Trecho de “Borges e os Orangotangos Eternos”, de Luis Fernando Verissimo:
(...) obrigaram Oliver Johnson a interromper sua fala sobre a continuidade de Poe em Lovecraft, (...) e abandonar o palco, ouvindo de Rotkopf que fazia muito bem, pois cada vez que um imbecil se calava, o clima intelectual da Terra melhorava um pouco.
Bêbados se sentem mais sensuais que sóbrios, segundo pesquisa francesa
Professor distribuiu um coquetel sem álcool para dois grupos. A metade que acreditou ter bebido um drinque alcoólico se deu notas maiores no quesito "sensualidade"
AreaH| (iG)
Reprodução Vanity Fair
Estudo de francês indica que as pessoas se sentem mais sensuais após uma bebida alcoólica
O que faz você se sentir mais atraente diante das mulheres? Um corpo sarado, uma roupa de marca, um cabelo bem cortado, a barba por fazer? De acordo com um estudo francês, pessoas alcoolizadas - ou que pensam estar alcoolizadas - se sentem mais sensuais, mesmo quando a bebida que ingerem não contém álcool.
Psicólogos da Universidade Pierre Mendès France, na cidade de Grenoble, concluíram que quanto maior a quantidade de álcool a pessoa acredita ingerir, mais atraente ela se sente.
O estudo liderado por Laurent Bègue afirma ainda que as pessoas se classificam como sendo mais sensuais quando pensam que estão ingerindo uma bebida alcoólica.
Os níveis de álcool no organismo de cada um eram medidos com um bafômetro e o resultado foi interessante: quanto mais bebiam, maior era a nota que davam a si próprios.A primeira parte da pesquisa foi realizada com 19 pessoas que estavam bebendo (maioria composta por homens) e que tinham de pontuar seu nível de sensualidade com notas de 1 a 7.
A segunda fase do experimento incluiu um grupo de 94 homens convidados a provar um novo coquetel de frutas. Os participantes foram levados a acreditar que estariam testando a bebida para uma empresa de pesquisa.
O grupo foi dividido em dois. Metade foi informada que o drinque que provariam era alcoólico, e a outra recebeu a informação de que a bebida não tinha álcool. Em seguida, eles tiveram que gravar um vídeo que supostamente seria usado como anúncio da empresa de bebidas. Por fim, depois de assistirem aos vídeos, deveriam pontuar seu desempenho, atuação, originalidade e sensualidade.
O resultado foi o mesmo. Os que pensavam ter ingerido a versão alcoólica da bebida deram notas mais altas, enquanto o efeito contrário foi observado naqueles que beberam o coquetel sem álcool.
O estudo indica que as pessoas relacionam seus níveis de atratividade ao álcool e isso se dá porque a bebida alcoólica está ligada ao conceito de “lubrificação social”, que faz com que aquele que bebe se sinta mais á vontade com os outros.
Lembrei de uma charge que vi esta semana. Ou daquelas
montagens com chistes e gracejos que pululam no “redes sociais”. (Uso artigo singular
e masculino porque se fala “redes sociais” e a gente sabe que estão se
referindo ao feicebuque).
Uma delas era assim: A moça se encanta com um rapaz. Aí ele
pede licença pra ir comprar a revista Veja. Ela se decepciona horrivelmente. A
mesma piada poderia ser com a revista Caros Amigos ou com A Voz da Unidade.
E essas são características de quem é engajado em uma causa.
Qualquer causa. Primeiro: quem está com eles, tem que pensar como eles; segundo:
não querem saber como “eles” (os “inimigos”) pensam.
I'm a Believer é uma canção de Neil Diamond gravada pelo grupo The Monkees em 1966. O single atingiu o primeiro lugar da Bilboard e permaneceu lá por sete semanas. Foi disco de ouro em função de mais de um milhão de cópias de vendas antecipadas em dois dias. É um dos 40 mais de todos os tempos por ter vendido mais de 10 milhões de cópias em todo o mundo.
I thought love was only true in fairy tales Meant for someone else but not for me Love was out to get me That's the way it seemed. Disappointment haunted all my dreams.
And then I saw her face Now I'm a believer Not a trace Of doubt in my mind I'm in love ooooo whoa I'm a believer I couldn't leave her if I tried.
I thought love was more or less a givin' thing. Seems the more I gave the less I got. What's the use in trying? All you get is pain. When I needed sunshine I got rain.
