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quinta-feira, 18 de julho de 2013

DIA DE CHUVA

Dia de chuva na Muileal...

Mais uma vez me deparo com a deprimente cena de pessoas com guarda-chuvas andando debaixo das marquises dos prédios sendo atrapalhadas pelos idiotas que estão sem.


sexta-feira, 10 de maio de 2013

COISAS DA MUILEAL

A MuiLeal se orgulha de seu Mercado Público. Lá pode-se comprar de tudo. Tudo que tem no mercado mais perto de sua casa. Mas lá tem a vantagem de se poder conviver perto - muito perto e muito próximo - do próximo. 

A MuiLeal se orgulha de seus churrascos. Então nada mais natural do que ir ao Mercado Público Municipal e comer... sushi. Deve ter por lá umas 5 ou 6 casas que servem a iguaria. Também se espalham pela cidade com o simpático nome de temakerias. Eu já conhecia nosso gosto por carne de gado crua. Agora descubro que, subitamente, gostamos muito de peixe cru também.

Pode ser que esse andaço das temakerias substitua o dos botecos.

Algumas associações de moradores da MuiLeal cogitaram inclusive uma passeata (tá na moda também) até a prefeitura para reivindicar um boteco na sua quadra. Que estória é essa de os botecos escolherem o local onde vão ficar? E se minha quadra não tiver um boteco, vou reclamar de quem?

Não sei como tá agora, mas até pouco tempo tinha Boteco Bagual, Boteco D. Cotinha, Boteco da Rua, Boteco “complete aqui”, numa inspiração das propagandas do Banco do Brasil e depois da Coca Zero. Todos iguais, e não duvidaria que fossem todos do mesmo dono. (Claro, o que o seu vizinho frequenta é melhor, tem algo fora do cardápio feito só pra ele. Sem contar que os garçons o chamam pelo nome.).

E as temakerias e botecos têm tudo o que um muilealevalerosense mais gosta: fila pra entrar e preço alto. Qual será a próxima onda?

domingo, 31 de março de 2013

SÓ EU MESMO


Consta que na MuiLeal tem um bar (ou tinha, se ainda não foi dilapidado pelos frequentadores) onde além de bebidas e acepipes, vende-se também a mobília do local.
É um lugar que as pessoas adoram frequentar. Não pelo seu ambiente (que deve estar cada vez mais Zen) ou pela cerveja gelada, mas para poderem dizer que vão em um bar onde se vende a mobília.
Fico imaginando a satisfação de algum deslumbrado frequentador ou frequentadora que deve contar sempre uma mesma história: “Comprei um abajur ma-ra-vi-lho-so! Só eu mesmo, sair do bar com abajur, hahaha...".
Eu prefiro tomar cerveja em bar, mas cada um consome o que quiser. Mas fica, pra mim, um trechinho da frase acima: “Só eu mesmo”.
O ser humano passa a vida tentando se juntar nos mais diversos bandos: um time de futebol que os una, um partido político, um tipo de música, um bar que venda a mobília, enfim... E depois passa a vida tentando ser diferente do resto do bando. Se todo mundo frequenta o bar pra beber, eu frequento pra levar as cadeiras. Se a turma faz churrasco nos domingos, eu resolvo que como só alface e torço pra ser convidado pro evento carnívoro pra comer as saladas todas (muita maionese, sempre).
É claro que as pessoas não são iguais. Mas tem coisas que parecem fora de lugar e se fossem feitas no anonimato não teriam graça. O bacana das férias não é ir pra Europa, é colocar, na volta, uma foto como proteção de tela na frente do Coliseu.

quinta-feira, 28 de março de 2013

O MAPA


Ainda em tempo de prestar homenagem aos 241 anos da Muileal.

O Mapa

Olho o mapa da cidade
Como quem examinasse
A anatomia de um corpo...
(É nem que fosse meu corpo!)
Sinto uma dor esquisita
Das ruas de Porto Alegre
Onde jamais passarei...
Há tanta esquina esquisita
Tanta nuança de paredes
Há tanta moça bonita
Nas ruas que não andei
(E há uma rua encantada
Que nem em sonhos sonhei...)
Quando eu for, um dia desses,
Poeira ou folha levada
No vento da madrugada,
Serei um pouco do nada
Invisível, delicioso
Que faz com que o teu ar
Pareça mais um olhar
Suave mistério amoroso
Cidade de meu andar
(Deste já tão longo andar!)
E talvez de meu repouso...



