de outros clássicos.
É desse disco também “Ho-ba-la-lá”, autoria do próprio João
Gilberto.
Hô-bá-lá-lá
João Gilberto
E amor, o hó-bá-lá-lá, hó-bá-lá-lá uma canção,
Quem ouvir o hó-bá-lá-lá, terá feliz o coração
O amor encontrará ouvindo esta canção alguém compreenderá seu coração
Vem ouvir, o hó-bá-lá-lá, hó-bá-lá-lá uma canção
E amor, o hó-bá-lá-lá, hó-bá-lá-lá uma canção,
Quem ouvir o hó-bá-lá-lá, terra feliz o coração
O amor encontrará ouvindo esta canção alguém compreenderá seu coração
Vem ouvir, o hó-bá-lá-lá, hó-bá-lá-lá esta canção bá-lá-lá hó-bá-lá-lá.
sábado, 13 de setembro de 2014
COVER DO SÁBADO
Sampa foi composta por Caetano Velozo pra o disco "Muito (Dentro da Estrela Azulada)", décimo primeiro álbum de estúdio do cantor e compositor baiano, lançado em 1978.
A letra da música, que se tornou um clássico, fala da visão e do estranhamento de um "estrangeiro" em São Paulo até a incondicional rendição aos seus encantos e suas peculiaridades.
Em 1991, João Gilberto lança o disco "João". No repertório, velhos sambas, como "Ave Maria no Morro", de Herivelto Martins, "Palpite Infeliz", de Noel Rosa, e "Rosinha", composição do amigo Jonas Silva, ex-crooner dos Garotos da Lua, que saiu para dar lugar a João, no início dos anos 50.
O disco marcou a gravação de canções em inglês (You Do Something for Me, de Cole Porter), em italiano (o bolero Malaga, de Fred Bongusto) e em francês (Que Reste-t-il de Nous Amours, de Charles Trenet).
O disco foi gravado apenas com voz e violão, para a posterior adição dos arranjos de orquestra, feitos por Claire Ficher. Sampa é uma das canções do disco.
Com wikipedia
A letra da música, que se tornou um clássico, fala da visão e do estranhamento de um "estrangeiro" em São Paulo até a incondicional rendição aos seus encantos e suas peculiaridades.
O disco marcou a gravação de canções em inglês (You Do Something for Me, de Cole Porter), em italiano (o bolero Malaga, de Fred Bongusto) e em francês (Que Reste-t-il de Nous Amours, de Charles Trenet).
O disco foi gravado apenas com voz e violão, para a posterior adição dos arranjos de orquestra, feitos por Claire Ficher. Sampa é uma das canções do disco.
sexta-feira, 4 de abril de 2014
quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014
ÁLBUM DA QUINTA
CHEGA DE SAUDADE - 1959 - JOÃO GILBERTO
Chega de Saudade é o primeiro álbum de João Gilberto. O disco foi lançado em LP em 1959, tendo sido mantido em catálogo desde o seu lançamento até 1990, por 31 anos consecutivos. A faixa-título do LP, composta pela dupla Antônio Carlos Jobim e Vinícius de Moraes, grande sucesso no Brasil, lançou a carreira de João Gilberto, tornando conhecido o movimento da bossa nova que se iniciava. Em 2007, foi eleito em uma lista da versão brasileira da revista Rolling Stone como o quarto melhor disco brasileiro de todos os tempos.
Em 1958, João havia acompanhado ao violão a cantora Elizeth Cardoso na gravação de "Chega de saudade" (Tom Jobim e Vinicius de Moraes) e "Outra vez", faixas incluídas no LP "Canção do amor demais". Também nesse ano, gravou um 78 rpm contendo "Chega de saudade" e "Bim bom", de sua autoria. A batida diferente do violão tornou-se a sua marca.
O histórico disco, citado mais tarde como referência por muitos artistas como Chico Buarque e Caetano Veloso, apresentava uma interpretação vocal intimista e uma nova batida de violão, tornando-se um marco para a bossa nova.
