domingo, 24 de novembro de 2013
LA GRENOUILLÈRE
A pintura La Grenouillère, de Pierre-August Renoir, mostra
um grupo de pessoas reunidas à beira do Sena, esperando para atravessar a ponte
até a ilha. Na água, pessoas se banham perto da margem e um barco mais afastado
corta o rio. É possível perceber que trata-se de uma cena de descontração, com
uma banhista sentada na ponte e enxugando os pés, cães descansando no chão e
diversas pessoas com trajes elegantes conversando animadamente.
O estilo solto de Renoir promove na tela uma fusão de
detalhes a meia distância. A água, os banhistas e os pormenores da margem
oposta parecem se complementar. Os tons de verde e azul do verão à beira do rio
ganham vida com os elementos dos visitantes.
O cenário idílico passa uma sensação de energia, diversão e
bom humor e a obra deixa clara a concentração de Renoir nas figuras humanas e
seus detalhes que, embora delineados sem contornos precisos, possuem gestos,
poses e formas claramente articulados.
A cena, retratada de perto, dá destaque para as pessoas
representadas na parte esquerda. O arco e os banhistas próximos à pnonte
equilibram a presença do grupo de visitantes e o tronco de árvore acrescenta à
obra uma sensação de familiaridade.
3 detalhes de La Grenouillère se destacam:
1. Ponto de cor:
O laço no vestido da dama de costas chama a atenção do
obervador e tem por objetivo atrair o seu olhar para o grupo de pessoas
retratado na beira do rio.
2. Trajes de banho:
Embora as figuras apresentadas na água tenham um estilo
esboçado, Renoir conseguiucapturar a forma reveladora dos trajes de banho
desses banhistas. 3. Impressão de movimento:
O barco que aparece no rio possui poucos detalhes de cor. Para dar a ele a ideia de movimento sobre a água o pintor apostou na textura do branco.
Ficha Técnica - La Grenouillère:
Autor: Pierre-Auguste Renoir
Onde ver: Museu Pushkin, Moscou, Russia
Ano: 1869
Técnica: Óleo sobre tela
Tamanho: 59cm x 80cm
Movimento: Impressionismo
sábado, 23 de novembro de 2013
O MUNDO MONGO II
No EGO:
Bárbara Evans posou toda produzida no Instagram e aproveitou para mandar uma indireta. "Saindo! Só não vê quem não quer! Fica a dica", disse ela.
Na noite desta quinta-feira, 21, a modelo levou a tiracolo seu mais novo mascote: o filhotinho que foi batizado de Pelota. "Chegou ontem da Bahia. Ganhei de presente de um canil. É meu filhinho novo. Não consigo nem desgrudar, é meu novo companheiro de cama", disse ela sobre seu novo bichinho de estimação, de dois meses.
Kevin Warhol profetiza: "Pelota, brevemente, será uma 'celebridade da mídia'."
Bárbara Evans posou toda produzida no Instagram e aproveitou para mandar uma indireta. "Saindo! Só não vê quem não quer! Fica a dica", disse ela.
Na noite desta quinta-feira, 21, a modelo levou a tiracolo seu mais novo mascote: o filhotinho que foi batizado de Pelota. "Chegou ontem da Bahia. Ganhei de presente de um canil. É meu filhinho novo. Não consigo nem desgrudar, é meu novo companheiro de cama", disse ela sobre seu novo bichinho de estimação, de dois meses.
Kevin Warhol profetiza: "Pelota, brevemente, será uma 'celebridade da mídia'."
AUMENTANDO O PECÚLIO
Ingrid Migliorini, codinome Catarina, volta à carga na tentativa de leiloar a sua virgindade.
Depois de causar furor na mídia internacional ao leiloar sua virgindade e desistir da empreitada, por desconfiar da lisura do processo, e de estrelar, por conta da fama, uma edição da Playboy, a moçoila se põe à disposição de homens e mulheres dispostos a desfrutar dos prazeres de seu corpinho.
Na década de 60, Andy Warhol profetizou: "Um dia, todos terão direito a 15 minutos de fama." Mal sabia ele que esses 15 minutos poderiam se transformar em 30, 45...
COVER DO SÁBADO
Without You foi composta por Pete Ham e Tom Evans, do Badfinger, para o álbum No Dice, de 1970. A canção passou praticamente despercebida em sua versão inicial.
Em 1971, o cantor americano Nilsson inclui-a em seu álbum Nilsson Schmilsson. O single permaneceu como número um no Billboard Hot 100 norte-americano por quatro semanas. Ela substituiu Let's Stay Together, de Al Green, e foi substituída por Heart of Gold, de Neil Young .