And then I saw her face Now I'm a believer Not a trace Of doubt in my mind I'm in love ooooo whoa I'm a believer I couldn't leave her if I tried.
(instrumental)
Love was out to get me Now that's the way it seemed Disappointment haunted all my dreams
And then I saw her face Now I'm a believer Not a trace Of doubt in my mind I'm in love ooooo whoa I'm a believer I couldn't leave her if I tried.
Then I saw her face Now I'm a believer Not a trace Of doubt in my mind Said I'm a believer Yeah yeah yeah yeah yeah yeah I'm a believer
Comprei um livro essa semana. Em um sebo. (“NÃO-CON-SIGO passar na frente de um sebo.
Sempre tenho que entrar! Passo horas lá dentro, quero levar TU-DO!”. “DE-VO-REI o livro em uma noite, mas não sei
se tu ia gostar”.)
Tudo mentira. Fora a parte que comprei um livro. Foi pela
internet e ainda nem toquei nele. Salvo pra tirar um marcador de livros ali de
dentro.
O marcador tem uma frase de Renato Wagner: “o hoje foi o
amanhã ontem”.
O hoje foi o amanhã ontem. Rapidamente fiquei pensando nas
implicações e consequências da frase: “hoje é o ontem de amanhã”. “Amanhã é o
depois de amanhã de ontem”. E assim por diante, pra ficar só nas variações de
dia.
Não consegui descobrir ao certo quem é Renato Wagner. Mas é
autor de um livro chamado “o hoje foi o amanhã ontem”. Não é uma mera frase
edificativa. Ah bom...Deve ser um livro e tanto...
Oi, rapazinho. Garoto, ouvi falar um bocado de você. Veja só, fui muito amigo do seu pai. Ficamos mais de cinco anos juntos naquele buraco do inferno em Hanói. Espero que você nunca tenha uma experiência assim. Mas quando dois sujeitos estão numa situação igual à que seu pai e eu vivemos, durante o tempo em que vivemos, a gente assume algumas responsabilidades pelo outro. Se fosse eu que não tivesse sobrevivido, seu pai estaria falando agora com meu filho, Jim. Mas do jeito que a coisa aconteceu, sou eu que estou falando com você, Butch. Tenho uma coisa para você. Esse relógio aqui foi comprado pelo seu bisavô. Foi comprado durante a Primeira Guerra Mundial, numa lojinha de Knoxville, Tennessee. Foi comprado pelo soldado de infantaria Ernie Coolidge no dia em que ele foi para Paris. Era o relógio de guerra do seu bisavô, feito pela primeira empresa que fabricou relógios de pulso. Veja só, até então as pessoas só usavam relógios de bolso. Seu bisavô usou o relógio durante todos os dias em que esteve na guerra. Depois, quando terminou o tempo de serviço, ele foi para casa, para a sua bisavó, tirou o relógio do pulso e colocou numa velha lata de café. E o relógio ficou naquela lata até que seu avô Dane Coolidge foi convocado pelo país para atravessar o oceano e lutar mais uma vez contra os alemães. Dessa vez, deram o nome de Segunda Guerra Mundial. Seu bisavô presenteou o relógio ao seu avô, para dar boa sorte. Infelizmente a sorte de Dane não foi tão boa quanto a do pai. Seu avô era fuzileiro e foi morto com todos os outros fuzileiros na Batalha de Wake Island. Seu avô estava diante da morte e sabia disso. Nenhum dos rapazes tinha qualquer ilusão de que deixaria vivo aquela ilha. Por isso, três dias antes de os japoneses ocuparem a ilha, seu avô, que estava com vinte e dois anos, pediu que um artilheiro chamado Winocki, que trabalhava num avião de transporte da Força Aérea e que ele nunca encontrara antes na vida, entregasse o relógio de ouro ao filho bebê, que ele nunca vira em carne e osso.Três dias depois seu avô foi morto. Mas Winocki manteve a palavra. Quando a guerra terminou, ele fez uma visita à sua avó e entregou o relógio de ouro ao seu pai, que era um bebê. Este relógio. Este relógio estava no pulso do seu pai quando ele recebeu um tiro em Hanói. Ele foi capturado e posto num campo de prisioneiros no Vietnã. Bom, seu pai sabia que se os vietcongues vissem o relógio ele seria confiscado. Seu pai achava que o relógio era seu, por direito de nascença. E ele não admitiria que nenhum cabeça-de-bagre pusesse as mãos amarelas e sujas no que era de seu menino por direito de nascença. Por isso escondeu-o no único lugar onde poderia esconder alguma coisa. No cu. Durante cinco longos anos ele usou este relógio no cu. E quando morreu de disenteria, me deu o relógio. Eu escondi esse pedaço de metal desconfortável no meu cu durante dois anos. E então, depois de sete anos como prisioneiro, fui mandado para casa e para minha família. E agora, rapazinho, eu lhe entrego o relógio
A obra Guernica de Pablo Picasso é a visão de um pesadelo de
violência, dores e caos, sendo cheia de energia e sem cores.
