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sexta-feira, 27 de abril de 2018

MÚSICA NA SEXTA

Os Garotos Podres é um grupo de punk formado por Mau (voz e gaita), Mauro (guitarra), Sukata (baixo) e Português (bateria) no ABC paulista em meados da década de 1980. No ano de 1985, gravou o primeiro LP "Mais podres do que nunca", lançado pelo selo independente Rocker. O disco teve uma tiragem inicial de 1.000 cópias, que se esgotou rapidamente. Uma segunda tiragem foi feita com 5.000 cópias, também com sucesso de vendas. O disco, elogiado pelo renomado jornal inglês New Musical Express, foi editado na Alemanha pelo selo Vynil Boogie. Devido a problemas com gravadoras, o grupo acabou lançando discos em intervalos longos, porém regulares. Em 1988, lançou o LP "Pior do que antes", e, cinco anos depois, "Canções de ninar".

Em 2003 lançam Garotozil de Podrezepam, seu quinto álbum de estúdio, com 11 músicas, dentre elas três versões: O Adventista" do Camisa de Vênus, "Born to be Wild" do Steppenwolf e "A Internacional".

Papai Noel Velho Batuta
Garotos Podres

Papai Noel velho batuta
Rejeita os miseráveis
Eu quero matá-lo
Aquele porco capitalista

Presenteia os ricos
E cospe nos pobres
Mas nós vamos sequestrá-lo
E vamos matá-lo
Por quê?

Aqui não existe natal
Aqui não existe natal
Aqui não existe natal
Aqui não existe natal

sexta-feira, 9 de março de 2018

MÚSICA NA SEXTA

Ator, cantor, pianista e compositor, Léo Vitor da Rosa Ferlauto nasceu em Porto Alegre em 1946. Nos anos 80, integrou os Fabulosos Irmãos Brothers, com Mutuca Weyrauch, Careca da Silva e Flávio Chaminé, além de inúmeros outros trabalhos na música e no tetatro.

Em 1983, lança o LP “Sonho Solto”, com a Banda Delírio (Bebeto Mohr, Paulo Mello, Marcelo Truda, Laura Finochiaro, Nora Prado, Leca Machado e Antônio Carlos Falcão).


SONHO SOLTO
Sonho solto
Sono solto
Somos sonhos
Sonhos soltos a sonhar
Capinar, amar a terra
(plantar)
Enraizar os sonhos no chão
Virar a terra com a mão
Fruto
(na boca)
Sonho de boca, ouvido

sexta-feira, 2 de março de 2018

MÚSICA NA SEXTA

Antônio Viana Gomes, o Tony Tornado, nasceu em 1930, em Mirante de Paranapanema, SP. Iniciou sua carreira artística no final dos anos 1950, cantando rock no programa “Hoje é dia de rock”, da Rádio Mayrink Veiga, com o nome artístico de Tony Checker.

Nos anos 60, foi morar em Nova York, onde atuava como traficante de drogas e proxeneta. Conheceu por lá, Tim Maia.

Em 1969, de volta ao Brasil, trabalhou no conjunto de Ed Lincoln e também cantava na noite com o pseudônimo de Johnny Bradfor, fingindo ser estrangeiro.

Após Tony ter vencido, em 1970 (na fase brasileira, na fase internacional ficou em terceiro lugar), o V Festival Internacional da Canção, acompanhado do Trio Ternura, com a música BR-3 (Antônio Adolfo e Tibério Gaspar), que se tornaria sua música mais popular, lançou o álbum Toni Tornado. No disco, havia músicas de autoria de Roberto e Erasmo Carlos, Getúlio Cortes, Dom Salvador, Hyldon e do próprio Tony.

Ibrahim Sued, concorrente desclassificado, insinuava que BR-3 não era somente a sigla da rodovia Rio-Belo Horizonte, mas um código de viciados que designava uma veia no braço onde se injetava cocaína. A sugestão fazia parte de um lobby para um livro escrito por um general de nome Jaime Graça (amigo de Ibrahim), chamado “Tóxico”, em cuja capa vermelha o título lembrava uma carreira de cocaína e nas primeiras páginas sugeria que BR-3 era um hino toxicômano, substituindo os versos originais por: “Há uma seringa, que vem do céu cruzando o braço, e uma agulha feita em aço, pra esperar a outra vez”. 

