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sábado, 15 de março de 2014

EU FAÇO A MINHA PARTE II

Ainda na linha “cidadão no feicebuque”. Sujeito posta uma foto de um homem já velho, provavelmente vindo do trabalho, de pé, no metrô. Ao lado dele um casal de jovens ri e se diverte. Sentados. Abaixo, um texto indignadíssimo, coisa do tipo “onde já se viu?”, “essa juventude não respeita mais nada”.

Não seria mais simples, já que o internauta fotógrafo estava tão indignado com a situação, ir lá e manifestar o desagrado para os jovens?

EU FAÇO A MINHA PARTE

A foto é de um produto estranho. Uma engenhoca esquisita. Abaixo, a breve descrição de um produto que revolucionará a comunicação, a energia (é movido simplesmente por bons sentimentos vindos do fundo de um coração puro), vai baratear o preço da cerveja e ainda por cima foi desenvolvido no Brasil por pessoas que só comem produtos orgânicos e dão bom dia pras velhinhas na rua.

Junto da descrição do milagre vem a explicação de que “eles” estão apavorados com o produto. “Eles” não vão deixar você conhecer a engenhoca e muito menos usá-la. “Eles” estão buscando desesperadamente um jeito de abafar o produto e difamar seus criadores. “Eles”, presumo, sejam os poderosos malvados que governam o mundo e querem a nossa alma. (E estão reunidos com o Roberto Marinho, que não morreu).


E depois vem uma lição de cidadania: “Eu faço a minha parte: divulgo e compartilho”.

A descrição do produto no melhor estilo (011) 1406 eu entendo. A paranoia conspiratória a respeitos “deles”, eu mato no peito. Mas cidadania compartilhando link no feicebuque é demais pra mim.