Without You rendeu a Nilsson um Grammy de melhor performance vocalista-masculino-pop do ano. Em 1972, recebeu o disco de ouro pela RIAA (EUA), por um milhão de cópias vendidas, além da indicação de melhor disco do ano. É a música que mais rende royalties para os herdeiros de Ham & Evans.
Em 1971, o cantor americano Nilsson inclui-a em seu álbum Nilsson Schmilsson. O single permaneceu como número um no Billboard Hot 100 norte-americano por quatro semanas. Ela substituiu Let's Stay Together, de Al Green, e foi substituída por Heart of Gold, de Neil Young .
Without You rendeu a Nilsson um Grammy de melhor performance vocalista-masculino-pop do ano. Em 1972, recebeu o disco de ouro pela RIAA (EUA), por um milhão de cópias vendidas, além da indicação de melhor disco do ano. É a música que mais rende royalties para os herdeiros de Ham & Evans.
sexta-feira, 22 de novembro de 2013
EXPRESSÕES
Algumas expressões viram moda e são usadas ad nauseam. Tem gente que adora repetir a todo momento uma expressãozinha da vez, o que acaba se tornando chato e tornando a pessoa chata.
Outro dia Ruy Castro escreveu sobre isso. Beijo no coração, por exemplo, é a pior de todas. Um beijo no coração é uma coisa mimosa, carinhosa e nojenta. Não suporto mais ouvir isso, mas tem gente que adora. Outra insuportável é livre, leve e solto. Impressionante como tem gente que repete essa joça e acha isso poético, sensível, bonito...
O vulgo adora lugar-comum, frase de efeito e filosofia barata. As redes sociais não me deixam mentir.
Outro dia Ruy Castro escreveu sobre isso. Beijo no coração, por exemplo, é a pior de todas. Um beijo no coração é uma coisa mimosa, carinhosa e nojenta. Não suporto mais ouvir isso, mas tem gente que adora. Outra insuportável é livre, leve e solto. Impressionante como tem gente que repete essa joça e acha isso poético, sensível, bonito...
O vulgo adora lugar-comum, frase de efeito e filosofia barata. As redes sociais não me deixam mentir.
THE VOICE
Cartola, Chico Buarque, Tom Zé, Lupicínio Rodrigues, Roberto
Carlos, Raul Seixas e acho que nem mesmo João Gilberto. Humberto Gessinger,
Herbert Viana e Cazuza então, nem pensar.
Nenhum desses seria aprovado pelos jurados (ou público, não
sei bem como funciona) do programa The Voice Brasil.
Há tempos desconfio de minha implicância com vocalistas
virtuosos. Há quem considere isso um estigma fatal. Como já disse aqui, pra mim
é questão de gosto. Pode ser de mau, gosto, mas gosto. Música (como qualquer
forma de arte, de maneira geral) precisa – pra não usar termos técnicos que não
conheço e tentar sintetizar a ideia – arrepiar.
Obviamente uma técnica sempre ajuda. Mas isso vale pra tudo.
E “só” técnica fica muito chato.
Um exemplo elucidativo: ninguém duvida que David Gilmour
sabe – e muito bem – o que está fazendo quando pilota a sua Fender. E precisa somente
de duas ou três notinhas pra fazer o que o Yngwie Malmsteen faz no braço inteiro
na guitarra e mais um monte de efeitos.
Enfim, a turma nunca deu bola pra música mesmo. E, aliás,
onde andam os vencedores das edições anteriores dos The Voices?
É CAMPEÃO!!!
A notícia é antiga, eu sei, mas o que se pode fazer numa sala de espera? Prefiro as revistas velhas ao programa da Ana Maria Braga.
Em julho deste ano, um grupo de cerca de 20 artistas (Caetano Veloso, Roberto e Erasmo Carlos, Lenine, Fafá de Belém e outros) foi ao Senado assistir a votação da PEC do Ecad. Muitas fotos, muitos sorrisos e um monte de papagaios de pirata. Mas o que mais me chamou atenção nas fotos foi o Rogério Flausino (Jota Quest) e um outro desconhecido (para mim) sempre na fila da frente. Atrás, os medalhões da MPB.
Ao ver isso, lembrei de uma outra situação. Sabe quando um time de futebol ganha um campeonato e os jogadores, depois da volta olímpica, vão para a frente das câmeras gritar "É campeão! É campeão!"? Pois na fila da frente, jogando-se praticamente em cima do cara da câmera, estão sempre o goleiro reserva, o terceiro goleiro, o zagueiro que concentrou duas vezes e o atacante das categorias de base que foi relacionado uma única vez para preencher o número de reservas no banco.
São sempre os mais felizes. E os que mais aparecem.
É campeão...
