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quinta-feira, 26 de janeiro de 2017

ÁLBUM DA QUINTA

URUBU - 1975 - ANTÔNIO CARLOS JOBIM


"Jereba é urubu importante como, aliás, todo urubu. Mas entre eles, urubus, observam-se prioridades."


Gravado no Columbia Recording Studios, New York, de 16 a 23 de outubro de 1975, Urubu é o décimo disco de Antônio Carlos Brasileiro de Almeida Jobim. O álbum também inaugurou o selo Warner Music no Brasil. Um dos criadores da bossa nova, Tom é considerado o maior expoente de todos os tempos da música brasileira pela revista Rolling Stone.

Urubu teve arranjos, regência e produção de Claus Ogerman e participação de vários expoentes do jazz, como Ron Carter, Joe Farrell, Hubert Laws e Airto Moreira. Destaque para Bôto, com vocal de Miúcha, e Lígia, que havia sido gravada anteriormente por Chico Buarque no disco Sinal Fechado, de 1974. O lado dois, todo instrumental, é magnífico. Impecável!!!


Lado 1
1 - Bôto (Porpoise) - Antonio Carlos Jobim / Jararaca
2 - Lígia - Antonio Carlos Jobim
3 - Correnteza (The Stream) - Antonio Carlos Jobim / Luiz Bonfá
4 - Ângela - Antonio Carlos Jobim

Lado 2
1 - Saudade do Brazil - Antonio Carlos Jobim
2 - Valse - Paulo Jobim
3 - Arquitetura de morar (Architecture to live) - Antonio Carlos Jobim
4 - O Homem (Man) - Antonio Carlos Jobim


Antônio Carlos Jobim - piano, fender rhodes, violão
Miúcha - vocal
Harry Lookofsky - violino
Joe Farrell - soprano saxofone
Urbie Green - trombone
Hubert Laws - flauta
Ron Carter - contrabaixo
João Palma - bateria
Airto Moreira - percussão
Everaldo Ferreira - conga
Claus Ogerman - arranjos, regência e produção

quarta-feira, 14 de setembro de 2016

DO CANCIONEIRO POLITICAMENTE INCORRETO


Se Eu Fosse o Teu Patrão
(Chico Buarque)

Eu te adivinhava
E te cobiçava
E te arrematava em leilão
Te ferrava a boca, morena
Se eu fosse o teu patrão

Ai, eu te tratava
Como uma escrava
Aí, eu não te dava perdão
Te rasgava a roupa, morena
Se eu fosse o teu patrão

Eu te encarcerava
Te acorrentava
Te atava ao pé do fogão
Não te dava sopa, morena
Se eu fosse o teu patrão

Eu te encurralava
Te dominava
Te violava no chão
Te deixava rota, morena
Se eu fosse o teu patrão

Quando tu quebrava
E tu desmontava
E tu não prestava mais não
Eu comprava outra, morena
Se eu fosse o teu patrão

Pois eu te pagava direito
Soldo de cidadão
Punha uma medalha em teu peito
Se eu fosse o teu patrão

O tempo passava sereno
E sem reclamação
Tu nem reparava, moreno
Na tua maldição

E tu só pegava veneno
Beijando a minha mão
Ódio te abrandava, moreno
Ódio do teu irmão

Teu filho pegava gangrena
Raiva, peste e sezão
Cólera na tua morena
E tu não chiava não

Eu te dava café pequeno
E manteiga no pão
Depois te afagava, moreno
Como se afaga um cão

Eu sempre te dava esperança
D'um futuro bão
Tu me idolatrava, criança
Seu eu fosse o teu patrão

terça-feira, 23 de abril de 2013

DAS MADRUGADAS

Duas rápidas sobre João Gilberto...


Conhecido pela aversão à vida social, certa vez João conversou longamente com Elba Ramalho pelo telefone. Durante a ligação, ele pediu que Elba lhe levasse um baralho diferente. Elba, atendendo o pedido, levou o presente até o apart hotel em que o cantor vive, no Leblon. Ao chegar ao local, ele pediu que ela passasse o baralho por baixo da porta. E não a recebeu.
Apesar de ter vivido mais de 10 anos em Nova York, João sempre disse que não falava inglês. No exterior, era Miúcha, sua ex-mulher, quem o ajudava a se comunicar. No entanto, quando Miúcha se negou a pedir um suco na copa do hotel em que estavam hospedados nos EUA, flagrou-o conversando fluentemente em inglês.