segunda-feira, 29 de julho de 2013
domingo, 28 de julho de 2013
J. J. CALE
J. J. Cale ficou mais conhecido pelo grande público por seus trabalhos com Eric Clapton e por "Cocaine", uma daquelas músicas que as pessoas adoram sem nem saber por quê, na maioria das vezes. Na verdade, o guitarrista foi um grande compositor, e vários hits gravados por inúmeros astros do rock são de sua autoria.
Para homenagear J. J. Cale, falecido ontem aos 74 anos, um vídeo de Carlos Santana, interpretando "The Sensitive Kind" (com vocal de Alex Lighterwood), gravada no disco Zebop, de 1981. A curiosidade fica por conta do mexicano empunhando uma Fender Strato.
Para homenagear J. J. Cale, falecido ontem aos 74 anos, um vídeo de Carlos Santana, interpretando "The Sensitive Kind" (com vocal de Alex Lighterwood), gravada no disco Zebop, de 1981. A curiosidade fica por conta do mexicano empunhando uma Fender Strato.
2 LONGOS DIAS
Sinopse: Inspirado pela obra que Quentin Tarantino, dois gangsters mantém um rapaz preso até ele revelar a localização de algo muito importante.
Diretor: Thiago F.
Santiago
Elenco: Bruno
Olivieri, Eduardo Fraga, Fabiano Xavier, Pedro Monteiro
Duração: 9 min
Ano:
2006
Formato: Vídeo
País: Brasil
Cor: Colorido
Fotografia: Firescape
Roteiro: Thiago F.
Santiago
ULYSSES
Os primeiros parágrafos de 'Ulysses', segundo os três tradutores brasileiros
"Sobranceiro, fornido, Buck Mulligan vinha do alto da escada, com um vaso de barbear, sobre o qual se cruzavam um espelho e uma navalha. Seu roupão amarelo, desatado, se enfunava por trás à doce brisa da manhã. Elevou o vaso e entoou:
- Introibo ad altare Dei.
Parando, perscrutou a escura escada espiral e chamou asperamente:
- Suba, Kinch. Suba, jesuíta execrável.
Prosseguiu solenemente e galgou a plataforma de tiro. Encarando-os, abençoou grave três vezes a torre, o campo circunjacente e as montanhas no despertar."
Lançada em 1966, a tradução do filólogo carioca Antônio Houaiss (1915-1999) foi feita por encomenda do editor Ênio Silveira, da Civilização Brasileira, entre novembro de 1964 e outubro de 1965 - ou seja, em menos de um ano. Chegou à 17ª edição em dezembro último de 2011.
BERNARDINA DA SILVEIRA PINHEIRO
"Majestoso, o gorducho Buck Mulligan apareceu no topo da escada, trazendo na mão uma tigela com espuma sobre a qual repousavam, cruzados, um espelho e uma navalha de barba. Um penhoar amarelo, desamarrado, flutuando suavemente atrás dele no ar fresco da manhã. Ele ergueu a tigela e entoou:
- Introibo ad altare Dei.
Parado, ele perscrutou a escada sombria de caracol e gritou asperamente:
- Suba, Kinch! Suba, seu temível jesuíta!
Solenemente ele avançou para a plataforma de tiro. Olhou à volta e seriamente abençoou três vezes a torre, o terreno à volta e as montanhas que despertavam."
A professora carioca Bernardina da Silveira Pinheiro dedicou sete anos à tradução do romance, editada em 2005 pela Objetiva. A obra literária de Joyce - especialmente o épico de Bloom - a levou a pesquisas de pós-doutorado na Irlanda e na Inglaterra. Sua versão ganhou nova edição, da Alfaguara, em 2008.
CAETANO W. GALINDO
"Solene, o roliço Buck Mulligan surgiu no alto da escada, portando uma vasilha de espuma em que cruzados repousavam espelho e navalha. Um roupão amarelo, com cíngulo solto, era delicadamente sustentado atrás dele pelo doce ar da manhã. Elevou a vasilha e entoou:
- Introibo ad altare Dei.
Detido, examinou o escuro recurvo da escada e invocou ríspido:
- Sobe, Kinch. Sobe, seu jesuíta medonho.
Altivo, ele se adiantou e subiu na plataforma de tiro redonda. Olhou à volta e abençoou sério e por três vezes a torre, o campo em torno e as montanhas que acordavam."