Para Flávio Cavalcanti era uma referência ao LSD. Para muita gente, uma apologia à maconha. Os autores de BR-3 responderam ao Serviço Nacional de Informações (cujo diretor, à época, era João Batista Figueiredo), devido à suspeita de que a letra teria conotações a drogas e também a grupos políticos como os Panteras Negras.

BR-3
Antônio Adolfo e Tibério Gaspar

A gente corre na BR-3
A gente morre na BR-3
Há um foguete
Rasgando o céu, cruzando o espaço
E um Jesus Cristo feito em aço
Crucificado outra vez
E a gente corre na BR-3
E agente morre na BR-3
Há um sonho
Viagem multicolorida
Às vezes ponto de partida
E às vezes porto de um talvez
E a gente corre na BR-3
E a gente morre na BR-3
Há um crime
No longo asfalto dessa estrada
E uma notícia fabricada
Pro novo herói de cada mês

sexta-feira, 26 de janeiro de 2018

MÚSICA NA SEXTA

A Cor do Som é um grupo brasileiro que se criou a partir do séquito de músicos que acompanhavam Moraes Moreira após a sua saída dos Novos Baianos. Originalmente, esse era o nome da banda instrumental que acompanhava os Novos Baianos, título sugerido por Caetano Veloso.

A banda surgiu em meados de 1977, formada por músicos experientes no cenário nacional. Experimentando novos padrões de som, valeu-se das vivências anteriores com Moraes Moreira e Pepeu Gomes, entre outros, sendo considerado um movimento pós-tropicalista. Em seu primeiro disco homônimo (WEA 1977), tinha como integrantes Dadi Carvalho (ex-Novos baianos e Jorge Ben) no baixo, seu irmão Mú Carvalho (ex-A Banda do Zé Pretinho) nos teclados, Gustavo Schroeter (ex-A Bolha) na bateria e Armandinho Macêdo (Trio Elétrico Armandinho, Dodô & Osmar) na guitarra, bandolim e guitarra baiana. A partir do segundo disco "Ao Vivo Em Montreux", o percussionista (e colega de Armandinho na sua outra banda) Ary Dias passa a fazer parte do grupo.

Misturando rock, ritmos regionais e música clássica, foram convidados por Claude Nobs a participar do Montreux Jazz Festival, na Suíça, tornando-se o primeiro grupo musical brasileiro a participar do evento. A apresentação contou com material quase todo inédito e rendeu um disco ao vivo. A partir do terceiro trabalho, "Frutificar", passam a executar músicas cantadas, a pedido da gravadora, o que os eleva a novos níveis de popularidade. Uma delas é “Abri a Porta”, de Gilberto Gil e Dominguinhos.


Abri a Porta
Gilberto Gil / Dominguinhos

Abri a porta
Apareci
A mais bonita
Sorriu pra mim
Naquele instante
Me convenci
O bom da vida
Vai prosseguir

Vai prosseguir
Vai dar pra lá do céu azul
Onde eu não sei
Lá onde a lei
Seja o amor
E usufruir do bem, do bom e do melhor
Seja comum
Pra qualquer um
Seja quem for

Abri a porta
Apareci
Isso é a vida
É a vida, sim

sexta-feira, 19 de janeiro de 2018

MÚSICA NA SEXTA

Ivan Conti, o Mamão (bateria), Alex Malheiros (baixo) e José Roberto Bertrami (teclados), conheceram-se no início dos anos 70. Em pouco tempo formariam o grupo Azymuth.

Os músicos inauguraram o Canecão tocando em grupos diferentes e formaram uma banda chamada Grupo Seleção. Tocaram em várias casas noturnas no Rio de Janeiro sua mistura de jazz, samba, funk e rock e passaram a participar de gravações em estúdios com diversos cantores e orquestras. Entretanto, eles não estavam satisfeitos em simplesmente sentar, jogar pôquer e ensaiar. A recém-formada banda estava disposta a continuar a fazer shows ao vivo e a gravar suas músicas, sempre que possível.

O nome Azymuth foi herdado de uma composição de Marcos e Paulo S. Vale, da trilha sonora do filme O Fabuloso Fittipaldi.

Em 1974, "Pela Cidade" entra na trilha sonora da novela O Espigão, com crédito para Bertrami e Conjunto Azymuth. O álbum próprio veio em 1975, com "Linha do Horizonte", o primeiro sucesso. O sucesso se repete em 1976 com "Melô da Cuíca", que vem a ser também trilha sonora de uma novela da Rede Globo (Pecado Capital).

