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quarta-feira, 19 de junho de 2019
terça-feira, 19 de junho de 2018
segunda-feira, 18 de junho de 2018
CLÁSSICOS PARA A VIDA ETERNA
SAMBA DE ORLY* (1978) VINÍCIUS & TOQUINHO
Sérgio Luiz Gallina
Vai, meu irmão
Pega esse avião
Você tem razão de correr assim
Desse frio, mas beija
O meu Rio de Janeiro
Antes que um aventureiro
Lance mão
----
Pede perdão
Pela duração dessa temporada
Mas não diga nada
Que me viu chorando
E pros da pesada
Diz que vou levando
Vê como é que anda
Aquela vida à toa
E se puder me manda
Uma notícia boa
---
Pede perdão
Pela omissão um tanto forçada
Mas não diga nada
Que me viu chorando
E pros da pesada
Diz que vou levando
Vê como é que anda
Aquela vida à toa
Se puder me manda
Uma notícia boa
-------------------
*Chico Buarque
segunda-feira, 7 de maio de 2018
CLÁSSICOS PARA A VIDA ETERNA
TANTO MAR* (1975) CHICO BUARQUE
Sérgio Luiz Gallina
Sei que está em festa, pá
Fico contente
E enquanto estou ausente
Guarda um cravo para mim
----
Eu queria estar na festa, pá
Com a tua gente
E colher pessoalmente
Uma flor no teu jardim
----
Sei que há léguas a nos separar
Tanto mar, tanto mar
Sei também quanto é preciso, pá
Navegar, navegar
----
Lá faz primavera, pá
Cá estou doente
Manda urgentemente
Algum cheirinho de alecrim
------------------------------
*2ª versão (1978) com texto explicativo junto ao vídeo:
https://www.youtube.com/watch? v=ST30-i7cZJk
sexta-feira, 26 de janeiro de 2018
sexta-feira, 19 de janeiro de 2018
DO CANCIONEIRO POLITICAMENTE INCORRETO
Tua Cantiga
(Chico Buarque e Cristóvão Bastos)
Quando te der saudade de mim
Quando tua garganta apertar
Basta dar um suspiro
Que eu vou ligeiro
Te consolar
Se o teu vigia se alvoroçar
E estrada afora te conduzir
Basta soprar meu nome
Com teu perfume
Pra me atrair
Se as tuas noites não têm mais fim
Se um desalmado te faz chorar
Deixa cair um lenço
Que eu te alcanço
Em qualquer lugar
Quando teu coração suplicar
Ou quando teu capricho exigir
Largo mulher e filhos
E de joelhos
Vou te seguir
Na nossa casa
Serás rainha
Serás cruel, talvez
Vais fazer manha
Me aperrear
E eu, sempre mais feliz
Silentemente
Vou te deitar
Na cama que arrumei
Pisando em plumas
Toda manhã
Eu te despertarei
Quando te der saudade de mim...
Entre suspiros
Pode outro nome
Dos lábios te escapar
Terei ciúme
Até de mim
No espelho a te abraçar
Mas teu amante
Sempre serei
Mais do que hoje sou
Ou estas rimas
Não escrevi
Nem ninguém nunca amou
Se as tuas noites não têm mais fim
Se um desalmado te faz chorar
Deixa cair um lenço
Que eu te alcanço
Em qualquer lugar
E quando o nosso tempo passar
Quando eu não estiver mais aqui
Lembra-te, minha nega
Desta cantiga
Que fiz pra ti
sexta-feira, 20 de outubro de 2017
DO CANCIONEIRO POLITICAMENTE INCORRETO
Nego Maluco
(Edu Lobo e Chico Buarque)
Eu tava jogando vinte e um
Um nego maluco apareceu
Vinha com um baita de um rádio no colo
Tocando um samba a mil
E dizia pro povo que o samba era meu
Pintou saia justa no salão
Por culpa daquele fariseu
Dando, batendo no mesmo bordão
Toma aqui, toma aqui
Toma que o samba é teu
Sou da banda do jazz
Ganzá jamais me apeteceu
Não conheço o rapaz
Tenho família e esse samba não é meu
quinta-feira, 21 de setembro de 2017
TRILHA SONORA
Bye Bye Brasil (Chico Buarque / Roberto Menescal) - Chico Buarque
Bye Bye Brasil - 1980 - Cacá Diegues
sexta-feira, 15 de setembro de 2017
DO CANCIONEIRO POLITICAMENTE INCORRETO
Feijoada Completa
(Chico Buarque e Francis Hime)
Mulher, você vai gostar
Tô levando uns amigos pra conversar
Eles vão com uma fome
Que nem me contem
Eles vão com uma sede de anteontem