O curitibano Caetano Waldrigues Galindo se ocupou da tradução de Ulysses por dez anos. A origem do trabalho foi sua tese de doutorado. A edição que sai agora com o selo Penguin Companhia chegou a ter alguns trechos lidos em público, nas festas do Bloomsday.
Matéria publicada em 27/4/2012 no Estadão
LEITURA DE DOMINGO
CECÍLIA MEIRELES
A tardezinha de sábado, um pouco cinzenta, um pouco fria, parece não possuir nada de muito particular para ninguém. Os automóveis deslizam; as pessoas entram e saem dos cinemas; os namorados conversam por aqui e por ali; os bares funcionam ativamente, numa fabulosa produção de sanduíches e cachorros-quentes.
Apesar da fresquidão, as mocinhas trazem nos pés sandálias douradas, enquanto agasalham a cabeça em echarpes de muitas voltas. Tudo isso é rotina. Há um certo ar de monotonia por toda parte. O bondinho do Pão de Açúcar lá vai cumprindo o seu destino turístico, e moços bem falantes explicam, de lápis na mão, em seus escritórios coloridos e envidraçados, apartamentos que vão ser construídos em poucos meses, com tantos andares, vista para todos os lados, vestíbulos de mármore, tanto de entrada, mais tantas prestações, sem reajustamento — o melhor emprego de capital jamais oferecido!
Em alguma ruazinha simpática, com árvores e sossego, ainda há crianças deslumbradas a comerem aquele algodão de açúcar que de repente coloca na paisagem carioca uma pincelada oriental. E há os avós de olhos filosóficos, a conduzirem pela mão a netinha que ensaia os primeiros passeios, como uma bailarina principiante a equilibrar-se nas pontas dos sapatinhos brancos.
Andam barquinhos pela baía, com um raio de sol a brilhar nas velas; há uns pescadores carregados de linhas, samburás, caniços, muito compenetrados da sua perícia; há famílias inteiras que não se sabe de onde vêm nem se pode imaginar para onde vão, e que ocupam muito lugar na calçada, com a boca cheia de coisas que devem ser balas, caramelos, pipocas, que passam de uma bochecha para a outra e lhes devem causar uma delícia infinita.
Depois aparecem muitas pessoas bem vestidas, cavalheiros com sapatos reluzentes, senhoras com roupas de renda e chapéus imensos que a brisa da tarde procura docemente arrebatar. Há risos, pulseiras que brilham, anéis que faíscam, muita alegria: pois não há mesmo nada mais divertido que uma pessoa toda coberta de sedas, plumas e flores, a lutar com o vento maroto, irreverente e pagão. E depois são as belas igrejas acesas, todas ornamentadas, atapetadas, como jardins brancos de grandes ramos floridos.
Por uma rua transversal, está chegando um carro. E dentro dele vem a noiva, que não se pode ver, pois está coberta de cascatas de véus, como se viajasse dentro da Via-láctea. Todos param e olham, inutilmente. Ela é a misteriosa dona dessa tardezinha de sábado, que parecia simples, apenas um pouco cinzenta, um pouco fria. E a moça que vem, com a alma cheia de interrogações, para transformar seus dias de menina e adolescente, despreocupados e livres, em dias compactos de deveres e responsabilidades. É uma transição de tempos, de mundos. Mas os convidados a esperam felizes, e ela não terá que pensar nisso. Ela mal se lembra que é sábado, que é o dia de seu casamento, que há padrinhos e convidados. E quando a cerimônia chegar ao apogeu, talvez nem se lembre de quem é: separada dos acontecimentos da terra, subitamente incorporada ao giro do Universo.
sábado, 27 de julho de 2013
CORREIO DO CORVO
Morre J.J. Cale, autor de 'Cocaine' e parceiro de Eric Clapton
Compositor teve um ataque cardíaco na sexta (27), segundo seu site oficial.
Músico gravou 14 discos e último trabalho foi parceria com Clapton.
Da EFE
O músico e cantor J.J. Cale morreu na sexta-feira (27), aos 74 anos, em um hospital da Califórnia (Estados Unidos) devido a um infarto, informou neste sábado seu site.
O músico, ganhador de vários prêmios Grammy e lenda do rock, foi compositor de temas como "Cocaine" e "After Midnight", que popularizou o guitarrista Eric Clapton, amigo e admirador de Cale.
O site oficial de J.J. Cale postou um comunicado no qual informa que o músico morreu na tarde da sexta-feira em um hospital da Jolla, no estado da Califórnia, por um "ataque cardíaco".