Lado A
1. Chega de Saudade - Antônio Carlos Jobim / Vinicius de Moraes 2:01
2. Lobo Bobo - Carlos Lyra / Ronaldo Bôscoli 1:20
3. Brigas, Nunca Mais - Antônio Carlos Jobim / Vinicius de Moraes 2:05
4. Hô-bá-lá-lá - João Gilberto 2:15
5. Saudade Fez um Samba - Carlos Lyra / Ronaldo Bôscoli 2:01
6. Maria Ninguém - Carlos Lyra 2:21
Lado B
1. Desafinado - Newton Mendonça / Antonio Carlos Jobim 1:58
2. Rosa Morena - Dorival Caymmi 2:04
3. Morena Boca de Ouro - Ary Barroso 1:58
4. Bim Bom - João Gilberto 1:16
5. Aos Pés da Cruz - Marino Pinto / Zé da Zilda 1:34
6. É Luxo Só - Ary Barroso / Luiz Peixoto 1:56
5. Aos Pés da Cruz - Marino Pinto / Zé da Zilda 1:34
6. É Luxo Só - Ary Barroso / Luiz Peixoto 1:56
João Gilberto - voz, violão
Antônio Carlos Jobim - direção musical e arranjos
Milton Banana - percussão
quinta-feira, 23 de maio de 2013
JOÃO GILBERTO
Após briga judicial, masters de discos são devolvidas a
João Gilberto
·
Material segue para firma especializada e vai passar por perícia
·
As masters
dos discos de João Gilberto Divulgação
RIO - Essas são as masters com os três
discos de João Gilberto que o cantor disputava com a gravadora EMI. Guardados
em bolsa térmica, lacrada, eles foram entregues nesta quarta-feira às 15h no
escritório do advogado Rafael Pimenta, que representa João, no Centro do Rio.
Já não estão mais lá. Um grupo de funcionários da Rio Off Site, firma
especializada em armazenamento de mídia, já transportou as fitas para o
escritório da empresa, em Bonsucesso. O próximo passo da novela é esperar a
decisão do juiz para que o produtor Marco Mazzola proceda a peritagem sobre o
estado das fitas.
A briga foi motivada pela posse das
fitas originais (as chamadas masters) de seus três primeiros LPs — “Chega de
saudade” (1959), “O amor, o sorriso e a flor” (1960) e “João Gilberto” (1961) —
e também do compacto “João Gilberto cantando as músicas do filme Orfeu do
Carnaval” (1959). Por conta da disputa judicial aberta entre as partes em 1992,
os álbuns não são relançados há 21 anos.
No processo, João Gilberto reclamava que
a gravadora abusou "de seu suposto direito de detenção das gravações
originais" para produzir cópias adulteradas sem seu consentimento.
Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/cultura/apos-briga-judicial-masters-de-discos-sao-devolvidas-joao-gilberto-veja-imagens-8467292#ixzz2U3aalOes
segunda-feira, 13 de maio de 2013
JOÃO GILBERTO
Justiça determina que EMI deverá entregar discos
originais a João Gilberto
Rogério Barbosa
Do UOL, em São Paulo
Do UOL, em São Paulo
João Gilberto em show no Rio de
Janeiro (24/08/2008)
A
Justiça do Rio de Janeiro manteve a liminar que obriga a gravadora EMI a
entregar ao compositor João Gilberto as matrizes (que são as versões originais
de um disco) dos álbuns "Chega de Saudade", "O Amor, O Sorriso e
a Flor" e "João Gilberto", além do compacto em vinil "João
Gilberto" cantando as músicas do filme "Orfeu do Carnaval".
Caso descumpra a decisão, a EMI terá de pagar multa de R$ 100
mil e estará sujeita a ter o material apreendido. A gravadora deverá cumprir a
decisão assim que for comunicada oficialmente. Procurada pelo UOL, a EMI ainda não se manifestou
oficialmente.