Salta a cerveja estupidamente
Gelada pr'um batalhão
E vamos botar água no feijão
Mulher, não vá se afobar
Não tem que pôr a mesa, nem dá lugar
Ponha os pratos no chão e o chão tá posto
E prepare as linguiças pro tiragosto
Uca, açúcar, cumbuca de gelo, limão
E vamos botar água no feijão
Mulher, você vai fritar
Um montão de torresmo pra acompanhar
Arroz branco, farofa e a malagueta
A laranja-bahia ou da seleta
Joga o paio, carne seca
Toucinho no caldeirão
E vamos botar água no feijão
Mulher, depois de salgar
Faça um bom refogado
Que é pra engrossar
Aproveite a gordura da frigideira
Pra melhor temperar a couve mineira
Diz que tá dura, pendura
A fatura no nosso irmão
E vamos botar água no feijão
sexta-feira, 8 de setembro de 2017
DO CANCIONEIRO POLITICAMENTE INCORRETO
Caçada
(Chico Buarque)
Não conheço seu nome ou paradeiro
Adivinho seu rastro e cheiro
Vou armado de dentes e coragem
Vou morder sua carne selvagem
Varo a noite sem cochilar, aflito
Amanheço imitando o seu grito
Me aproximo rondando a sua toca
E ao me ver você me provoca
Você canta a sua agonia louca
Água me borbulha na boca
Minha presa rugindo sua raça
Pernas se debatendo e o seu fervor
Hoje é o dia da graça,
hoje é o dia da caça e do caçador
Eu me espicho no espaço feito um gato
Pra pegar você, bicho do mato
Saciar a sua avidez mestiça
Que ao me ver se encolhe e me atiça
E num mesmo impulso me expulsa e abraça
Nossas peles grudando de suor
Hoje é o dia da graça,
hoje é o dia da caça e do caçador
De tocaia fico a espreitar a fera
Logo dou-lhe o bote certeiro
Já conheço seu dorso de gazela
Cavalo brabo montado em pelo
Dominante, não se desembaraça
Ofegante, é dona do seu senhor
Hoje é o dia da graça,
hoje é o dia da caça e do caçador
sexta-feira, 25 de agosto de 2017
DO CANCIONEIRO POLITICAMENTE INCORRETO
Folhetim
(Chico Buarque)
Se acaso me quiseres
Sou dessas mulheres
Que só dizem sim
Por uma coisa à toa
Uma noitada boa
Um cinema, um botequim
E, se tiveres renda
Aceito uma prenda
Qualquer coisa assim
Como uma pedra falsa
Um sonho de valsa
Ou um corte de cetim
E eu te farei as vontades
Direi meias verdades
Sempre à meia luz
E te farei, vaidoso, supor
Que és o maior e que me possuis
Mas na manhã seguinte
Não conta até vinte
Te afasta de mim
Pois já não vales nada
És página virada
Descartada do meu folhetim
sábado, 5 de agosto de 2017
segunda-feira, 3 de julho de 2017
DO CANCIONEIRO POLITICAMENTE INCORRETO
Teresinha
(Chico Buarque)
O primeiro me chegou
Como quem vem do florista:
Trouxe um bicho de pelúcia,
Trouxe um broche de ametista.
Me contou suas viagens
E as vantagens que ele tinha.
Me mostrou o seu relógio;
Me chamava de rainha.
Me encontrou tão desarmada,
Que tocou meu coração,
Mas não me negava nada
E, assustada, eu disse "não".
O segundo me chegou
Como quem chega do bar:
Trouxe um litro de aguardente
Tão amarga de tragar.
Indagou o meu passado
E cheirou minha comida.
Vasculhou minha gaveta;
Me chamava de perdida.
Me encontrou tão desarmada,
Que arranhou meu coração,
Mas não me entregava nada
E, assustada, eu disse "não".
O terceiro me chegou
Como quem chega do nada:
Ele não me trouxe nada,
Também nada perguntou.
Mal sei como ele se chama,
Mas entendo o que ele quer!
Se deitou na minha cama
E me chama de mulher.
Foi chegando sorrateiro
E antes que eu dissesse não,
Se instalou feito um posseiro
Dentro do meu coração
domingo, 25 de junho de 2017
DO FUNDO DO BAÚ
Chico & Caetano foi um musical produzido e apresentado na década de 80 pela Rede Globo. Era exibido mensalmente na faixa denominada Sexta Super, sempre após a novela das oito, às 21h30.
