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terça-feira, 9 de agosto de 2016

BREGA CHIQUE

Joubert Fernandes Lemos, o Gilberto Lemos, assim como Roberto Carlos, Joelma, Sérgio Sampaio e Carlos Imperial, é de Cachoeiro de Itapemirim. Assinou contrato com a RGE no auge dos seus 21 anos de idade e seu primeiro disco agrada em cheio, sendo um dos mais vendidos do ano de 1981.

Não foi somente A Rua em Que Você Morava que fez sucesso na voz de Gilberto, o cantor ainda emplacou outros sucessos, mas o tempo já era outro, e a supervalorizaçao que a mídia deu para o rock nacional acabou fazendo com que os jovens mudassem radicalmente a preferência musical, não totalmente para o rock, mas a debandada para as estações de FM mudou o perfil do consumidor naquela época.


Aquela rua não é mais a mesma rua
Ficou tão diferente desde que você mudou
E aquela casa não é a mais a mesma casa
Agora é tão triste, sente falta de você

E quando olho pra janela e não te vejo
Sinto falta e desejo do amor que eu perdi
Sua presença satisfaz e me fascina
Você é a menina que nasceu só para mim

Me lembro ainda do bilhete carinhoso
Que você me escreveu quando eu a conheci
Você dizia que me amava e me adorava
Dizia que queria ser a minha namorada

Eu aceitei e contente então fiquei
Pois você é diferente de muitas que conheci
Cabelos pretos dos lábios cor de rosa
Você é uma rosa que nasceu no meu jardim

Hoje eu me sento no murinho la da rua
Onde você passava toda hora pra me ver
Desconfiada com medo dos seus pais
Seus olhos me olhavam, mas fingiam não me ver

E quando olho pra janela e não te vejo
Sinto falta e desejo do amor que eu perdi
Sua presença satisfaz e me fascina
Você é a menina que nasceu só para mim


http://www.letras.com.br/biografia/gilberto-lemos

segunda-feira, 26 de agosto de 2013

O GÊNERO BREGA

Terça-feira o TOA tem entre uma de suas atrações o quadro “Brega Chique”. Acerca do assunto, segue texto de Zeca Baleiro publicado na Revista Piauí.

"Odair José, cujo último disco (último mesmo, segundo o próprio!) eu tive a honra e o prazer de produzir, costuma disparar frases geniais do alto de sua sabedoria de gente do povo. Frases como “brega não é gênero, nunca foi”. Apesar da minha admiração por sua incrível argúcia, neste caso sou obrigado a discordar do amigo poeta.

Para além de sua função de adjetivo que nomeia tudo o que é cafona, kitsch ou piegas, acho que brega é gênero sim, mas não um gênero no qual a obra de Odair se enquadre por exemplo. Afinal, este goiano de Morrinhos está mais para um autor de folk-rock caboclo, espécie de Willie Nelson, ou quem sabe um Johnny Cash (por que não?) do cerrado, guardadas as devidas proporções. Nem Waldick, mestre bolerista, estaria aqui enquadrado – embora ele deva ser a grande matriz disto que seria o “gênero brega”, segundo minha teoria de botequim. Tampouco Fernando Mendes, com seus beguines interioranos, de caráter ora social ora romântico. Nem Márcio Greyck, baladista primoroso, ou Gilliard, modinheiro dos bons. Nem Nilton César, nem Jerry Adriani, nem Paulo Sérgio, nem Agnaldo Timóteo, todos herdeiros do legado musical da jovem guarda.

Refiro-me a uma música que é mistura disso tudo acima citado, e que ainda leva em sua receita uma dose de Caribe e muito de Nordeste, quase um gênero nordestino. Uma música um tanto “lupicínica”, cujo tema obsessivo é o amor e suas tormentas – traições, abandono, fugas, casamentos interesseiros, prostituição, porres apaixonados e ressacas idem. Uma música feita por homens do povo para homens do povo, subcultural até a medula (e em toda a sua glória).

Na linha de frente deste “gênero”, pode-se colocar nomes como Carlos Alexandre (dos megahits Feiticeira e A Ciganinha); o genial Genival Santos, que tem entre seus sucessos a divertida Flagra; Carlos André (“eu hoje quebro esta mesa, se meu amor não chegar...”); José Ribeiro (“tens a beleza da rosa, uma das flores mais formosas...”); Maurício Reis, autoproclamado “o poeta do cravo branco”, dono do clássico Verônica; e mais Balthazar, Evaldo Freire, Adelino Nascimento, Bartô Galeno, etc (a lista é sem fim).

Mais da tese: o gênero ainda teria gerado um subgênero, o “brega dance”, de pegada mais dançante, com temperos do Pará e do Maranhão e até pitadas de disco music, cujos arautos são Alípio Martins, Carlos Santos, Raimundo Soldado, José Orlando, Betto Douglas e Beto Barbosa, dentre outros tantos. O som desses caras viria desembocar na lambada no fim dos anos 80, gerando uma febre cujo maior emblema foi o grupo Kaoma, com seu arrasa-quarteirão Chorando se Foi, versão de uma música lançada originalmente pelo grupo boliviano Los Kjarkas. Mas aí já é outro assunto."

Para mais ilustrações das músicas e artistas citados clique AQUI.