Páginas

Mostrando postagens com marcador Maria Bethânia. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Maria Bethânia. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 22 de janeiro de 2018

DO CANCIONEIRO POLITICAMENTE INCORRETO

Loucura
(Lupicínio Rodrigues)

E aí eu comecei a cometer a loucura
Era um verdadeiro inferno
Uma tortura
O que eu sofria
Por aquele amor
Milhões de diabinhos martelando
O meu pobre coração que agonizando
Já não podia mais de tanta dor
E aí eu comecei a cantar um verso triste
O mesmo verso que até hoje existe
Na boca triste de algum sofredor
Como é que existe alguém
Que ainda tem coragem de dizer
Que os meus versos não contêm mensagem
São palavras frias, sem nenhum valor
Ó, Deus! será que o Senhor não está vendo isto
Então, porque é que o Senhor mandou Cristo
Aqui na Terra para semear o Amor
E quando se tem alguém
Que ama de verdade
Serve de riso para a Humanidade
É um covarde, um fraco, um sonhador
Se é que hoje tudo está tão diferente
Por que é que não deixa eu mostrar a essa gente
Que ainda existe o verdadeiro Amor
Faça ela voltar de novo para o meu lado
Eu me sujeito a ser sacrificado
Salve o seu mundo com a minha dor

segunda-feira, 3 de julho de 2017

DO CANCIONEIRO POLITICAMENTE INCORRETO


Teresinha 
(Chico Buarque)

O primeiro me chegou
Como quem vem do florista:
Trouxe um bicho de pelúcia,
Trouxe um broche de ametista.
Me contou suas viagens
E as vantagens que ele tinha.
Me mostrou o seu relógio;
Me chamava de rainha.

Me encontrou tão desarmada,
Que tocou meu coração,
Mas não me negava nada
E, assustada, eu disse "não".

O segundo me chegou
Como quem chega do bar:
Trouxe um litro de aguardente
Tão amarga de tragar.
Indagou o meu passado
E cheirou minha comida.
Vasculhou minha gaveta;
Me chamava de perdida.

Me encontrou tão desarmada,
Que arranhou meu coração,
Mas não me entregava nada
E, assustada, eu disse "não".

O terceiro me chegou
Como quem chega do nada:
Ele não me trouxe nada,
Também nada perguntou.
Mal sei como ele se chama,
Mas entendo o que ele quer!
Se deitou na minha cama
E me chama de mulher.

Foi chegando sorrateiro
E antes que eu dissesse não,
Se instalou feito um posseiro
Dentro do meu coração

segunda-feira, 27 de março de 2017

DO CANCIONEIRO POLITICAMENTE INCORRETO


Ronda
(Paulo Vanzolini)

De noite eu rondo a cidade
A te procurar sem encontrar.
No meio de olhares espio,
Em todos os bares
Você não está...
Volto pra casa abatida,
Desencantada da vida.
O sonho alegria me dá:
Nele você está.
Ah, se eu tivesse
Quem bem me quisesse,
Esse alguém me diria:
"Desiste, esta busca é inútil".
Eu não desistia,
Porém, com perfeita paciência
Volto a te buscar.
Hei de encontrar
Bebendo com outras mulheres,
Rolando um dadinho,
Jogando bilhar
E neste dia, então,
Vai dar na primeira edição:
Cena de sangue num bar
Da Avenida São João.

sexta-feira, 23 de dezembro de 2016

MÚSICA NA SEXTA

Maria Bethânia Vianna Telles Veloso nasceu em, Santo Amaro da Purificação, BA, em 1946. Iniciou sua carreira artística em 1963, atuando na peça teatral "Boca de Ouro", de Nélson Rodrigues com direção de Alvinho Guimarães. A peça foi musicada por Caetano Veloso, que abria o espetáculo cantando um samba de Ataulfo Alves. Ainda nesse ano, conheceu, em Salvador, Gilberto Gil, Gal Costa, Tom Zé, Djalma Correa, Pitti, Alcivando Luz e Fernando Lona, grupo com o qual se apresentou nas comemorações da inauguração do Teatro Vila Velha de Salvador, em 1964, nos shows "Nós por Exemplo" e "Nova Bossa Velha, Velha Bossa Nova". Apresentou, também em 1964, "Mora na Filosofia", seu primeiro show individual, quando conheceu Nara Leão.