Criado por Daniel Filho e escrito por Luiz Carlos Maciel e Nelson Motta, foi apresentado semanalmente nos meses de abril e dezembro de 1986, sendo o primeiro programa exibido em 25 de abril e o último em 26 de dezembro, totalizando nove programas. Reuniu Chico Buarque e Caetano Veloso no Teatro Fênix, no Rio de Janeiro.
O programa não tinha nenhuma rigidez. Os apresentadores tinham total liberdade para conduzir o programa da forma que achavam mais conveniente. A descontração ficava ainda maior com as brincadeiras de Caetano com a timidez de Chico e a interatividade que os dois tinham com a platéia, geralmente composta por gente famosa.
Logo no primeiro programa houve um problema: a divisão de censura da Superintendência da Polícia Federal vetou a execução da canção Merda (saudação que significa sorte no jargão teatral), de Caetano Veloso. Além do uso de uma linguagem considerada imprópria pelas autoridades, ela ainda fazia referência ao uso de drogas: Nem a loucura do amor/da maconha, do pó, do tabaco e do álcool/vale a loucura do ator... A canção foi retirada do programa, mas acabou incluída num disco lançado no final de 1986 com os melhores momentos do programa.
Outro acontecimento foi a não participação de Tim Maia. O músico chegou a ensaiar na véspera, mas, no dia em que deveria comparecer, acabou faltando, obrigando a equipe de produção a alterar o formato do programa, incluindo trechos da gravação do ensaio.
Grandes nomes da música brasileira e internacional participaram do programa, como Mercedes Sosa, Silvio Rodriguez, Astor Piazzolla, Tom Jobim, Paulinho da Viola e Jorge Benjor, entre outros.
wikipedia
Criado por Daniel Filho e escrito por Luiz Carlos Maciel e Nelson Motta, foi apresentado semanalmente nos meses de abril e dezembro de 1986, sendo o primeiro programa exibido em 25 de abril e o último em 26 de dezembro, totalizando nove programas. Reuniu Chico Buarque e Caetano Veloso no Teatro Fênix, no Rio de Janeiro.
O programa não tinha nenhuma rigidez. Os apresentadores tinham total liberdade para conduzir o programa da forma que achavam mais conveniente. A descontração ficava ainda maior com as brincadeiras de Caetano com a timidez de Chico e a interatividade que os dois tinham com a platéia, geralmente composta por gente famosa.
Grandes nomes da música brasileira e internacional participaram do programa, como Mercedes Sosa, Silvio Rodriguez, Astor Piazzolla, Tom Jobim, Paulinho da Viola e Jorge Benjor, entre outros.
terça-feira, 20 de junho de 2017
segunda-feira, 19 de junho de 2017
DO CANCIONEIRO POLITICAMENTE INCORRETO
Notícia de Jornal
(Haroldo Barbosa e Luiz Reis)
Tentou contra a existência num humilde barracão
Joana de tal, por causa de um tal João
Depois de medicada retirou-se pro seu lar
Aí, a notícia carece de exatidão
O lar não mais existe, ninguém volta ao que acabou
Joana é mais uma mulata triste que errou
Errou na dose, errou no amor
Joana errou de João
Ninguém notou, ninguém morou
Na dor que era o seu mal
A dor da gente não sai no jornal
sexta-feira, 2 de junho de 2017
DO CANCIONEIRO POLITICAMENTE INCORRETO
Cotidiano
(Chico Buarque)
Todo dia ela faz tudo sempre igual
Me sacode às seis horas da manhã
Me sorri um sorriso pontual
E me beija com a boca de hortelã
Todo dia ela diz que é pra eu me cuidar
E essas coisas que diz toda mulher
Diz que está me esperando pro jantar
E me beija com a boca de café
Todo dia eu só penso em poder parar
Meio dia eu só penso em dizer não
Depois penso na vida pra levar
E me calo com a boca de feijão
Seis da tarde como era de se esperar
Ela pega e me espera no portão
Diz que está muito louca pra beijar
E me beija com a boca de paixão
Toda noite ela diz pra eu não me afastar
Meia-noite ela jura eterno amor
E me aperta pra eu quase sufocar
E me morde com a boca de pavor
quinta-feira, 25 de maio de 2017
ÁLBUM DA QUINTA
CONSTRUÇÃO - 1971 - CHICO BUARQUE
Construção, lançado em 1971, foi composto em períodos entre o exílio de Chico na Itália e sua volta ao Brasil. O álbum é carregado de críticas ao regime militar, principalmente no que concerne à censura imposta pelo governo ("Cordão") e pelo estado indigno no qual as condições individuais se encontravam no país ("Construção"), além de algumas canções mais clássicas e pessoais ("Valsinha" e "Minha História").