Em 1977, o LP Águia Não Come Mosca traz outra música conhecida e novamente tema de novela: "Voo Sobre o Horizonte" (As Locomotivas).

Linha do Horizonte foi regravada várias vezes, inclusive por artistas como Guilherme Arantes e Luiz Melodia, mas nenhuma com o destaque da gravação original.

LINHA DO HORIZONTE
Paraná / Paulo Sérgio Valle

É eu vou pro ar no azul mais lindo eu vou morar
Eu quero um lugar que não tenha dono qualquer lugar
Eu quero encontrar a rosa dos ventos e me guiar
Eu quero virar pássaro de prata e só voar
É aqui onde estou essa é minha estrada por onde eu vou
E quando eu cansar na linha do horizonte eu vou pousar

Fonte: http://www.azymuth.net/

sexta-feira, 12 de janeiro de 2018

MÚSICA NA SEXTA

Dermeval Miranda Maciel, Roberto Ribeiro, nasceu em julho de 1940 em Campos dos Goytacazes e morreu no Rio de Janeiro em 1996.

Não vem de uma família e músicos. Foi jogador de futebol profissional sob alcunha de “Pneu”. E foi buscando um grande clube que se mudou para o Rio de Janeiro, chegando a treinar no Fluminense.

Desistiu do futebol e foi trabalhar com música. A partir de 1972, lançou uma série de três compactos com Elza Soares, e depois o que seria seu primeiro LP: "Elza Soares e Roberto Ribeiro - Sangue, Suor e Raça".

Em 1979, lançou, pela gravadora Odeon, o LP "Coisas da Vida". Entre as mais tocadas deste disco estavam "Vazio" (Nélson Rufino), conhecida na época como "Está faltando alguma coisa em mim", e "Partilha" (Romildo e Sérgio Fonseca).

PARTILHA
Romildo e Sérgio Fonseca

Já que não existe mais aquele amor tão profundo o melhor que a
Gente faz e dividir nosso mundo bis

Você fica com a vitrola e com os quadros da parede que eu fico
Com a viola o meu samba e minha sede
Você fica com a gaiola e com o passarinho verde que em qualquer
Brinco de argola eu penduro minha rede

Já que não existe mais aquele amor tão profundo o melhor que a
Gente faz e dividir nosso mundo bis

Você fica com as crianças e com toda essa mobilia que eu so
Quero as esperanças que não cabem na partilha
Você leva as alianças que eu farei da minha ilha com a poeira
Das lembranças o meu álbum de família

E pra não dizer depois quando a febre for mais alta que esse
Amor não deu pra dois mais vontade e o que não falta
O destino e que compos esse drama de ribalta no seu rosto po de
Arroz no meu peito a cruz de malta

sexta-feira, 22 de dezembro de 2017

MÚSICA NA SEXTA

Sérgio Santos Mendes nasceu em Niterói, RJ, em 1941. Iniciou sua carreira artística em 1960, apresentando-se em jam sessions realizadas no Little Club (no Beco das Garrafas, no Rio de Janeiro).

Em 1965, mudou-se para os Estados Unidos, onde formou o conjunto Brasil' 65, com a participação de Marcos Valle e Ana Maria Valle. O grupo atuou com essa formação durante sete meses. No mesmo ano, gravou, com Wanda Sá, Rosinha de Valença, Bud Shunk e o Sérgio Mendes Trio, o LP "Brasil' 65 - Wanda de Sah featuring The Sergio Mendes Trio". 

No ano seguinte, formou o conjunto Brasil' 66, com a cantora norte-americana Lani Hall e a brasileira Silvia Vogel (a atriz Bibi Vogel), substituída, depois, pela cantora norte-americana Karen Philip. 

Lançou, ainda em 1966, o LP "The Great Arrival", atuando como solista de piano ao lado de uma orquestra, com arranjos de Clare Fischer, Bob Florence e Richard Hazard, e, com o Brasil' 66, o LP "Herp Albert presents Sergio Mendes & Brasil' 66", que atingiu a vendagem de mais de um milhão de cópias e alcançou os primeiros lugares das paradas de sucesso norte-americanas, alavancado pelo sucesso da faixa "Mas Que Nada".