Em 1965, a musa da bossa nova convidou-a para substituí-la na peça "Opinião", apresentada no Teatro Opinião (RJ), com direção musical de Dori Caymmi e direção geral de Augusto Boal. Seguiu, então, para o Rio de Janeiro, acompanhada por seu irmão Caetano Veloso. Estreou no dia 13 de fevereiro, dividindo o palco com Zé Kéti e João do Vale, no lugar de Suzana de Moraes (filha de Vinícius), pois Nara Leão já havia se afastado semanas antes. Destacou-se no cenário artístico por sua marcante interpretação de "Carcará", passando a figurar entre as estrelas da época. Do Rio, o espetáculo seguiu para São Paulo, onde foi apresentado, com o mesmo sucesso, no Teatro Ruth Escobar.

Em 1979, Maria Bethânia estava colhendo os frutos que o álbum Álibi trazia pelo grande sucesso de vendas. A cantora era uma das mais populares e a artista feminina que mais vendia no Brasil. Nessa fase da carreira, contava com Perinho Albuquerque como produtor e regente. O disco de 1979 seguia o caminho de Álibi, um álbum com repertório que consiste em uma mistura de canções românticas, sensuais, dramáticas e passionais. Porém, Mel contém um clima geral menos tenso. O amor é cantado com mais liberdade e satisfação. Desde a arte do LP, passando pelas letras e pela sonoridades, o disco é uma versão mais leve e iluminada de Álibi.  É desse disco a canção Gota de Sangue, de Ângela Rô Rô, que também toca piano na gravação.


Gota de Sangue
Ângela Rô Rô

Não tire da minha mão esse copo 
Não pense em mim quando eu calo de dor 
Olha meus olhos repletos de ânsia e de amor 
Não se perturbe nem fique à vontade 
Tira do corpo essa roupa e maldade 
Venha de manso ouvir o que eu tenho a contar 
Não é muito nem pouco eu diria 
Não é pra rir mas nem sério seria 
É só uma gota de sangue em forma verbal 
Deixa eu sentir muito além do ciúme 
Deixa eu beber teu perfume 
Embriagar a razão, porque não volto atrás? 
Quero você mais e mais que um dia 
Não tire da minha boca esse beijo 
Nunca confunda carinho e desejo 
Beba comigo a gota de sangue final

Com Wikipédia

segunda-feira, 17 de outubro de 2016

DO CANCIONEIRO POLITICAMENTE INCORRETO


Sem Açúcar
(Chico Buarque)

Todo dia ele faz diferente, não sei se ele volta da rua
Não sei se me traz um presente, não sei se ele fica na sua
Talvez ele chegue sentido, quem sabe me cobre de beijos
Ou nem me desmancha o vestido, ou nem me adivinha os desejos

Dia ímpar tem chocolate, dia par eu vivo de brisa
Dia útil ele me bate, dia santo ele me alisa
Longe dele eu tremo de amor, na presença dele me calo
Eu de dia sou sua flor, eu de noite sou seu cavalo

A cerveja dele é sagrada, a vontade dele é a mais justa
A minha paixão é piada, sua risada me assusta
Sua boca é um cadeado e meu corpo é uma fogueira

Enquanto ele dorme pesado eu rolo sozinha na esteira
E nem me adivinha os desejos
Eu de noite sou seu cavalo

segunda-feira, 19 de setembro de 2016

DO CANCIONEIRO POLITICAMENTE INCORRETO


Esse Cara
(Caetano Veloso)