Briga por direitos
A disputa entre o compositor e a gravadora começou em 1992, quando a EMI lançou uma coletânea chamada "O Mito" reunindo os três LPs do autor sem sua autorização. Sete anos depois, João Gilberto moveu uma ação por dano moral e material acusando a gravadora de violação de direitos autorais e de distorcer a sonoridade das músicas originais durante a produção do novo disco.
A disputa entre o compositor e a gravadora começou em 1992, quando a EMI lançou uma coletânea chamada "O Mito" reunindo os três LPs do autor sem sua autorização. Sete anos depois, João Gilberto moveu uma ação por dano moral e material acusando a gravadora de violação de direitos autorais e de distorcer a sonoridade das músicas originais durante a produção do novo disco.
O caso
se arrastou por todas instancias da Justiça brasileira, até que em 2011 o STJ
(Superior Tribunal de Justiça) condenou a EMI a indenizar o compositor. O valor
determinado pelo tribunal foi de 18% sobre as vendas dos LPs. Ficou decidido
também o pagamento dos valores recebidos pela gravadora pelo uso de obra de
João Gilberto em campanha publicitária sem a autorização dele.
Depois
deste processo, João Gilberto moveu um outro, na Justiça do Rio de Janeiro,
para reaver as matrizes dos LPs. Na última quarta feira (8), o juiz Sérgio
Wajzenberg, da 2ª vara Cível do Rio, confirmou a liminar que atendia ao pedido
de João Gilberto.
A
decisão mantida era de Simone Dalila Nacif Lopes, que em abril entendeu que
"nada adiantava a gravadora manter seus direitos sobre os masters, porque
uma decisão do STJ já havia proibido a gravadora de remasterizar as músicas e
comercializá-las, assim, seu direito sobre os masters não atende à sua função
social, na medida em que a obra-prima de João Gilberto permanecerá aprisionada,
sem que o público, seu verdadeiro destinatário, possa dela usufruir".
Um dos
fatores que havia pesado para a concessão da liminar também foi a idade do
compositor, que está com 81 anos. Ao recorrer da decisão que concedeu a
liminar, a gravadora alegou que sofrerá danos irreparáveis com a entrega dos
LPs. Ao negar o recurso, o juiz Sérgio Wajzenberg concluiu que, como a
gravadora deve dinheiro a João Gilberto, em virtude do processo que perdeu no
STJ, poderá voltar à Justiça para abater o prejuízo da indenização.
quinta-feira, 9 de maio de 2013
DAS MADRUGADAS
HISTÓRIAS PITORESCAS DA BOSSA NOVA
Todo mundo ouvia falar muito de João Gilberto. Diziam que era um cara maluco, que já havia sido internado, vivia de cabelo enorme, barbado e que, como um vampiro, só saía à noite.
Certo dia, chegou à casa do Ronaldo Bôscoli. Não era nada do que diziam as más línguas.
Cabelo cortado, barba feita, sapato engraxado e, claro, um violão debaixo do braço. Tocou um violão fantástico que deixou todo mundo boquiaberto e explicou que tinha brigado com o Tito Madi, não tendo para onde ir.
Já era madrugada quando João, convidado pelo Bôscoli, mudou-se para o pequeno quarto-e-sala do Edifício Haiti onde já moravam, além do Bôscoli, Miéle e um empregado chamado Chico. Cinco "artistas" num quarto-e-sala.
Era um sujeito de hábitos muito estranhos. Ficava horas ao telefone, horas no banheiro, para desespero dos outros moradores. Dormia vestido, com uma gravata tapando os olhos. Ficava, como um morto, em decúbito dorsal. Sempre muito limpo, muito asseado.
Havia um sistema para compras de mantimentos para a casa em que todos cooperavam. Só que o João Gilberto só comprava o que gostava: tangerina! Ia pra rua de madrugada, passava na feira e comprava quilos de tangerina.
Chegava por volta das seis horas e acordava todo mundo, cantando as músicas do dono da casa, Ronaldo Bôscoli. Aprendeu "Lobo Bobo" (que o Bôscoli fez para a Nara) e "Saudade fez um Samba", com acordes magníficos, deslumbrando a todos.