Mas que nada
Jorge Ben

Mas que nada
Sai da minha frente eu quero passar
O samba está animado
Que eu quero é sambar
E esse samba que é misto de maracatu
É samba de preto velho
Samba de preto tu
Mas que nada
Um samba como esse tão legal
Você não vai querer que eu chegue no final
Oooô lariá laiô obá obá obá
Oooô ooô ooô lariá laiô obá obá obá

Nota da Redação: Em 2006, Sérgio Mendes regravou a canção junto com o grupo Black Eyed Peas e vocais adicionais de Gracinha Leporace (esposa de Mendes), uma versão que está incluída em seu álbum Timeless (2006).

Com Dicionário Cravo Albin

sexta-feira, 15 de dezembro de 2017

MÚSICA NA SEXTA

Os Mulheres Negras foi uma dupla formada por André Abujamra (voz, guitarra, teclados e bateria eletrônica) e Maurício Pereira (voz e saxofone) na cidade de São Paulo em 1985.

Marcada pelo ecletismo musical e letras bem-humoradas, lançou o primeiro LP, "Música e Ciência", em 1988. Produzido por Pena Schmidt e com direção artística de Liminha, tem como destaques a versão de apenas 35 segundos do clássico de Tom Jobim "Samba do Avião" e ainda "Sub" (versão para Yellow Submarine - sucesso dos Beatles), "Purquá mecê", e "Lobos Para Crianças".

Em 1990, a dupla gravou o disco "Música Serve Para Isso", no qual se destacaram as faixas "Só Tetele" e a versão de "Só quero um xodó" (Dominguinhos e Anástácia), sucesso de Gilberto Gil. Logo depois, a dupla se desfez, e André Abujamra criou o grupo Karnak. No ano de 2002, a gravadora WEA realançou em CD os dois LPs da dupla: "Música e Ciência" e "Música Serve Para Isso".

A música “Milho” é do primeiro disco.


Milho
Maurício Pereira / André Abujamra

Atras de um trilho
reside um velho milho
espiga é seu filho brincando
na palha
co alho, co tomate,co repolho
co alho, co tomate,co repolho
co alho, co tomate,co repolho
um di comi-os com molho
so pensando
como tudo
nessa vida é feito a olho

sexta-feira, 8 de dezembro de 2017

MÚSICA NA SEXTA

Luiz Carlos dos Santos, Luiz Melodia, nasceu no Rio de Janeiro em 1951. Tem nome de sambista, pinta de sambista, nascido e criado em reduto de sambistas (o morro do Estácio, onde também nasceu Ismael Silva), mas jamais foi sambista, embora nada tenha contra o samba. Apenas faz um gênero de música diferente. A música de Luiz Melodia reflete influências de blues, rock, soul e até de samba-canção, enfim, de um universo habitado por Billie Holiday, B. B. King, o tecladista-arranjador Taj Mahal, Beatles, Jorge Ben e Maria Bethânia, artistas que ele curtia e admirava.

Um pouco disso tudo, misturado à sua maneira, gerou composições como “Pérola Negra”, uma canção de amor diferente, confessional, rude, instigante: “Tente passar pelo que estou passando / tente apagar este teu novo engano / tente me amar pois estou te amando / baby, te amo, nem sei se te amo / (...) / arranje algum sangue / escreva no pano / pérola negra, te amo, te amo...”

Peça fundamental na obra de Luiz Melodia, “Pérola Negra” foi composta em 1969, quando ele tinha dezoito anos, recebendo originalmente o título de “My Black”. Dois anos depois, por sugestão do poeta Waly Salomão, que apresentou Luiz a Gal Costa, “My Black” passou a se chamar “Pérola Negra”, sendo lançada pela cantora no show “Fa-Tal” e em seguida no LP homônimo, com grande sucesso. Luiz Melodia gravou Pérola Negra no seu primeiro disco, em 1973.


Pérola Negra
Luiz Melodia
Tente passar pelo que estou passando
Tente apagar este teu novo engano
Tente me amar pois estou de amando
Baby, te amo, nem sei se te amo 
Tente usar a roupa que eu estou usando
Tente esquecer em que ano estamos
Arranje algum sangue, escreva num pano
Pérola Negra, te amo, te amo
Rasgue a camisa, enxugue meu pranto
Como prova de amor mostre teu novo canto
Escreva num quadro em palavras gigantes
Pérola Negra, te amo, te amo Tente entender tudo mais sobre o sexo
Peça meu livro querendo eu te empresto
Se inteire da coisa sem haver engano Baby , te amo, nem sei se te amo

Fonte: A Canção no Tempo – Vol. 2 – Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello – Editora 34.

sexta-feira, 1 de dezembro de 2017

MÚSICA NA SEXTA

Eduardo de Góes Lobo nasceu no Rio de Janeiro, em 1943. Filho do compositor Fernando Lobo (Chuvas de Verão, Nega Maluca, Ninguém me Ama), estudou acordeão dos 8 aos 14 anos, quando se interessou por violão, recebendo as primeiras lições de Theo de Barros, seu amigo de infância. Cursou até o terceiro ano de Direito.