Em julho deste ano, um grupo de cerca de 20 artistas (Caetano Veloso, Roberto e Erasmo Carlos, Lenine, Fafá de Belém e outros) foi ao Senado assistir a votação da PEC do Ecad. Muitas fotos, muitos sorrisos e um monte de papagaios de pirata. Mas o que mais me chamou atenção nas fotos foi o Rogério Flausino (Jota Quest) e um outro desconhecido (para mim) sempre na fila da frente. Atrás, os medalhões da MPB.
Ao ver isso, lembrei de uma outra situação. Sabe quando um time de futebol ganha um campeonato e os jogadores, depois da volta olímpica, vão para a frente das câmeras gritar "É campeão! É campeão!"? Pois na fila da frente, jogando-se praticamente em cima do cara da câmera, estão sempre o goleiro reserva, o terceiro goleiro, o zagueiro que concentrou duas vezes e o atacante das categorias de base que foi relacionado uma única vez para preencher o número de reservas no banco.
São sempre os mais felizes. E os que mais aparecem.
É campeão...
MÚSICA NA SEXTA
Herivelto de
Oliveira Martins nasceu no Rio de
Janeiro, em 1912.
Era filho de um agente ferroviário apaixonado por teatro que costumava promover grupos teatrais amadores, nos quais fazia questão de envolver a família, principalmente os filhos.
"Você não é nada sem mim. Eu inventei você. Não se
esqueça disso, Dalva!".
Tudo acabado entre nós
Hoje de madrugada
Você partiu e eu fiquei
Você chorou e eu chorei
Se você volta outra vez
Eu não sei
Da minha boca sem os beijos teus
Da minha alma sem o teu calor
Que será
Da luz difusa do abajur lilás
Se nunca mais vier a iluminar
Outras noites iguais
Eu deixei o meu caminho certo
E a culpada foi ela
Transformava o lar na minha ausência
Em qualquer coisa
Abaixo da decência
Errei, sim
Manchei o teu nome
Mas foste tu mesmo o culpado
Deixavas-me em casa
Me trocando pela orgia
Faltando sempre com a tua companhia
Lembro-te agora
Que não é só casa e comida
Que prende por toda a vida
O coração de uma mulher
Aproveita
Gasta bem o que ganhaste
Eu não quero ter notícia
Que como Judas te portaste
Teus sambas são verdadeiras infâmias
Crivados só de calúnias
Contra o amigo leal
O vinho que bebeste à minha mesa
Fez revelar a beleza
Sem um disfarce sequer
Pantera de unhas encurvadas
Amigo das madrugadas
Um vagabundo qualquer
Há muita gente
Que encontra estrelas
Na própria lama
E junta um buquê de flores
Do mal que soube causar
Há muita gente
Que a glória arranca
Do próprio drama
E da tragédia da vida
Motivos para viver
E quando erra proclama
E quando peca sorri
Só porque eu vivo a brilhar
Sim, mostraste ser invejoso
Viraste até mentiroso
Só para caluniar
Deixa a calúnia de lado
Que ela a mim não afeta
Deixa a calúnia de lado
Se de fato és poeta
Se me ofendes
Tu serás o ofendido
Pois quem com ferro fere
Com ferro será ferido
Entre nós uma reconciliação
A vergonha e o respeito
Não tem mais jeito
Sei que é doloroso um palhaço
Se afastar do palco por alguém
Volta que a plateia te reclama
Sei que choras, palhaço,
Por alguém que não te ama
Enxuga os olhos e me dá um abraço
Não te esqueças que és um palhaço
Faça a plateia gargalhar
Um palhaço não deve chorar
Esse amor quase tragédia
Que me fez um grande mal
Felizmente essa comédia
Vai chegando ao seu final
Já paguei todos os pecados meus
O meu pranto já caiu demais
Só lhe peço pelo amor de Deus
Deixa-me viver em paz
Não quero me fazer de inocente
Porém não sou tão má
Como disseram por aí
Eu quero o meu sossego tão somente
Cada um trate de si
Vai
Não te posso prender
Não te posso obrigar
A mentir se não queres ficar
Não convém insistir
Não convém iludir
Pra mais tarde sofrer
Não me tens amizade
Esta é a grande verdade
Por isso não vejo razão
Para a nossa união, meu amor
Sonho quimera ilusão
Tudo vai terminar
Quando um dia o remorso chegar
E da felicidade existir a saudade
No teu coração
Verás então ao teu lado
Meu vulto meio apagado
Revivendo um amor desesperado
Meu pai ataca outra vez, agora em parceria com Raul Sampaio,
que entrara para o Trio de Ouro, com a música "Perdoar":
Perdoar
Eu não perdoo, não
Eu estou cada vez mais convencido
De que aquela mulher
Ai, ai, meu Deus
É um caso perdido
Vem arrependida implorar perdão
Falta, erra e por fim
Ainda confessa, errei, sim
O que era um claro caminho
Tornaste desolação
Hoje tu voltas chorando
Para implorar o meu perdão
O meu perdão nada custa
Falando a palavra justa
Há muito eu te perdoei
E por amar a verdade
Vendo tanta falsidade
No fundo eu te lastimei
Se é falso e vil o interesse
O amor bem cedo fenece
É flor que morre em botão
Não, não pode alcançar os astros
Quem leva a vida de rastros
Quem é poeira do chão
Era filho de um agente ferroviário apaixonado por teatro que costumava promover grupos teatrais amadores, nos quais fazia questão de envolver a família, principalmente os filhos.