"Não são necessárias doações, mas como ele era um grande amante dos animais, se desejarem podem doar a abrigos de animais locais", diz o breve comunicado sobre sua morte.
John Weldon Cale nasceu em 1938 e em sua longa carreira gravou 14 discos de estúdio e colaborou com Eric Clapton no álbum "The road to Escondido", de 2006. Seu último trabalho de estúdio foi uma parceria com Clapton na faixa "Angel" do último álbum do guitarrista, "Old Sock"', que foi lançado no mesmo ano.
COVER DO SÁBADO
"Little Wing" é uma canção de Jimi Hendrix gravada no álbum Axis: Bold as Love, de 1967. Tem sido regravada por vários artistas, incluindo Stevie Ray Vaughan, Gil Evans, Derek and the Dominos e Eric Clapton, The Corrs e Skid Row, É considerada uma das canções mais regravadas do século XX.
Em 1987, Sting incluiu-a no seu terceiro disco, Nothing Like the Sun, com orquestração de Gil Evans.
AS DUAS FRIDAS
As Duas Fridas, da pintora mexicana Frida Kahlo, mostra duas
Fridas sentadas em um sofá de cordas sem encosto, uma ao lado da outra, de mãos
dadas, tem um céu escuro, tempestuoso, que dá ao observador a ideia de que
naquele instante a artista não vislumbrava um horizonte claro. Ou seja, seu
futuro era uma tempestade iminente. Além disso, o piso da obra parece sem vida,
somente areia e mais nada, quase tão sem vida quanto uma das duas Fridas
apresentadas acima.
As duas mulheres olham para o mesmo lugar, sustentando um
olhar altivo, concentrado e enigmático. Suas peles se diferenciam pela
tonalidade - uma delas é mais clara - assim como por suas expressões faciais.
Outro ponto que diferencia as duas é o vestido. Aqui a peça branca, com
detalhes florais em vermelho, gola alta, peitoral e mandas trabalhadas - talvez
influência de uma recente viagem a Paris - apresenta uma Frida mais feminina,
enquanto a outra é representada com roupas do cotidiano da artista, com cores
fortes, poucos detalhes e barra enfeitada.
A exposição do coração em ambas as figuras, que se
interligam por uma artéria, também chama a atenção do observador. O coração da
Frida tipicamente vestida aparece inteiro, ainda que fora do corpo. Já a outra
está com o coração partido. As mãos dadas mostram que a Frida de coração
inteiro é quem toma conta da outra. Toda essa dor pode se tratar de um
rompimento com Diego Rivera, seu marido com quem teve uma vida conturbada, e
isso fica evidente pelo aparelho cirúrgico na mão da Frida feminina, enquanto
suas vestes estão salpicadas com sangue.
Ficha Técnica - As Duas Fridas:
Autor: Frida Kahlo
Onde ver: Museu de Arte Moderna, Cidade do México, México Ano: 1939
Técnica: Óleo sobre tela
Tamanho: 173,5cm X 173cm
Movimento: Arte Mexicana
sexta-feira, 26 de julho de 2013
MAIS PELADOS (AS PEITOLAS)
Ermã escreve:
Então que a panfletagem política – porca e mal feita -
chegou à Literatura. E como chegou em terras gringas não demora as FEMENS da
nossa Republiqueta irão copiar. Saca só o último grito em New York: ler fazendo
topless. ‘Pra jogar na cara da sociedade o quão iguais aos homens elas são, got
it?
Lá, em New York, é possível fazer topless em qualquer lugar. Aparentemente uma lei municipal permite o ato. O quê, inclusive, me fez pensar onde estaria, então o ‘protesto’.
[Pausa ‘pra ver se o encontro. O protesto.]
Ah! Ele não está. Porque quem quer fazer topless faz. Quem
quer ler, lê. E quem quer se declarar igual aos homens, se declara.
Agora, combina qualquer duas das vontades acima e tu tem
material ‘pro Instagram.
[Ou ‘prum livro da Dona Marthinha.]
OBRAS PÓSTUMAS
Salvo na MuiLeal, onde as pessoas escrevem “para não
explodir” de tanta ideia que têm na cabeça, todo mundo que escreve, escreve
para ser lido. (Na MuiLeal também, é claro). Todo artista, de uma maneira
geral, quer que sua obra chegue a algum público.
Acabo de ouvir no rádio que o produtor que trabalhava com
Amy Winehouse quando ela morreu disse que não vai lançar mais nada inédito da
cantora. Segundo ele, não seria decente lançar algo que não tenha sido aprovado
em vida pela artista. Achei bacana da parte dele.