Lado 1
1. Deus lhe Pague (Chico Buarque) 3:19
2. Cotidiano (Chico Buarque) 2:49
3. Desalento (C. Buarque, Vinicius de Moraes) 2:48
4. Construção (Chico Buarque) 6:24
Lado 2
1. Cordão (Chico Buarque) 2:31
2. Olha Maria (Amparo) (C. Buarque, V. de Moraes, Tom Jobim) 3:56
3. Samba de Orly (C. Buarque, Toquinho, V. de Moraes) 2:40
4. Valsinha (C. Buarque, V. de Moraes) 2:00
5. Minha História (Gesú Bambino) (Lucio Dalla, Paola Pallotino; versão de C. Buarque) 3:01
6. Acalanto (Chico Buarque) 1:38
MPB-4 - vozes nas faixas 1, 3, 4, 7 e 9
Tom Jobim - piano em "Olha Maria (Amparo)"
Trio Mocotó - percussão em ¨Samba de Orly ¨
Toquinho - violão em ¨Samba de Orly
Rogério Duprat - arranjos e regência
Magro - arranjos de base
domingo, 21 de maio de 2017
VERSÃO BRASILEIRA
Gesù Bambino, composta por Lucio Dalla e Paola Pallottino, foi lançada no disco Storie di casa mia, de Lucio, em 1971.
Chico Buarque fez uma versão em português e gravou no disco Construção (1971), mas teve que colocar o título Minha História, pois não podia chamar de Menino Jesus por problemas com a censura. Conta-se que na primeira vez que Chico foi à Cuba, em 1978, um repórter, tomando ao pé da letra o título da canção, veio pedir-lhe, condoído, mais detalhes de sua história.
Chico Buarque fez uma versão em português e gravou no disco Construção (1971), mas teve que colocar o título Minha História, pois não podia chamar de Menino Jesus por problemas com a censura. Conta-se que na primeira vez que Chico foi à Cuba, em 1978, um repórter, tomando ao pé da letra o título da canção, veio pedir-lhe, condoído, mais detalhes de sua história.
Ele vinha sem muita conversa, sem muito explicar
Eu só sei que falava e cheirava e gostava de mar
Sei que tinha tatuagem no braço e dourado no dente
E minha mãe se entregou a esse homem perdidamente
Ele assim como veio partiu não se sabe prá onde
E deixou minha mãe com o olhar cada dia mais longe
Esperando, parada, pregada na pedra do porto
Com seu único velho vestido, cada dia mais curto
Quando enfim eu nasci, minha mãe embrulhou-me num manto
Me vestiu como se eu fosse assim uma espécie de santo
Mas por não se lembrar de acalantos, a pobre mulher
Me ninava cantando cantigas de cabaré
Minha mãe não tardou alertar toda a vizinhança
A mostrar que ali estava bem mais que uma simples criança
E não sei bem se por ironia ou se por amor
Resolveu me chamar com o nome do Nosso Senhor
Minha história e esse nome que ainda carrego comigo
Quando vou bar em bar, viro a mesa, berro, bebo e brigo
Os ladrões e as amantes, meus colegas de copo e de cruz
Me conhecem só pelo meu nome de menino Jesus
Os ladrões e as amantes, meus colegas de copo e de cruz
Me conhecem só pelo meu nome de menino Jesus
sexta-feira, 3 de março de 2017
DO CANCIONEIRO POLITICAMENTE INCORRETO
Ciranda da Bailarina
(Edu Lobo e Chico Buarque)
Procurando bem
Todo mundo tem pereba
Marca de bexiga ou vacina
E tem piriri, tem lombriga, tem ameba
Só a bailarina que não tem
E não tem coceira
Berruga nem frieira
Nem falta de maneira
Ela não tem
Futucando bem
Todo mundo tem piolho
Ou tem cheiro de creolina
Todo mundo tem um irmão meio zarolho
Só a bailarina que não tem
Nem unha encardida
Nem dente com comida
Nem casca de ferida
Ela não tem
Não livra ninguém
Todo mundo tem remela
Quando acorda às seis da matina
Teve escarlatina
Ou tem febre amarela
Só a bailarina que não tem
Medo de subir, gente
Medo de cair, gente
Medo de vertigem
Quem não tem
Confessando bem
Todo mundo faz pecado
Logo assim que a missa termina
Todo mundo tem um primeiro namorado
Só a bailarina que não tem
Sujo atrás da orelha
Bigode de groselha
Calcinha um pouco velha
Ela não tem
O padre também
Pode até ficar vermelho
Se o vento levanta a batina
Reparando bem, todo mundo tem pentelho
Só a bailarina que não tem
Sala sem mobília
Goteira na vasilha
Problema na família
Quem não tem
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