Ah! Que esse cara tem me consumido 
A mim e a tudo que eu quis 
Com seus olhinhos infantis 
Como os olhos de um bandido 
Ele está na minha vida porque quer 
Eu estou pra o que der e vier 
Ele chega ao anoitecer 
Quando vem a madrugada ele some 
Ele é quem quer 
Ele é o homem 
Eu sou apenas uma mulher

quinta-feira, 25 de agosto de 2016

ÁLBUM DA QUINTA

CHICO BUARQUE & MARIA BETHÂNIA AO VIVO - 1975

Em 1975, Maria Betânia comemorou dez anos de carreira com um show com Chico Buarque, que foi lançado em LP. O álbum é histórico, com clássicos como "Sinal Fechado" (Paulinho da Viola), "Foi Assim" (Lupicínio Rodrigues), "Gita" (Raul Seixas) e pérolas de Buarque, como "Olê, Olá", "Sem Fantasia ", " Sem Açúcar ", " Com Açúcar, Com Afeto " e outras.


Segundo o site all.music, Maria Betânia é a personificação do sexo feminino representado pela poesia de Buarque: intensa, dramática, frágil, poderosa, sensual, agressiva e contraditória. A edição portuguesa deste disco, lançada em 1975, contém a versão original de "Tanto Mar", com letra. No Brasil, a música foi censurada, tendo sido publicada só a parte instrumental.


Lado 1
1. Olê, Olá  - Chico Buarque  
2. Sonho Impossível -  J. Darion, M. Leigh (versão de C. Buarque e Ruy Guerra)  
3. Sinal Fechado - Paulinho da Viola  
4. Sem Fantasia - Chico Buarque  
5. Sem Açúcar - Chico Buarque  
6. Com Açúcar, Com Afeto - Chico Buarque  
7. Camisola do Dia - David Nesser, Herivelto Martins  
8. Notícia de Jornal - Haroldo Barbosa, Luis Reis  
9. Gota d'Água - Chico Buarque  
10. Tanto Mar - Chico Buarque

Lado 2  
1. Foi Assim - Lupicínio Rodrigues  
2. Flor da Idade - Chico Buarque  
3. Bem Querer - Chico Buarque  
4. Cobras e Lagartos - Hermínio Bello de Carvalho, Sueli Costa  
5. Gita - Raul Seixas, Paulo Coelho  
6. Quem Te Viu, Quem Te Vê - Chico Buarque  
7. Vai Levando -  Caetano Veloso, C. Buarque  
8. Noite dos Mascarados - C. Buarque  


Direção de produção e coordenação musical: Perinho Albuquerque
Arranjos de orquestra e regência: Maestro Gaya
Arranjos de Base: Terra Trio e Luis Cláudio
Violão, viola e guitarra: Luis Cláudio
Flauta: Franklin
Piano: Zé Maria
Baixo: Fernando
Bateria: Ricardo
Percussão: Bira da Silva
Técnico de gravação e mixagem: Ary Carvalhaes
Técnico de equipamentos: Dudu
Assistente de gravação e montagem: Jairo Gualberto
Corte: Joaquim Figueira
Capa: Lobianco
Fotos: Luiz Garrido

wikipedia / allmusic

sábado, 5 de dezembro de 2015

COVER DO SÁBADO

Pra Dizer Adeus, composição de Edu Lobo e Torquato Neto, foi gravada pela primeira vez no disco Edu e Bethania, lançado pela Elenco, em 1967. A música fez grande sucesso e tornou-se um clássico da MPB.


Em 1979, a genial Sarah Vaughan gravou, pelo selo Copacabana, um disco chamado "Exclusivamente Brasil", e To Say Goodbye (Pra Dizer Adeus), com letra em inglês de Lani Hall, cantora que trabalhou por muitos anos com Sérgio Mendes, é uma das músicas interpretadas por ela.

sexta-feira, 17 de julho de 2015

CARCARÁ, PEGA, MATA E COME


Notícia veiculada ontem dá conta de que Maria Bethânia vai responder processo sobre porte ilegal de arma. 