Com três anos de idade, apresentava-se nos espetáculos
promovidos pelo pai, vestindo uma casaca e recitando: "Nasci pra namorar/
Toda moça bonita que eu vejo/ Dá vontade de casar".
No início dos anos 1930, conheceu sua primeira mulher, Maria
Aparecida Pereira de Mello, com quem teve dois filhos: Hélcio e Hélio.
Separaram-se depois de cinco anos de convivência.
Por volta de 1936, passou a viver com a cantora Dalva de
Oliveira. Em 1937, nasceu seu filho Pery, o futuro cantor Pery Ribeiro. Em
1939, casou-se oficialmente com Dalva.
Em 1947, as brigas conjugais o afastaram de Dalva.
Separaram-se oficialmente em 1949, iniciando uma polêmica, inclusive musical,
da qual ele participou com várias músicas, como "Cabelos brancos", muito explorada pela imprensa da época.
Herivelto compunha os próprios sambas e boleros, enquanto
Dalva era apoiada por grandes nomes da cena brasileira, como Nelson Cavaquinho,
Ataulfo Alves e Paulo Soledade, entre outros. A partir de 1950 foram
eternizados clássicos como "Tudo Acabado", "Que Será",
"Errei Sim", "Falso Amigo", "Calúnia" e
"Palhaço", para citar apenas alguns.
Essa história é contada em detalhes por Pery Ribeiro e Ana
Duarte, sua esposa, no livro "Minhas Duas Estrelas".
Segue abaixo trecho do livro em que Pery esclarece algumas
polêmicas.
Embora tenha sido meu pai quem decidiu se separar de minha
mãe e mesmo já estando há alguns anos envolvido com outra mulher, isso não
significou realmente o fim de um capítulo, como se poderia esperar. Ao
contrário, foi o início de muitos outros capítulos. Meu pai não estava
preparado para enfrentar a realidade de que minha mãe poderia sobreviver sem
ele. Ela era sua "cria". O sentimento de posse, pessoal e artística,
desenvolvido por ele em relação a ela era muito grande. Afinal, eles
aconteceram juntos. Cresceram juntos naqueles catorze anos.
Para usar uma expressão muito em voga hoje, a formatação da
vida de Dalva e Herivelto foi feita a dois. Não dá para falar de um sem o
outro. Imagino que meu pai, apesar dos conflitos, sentia isso de uma maneira
muito forte. Se sentimentalmente ele já estava substituindo-a por Lurdes,
artisticamente a perda era irremediável para ele. Não se encontra mais de uma
Dalva de Oliveira pela vida.
Penso que ele torcia para que se tornasse verdade o que
tantas vezes dissera à minha mãe, para amedrontá-la, quando brigavam:
Mas, apesar de toda a insegurança calcada por ele, ela tinha
de enfrentar a sua estrada sozinha. E lançou, no começo de 1950, "Tudo
acabado", de J. Piedade e Oswaldo Martins:
Tudo acabado entre nós
Já não há mais nadaTudo acabado entre nós
Hoje de madrugada
Você partiu e eu fiquei
Você chorou e eu chorei
Se você volta outra vez
Eu não sei
A letra da música caía como uma luva sobre a recente
separação deles. O público, identificando o momento vivido por Dalva, fez da
canção o primeiro grande sucesso de minha mãe sem meu pai. E parecia, aos fãs
de minha mãe, uma resposta à música "Cabelos brancos", de meu pai e
Marino Pinto, lançada antes. Apesar de ter sido composta muitos anos antes da
separação, com o passar do tempo, por causa de sua letra, o público foi
incorporando-a na briga musical.
