Para ilustrar o post "Prato Feito", de Luiggi, da semana passada, Toninho Horta interpreta, dele e de Ronaldo Bastos, com a participação de Pat Metheny na guitarra, a música do mesmo nome. Do disco "Toninho Horta", de 1980.
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domingo, 1 de junho de 2014
quinta-feira, 29 de maio de 2014
PRATO FEITO
Comida envolve tradição. E tradições mudam, eu entendo. Mas, mesmo assim, devem ser respeitadas. É o caso dos hoje conhecidos como PFs, os pratos feitos, e os à la minutas.
Prato feito é prato feito, à la minuta é à la minuta. Pelo menos para mim, para as pessoas que eu
conheço e para todos os bistrôs que frequento. Mas não para a ZH e para a sua inocente repórter, que se surpreende e
se deslumbra a cada bar que entra para uma série de reportagens sobre PFs.
Segundo a Ermã, e acho que ela tem razão, para a repórter, PF é qualquer coisa que se coma à guisa de almoço e que não seja servida no bufê. E se isso não é uma
simplificação grosseira do jornal, é uma estroinice. Quem sabe até um
desrespeito às tradições. Espero pronunciamento de Paixão Cortes e do Paulo
Brossard de Souza Pinto sobre o assunto.
Sou do tempo em que não existia o existia o PF. Naquela época (mesma época em que futebol de salão era chamado de futebol de salão), ainda se chamava de prato feito, prato comercial, executivo e à la minuta.
Um prato feito de respeito tinha que ter necessariamente
arroz, feijão (nem embaixo e nem sobre o arroz, do lado) e massa, batata ou
aipim e alguma carne. Às vezes, tinha uma ou outra firula, como cenoura, couve ou
repolho refogados. E um pratinho de salada já temperada com muito vinagre. Acompanhava
um copo de guaraná sem gás.
O prato comercial (ainda bem que não existe mais, senão
seria chamado de PC), geralmente, era a mesma coisa, porém, com a carne e o feijão separados. Era consumido pelo pessoal do escritório. O
executivo (hoje chamar-se-ia E) era mais ou menos a mesma coisa, mas o prato
vinha vazio e as comidas em travessas separadas. Dependendo, vinha batata frita
também. O que era mais para marcar a hierarquia de quem pedia, pois era
consumido basicamente pela diretoria e pelos chefes de setor. É bom salientar,
frisar, exagerar e deixar bem claro que em hipótese alguma, nunca, jamais, o
prato feito vinha com batata frita. Deve constar isso em algum estatuto dos
bistrôs. O à la minuta era consumido pela minha categoria, os
office-boys, somente em uma ocasião: no dia em que recebíamos os “tíquetes”.
Tudo isso para dizer novamente o que disse no início: PF é
PF, à la minuta é à la minuta. Simples assim.
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