Mário Quintana - Apontamentos de História Sobrenatural - 1976

terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

SAPATOS


Não basta usar bermudas, é preciso usar chinelas. Já sabedor de que não vivemos tempos de fóruns sociais, me aventurei ao mercado de novo. De calças. E quem usa calça usa sapatos. Ou tênis, tudo bem. Mas pés calçados. Temos anos de engenharia e civilização a zelar.
Fui preparado para o mar de bermudas. Não me decepcionei. Mas a turma precisa usar chinelas. Provavelmente, seus pés prenderão fogo se usarem sapatos. Até aí, tudo bem. Que usem suas chinelas. Mas quem usa chinelas, TIRA as chinelas. Em qualquer lugar, sem o menor pudor.
Pra começar, quem usa chinelas não sabe o tamanho do pé que tem. A chinela SEMPRE deixa o rico garrão tocando o chão, o que dá ao pé do calorento uma linda rodela branca no calcanhar. Normalmente, rachado e sujo, devido ao contato com o solo. Que importa se no chão da Muileal tenha mijo, sangue, merda, cuspe, e sabe-se lá o que mais, se o cristão está com o pé confortável?
Em qualquer lugar que o usador de chinelas parar ele vai ter coceira nas canelas ou na batata da perna. Normalmente, é na batata. E o que melhor pra coçar a batata da perna do que a unha do dedão? Essa cena era vista com frequência quando se usava telefones públicos. Agora, qualquer paradinha na fila do fiambre gera uma necessária coceira na batata da perna. Enquanto, é claro, o usador das chinelas se apoia no balcão refrigerado, deixando por ali suas gordurosas digitais. Ainda vou chutar um chinelo temporariamente abandonado desses pra longe. Sem querer, claro, simpaticamente e sempre sorrindo. Usadores de chinelas são legais, entenderão um esbarrão acidental que vai jogar sua chinela corroída longe.

Quem usa chinela não gosta de andar sozinho pela rua. São seres gregários. Deveras. Gostam de andar atrás de quem anda calçado arrastando aquelas merdas descontraidamente. E barulhentamente. Pshi, pshi, pshi, pshi atrás de você. Sem dó. Sempre com aquela cara de despreocupação total com o mundo. Prontos pra bater um papo e beber sua cerveja.

domingo, 10 de fevereiro de 2013

CALÇAS


Tudo bem, é verão. E carnaval, ainda por cima. Mas, desde sexta-feira, só eu uso calça comprida na muilealevalerosa. Saí na rua para ir ao mercado e minha primeira reação foi: “PQP, tá acontecendo o fórum social!”. Refeito do susto, reparei que não era isso e nem nenhum outro congresso de peludos, pois ninguém estava de bolsa de pano reciclado a tiracolo e nem com crachá (cordinha reciclada e plástico biodegradável). Para participar de algum fórum desses na muilealevalerosa é preciso usar crachá (reciclável) três dias antes e três depois do evento. Quanto maior e mais escandaloso o crachá (reciclável), maior o orgulho do usuário. Ainda vou ver um acontecimento desses cujo crachá (reciclável) seja igual ao dos homens-sanduíche que ofertam compra e venda de ouro pelo centro da muileal.
Mas é carnaval (não me diga mais quem é você). Mas, mesmo assim, caro amigo F. B. de H, ainda devemos alguma decência ao mundo. Ou aos vizinhos. Eu sempre gostei de usar bermudas. Até os meus doze anos (que saudade ingrata). De lá para cá, sempre uso calças. E sapatos. Fechados. Deve ser por isso sou desprezado pelos participantes dos fóruns e todos que frequentam a Lancheria. Calça comprida é sistema. Free light não é.
Mas é carnaval (amanhã tudo volta ao normal). Quem dera, quem dera...