Devido à grande aceitação do público, a gravadora Odeon
lançou outro disco com Dalva, poucos meses depois, no qual minha mãe cantava de
um amigo deles e ex-parceiro de meu pai, Marino Pinto, em parceria com Mário
Rossi, o bolero "Que será":
Que será
Da minha vida sem o teu amorDa minha boca sem os beijos teus
Da minha alma sem o teu calor
Que será
Da luz difusa do abajur lilás
Se nunca mais vier a iluminar
Outras noites iguais
Outro sucesso estrondoso! Meu pai não soube enfrentar esse
sucesso que minha mãe alcançava sem ele e apelou. Foi aí então que estourou a
grande guerra musical, quando meu pai escreveu em parceria com David Nasser a
música "Caminho certo":
Eu deixei o meu caminho certo
E a culpada foi ela
Transformava o lar na minha ausência
Em qualquer coisa
Abaixo da decência
Este samba infeliz foi o estopim para que compositores do
porte de Ataulfo Alves, Marino Pinto, Oswaldo Martins, Paulo Soledade, Humberto
Teixeira, Nelson Cavaquinho, Alvarenga e Ranchinho, Lourival Faissal, Guaraná
etc. tomassem as dores de minha mãe e compusessem desesperadamente para dar a
Dalva, com suas canções, uma resposta a Herivelto.
No mesmo ano, 1950, minha mãe gravou, de Ataulfo Alves, a
música "Errei, sim":
Errei, sim
Manchei o teu nome
Mas foste tu mesmo o culpado
Deixavas-me em casa
Me trocando pela orgia
Faltando sempre com a tua companhia
Lembro-te agora
Que não é só casa e comida
Que prende por toda a vida
O coração de uma mulher
Foi tanto o sucesso de "Errei, sim" que meu pai passou
a odiar Ataulfo e por pouco não chegaram às vias de fato. Aliás, iria ser
engraçado, Herivelto, baixinho, e Ataulfo, com aquela altura toda. Conta-se que
Ataulfo já havia composto "Errei, sim" alguns anos antes e, quando
mostrou à minha mãe, ela imediatamente se identificou com a música e quis
gravá-la.
A amizade desses compositores com meu pai ficou muito
abalada. Ele se sentia traído por eles. Para Marino Pinto, inclusive, fez, em
parceria com Benedito Lacerda, "Falso amigo":
Me trocaste por dinheiro
Eu que te considerava meu amigo verdadeiroAproveita
Gasta bem o que ganhaste
Eu não quero ter notícia
Que como Judas te portaste
Teus sambas são verdadeiras infâmias
Crivados só de calúnias
Contra o amigo leal
O vinho que bebeste à minha mesa
Fez revelar a beleza
Sem um disfarce sequer
Pantera de unhas encurvadas
Amigo das madrugadas
Um vagabundo qualquer
Sei que foi Marino quem lhe causou mais mágoa, pois eles
eram realmente muito unidos. E, por isso mesmo, acho que acabou sendo perdoado,
anos mais tarde, e ele e meu pai até voltaram a ser parceiros nos anos 60.
É importante ressaltar que toda essa polêmica musical só
aconteceu devido às características do mercado musical da época. Como os discos
eram de 78 rotações (aquelas bolachas pretonas), com apenas duas músicas, era
costume os cantores de sucesso lançarem dois discos por ano: um no Carnaval e
outro no segundo semestre.
No caso de minha mãe, a gravadora, detectando o potencial de
mercado que a polêmica musical causava, passou a botar lenha na fogueira,
lançando até três discos de Dalva por ano nessa época. Em contrapartida, meu
pai lançava outros três discos, assim tínhamos por volta de seis lançamentos
deles ao ano, o que mostra que a cada dois meses havia uma música nova para o
público adotar e abastecer o clima de guerra entre eles.
O conflito musical continuava. Meu pai revidou a música de
Ataulfo com o samba "Teu exemplo":
Há muita gente
Que encontra estrelas
Na própria lama
E junta um buquê de flores
Do mal que soube causar
Há muita gente
Que a glória arranca
Do próprio drama
E da tragédia da vida
Motivos para viver
E quando erra proclama
E quando peca sorri
Marino Pinto e Paulo Soledade, no começo de 1951, deram a
Dalva uma resposta forte, "Calúnia":
Quiseste ofuscar minha fama
E até jogar-me na lamaSó porque eu vivo a brilhar
Sim, mostraste ser invejoso
Viraste até mentiroso
Só para caluniar
Deixa a calúnia de lado
Que ela a mim não afeta
Deixa a calúnia de lado
Se de fato és poeta
Se me ofendes
Tu serás o ofendido
Pois quem com ferro fere
Com ferro será ferido
Nesse mesmo ano, Herivelto, em parceria com Benedito
Lacerda, lança "Consulta o teu travesseiro":
Consulta o teu travesseiro
E me diz se é possívelEntre nós uma reconciliação