Picasso pintou a Guernica como um ataque apaixonado ao
governo fascista espanhol. Trazendo um retrato do ininterrupto bombardeio
alemão em 1937 em Guernica durante a Guerra Civil Espanhola, o quadro tornou-se
um símbolo universal das atrocidades da guerra.
Embora Picasso não fizesse parte oficial do movimento
surrealista, a obra está cheia de evidências dessa influência sobre o artista.
As figuras são apavorantes e distorcidas, em especial os pescoços estendidos e
curvados das mulheres sofredoras.
A obra-prima do artista é considerada por muitos a maior
pintura do século XX. Apesar de as guerras continuarem a ser travadas, o quadro
Guernica é um lembrete humilhante da desumanidade e da destrutividade do homem.
Na parte central (inferior direito) do quadro, a pelagem do
cavalo mutilado é retratada com pequenos traços verticais. Picasso teria
começado a fazê-las, mas quem as terminou teria sido sua esposa, pois o artista
teria dito que davam muito trabalho.
Em sua coluna no jornal O Globo dessa semana, Luis Fernando
Veríssimo relata esse episódio sobre a obra: “Contam que um grupo de oficiais nazistas foi visitar o atelier do
Picasso durante a ocupação de Paris e, vendo uma reprodução do seu quadro
Guernica, a dramática recriação da destruição daquela pequena cidade pelos
alemães na Guerra Civil espanhola, um deles comentou: "Ah, foi você que
fez isso, não foi?". Ao que Picasso teria respondido: "Não, foram
VOCÊS que fizeram isso".”
4 detalhes de Guernica se destacam:
1. Touro ou minotauro
Picasso usa o tema do touro ou minotauro para representar a
luta entre o homem e a barbárie.
2. Lâmpada
Pintada dentro de uma
forma amendoada, como um olho maligno, uma solitária lâmpada irradia luz sobre
um cavalo em sofrimento.
3. Figura
aterrorizada
Na direita do quadro há uma pessoa que está caindo ou se
encontra presa em um edifício em chamas. O seu rosto contorcido faz um apelo
emocional direto e atrai o espectador para a sua dor e espanto.
4. Espada e flor
O braço de um guerreiro morto situa-se no centro inferior da
obra. A mão continua a segurar uma espada estilhaçada, e uma flor fantasmagórica
cresce perto da sua mão. Essa flor é o único símbolo de esperança da pintura.
Ficha Técnica - Guernica:
Autor: Pablo Picasso
Onde ver: Museu Reina Sofía, Madri, Espanha Ano: 1937 Técnica: Óleo sobre tela
Movimento: Cubismo
Com o site Universia Brasil
para maiores informações sobre Guernica e a obra de Picasso clique AQUI.
Cause We've Ended as Lovers foi composta por Stevie Wonder para o segundo disco de Syreeta Wright - "Stevie Wonder Presents: Syreeta" -, lançado pela Motown, em 1974. A canção passou batida em sua versão original.
Em 1975, Jeff Beck incluiu-a, em versão instrumental, no disco Blow by Blow (Epic Records) e ela se tornou um clássico. O próprio autor considera definitiva a versão do guitarrista britânico. O disco chegou ao quarto posto da Bilboard 200, uma façanha para um trabalho instrumental.
Muitas pessoas têm orgulho de seus defeitos. É claro que
elas consideram esses defeitos grandes diferenciais de sua genial personalidade
e um toque peculiar em sua cinematográfica vida.
“Sou muito distraído”. “Eu não consigo ficar sem fazer nada,
tenho que produzir”. E outras tantas frases do gênero. Todas elas, claro, me
irritam. Mas nenhuma tanto quanto: “Não sei lidar com dinheiro”.