Iniciou sua carreira como músico profissional em 1961, tocando em boates ao lado de Marcos Valle e Dori Caymmi.

Em 1962, gravou seu primeiro compacto, com composições suas influenciadas pela bossa nova e com o texto da contracapa assinado por Vinícius de Moraes. Em seguida, sob a influência de Sérgio Ricardo, João do Vale, Carlos Lyra e Ruy Guerra, passou a trabalhar também uma temática mais social.

Em 1964 teve uma música incluída no espetáculo Opinião  e foi convidado por Gianfrancesco Guarnieri para compor a trilha sonora de "Arena conta Zumbi", peça teatral de Guarnieri e Augusto Boal.

Venceu, em 1965,  o I Festival Nacional de Música Popular Brasileira (TV Excelsior), com "Arrastão" (letra de Vinícius de Moraes), defendida por Elis Regina. Também venceu o III Festival da Música Popular Brasileira (TV Record), com "Ponteio" (letra de Capinam), que interpretou com Marília Medalha, o grupo vocal Momento 4 (Ricardo Villas, David Tygel, Zé Rodrix e Maurício Maestro) e o Quarteto Novo (Hermeto Pascoal, Theo de Barros, Airto Moreira e Heraldo do Monte).

Ao ganhar esse festival, Edu Lobo aceitou a primeira proposta que teve para tocar fora do Brasil, desgostoso e temeroso com o rumo que tomavam as carreiras dos participantes de festivais. Chegou a dizer que se sentia como um cavalo em que as pessoas apostavam para ver quem levaria o primeiro prêmio. É autor de várias músicas memoráveis, entre elas Lero Lero, Corrida de Jangada, Viola fora de Moda e toda sua parceria com Chico Buarque. 

Em 1981, Edu estava gravando um LP em que receberia diversos convidados. O primeiro foi Tom Jobim. O produtor Aloysio de Oliveira sugeriu que os dois dividissem inteiramente o disco. E assim fizeram o disco “Edu & Tom, Tom & Edu”, que conta, entre tantas belas canções, com Vento Bravo, de Edu e Paulo César Pinheiro.


Era um cerco bravo, era um palmeiral,
Limite do escravo entre o bem e o mal
Era a lei da coroa imperial
Calmaria negra de pantanal
Mas o vento vira e do vendaval
Surge o vento bravo, o vento bravo
Era argola, ferro, chibata e pau
Era a morte, o medo, o rancor e o mal
Era a lei da Coroa Imperial
Calmaria negra de pantanal
Mas o tempo muda e do temporal
Surge o vento bravo, o vento bravo
Como um sangue novo
Como um grito no ar
Correnteza de rio
Que não vai se acalmar
Se acalmar
Vento virador no clarão do mar
Vem sem raça e cor, quem viver verá
Vindo a viração vai se anunciar
Na sua voragem, quem vai ficar
Quando a palma verde se avermelhar
É o vento bravo, o vento bravo
Como um sangue novo
Como um grito no ar
Correnteza de rio
Que não vai se acalmar...

sexta-feira, 24 de novembro de 2017

MÚSICA NA SEXTA

Antonio Adolfo Maurity Sabóia nasceu em 1947, no Rio de Janeiro. Iniciou sua carreira profissional em 1963 como pianista do conjunto Samba Cinco, participando das sessões de jazz e bossa nova do Beco das Garrafas. Ainda nesse ano, escreveu "3-D", sua primeira composição, e formou, com Nelson Serra e Cacho Pomar, o Trio 3-D. O trio evoluiu para Conjunto 3-D, com a participação dos cantores Eduardo Conde e Beth Carvalho, e se desfez em 1968, tendo gravado quatro LPs.

Em 1967, começou a trabalhar em parceria com Tibério Gaspar. As primeiras composições da dupla foram: "Caminhada", finalista do II Festival Internacional da Canção (FIC), "Tema triste", "Rosa branca" e, no ano seguinte "Sá Marina", sucesso nacional na gravação de Wilson Simonal.

