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quinta-feira, 26 de setembro de 2019
terça-feira, 6 de agosto de 2019
quarta-feira, 26 de setembro de 2018
segunda-feira, 6 de agosto de 2018
terça-feira, 27 de fevereiro de 2018
DO CANCIONEIRO POLITICAMENTE INCORRETO
Última Forma
(Baden Powell e Paulo César Pinheiro)
É, como eu falei, não ia durar
Eu bem que avisei, vai desmoronar
Hoje ou amanhã um vai se curvar
E graças a Deus, não vai ser eu quem vai mudar
Você perdeu
E sabendo com quem eu lidei, não vou me prejudicar
Nem sofrer, nem chorar, nem vou voltar atrás
Estou no meu lugar, não há razão pra se ter paz
Com quem só quis rasgar o meu cartaz
Agora pra mim você não é nada mais
E qualquer um pode se enganar
Você foi comum, pois é, você foi vulgar
O que é que eu fui fazer quando dispus te acompanhar
Porém pra mim você morreu
Você foi castigo que Deus me deu
Não saberei jamais se você mereceu perdão
Porque eu não sou capaz de esquecer uma ingratidão
E você foi uma a mais
E qualquer um pode se enganar
Você foi comum, pois é, você foi vulgar
O que é que eu fui fazer quando dispus te acompanhar
Porém pra mim você morreu
Você foi castigo que Deus me deu
E como sempre se faz, aquele abraço, adeus
E até nunca mais
quinta-feira, 22 de setembro de 2016
DO CANCIONEIRO POLITICAMENTE INCORRETO
Até Eu
(Baden Powell)
Até eu quando o assunto é de ter paixão
Faço o que recomenda a tradição
Carinho é coisa de primeira mão
Mas você sendo poeta tinha que saber
Até eu quando se trata de amor
Eu sou mais eu
Quem vai na conversa de quem trai
Qualquer dia a casa cai
E aí não pode haver perdão
Mas você de coração
Fala certo, mas não faz mesmo o que diz
Assim você nunca será feliz
Porque você não quis
Até eu quando o assunto é de ter paixão
Faço o que recomenda a tradição
Carinho é coisa de primeira mão
Mas você sendo poeta tinha que saber
Até eu quando se trata de amor
Eu sou mais eu
Não é que eu esteja de má fé
Mas você sendo mulher
Precisa ser mais cordial
Isso eu acho tão normal
E você vive estudando pra aprender
Na vida não se estuda pra saber
É preciso viver
Quem faz só aquilo que lhe atrai
Faz de menos ou de mais
Quando vai ver se arrependeu
É por isso que até eu
Faço votos que você não entre bem
Na vida ninguém vive por ninguém
sábado, 23 de julho de 2016
domingo, 17 de julho de 2016
domingo, 10 de julho de 2016
sábado, 5 de setembro de 2015
terça-feira, 9 de dezembro de 2014
PRIMEIROS PARÁGRAFOS INESQUECÍVEIS
"O rádio estava ligado na sala. Era hora do famoso Papel Carbono de Renato Murce, no qual debutaram os maiores artistas brasileiros surgidos nas décadas de 40 e 50. No final do programa, como de costume, o locutor fez as chamadas para a semana seguinte, e qual não foi a surpresa do menino ao ouvir seu nome entre os calouros que iriam se apresentar no próximo domingo. E com um nome como o seu, havia pouca chance de que se tratasse de um xará: Baden Powell."