Já ouvi que especialistas em Gershwin (o George) chegaram a
duvidar da autenticidade de algumas de suas obras achadas tempos depois de sua
morte devido à baixa qualidade na comparação com o restante de suas composições.
Voltando ao início. Todo artista quer que sua obra seja
conhecida, mas alguns conseguem avaliar sua obra e compreender que nem tudo o que
fazem é genial. Que merece, realmente, o fundo da gaveta. Para a eternidade ou
para uma nova tentativa algum dia.
Eu sei que segundo essa minha lógica não conheceríamos quase nada de Kafka e outras coisas boas. Mas como saber se o artista considera a obra pronta ou não?
Eu sei que segundo essa minha lógica não conheceríamos quase nada de Kafka e outras coisas boas. Mas como saber se o artista considera a obra pronta ou não?
CONTAINERS
Algumas ideias são boas, mas nem sempre dão certo. Pode ser
que um ou outro ajuste resolva os problemas. Mas acho difícil. Refiro-me aos
containers de lixo da MuiLeal. Gostei da ideia. Acho bom não ter horário pra
levar o lixo pra rua. Mas a execução não está legal. Acho até que estou meio
isolado nessa opinião, mas acho que não está dando certo.
Muito é por causa dos usuários (que surpresa!). Alguns utilizam os containers como se fossem aquelas caçambas de tele-entulho. Outros não conseguem, por falta de força ou altura, abrir as tampas pra jogar o lixo lá dentro. Outros, por preguiça mesmo, atiram seu lixo na base dos containers.
Muito é por causa dos usuários (que surpresa!). Alguns utilizam os containers como se fossem aquelas caçambas de tele-entulho. Outros não conseguem, por falta de força ou altura, abrir as tampas pra jogar o lixo lá dentro. Outros, por preguiça mesmo, atiram seu lixo na base dos containers.
O fedor e a sujeira perto são grandes. As
calçadas ficam todas encardidas. E também agora sou obrigado a dar
explicações pra catadores de lixo sobre o que tem dentro do pacote que atiro
ali pra dentro.
Pro meu gosto não está bom, mas reconheço que voltar pra forma
antiga de coleta seria dar um passo pra trás. Cartas para a redação.
MÚSICA NA SEXTA
José Rodrigues Trindade, o Zé Rodrix, nasceu no Rio de Janeiro
em 1947. Em 2000, compôs JESUS NUMA MOTO, lançada diretamente em um
CD/DVD ao vivo em 2001, no reencontro com seus parceiros Sá e Guarabyra.
Abaixo, alguns depoimentos do autor sobre a música.
Isso, quando ele parou (um motoqueiro "Hells Angel's”),
tirou o capacete e era um gerente de banco, um senhor. Um senhor de quase seus
70 anos, aquela cara de gerente de banco, e estava numa moto. Aí falei
para o meu filho, "Olha aí, meu filho, esse aí meteu um Marlon Brando nas ideias
e saiu por aí!", exatamente onde começa a música. Então, essa
característica panfletária, você pode ver nas músicas antigas e nas novas, pois
nós sempre fomos gente com esse tipo de postura, panfletária, aberta, de
opinião, nunca a música pela música, algo que a gente não perdeu nesses anos, e
talvez aí esteja o motivo do interesse das pessoas ter permanecido.
Ela foi composta em 2000, a partir da imagem de Jesus
dirigindo uma moto. No momento, ela vem se tornando hino dos grupos de
motoqueiros brasileiros. Cada vez mais cantada por eles em seus eventos. Não
acredito em sonhos, a não ser quando estou dormindo. Por isso, creio que JESUS
NUMA MOTO é apenas um retrato das pessoas de minha geração que, após
amadurecerem, se tornam capazes de ter duas vidas, sendo uma delas aquela que
lhes agrada integralmente
Existe um Universo mítico que só tem concretude na musica
feita no Brasil, e sendo mais transcendente que imanente, ainda assim é levado
a sério, como se tivesse existência real. Passei por isso com CASA NO CAMPO; a
quantidade de gente que embarcou naquele sonho, sem perceber que ele era apenas
a fotografia de um determinado momento, não está no gibi. Tenho passado por
isso atualmente com JESUS NUMA MOTO(...).
A imensa quantidade de motoqueiros individuais ou
coletivamente organizados que está transformando a música em um hino da
categoria (rsss) não dá para encarar. (Neste caso, acho que o problema está na
sonoridade das palavras CELA e SELA, que cada um entende do jeito que quer,
pode e consegue...)