Em 1969, viajou pela Europa acompanhando a cantora Elis Regina. De volta ao Brasil, participou de trilhas sonoras de novelas da TV Globo, com as músicas "Teletema", "Ao redor" e "Manequim", todas com Tibério Gaspar. Ainda em 1969, formou, com Luis Claudio Ramos, Luizão Maia, Victor Manga e as cantoras Julie e Bimba, o conjunto A Brazuca. Mais tarde, Julie foi substituída por Luis Keller. O conjunto se manteve no cenário artístico até 1971 e gravou dois LPs e dois compactos simples pela Odeon.

A música Juliana abre o primeiro disco de Antônio Adolfo & A Brazuca.


Juliana
Antonio Adolfo e Tibério Gaspar

Num fim de tarde, meio de dezembro
Ainda me lembro e posso até contar
O sol caia dentro do horizonte
Juliana viu o amor chegar

A lua nova perto da ribeira
Trançava esteiras sobre os araças
Entrando em relva seu corpo moreno
Juliana viu o amor chegar

Botão de rosa perfumosa e linda
tão menina ainda a desabrochar
Pelos canteiros do amor primeiro
foi chegada a hora do seu despertar

E a poesia então fez moradia
na roseira vida que se abria em par
Entre suspiros junto à ribeira
Juliana viu o amor chegar

E Juliana então se fez mulher
E Juliana viu o amor chegar

sexta-feira, 17 de novembro de 2017

MÚSICA NA SEXTA

Rui (Ruy) Maurity de Paula Afonso nasceu em Paraíba do Sul, RJ, em 1949.
Sua mãe foi violinista. É irmão do compositor e pianista Antonio Adolfo. Autodidata, aprendeu sozinho a tocar violão.

Em 1970, foi vencedor do Festival Universitário do Rio de Janeiro, interpretando "Dia Cinco", sua e de Zé Jorge. No mesmo ano, gravou seu primeiro LP, "Este é Rui Maurity".

Em 1971 formou o Ruy Maurity Trio, que se tornou um dos precursores do rock rural e gravou o LP "Em Busca do Ouro", no qual destacou-se a composição "Serafim e Seus Filhos", em parceria com Zé Jorge, e que tornou-se um grande sucesso, recebendo diversas regravações.

A gravação do disco teve a seguinte formação: Ruy Mauriti (viola, violão e vocal), Helvécio (viola, violão e vocal), Daniel (baixo) e Chaplin (percussão). O quinto elemento na capa do disco é para mim não identificado e um mistério.


Serafim e Seus Filhos
Ruy Maurity
 São três machos e uma fêmea, por sinal Maria,
 Que com todas se parecia.
 Todos de olhar esperto, para ver bem perto,
 Quem de muito longe é que vinha.
 Filhos de dois juramentos, todos dois sangrentos,
 Em noite clarinha, eia-ô,
 O João Quebra-Toco, Mané-Quindim, Lourenço e Maria . . .

 Noite alta de silêncio e Lua, Serafim,
 O bom pastor de casa saía.
 Dos quatro meninos, dois levavam rifle,
 E os outros dois levavam fumo e farinha.
 Bandoleros de los campos verdes, Don Quijotes,
 De nuestro desierto, eia-ô,
 Serafim bom de corte,
 Mané, João, Lourenço e Maria . . .

 Mas o tal Lourenço, dos quatro o mais novo,
 Era quem dos quatro tudo sabia.
 Resolveu deixar o bando e partir pra longe,
 Onde ninguém lhe conhecia.
 Serafim jurou vingança,
 Filho meu não dança conforme a dança, eia-ô,
 E mataram o Lourenço em noite alta de lua mansa . . .

 Todo mundo dessas redondezas
 Conta que o tal Lourenço não deu sossêgo.
 Fez cair na vida sua irmã Maria
 E os outros dois matou, só de medo.
 Serafim depois que viu o filho lobisomem,
 Perdeu o juízo, eia-ô,
 E morreu sete vezes,
 Até abrir caminho pro paraíso

sexta-feira, 27 de outubro de 2017

MÚSICA NA SEXTA

Salomão “Lô” Borges Filho nasceu em Belo Horizonte, em 1952. Na adolescência, formou conjuntos musicais com seus irmãos, como os "Beavers", integrado, também, por Beto Guedes. Muitos de seus 11 irmãos tornaram-se músicos, como Márcio Borges, seu parceiro constante, e Telo Borges, autor, junto com o irmão Márcio, de "Vento de maio", música que foi gravada por Lô e também por Elis Regina.

