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terça-feira, 10 de fevereiro de 2015

DAS GENTES

O Carnaval da Cidade Baixa, em Porto Alegre, atrai milhares de pessoas para a folia. Alguém acha que o pessoal gosta tanto de Carnaval e vai às ruas para brincar na festa? Claro que não.

O Fórum Social atrai milhares de pessoas para repensar o mundo usando sandálias de dedo, bolsa de pano a tiracolo e com a barba por fazer. A Copa do Mundo atrai milhares de pessoas para recepcionar os estrangeiros (os holandeses,no caso, a turma de Gana não teve a mesma calorosa recepção, mas isso é outro assunto). 

A Feira do Livro atrai milhares de leitores para comprar o livro do Fernando Lucchese e tomar chope reclamando do preço. O brique, o gasômetro, o Tudo Pelo Social (valha-me Deus!). Resumindo, qualquer evento atrai milhares de gentes.

E é com pesar que tenho que discordar de Luís Fernando Veríssimo. Ou pelo menos com o que disse o Analista de Bagé: “Quem gosta de aglomeramento é mosca em bicheira”. Não é. Gente adora gente. Quanto mais gente melhor. Critério nenhum.

Lembro de um tempo em que eu ainda saía de casa, e um dos argumentos que os amigos usavam pra dizer que um evento seria interessante era: “Toda galera vai estar lá”. Nada pode ser mais assustador pra mim. Doce mistério.

quinta-feira, 27 de março de 2014

GENTE

Eu sei que sou repetitivo. Mas tem coisas que não dá pra aturar. Me refiro a uma propaganda de sandália havainas que está no ar, todo mundo já deve ter visto. Claro, falo dos mortais que assistem canais abertos.

Um casal, se conhecendo na praia, entabula uma conversa na frente de uma barraca que vende as sandálias. Aquelas frases de efeito, todo mundo sabe como é.

De repente, ela falando com ele, diz: “Gente, ele entendeu tal coisa”. Mas ela tá falando com ele ou com a plateia?

sexta-feira, 12 de abril de 2013

GENTE

“Gente”, como se sabe, é o plural de cara. Com a vantagem de poder ser usado inclusive quando se tem somente um interlocutor: “Gente... Eu não acredito!”. 

Uma característica marcante de gente que fala “gente” é a incredulidade. “Gente” não olha pro céu. “Gente” não quer saber o um. 

“Gente” também é importante quando a gente não sabe o que dizer, e precisa um tempo pra pensar: “Gente....” seguido de um ar de estupefação. É equivalente ao “o que é que eu posso te dizer sobre isso...”. Ou de expressões sofisticadas como “ããã...”. 

“Gente” não quer respirar ar pelo nariz. “Gente, vocês tem que ir lá”. Gente que fala “gente” também sempre conhece lugares que ninguém mais conhece. Mas que precisam conhecer. 

“Gente” não lava a roupa e não amassa o pão. “Gente” não arranca a vida com a mão. Não é que gente que fala “gente” seja paranoica, mas gente que fala “gente” sempre solta uma assim: “Gente... Só acontece comigo!”. 



Gente espelho da vida, doce mistério.