Há quem viva de acordo com as personas estabelecidas nas
músicas deste ou daquele, provavelmente porque elas decifraram dentro de seu
espirito algum enigma que ele sequer sabia que lá estava. Esta é a função do
artista, nascida da sua capacidade criativa e de sua maior ou menor coragem de
se atirar no abismo-de-si-mesmo em busca de alguma coisa a mais. Se o artista
não presta esse serviço, desbravando continentes inexplorados, o público vai
ficando bobinho e sem essência, vivendo apenas da epiderme para fora, sem que
haja real penetração da arte no seu eu mais interior, daí em diante reiterando
ou clonando personagens e atitudes que não são verdadeiras nem mesmo para o
autor da canção.
Uma impostura de parte a parte: os artistas mentem, o
público se deixa enganar, e a indústria cultural continua faturando. Cada vez
menos, é verdade, porque aquilo que não se instala profundamente no público se
torna apenas descartável, dando ao púublico a sensação de que TODA MUSICA É
DESCARTÁVEL, já que vazia de significado e incapaz de penetrar em seu espírito.
Do outro lado, temos as músicas comerciais que se pretendem profundas, mas não
o são, fingindo uma importância e um valor que não têm, mas do qual se arrogam através
do artifício da pretensa "qualidade", sem fundamento nem realidade
alguma. Em todos os lados, o que vemos é apenas o culto à personalidade, sem
que as obras o justifiquem. Artistas também se tornam descartáveis, uma espécie
de ex-BBB com cachê cada vez menor, e nunca compreendem que foi exatamente a
sua maneira equivocada de agir em relação à música que os transformou em pálidas
sombras de si mesmos.
Jesus numa Moto
Zé Rodrix
Preso nessa cela
De ossos, carne e
sangue
Dando ordens a quem
não sabe
Obedecendo a quem
tem.
Só espero a hora
Nem que o mundo
estanque
Prá me aproveitar do
conforto
De não ser mais
ninguém.
Eu vou virar a própria mesa
Quero uivar numa nova
alcateia
Vou meter um Marlon
Brando" nas ideias
E sair por aí.
Prá ser Jesus numa moto
Che Guevara dos
acostamentos
Bob Dylan numa antiga
foto
Cassius Clay antes
dos tratamentos
John Lennon de outras estradas
Easy Rider, dúvida e
eclipse
São Tomé das letras
apagadas
E arcanjo Gabriel sem
apocalipse.
Nada no passado
Tudo no futuro
Espalhando o que já
está morto
Pro que é vivo
crescer.
Sob a luz da lua
Mesmo com sol claro
Não importa o preço
que eu pague
O meu negócio é
viver.
Eu vou virar a própria mesa
Quero uivar numa nova
alcateia (nova alcateia)
Vou meter um Marlon
Brando" nas ideias
E sair por aí.
Prá ser Jesus numa moto
Che Guevara dos
acostamentos
Bob Dylan numa antiga
foto
Cassius Clay antes
dos tratamentos.
John Lennon de outras estradas
Easy Rider, dúvida e
eclipse
São Tomé das letras
apagadas
E arcanjo Gabriel sem
apocalipse.
MAIS MOBILIZAÇÃO
Pronto. Agora temos que salvar as pessoas jurídicas também.
Como já disse, não acho que ninguém mereça um fim de vida indecente. Mas, normalmente, o fim da vida da gente é um reflexo e um resumo do que a gente fez
na vida. Até onde sei, o poeta não foi acolhido pelo governo. Foi acolhido pelo
constrangimento que o Paulo Santana causou a um monte de gente que se sentiu
obrigada a dar guarida ao poeta.
Mas vamos aos argumentos: “O Marinho é um raro dono de bar que realmente gosta de música”. Segundo Nelson Coelho de Castro, se o dono do boteco não gosta de música o bar merece ser fechado. Bom serviço e gerenciamento são detalhes. E completa: “E é um espaço de música local, no qual a música daqui sempre surgiu dessa maneira natural”. Vai ver que é o único bar com “música local”. Tá bom.
Já Paulo César Teixeira argumenta que “as restrições aos bares mais tradicionais da Cidade Baixa, por parte da prefeitura, favoreceram a proliferação de casas sem alma e tradição, com uma proposta nitidamente comercial”. Por que diabos alguém abriria um bar, contrataria gente, compraria e venderia cerveja, descascaria e fritaria toneladas de batatas pra vender a peso de ouro se não pra ganhar dinheiro? Não é legítimo esse fim? Será que ainda não deu pra notar que o sonho juvenil de abrir um bar “com a cara da turma” leva sempre ao mesmo lugar, a bancarrota?