Foi um dos "fundadores" do Clube da Esquina, ao lado de Márcio Borges, Milton Nascimento, Beto Guedes, Fernando Brant, Ronaldo Bastos, Wagner Tiso, Toninho Horta e Túlio Mourão, entre outros. O nome do grupo nasceu devido ao hábito desses compositores mineiros (com exceção de Milton, que nasceu no Rio de Janeiro, mas foi criado em Três Pontas, MG) se reunirem na esquina das ruas Paraisópolis e Divinópolis, no bairro de Santa Tereza, em Belo Horizonte, para trocar ideias musicais.
No início dos anos 1970, liderados por Milton Nascimento, foram para o Rio de Janeiro, onde, em 1972, foi lançado o disco "Clube da Esquina". Das 21 faixas do disco, oito são de sua autoria, em parceria com Márcio Borges, Ronaldo Borges e Milton Nascimento. Sua participação foi fundamental nesse disco, ajudando a caracterizar a sonoridade do Clube da Esquina, o que faria mais tarde o guitarrista americano Pat Metheny enviar um amigo ao Brasil "para tentar descobrir a causa da originalidade da música feita por The Corner Club, a qual eles ouviam nos Estados Unidos desde meninos" ( Cf. Márcio Borges. Os sonhos não envelhecem. São Paulo: Geração Editorial, 1996, p. 351). Na contracapa do disco, seu nome aparece em destaque ao lado do de Milton Nascimento.

Em 1973, lançou pela EMI-Odeon um LP solo, que ficou conhecido como o ''Disco do tênis''. O LP, que contou com a participação de Beto Guedes, Flávio Venturini, Vermelho e Sirlan, não atingiu o sucesso esperado.
Em 1978, foi lançado "Clube da Esquina 2", que contou com apenas duas composições suas: "Pão e água" (c/ Roger e Márcio Borges) e "Ruas da cidade" (c/ Márcio Borges).
Em 1979, gravou o LP "Via Láctea", que conta com a supra citada “Vento de Maio”.
Nota da Redação: Embora “Vento de Maio” seja do disco “Via Láctea”, a foto que ilustra a música no YouTube é a capa do disco de 1973.
Vento de Maio
Márcio Borges / Telo Borges

Vento de maio rainha de raio estrela cadente
Chegou de repente o fim da viagem
Agora já não dá mais pra voltar atrás
Rainha de maio valeu o teu pique
Apenas para chover no meu piquenique
Assim meu sapato coberto de barro
Apenas pra não parar nem voltar atrás
Chegou de repente o fim da viagem
Agora já não dá mais...
Vento de raio rainha de maio estrela cadente
Chegou de repente o fim da viagem
Agora já não dá mais pra voltar atrás
Rainha de maio valeu o teu pique
Apenas para chover no meu piquenique
Assim meu sapato coberto de barro
Apenas pra não parar nem voltar atrás
Rainha de maio valeu o teu pique
Apenas para chover...
Nisso eu escuto no rádio do carro a nossa canção
Sol girassol e meus olhos abertos pra outra emoção
E quase que eu me esqueci que o tempo não pára
Nem vai esperar
Vento de maio rainha dos raios de sol
Vá no teu pique estrela cadente até nunca mais
Não te maltrates nem tentes voltar o que não tem mais vez
Nem lembro teu nome nem sei
Estrela qualquer lá no fundo do mar
Vento de maio rainha dos raios de sol
Chegou de repente o fim da viagem
Agora já não dá mais pra voltar atrás
Rainha de maio valeu o teu pique
Apenas para chover no meu piquenique
Assim meu sapato coberto de barro
Apenas pra não parar nem voltar atrás
Rainha de maio valeu o teu pique
Apenas para chover no meu piquenique...

sexta-feira, 20 de outubro de 2017

MÚSICA NA SEXTA

José Antônio de Freitas Mucci, Tunai, nasceu em Ponte Nova, MG, em 1950. Iniciou o seu curso de Engenharia Civil na cidade de Ouro Preto, onde também estudou seu irmão, o compositor João Bosco. Depois de se transferir para Belo Horizonte, onde concluiu seu curso, trabalhou durante um tempo como engenheiro e depois deixou a engenharia civil para se dedicar à carreira de músico, estreando em 1978. Trabalhou com o letrista Sérgio Natureza, com quem compôs músicas para vários artistas, como Elis Regina, Simone, Gal Costa, Nana Caymmi, Milton Nascimento, Beto Guedes, Roupa Nova, Fafá de Belém, Elba Ramalho e Sérgio Mendes, sempre com sucesso.
Em 1984 lança o disco Em Cartaz, que tem a música Frisson, seu maior sucesso.