Certo dia disse ao Ronaldo (a quem ele chamava de "Ronga"):
- "Que suéter bonito, Ronga! Vocês cariocas tem bom gosto! Me empresta?".
O coitado do Bôscoli emprestou o lindo suéter que ficou pra sempre com o "cara-de-pau".
Quem quiser ver, compre o primeiro LP que gravou: "Chega de Saudade". O suéter está lá.
Quando a Bossa Nova começou a ser descoberta, produzida e respeitada pela imprensa, algumas das mais lindas mulheres de Copacabana começaram a se interessar também pelos seus autores e cantores, que passaram a ser literalmente "cantados". Elas organizavam festas em seus grandes apartamentos e disputavam avidamente a atenção dos galãs.
Tom, Menescal, Bôscoli, Carlinhos e Normando eram os alvos principais. O primeiro, era o mais cobiçado, embora casado e super-vigiado por sua mulher - Teresa Hermany. Consta que quando uma moça apaixonada pelo "bom pinta" debruçava-se no piano, exibia seu generoso decote e dizia languidamente: "-Tom, você me leva em casa?", ele respondia:
"- Um momentinho, vou telefonar pra Teresa".
Mas não resistiu aos encantos da atriz francesa Milene Demongeot.
Normando Santos, que era professor de violão na escolinha de Carlos Lyra e Roberto Menescal, tinha uma aluna especial: Maria Teresa - mulher do então Vice-Presidente da República, João Goulart. Reza a lenda que ela o convidou para "ver um filminho
no Palácio, às quatro horas". Contente da vida, nosso amigo foi ao cinema Palácio, comprou os ingressos e ficou na porta, à espera daquela beleza de mulher. Esperou, esperou e nada! Voltou pra casa.
Depois ficou sabendo que ela o esperava no Palácio Laranjeiras, não no cinema Palácio...
(http://www.almacarioca.com.br/mpb.htm)
sábado, 4 de maio de 2013
JOÃO GILBERTO
Do site da Folha
Justiça concede a João Gilberto o direito de reaver seus
clássicos da bossa nova
FABIO BRISOLLA
DO RIO
O músico João Gilberto está prestes a reaver o controle
sobre três discos que definiram a bossa nova. Na última sexta-feira (26), a
juíza Simone Dalila Nacif Lopes, da 2ª Vara Civil do Rio, concedeu liminar que
obriga a gravadora EMI a entregar ao compositor as "masters" dos LPs
"Chega de Saudade", "O Amor, o Sorriso e a Flor" e
"João Gilberto", além do compacto vinil "João Gilberto cantando
as músicas do filme Orfeu do Carnaval".
No jargão da indústria fonográfica, master é a matriz de um
disco que dá origem à produção das cópias autorizadas. Com a decisão, João
Gilberto pode ter a chance de relançar seus três clássicos, que deixaram de ser
produzidos em 1992, no curso da briga judicial com a EMI.
A juíza determinou que as matrizes sejam entregues pela
gravadora até quarta-feira da próxima semana (8 de maio) no escritório do
representante do músico na ação, o advogado Flávio Antônio Esteves Galdino.
Caso descumpra a determinação, a EMI terá de pagar multa estipulada em R$ 100
mil e haverá uma operação de busca e apreensão do material.
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Tuca Vieira-14.ago.08/Folhapress
|
Em sua decisão, Simone Lopes justificou a importância da
transferência imediata dos discos para o autor: "é evidente a urgência de
viabilizar que João Gilberto, aos 81 anos, possa se debruçar sobre sua obra
para atualizá-la, com os recursos tecnológicos contemporâneos e sob seu crivo
de qualidade, havendo inegável risco de o artista já não ter condições para
tanto, se esperar pelo julgamento final."
A EMI não pode produzir novas cópias e comercializar os
discos de João Gilberto sem sua autorização. Por isso, na avaliação da juíza da
2ª Vara Civil, com as matrizes em posse da gravadora "a obra-prima de João
Gilberto permanecerá aprisionada, sem que o público, seu verdadeiro
destinatário, possa dela usufruir".