E, também em parceria com Benedito, "Não tem mais
jeito":
Não tem mais jeito
Mulher quando perdeA vergonha e o respeito
Não tem mais jeito
Para enfrentar mais esses ataques, minha mãe ganha de Nelson
Cavaquinho e Oswaldo Martins o samba "Palhaço", uma sutil ironia à
antiga profissão de meu pai:
Sei que é doloroso um palhaço
Se afastar do palco por alguém
Volta que a plateia te reclama
Sei que choras, palhaço,
Por alguém que não te ama
Enxuga os olhos e me dá um abraço
Não te esqueças que és um palhaço
Faça a plateia gargalhar
Um palhaço não deve chorar
Recém-chegada de Londres, Dalva lança, do disco gravado com
o maestro Roberto Ingles, outra música de Ataulfo Alves, "Fim de
comédia":
Esse amor quase tragédia
Que me fez um grande mal
Felizmente essa comédia
Vai chegando ao seu final
Já paguei todos os pecados meus
O meu pranto já caiu demais
Só lhe peço pelo amor de Deus
Deixa-me viver em paz
Não quero me fazer de inocente
Porém não sou tão má
Como disseram por aí
Eu quero o meu sossego tão somente
Cada um trate de si
Foi um tremendo sucesso. E, para encerrar o ano de 1951,
minha mãe grava, de Luís Bittencourt e Marlene, "A grande verdade":
Vai
Não te posso prender
Não te posso obrigar
A mentir se não queres ficar
Não convém insistir
Não convém iludir
Pra mais tarde sofrer
Não me tens amizade
Esta é a grande verdade
Por isso não vejo razão
Para a nossa união, meu amor
Sonho quimera ilusão
Tudo vai terminar
Quando um dia o remorso chegar
E da felicidade existir a saudade
No teu coração
Verás então ao teu lado
Meu vulto meio apagado
Revivendo um amor desesperado
Perdoar
Eu não perdoo, não
Eu estou cada vez mais convencido
De que aquela mulher
Ai, ai, meu Deus
É um caso perdido
Vem arrependida implorar perdão
Falta, erra e por fim
Ainda confessa, errei, sim
Já no começo de 1952, depois do Carnaval, Dalva lança de
Armando Cavalcanti e Klecius Caldas, que anos depois se tornaria parceiro de
Herivelto, "Poeira do chão":
O que te dei em carinho
Tu devolveste em traiçãoO que era um claro caminho
Tornaste desolação
Hoje tu voltas chorando
Para implorar o meu perdão
O meu perdão nada custa
Falando a palavra justa
Há muito eu te perdoei
E por amar a verdade
Vendo tanta falsidade
No fundo eu te lastimei
Se é falso e vil o interesse
O amor bem cedo fenece
É flor que morre em botão
Não, não pode alcançar os astros
Quem leva a vida de rastros
Quem é poeira do chão
Do lado de minha mãe, eram muitos compositores trabalhando
para enfrentar meu pai. Mas, aos poucos, a polêmica musical foi esfriando e os
ataques foram se espaçando, dando lugar a sucessos como "Kalu" e
"Ai, Ioiô", na voz de Dalva, e, no repertório de meu pai, aos tangos
como "Carlos Gardel" e "Hoje quem paga sou eu", gravados
por Nelson Gonçalves.
Todos esses ataques musicais de meu pai a minha mãe foram
criando uma grande animosidade em torno dele. O povo realmente considerava
minha mãe uma pessoa desprotegida e vítima dele. Para botar mais pimenta ainda
nesse caldo, não satisfeito com o bate-boca musical (minha mãe fazia muito mais
sucesso com as músicas do que ele), Herivelto aceita a infeliz sugestão do
jornalista David Nasser para usar um espaço no Diário da Noite para se
"defender" de Dalva, dando sua versão da vida a dois com ela.
Junto com David Nasser, meu pai começa a publicar no início
de 1951 uma série de artigos diários (foram 22 capítulos ditados por ele e
escritos por David) durante cinco semanas. Ele não poupou palavras nem
desrespeito por aquela que foi sua companheira, mãe de seus dois filhos, e lhe
deu suporte profissional durante mais de catorze anos.
Cabelos Brancos
Herivelto Martins
Não falem desta
mulher perto de mim
Não falem pra não
lembrar minha dor
Já fui moço, já gozei
a mocidade
Se me lembro dela me
dá saudade
Por ela vivo aos
trancos e barrancos
Respeitem ao menos os
meus cabelos brancos
Ninguém viveu a vida
que eu vivi
Ninguém sofreu na
vida o que eu sofri
As lágrimas sentidas
Os meus sorrisos
francos
Refletem-se hoje em
dia
Nos meus cabelos
brancos
E agora em homenagem
ao meu fim
Não falem desta
mulher perto de mim
quinta-feira, 21 de novembro de 2013
MUNDO MONGO II
Também no Terra:
"Bárbara está me matando aos pouquinhos", diz Monique Evans
Monique e Bárbara Evans vivem uma história cheia de mágoas e ressentimentos.