Frisson
Tunai / Sérgio Natureza

Meu coração pulou
Você chegou, me deixou assim
Com os pés fora do chão
Pensei: que bom...
Parece, enfim acordei
Pra renovar meu ser
Faltava mesmo chegar você
Assim sem me avisar
Pra acelerar...
Um coração que já bate pouco
De tanto procurar por outro
Anda cansado
Mas quando você está do lado
Fica louco de satisfação
Solidão nunca mais

Você caiu do céu
Um anjo lindo que apareceu
Com olhos de cristal
Me enfeitiçou
Eu nunca vi nada igual
De repente...
Você surgiu na minha frente
Luz cintilante
Estrela em forma de gente
Invasora do planeta amor
Você me conquistou

Me olha, me toca, me faz sentir
Que é hora, agora, da gente ir

Com Wikipédia

sexta-feira, 6 de outubro de 2017

MÚSICA NA SEXTA

Adriana da Cunha Calcanhotto nasceu em Porto Alegre, em 1965. Começou a vida artística em bares de Porto Alegre. Também trabalhou em peças teatrais e depois se lançou em concertos e festivais por todo o país no estilo voz e violão.

O primeiro disco, lançado em 1990 pela gravadora CBS, trouxe canções de sua autoria (a faixa título e Mortaes) e regravações de clássicos da MPB (Sonífera Ilha, do grupo Titãs, Caminhoneiro, de Roberto e Erasmo Carlos, Disseram que Voltei Americanizada, gravada por Carmem Miranda, e Nunca, do conterrâneo Lupicínio Rodrigues).

"Naquela Estação", por sua vez, integrou a trilha sonora da telenovela Rainha da Sucata, de Sílvio de Abreu (1990). No ano seguinte, recebeu o Prêmio Sharp de revelação feminina. No segundo trabalho, Senhas, de 1992, o repertório estava focado nas canções próprias, com destaque para Esquadros e Mentiras; esta última foi incluída na trilha da novela Renascer, de Benedito Ruy Barbosa.

Em 1992 lança o disco Senhas, seu segundo álbum. Recebeu um disco de ouro (mais de 150.000 cópias vendidas). Entre os destaques do disco está a canção Esquadros, escrita quando Adriana decidiu assumir sua homossexualidade, e possui uma referência à cegueira do irmão da cantora.


Esquadros
Adriana Calcanhotto

Eu ando pelo mundo
Prestando atenção em cores
Que eu não sei o nome
Cores de Almodóvar
Cores de Frida Kahlo
Cores!

Passeio pelo escuro
Eu presto muita atenção
No que meu irmão ouve
E como uma segunda pele
Um calo, uma casca
Uma cápsula protetora
Ai, Eu quero chegar antes
Pra sinalizar
O estar de cada coisa
Filtrar seus graus

Eu ando pelo mundo
Divertindo gente
Chorando ao telefone
E vendo doer a fome
Nos meninos que têm fome

Pela janela do quarto
Pela janela do carro
Pela tela, pela janela
Quem é ela? Quem é ela?
Eu vejo tudo enquadrado
Remoto controle
Eu ando pelo mundo
E os automóveis correm
Para quê?
As crianças correm
Para onde?
Trânsito entre dois lados
De um lado
Eu gosto de opostos
Exponho o meu modo
Me mostro
Eu canto para quem?

Pela janela do quarto
Pela janela do carro
Pela tela, pela janela
Quem é ela? Quem é ela?
Eu vejo tudo enquadrado
Remoto controle

Eu ando pelo mundo
E meus amigos, cadê?
Minha alegria, meu cansaço
Meu amor, cadê você?
Eu acordei
Não tem ninguém ao lado

Pela janela do quarto
Pela janela do carro
Pela tela, pela janela
Quem é ela? Quem é ela?
Eu vejo tudo enquadrado
Remoto controle

Eu ando pelo mundo
E meus amigos, cadê?
Minha alegria, meu cansaço
Meu amor cadê você?
Eu acordei
Não tem ninguém ao lado

Pela janela do quarto
Pela janela do carro
Pela tela, pela janela
Quem é ela? Quem é ela?
Eu vejo tudo enquadrado
Remoto controle

Com Wikipédia