O Violão Vadio de Baden Powell - Dominique Dreyfus - 1999
terça-feira, 14 de maio de 2013
SAMBA PEDE PASSAGEM
SAMBA PEDE PASSAGEM
Luiz Carlos Sá
Há exatos quarenta e cinco anos atrás o recém batizado Grupo Mensagem (eu, Sidney Miller, Paulo Thiago, Marco Antonio Menezes e Soninha Ferreira) estreava no palco do Teatro Opinião, Rio de Janeiro – o que para nós equivalia à Broadway . Éramos simples coadjuvantes de um espetáculo musical chamado “Samba Pede Passagem”, idealizado e escrito por João das Neves, Armando Costa, Oduvaldo Viana Filho e Sergio Cabral, mas estávamos ao lado de Aracy de Almeida, Baden Powell, MPB4, Ismael Silva, Raul de Barros, Canhoto e seu regional e umas duas dezenas de sambistas e partideiros de raiz, em mais um delírio frutífero do incansável Grupo Opinião. Crus como um sushi, jovens como um Bourgogne, fomos literalmente lançados à presença das feras MPB da época como gladiadores no Coliseu, com a enorme diferença de que os leões eram nossos amigos, ou quem sabe, foram domados por nossa ingenuidade e vontade de aprender com aquilo que víamos no quadrilátero da arena histórica do teatro Opinião, foco de resistência cultural à ditadura - que ainda não mostrara seus piores dentes. No domingão, Pichin Plá, a diretora de produção, chegava com os envelopes de pagamento e nós achávamos que estávamos no Céu dos Jovens Artistas, recebendo para fazer a coisa que nos fazia sentir a vida em todo o seu esplendor, ou seja, tocar e cantar nossas próprias músicas para um público ávido de novidades.
No meio disso tudo – não me lembro bem, mas acho que o espetáculo durou uns três meses e acabou pela simples impossibilidade de pagar as trinta e uma pessoas que o compunham – aconteciam coisas hilárias que nós, lá de baixo dos nossos ainda não completos vinte anos, assistíamos com sentimentos que variavam do simples interesse à absoluta incompreensão do que realmente se passava.
O começo do espetáculo trazia uma entrada coletiva do elenco. Então todos nós trinta e uns nos acotovelávamos atrás da cortina e numa dessas entradas nossa primeira dama, a inefável, inimitável e insubstituível Aracy de Almeida – corram para a Wikipédia, sonsos! - soltou um formidável pum, bem ao lado da Soninha Ferreira, que por sua vez era nossa ingênua e protegida princesinha. Soninha, surpreendida pela – eh, informalidade...- de Aracy, arregalou dois belos olhos. Percebendo seu espanto, Aracy retrucou no ato:
- Tá olhando o quê, menina? Do que sai dentre as pernas eu só prendo neném!
De outra vez, o partideiro Padeirinho da Mangueira, que tocava uma percussão toda sua – faca raspando no prato de louça, acreditem - acabou quebrando uma lasca do prato e acertando a testa da Aracy, que sangrando do corte e percebendo rapidamente de onde viera a bala, atacou com fúria o pobre Padeirinho, em cena aberta:
- Ô Padeiro, enfia essa p... de prato no rabo, c...
Padeirinho da Mangueira
Essa era a Aracy. Não obstante sua discutível elegância feminina, ela recebia todas as noites na platéia a visita do General. Nós o chamávamos General, mas até hoje não sei se ele era Coronel ou Major ou o quê. Seu porte de legítimo R1 – logomarca identificativa dos militares da reserva – não negava a origem de anos de quartel. Ereto, sorridente e sempre bem disposto apesar da idade visivelmente adiantada, ele chegava cedo ao teatro, sentando-se sempre na mesma cadeira e aguardando a entrada de sua musa. Quando Aracy atacava “Feitio de Oração”, minha Noelina preferida, eu sempre arranjava um buraquinho na cortina da coxia para curtir a inesquecível expressão de enlevo do General. Um homem apaixonado é sempre uma coisa a observar. E Aracy, mulher a priori feia e desengonçada, merecia cada centímetro daquela atenção, porque ouvi-la cantar Noel era uma experiência extra sensorial. Lamento por aqueles que não viram , ou ouviram,isso. É como não ter visto Pelé jogando ao vivo.
Aracy e Vinícius
Baden Powell chegava sempre virado de noitadas, manhadas e tardadas com Vinícius de Morais, seu e nosso poeta preferido. Numa dessas chegadas ele fez com que eu me sentasse a seu lado e me ensinou a tocar e cantar “Canto de Ossanha”, que recém compusera com Vinícius naquela mesma tarde. Claro que eu tremi e a custo consegui perseguir sua harmonia, ao mesmo tempo simples e intrincada. Depois ele chamou o resto do pessoal e organizou vocais e instrumentais. Naquela mesma noite tocamos a música em primeira mão, num deslumbrante coro de trinta e uma vozes de todas as origens, do morro a Ipanema.