O que verdadeiramente me fascina nessas matérias são os comentários que os vigilantes de plantão postam. Tem gente que conseguiu vincular a arma da Bethânia à Dilma e ao Lula. Sobrou até pro Gil.

Ah, se fosse na Tailândia...

sábado, 11 de outubro de 2014

COVER DO SÁBADO

Adelino Moreira de Castro nasceu em Portugal em 1918. Veio para o Brasil com um ano de idade, indo morar na Estrada do Monteiro, no Rio de Janeiro, no bairro de Campo Grande.

Grande parte de sua obra foi gravada por Nélson Gonçalves, para quem compunha desde 1952, tendo sido "Última Seresta" a primeira canção gravada. No total, foram mais de 370 canções gravadas. A cantora Núbia Lafayete foi lançada em 1959, também gravando diversas canções compostas por Adelino Moreira, como "Devolvi" e "Solidão".


Em 1960, compôs  aquele que seria seu maior sucesso, o samba-canção "Negue", com Enzo de Almeida Passos, composição lançada por Carlos Augusto, pela Odeon, e que foi regravada por vários cantores de diferentes épocas e estilos como Cauby Peixoto e Agostinho dos Santos.

Em 1978, Maria Bethânia lança o disco Álibi, cujas vendas ultrapassaram a marca de 1 milhão de cópias. O disco teve vários sucessos, como "Sonho Meu", "Ronda" e "Explode Coração", talvez seu maior sucesso. Negue também foi um dos destaques.

 wikipedia

sexta-feira, 19 de setembro de 2014

terça-feira, 13 de maio de 2014

quarta-feira, 17 de abril de 2013

DAS MADRUGADAS

 Cântico Negro

José Régio

"Vem por aqui" — dizem-me alguns com os olhos doces
 Estendendo-me os braços, e seguros
 De que seria bom que eu os ouvisse
 Quando me dizem: "vem por aqui!"
 Eu olho-os com olhos lassos,
 (Há, nos olhos meus, ironias e cansaços)
 E cruzo os braços,
 E nunca vou por ali...
 A minha glória é esta:
 Criar desumanidades!
 Não acompanhar ninguém.
— Que eu vivo com o mesmo sem-vontade
 Com que rasguei o ventre à minha mãe
 Não, não vou por aí! Só vou por onde
 Me levam meus próprios passos...
 Se ao que busco saber nenhum de vós responde
 Por que me repetis: "vem por aqui!"?

 Prefiro escorregar nos becos lamacentos,
 Redemoinhar aos ventos,
 Como farrapos, arrastar os pés sangrentos,
 A ir por aí...
 Se vim ao mundo, foi
 Só para desflorar florestas virgens,
 E desenhar meus próprios pés na areia inexplorada!
 O mais que faço não vale nada.

 Como, pois, sereis vós
 Que me dareis impulsos, ferramentas e coragem
 Para eu derrubar os meus obstáculos?...
 Corre, nas vossas veias, sangue velho dos avós,
 E vós amais o que é fácil!
 Eu amo o Longe e a Miragem,
 Amo os abismos, as torrentes, os desertos...

 Ide! Tendes estradas,
 Tendes jardins, tendes canteiros,
 Tendes pátria, tendes tetos,
 E tendes regras, e tratados, e filósofos, e sábios...
 Eu tenho a minha Loucura !
 Levanto-a, como um facho, a arder na noite escura,
 E sinto espuma, e sangue, e cânticos nos lábios...
 Deus e o Diabo é que guiam, mais ninguém!
 Todos tiveram pai, todos tiveram mãe;
 Mas eu, que nunca principio nem acabo,
 Nasci do amor que há entre Deus e o Diabo.

 Ah, que ninguém me dê piedosas intenções,
 Ninguém me peça definições!
 Ninguém me diga: "vem por aqui"!
 A minha vida é um vendaval que se soltou,
 É uma onda que se alevantou,
 É um átomo a mais que se animou...
 Não sei por onde vou,
 Não sei para onde vou
 Sei que não vou por aí!