As duas conversaram com a revista Contigo! sobre o assunto: “Bárbara está me matando aos pouquinhos. Ela só se comunica comigo via WhatsApp. Tudo o que queria era que ela entrasse por aquela porta, me desse um beijo e um abraço de verdade e se abrisse comigo”, desabafou Monique.
O cãozinho mal chegou e já tá com mais prestígio que a vovó.
"Bárbara está me matando aos pouquinhos", diz Monique Evans
Monique e Bárbara Evans vivem uma história cheia de mágoas e ressentimentos.
As duas conversaram com a revista Contigo! sobre o assunto: “Bárbara está me matando aos pouquinhos. Ela só se comunica comigo via WhatsApp. Tudo o que queria era que ela entrasse por aquela porta, me desse um beijo e um abraço de verdade e se abrisse comigo”, desabafou Monique.
O cãozinho mal chegou e já tá com mais prestígio que a vovó.
MUNDO MONGO
No Terra:
Bárbara Evans comemora chegada de cão: "chorando de tanto amor"
Bárbara Evans está comemorando a chegada de um cachorrinho em sua casa. “Ele chegou!!!! Mamãe chorando de tanto amor!!! Obrigada meu Deus”, escreveu na legenda. “Maior felicidade do Mundo!!!! #Pelotinha. Te amo filho”, completou.
Que gente mais fofa... Essa menina é a mesma que transou ao vivo num reality show desses que infestam a TV, saiu de lá namorando o sujeito e jurando amor eterno e duas semanas depois o romance acabou.
Talvez o cãozinho tenha melhor sorte.
Bárbara Evans comemora chegada de cão: "chorando de tanto amor"
Bárbara Evans está comemorando a chegada de um cachorrinho em sua casa. “Ele chegou!!!! Mamãe chorando de tanto amor!!! Obrigada meu Deus”, escreveu na legenda. “Maior felicidade do Mundo!!!! #Pelotinha. Te amo filho”, completou.
Que gente mais fofa... Essa menina é a mesma que transou ao vivo num reality show desses que infestam a TV, saiu de lá namorando o sujeito e jurando amor eterno e duas semanas depois o romance acabou.
Talvez o cãozinho tenha melhor sorte.
CONSTRUÇÃO
O que faz alguém pensar que regravar uma música é
uma homenagem para o regravado?
Ney Matogrosso, Luiz Tatit e José Miguel Wisnik (e certamente outros que não recordo) regravaram a música. Gente séria. Mas suas gravações em nada acrescentaram à original.
Nada contra os “covers”. Há até uma seção sobre eles aqui no
TOA. Alguns covers, inclusive, tornam-se a versão definitiva de algumas músicas.
Chega de Saudade deve ser maior exemplo disso na música nacional.
Às vezes, o próprio compositor bagunça suas músicas. O que David
Gilmour fez com as dele (e de seus companheiros de Pink Floyd) no DVD In Concert
não é bom nem lembrar.
Algumas músicas se tornam, em sua versão primeira, uma obra
definitiva. Um desses casos é a música Construção, de Chico Buarque, gravada no
seu disco de 1971, com arranjos de Rogério Duprat. Ney Matogrosso, Luiz Tatit e José Miguel Wisnik (e certamente outros que não recordo) regravaram a música. Gente séria. Mas suas gravações em nada acrescentaram à original.
Mas tudo tem limite. Hoje ouvi Construção na interpretação
de Fito Paes. Tentei ouvir atentamente. Não deu. Não pareceu ser um deboche,
mas é, no mínimo, uma gravação equivocada. Não consegui entender o propósito, a
intenção do artista. Não vou nem argumentar sobre as tão faladas proparoxítonas e
dodecassílabos da música. Ficou outra coisa. Ficou ruim.
ÁLBUM DA QUINTA
THIS TIME - 1980 - AL JARREAU
This Time é o quarto álbum de estúdio de Al Jarreau , lançado em 1980 pela Warner Bros Records. O lançamento marcou uma mudança no som de Jarreau para um estilo mais R&B. Como resultado, o álbum alcançou mais sucesso do que seus trabalhos anteriores, chegando ao topo das paradas de jazz. Ele também alcançou a posição número 6 nas paradas de R&B e 27 na Billboard 200.
"Never Givin' Up" recebeu uma indicação para o Grammy Award de Melhor Performance Vocal R&B, em 1981, a primeira nomeação de Jarreau nesse estilo. "Distracted" e "Gimme What You Got" também foram grandes sucessos nas paradas americanas.
A curiosidade do disco é "Spain (I Can Recall)", composição de Chick Corea, com letra de Jarreau e Artie Maren, que mostra o cantor de jazz em uma de suas melhores performances em um impressionante improviso.
Oscar Castro-Neves, falecido em setembro de 2013, atua como guitarrista em This Time.