Baden Powell
Às vezes Baden chegava em mau estado, dormindo em pé. Nesses dias, João e Armando o colocavam num dos quatro cantos do teatro, sentado encima de um banco alto, com o violão equilibrado entre os braços. Na hora exata de sua apresentação, segundos antes do spot iluminá-lo, Armando Costa estendia uma vara comprida por trás da arquibancada da platéia e cotucava Baden, que acordava do seu cochilo e saía tocando a bachiana “Jesus Alegria dos Homens” sem errar uma nota sequer. Testemunhar esse fato me fez desistir da especialidade instrumental. Preferi permanecer como cantor e compositor a ousar chegar àquela perfeição de Baden, não sempre técnica, mas definitivamente emocional.
Hoje penso no privilégio que foi para minha vida de artista conviver com essas pessoas, fazer esses amigos, testemunhar toda uma época de efervescência cultural acontecida na segunda metade dos anos 60, antes que mergulhássemos no poço escuro da ditadura e sobrevivêssemos ao ácido dos 70, ao pó dos 80, à depressão dos 90, à poluição ambiental do fim do século e ao sabe-se lá o que mais que vier nesta nova década. E ver que apesar de tudo e além do resto, emerso da mediocridade do “pagode romântico” e movido pela espontaneidade de seus autores legítimos, o samba ainda pede passagem.
E acha.
VIDA DE ARTISTA
Luiz Carlos Sá (2011)
domingo, 21 de abril de 2013
DAS MADRUGADAS
Uma vez um amigo músico (cara com formação erudita, maestro, baita pianista e grande jazzista) me disse que se lhe fosse dada a oportunidade de escolher alguma música de outro compositor como uma coisa que ele gostaria de ter feito ele escolheria Última Forma, de Baden Powell e Paulo César Pinheiro.
Última Forma tem várias gravações, mas a versão que foi executada nas rádios (sim, caro ouvinte, as emissoras de rádio já tocaram MPB de qualidade) e que é a mais conhecida é a do MPB4, do disco Cicatrizes, de 1972. Vasculhando o You Tube, descobri uma gravação de Emílio Santiago. A música, de difícil execução e com harmonia intrincada, recebe um tratamento digno dos grandes cantores. O Negão dá uma aula de divisão e afinação.
Última Forma tem várias gravações, mas a versão que foi executada nas rádios (sim, caro ouvinte, as emissoras de rádio já tocaram MPB de qualidade) e que é a mais conhecida é a do MPB4, do disco Cicatrizes, de 1972. Vasculhando o You Tube, descobri uma gravação de Emílio Santiago. A música, de difícil execução e com harmonia intrincada, recebe um tratamento digno dos grandes cantores. O Negão dá uma aula de divisão e afinação.
Última Forma
(Baden Powell - Paulo César Pinheiro)
É, como eu falei, não ia durar
Eu bem que avisei, pois é, vai desmoronar
Hoje ou amanhã, um vai se curvar
E graças a Deus, não vai ser eu quem vai mudar
Você perdeu
E sabendo com que eu lidei não vou me prejudicar,
nem sofrer, nem chorar, nem vou voltar atrás
Estou no meu lugar, não há razão pra se ter paz
com quem só quis rasgar o meu cartaz
E agora pra mim você não é nada mais
E qualquer um pode se enganar
Você foi comum, pois é, você foi vulgar
O que é que eu fui fazer quando dispus te acompanhar?
Porém, pra mim você morreu
Você foi castigo que Deus me deu!
Não saberei jamais se você merece perdão
porque eu não sou capaz de esquecer uma ingratidão
E você foi um a mais
E qualquer um pode se enganar
Você foi comum, pois é, você foi vulgar
O que é que eu fui fazer quando dispus te acompanhar?
Porém, pra mim você morreu
Você foi castigo que Deus me deu!
E como sempre se faz, aquele abraço, adeus
e até nunca mais!
Aquele abraço, adeus e até nunca mais!
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