Uma coletânea lançada em 1987 pela EMI deu início à disputa
judicial. Sem a autorização de João Gilberto, a gravadora reuniu os três LPs em
um álbum triplo, batizado como "O Mito", no mercado brasileiro. Nos
Estados Unidos, o mesmo álbum foi comercializado como "The Legendary João
Gilberto".
Além de não ter participado da concepção deste subproduto de
sua obra, o compositor acusou a gravadora de distorcer a sonoridade das músicas
originais durante a produção do novo disco. A ordem das faixas também acabou
alterada pela EMI.
Em 2011, o Superior Tribunal de Justiça reconheceu as
alterações nas canções remasterizadas e condenou a EMI a indenizar João
Gilberto "por violação ao direito moral do autor".
Apesar da decisão favorável do STJ, as matrizes dos álbuns
"Chega de Saudade", "O Amor, o Sorriso e a Flor" e
"João Gilberto" permaneciam como propriedade da EMI e, portanto,
impossibilitadas de voltar ao mercado.
Na véspera do aniversário de 80 anos de João Gilberto, o
escritor Ruy Castro lamentou a ausência dos LPs em sua coluna na Folha:
"Imagine se os profetas do Aleijadinho estivessem, não expostos no adro da
igreja, mas encaixotados e recolhidos a um almoxarife em Congonhas. Ou que,
tantos anos depois de estreada, a peça 'Vestido de Noiva', de Nelson Rodrigues,
não pudesse mais ser encenada. Ou que o romance 'Grande Sertão: Veredas', de
Guimarães Rosa, já consagrado, não fosse mais reimpresso."
Procurada pela Folha, a direção da EMI não se pronunciou
sobre o assunto.
Advogado de João Gilberto, Flávio Antônio Esteves Galdino
preferiu não conceder entrevista sobre o caso.
DAS MADRUGADAS
A gravação de Getz/Gilberto levou dois dias, 18 e 19 de março de 1963, nos Estados Unidos. No disco com Byrd, Stan Getz gravara Samba de uma Nota Só, tropeçando feio na melodia do refrão. João e Tom tocaram a canção para mostrar-lhe como deveria ser, mas Getz continuava sem "pegá-la".
"Tom, diga a esse gringo que ele é um burro", disse João. "Stan, o João está dizendo que o sonho dele sempre foi gravar com você", repassou Jobim, em tradução livre. "Engraçado. Pelo tom de voz, não parece que é isto o que ele está dizendo...", observou Getz. Quanto mais aos sussurros João Gilberto queria cantar, mais Getz insistia em soprar como se tivesse foles gigantes no lugar de pulmões ou como se o microfone fosse surdo, descreve o escritor Ruy Castro.
Com todos os percalços ocorridos durante a gravação, o disco, puxado por Garota de Ipanema, vendeu milhões de cópias, ganhou vários Grammy e virou um clássico.
"Tom, diga a esse gringo que ele é um burro", disse João. "Stan, o João está dizendo que o sonho dele sempre foi gravar com você", repassou Jobim, em tradução livre. "Engraçado. Pelo tom de voz, não parece que é isto o que ele está dizendo...", observou Getz. Quanto mais aos sussurros João Gilberto queria cantar, mais Getz insistia em soprar como se tivesse foles gigantes no lugar de pulmões ou como se o microfone fosse surdo, descreve o escritor Ruy Castro.
Com todos os percalços ocorridos durante a gravação, o disco, puxado por Garota de Ipanema, vendeu milhões de cópias, ganhou vários Grammy e virou um clássico.
Tião Neto, Tom Jobim, Stan Getz, João Gilberto e Milton Banana
(almanaquebrasil.com.br)
(almanaquebrasil.com.br)
domingo, 28 de abril de 2013
DAS MADRUGADAS
Há quem sambe muito bem, há quem sambe por sambar... E há, por incrível que pareça, quem não entenda a genialidade de João Gilberto. Sem mais.
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