O primeiro passo pra alguém não saber lidar com dinheiro é
ter dinheiro. E ter bastante. Você consegue imaginar essa riqueza de frase
vinda de um trabalhador que receba salário mínimo? Claro que não. Cada centavo
que entra tem um destino. Não existe brecha para “distrações”.
Eu sei que cada um tem seu jeito de lidar com as
vicissitudes cotidianas, como criar uma conta no armazém ou pendurar um trago
no boteco. Mas será que esse mundo de gente sem grana comporta esse tipo de
distração? No caixa do mercado, compras embaladas, e o esquecido diz: “nem
lembrei de pegar dinheiro”. Será que o esquecido abastado não lembra de botar
as calças de manhã? De comer quando tem fome? Da entrevista na TV?
Façam-me o favor, distraídos: esqueçam de mencionar suas
distrações.
Caetano Emanuel Viana Teles Veloso nasceu em 1942, na Bahia.
Filho de um funcionário dos Correios e telégrafos e de Dona
Canô. Que era.. Dona Canô.
Em 1979, Caetano Veloso grava Cinema Transcendental,
repetindo a parceria do disco anterior (Muito – Dentro da estrela azulada) com
A Outra Banda da Terra, grupo formado por Vinicius Cantuária, Tomás Improta, Perinho
Santana, Arnaldo Brandão e outros músicos. Merece destaque no disco a gravação
que Caetano fez de Vampiro, do grande Jorge Mautner. O disco tem a participação
do recentemente falecido Dominguinhos em Oraçãoao Tempo e Cajuína.
Sobre Cajuína, a palavra do próprio Caetano:
"Numa excursão
pelo Brasil com o show Muito, creio, no final dos anos 70, recebi, no hotel em
Teresina, a visita de Dr. Eli, o pai de Torquato. Eu já o conhecia, pois ele
tinha vindo ao Rio umas duas vezes. Mas era a primeira vez que eu o via depois
do suicídio de Torquato. Torquato estava, de certa forma, afastado das pessoas
todas. Mas eu não o via desde minha chegada de Londres: Dedé e eu morávamos na
Bahia e ele, no Rio (com temporadas em Teresina, onde descansava das
internações a que se submeteu por instabilidade mental agravada, ao que se diz,
pelo álcool). Eu não o vira em Londres: ele estivera na Europa mas voltara ao
Brasil justo antes de minha chegada a Londres. Assim, estávamos de fato
bastante afastados, embora sem ressentimentos ou hostilidades. Eu queria muito
bem a ele. Discordava da atitude agressiva que ele adotou contra o Cinema Novo
na coluna que escrevia, mas nunca cheguei sequer a dizer-lhe isso. No dia em
que ele se matou, eu estava recebendo Chico Buarque em Salvador para fazermos
aquele show que virou disco famoso. Torquato tinha se aproximado muito de
Chico, logo antes do tropicalismo: entre 1966 e 1967. A ponto de estar mais frequentemente
com Chico do que comigo. Chico e eu recebemos a notícia quando íamos sair para
o Teatro Castro Alves. Ficamos abalados e falamos sobre isso. E sobre Torquato
ter estado longe e mal. Mas eu não chorei. Senti uma dureza de ânimo dentro de
mim. Me senti um tanto amargo e triste mas pouco sentimental. Quando, anos
depois, encontrei Dr. Eli, que sempre foi uma pessoa adorável, parecidíssimo
com Torquato, e a quem Torquato amava com grande ternura, essa dureza amarga se
desfez. E eu chorei durantes horas, sem parar. Dr. Eli me consolava,
carinhosamente. Levou-me à sua casa. D. Salomé, a mãe de Torquato, estava hospitalizada.
Então ficamos só ele e eu na casa. Ele não dizia quase nada. Tirou uma
rosa-menina do jardim e me deu. Me mostrou as muitas fotografias de Torquato
distribuídas pelas paredes da casa. Serviu cajuína para nós dois. E bebemos
lentamente. Durante todo o tempo eu chorava. Diferentemente do dia da morte de
Torquato, eu não estava triste nem amargo. Era um sentimento terno e bom,
amoroso, dirigido a Dr. Eli e a Torquato, à vida. Mas era intenso demais e eu
chorei. No dia seguinte, já na próxima cidade da excursão, escrevi
Cajuína."