Lado 1
1. Never Givin' Up (Canning, Jarreau) – 3:56
2. Gimme What You Got (Canning, Jarreau) – 3:43
3. Love Is Real (Canning, Jarreau, Kellock) – 4:23
4. Alonzo (Jarreau) – 5:25
5. (If I Could Only) Change Your Mind (Canning, Willis) – 4:16
Lado 2
1. Spain (I Can Recall) (Corea, Jarreau, Maren) – 6:31
2. Distracted (Jarreau) – 5:51
3. Your Sweet Love (Canning, Jarreau, Kellock) – 4:13
4. (A Rhyme) This Time (Jarreau, Klugh) – 3:42
Al Jarreau - vocal, percussão
George Duke - piano
David Foster - piano
Greg Mathieson - piano, teclados
Oscar Castro-Neves - guitarras
Dean Parks - guitarras
Earl Klugh - violão, arranjo ritmo
Tom Canning - teclados, arranjos rítmicos
Abraham Laboriel - baixo
Steve Gadd - bateria
Ralph Humphrey - bateria, percussão
Earl Lon Preço - saxofone
Jerry Hey - trompete
Chuck Findley - trompete
Steve George - sintetizador
Jay Graydon - sintetizador, violão
DOADOR
Quanto entro no supermercado um sujeito sentado na entrada me pede para lhe trazer, na volta, um pacote de bolachinhas recheadas.
Dentro do supermercado há algumas caixas de papelão onde eu posso
depositar comidas, roupas, brinquedos.
Quando saio, uma moça com filho no colo me
xinga porque não trouxe para ela um litro de leite para alimentar seu filho. No
caminho para casa, alguém me pede dinheiro para a passagem.
Abro a caixa do correio e vejo um envelope com alguns cartões
de Natal e um boleto para contribuição espontânea. De dentro do jornal salta um
boleto com valor a preencher para ajudar uma entidade beneficente qualquer.
Vou tomar banho, e no rádio alguém pede ajuda para outra
entidade. Na televisão, pedem que eu doe sangue e livros. Livros. Não basta ter
que ler, ler, ler como um desvairado, é preciso que você compre os livros e os passe
adiante.
O telejornal informa sobre uma enchente em uma cidade,
uma ventania em outra. As pessoas estão alojadas em ginásios de esportes esperando por
comida, cobertores e colchões. E, claro, já aparece o número de uma conta na qual é
possível depositar uma grana.
Eu sou pobre, e, sinceramente, me comovo com a dor dos outros.
Sei que a vida prega peças. E muito menos é justa. E creio que tudo isso acabe
banalizando a dor, o sofrimento e os apelos por ajuda.
E acho pouco provável que todas as pessoas bacanas e
sensíveis atendam toda essa demanda de solidariedade.
quarta-feira, 20 de novembro de 2013
ASSIM, Ó...
Outro dia falei sobre as pessoas que começam qualquer frase com "então". Não sei de onde vêm essas manias, como elas começam, de que maneira se alastram...
Tenho a impressão de que o "então" seja coisa de artista. Falo isso porque minha mais remota memória sobre a expressão, colocada assim dessa maneira, vem de uma entrevista que vi no Jô Soares. Lembro de um ator, desses que são a simpatia em pessoa, sentado no sofá em posição de lótus, contando causos engraçados sobre sua carreira, que começava cada resposta com "Então, Jô...". Chato.
Há, também, quem não saiba começar uma frase sem um "assim, ó". Certa feita assisti uma palestra numa universidade em que a palestrante, uma professora universitária, começava tudo com "assim, ó". Coloquialmente, tudo pode. Mas numa palestra...
Mas o pior foi esta semana em um programa de rádio. O apresentador entrevista, por telefone, uma promotora de justiça.
- Promotora de justiça Dra. Fulana de Tal, o que a senhora pode nos dizer sobre a investigação da questão X.
- Assim, ó...
PQP!!!
Tenho a impressão de que o "então" seja coisa de artista. Falo isso porque minha mais remota memória sobre a expressão, colocada assim dessa maneira, vem de uma entrevista que vi no Jô Soares. Lembro de um ator, desses que são a simpatia em pessoa, sentado no sofá em posição de lótus, contando causos engraçados sobre sua carreira, que começava cada resposta com "Então, Jô...". Chato.
Há, também, quem não saiba começar uma frase sem um "assim, ó". Certa feita assisti uma palestra numa universidade em que a palestrante, uma professora universitária, começava tudo com "assim, ó". Coloquialmente, tudo pode. Mas numa palestra...
Mas o pior foi esta semana em um programa de rádio. O apresentador entrevista, por telefone, uma promotora de justiça.
- Promotora de justiça Dra. Fulana de Tal, o que a senhora pode nos dizer sobre a investigação da questão X.
- Assim, ó...
PQP!!!
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