Mas agora querem salvar um bar. O Bar do Marinho está
fechado e existem abaixo-assinados nos dois sentidos: para fechá-lo e mantê-lo assim
para todo o eterno sempre e para reabri-lo, mesmo que ao arrepio da lei.
Eu acho uma barbaridade o que a prefeitura da MuiLeal faz com seus bares e restaurantes, obrigando-os a fechar cedo. (Com o respaldo da população, é bom que se diga). Mas é a lei. E deve ser para todos.
E alguns argumentos usados para a reabertura do bar são
surpreendentes. Não sei como ainda me espanto com esse tipo de coisa dos
muilealevalerosenes. Depois dizem que eu pego no pé. Eu acho uma barbaridade o que a prefeitura da MuiLeal faz com seus bares e restaurantes, obrigando-os a fechar cedo. (Com o respaldo da população, é bom que se diga). Mas é a lei. E deve ser para todos.
Mas vamos aos argumentos: “O Marinho é um raro dono de bar que realmente gosta de música”. Segundo Nelson Coelho de Castro, se o dono do boteco não gosta de música o bar merece ser fechado. Bom serviço e gerenciamento são detalhes. E completa: “E é um espaço de música local, no qual a música daqui sempre surgiu dessa maneira natural”. Vai ver que é o único bar com “música local”. Tá bom.
Já Paulo César Teixeira argumenta que “as restrições aos bares mais tradicionais da Cidade Baixa, por parte da prefeitura, favoreceram a proliferação de casas sem alma e tradição, com uma proposta nitidamente comercial”. Por que diabos alguém abriria um bar, contrataria gente, compraria e venderia cerveja, descascaria e fritaria toneladas de batatas pra vender a peso de ouro se não pra ganhar dinheiro? Não é legítimo esse fim? Será que ainda não deu pra notar que o sonho juvenil de abrir um bar “com a cara da turma” leva sempre ao mesmo lugar, a bancarrota?
Paulo César vai mais longe: “Privar os frequentadores de
continuar desfrutando do Bar do Marinho é uma afronta ao bom senso”.
Eu gosto de bar. Gosto muito de bar. Mas essa gente gosta de
clube. Estão confundindo as coisas. E até clube precisa de alvará pra
funcionar.
O DEEP PURPLE
Como todo mundo sabe e certamente nota, sou um homem simples
de questões simples. Algumas me afligem menos – como, por exemplo: Será que o
Renato Borghetti tem orelhas? E outras mais: Por que a gente nunca sabe a hora
de parar? Nenhuma original, eu sei.

A primeira eu nem tinha, mas algum tuíter me envenenou. No
segundo caso, refiro-me especificamente ao Deep Purple, banda da qual gosto muito e
está entre as minhas preferidas. Mas tá abusando da boa vontade da gente.
Pro meu gosto o último disco bacana foi de 1974. Mas esticando
dá pra dizer que foi em 1984, numa reorganização da turma, com Perfect
Strangers. Coisa de fã, tudo bem.

De 1997 pra cá, foram raros os anos em que o Purple não tocou
no Brasil, sempre com a formação das mais variadas e extravagantes (Joe Satriani
nas guitarras, por exemplo). Cogitamos uma vaquinha pra trazer o show pro
aniversário do afilhado.
Na revista da Livraria Saraiva do mês de Julho/13 tem uma
entrevista com Ian Gillan. A introdução é assim:
“Foram oito anos de espera, mas para alívio dos fãs, o Deep
Purple lançou um novo disco de estúdio, o 19° da carreira da banda.“
Eu realmente custo a acreditar que exista algum fã “desse”
Deep Purple. O Deep Purple, como muitas bandas e muitas gentes, virou um cover
de si mesmo. Como disse Kevin um dia desses, referindo-se não lembro a quem: “Essa
gente não respeita o próprio passado”.
Eu entendo que muitas pessoas se aposentam e seguem
trabalhando (nossas rádias estão cheias de exemplos) pra não baixarem o padrão
de vida. Eu entendo. E respeito. Embora pense que deveria haver uma
aposentadoria realmente compulsória. A gente fica velho e não entende que as
coisas, costumes e valores mudam. Mas isso é outro problema.
Duvido que alguém vá ao show do Deep Purple e grite
freneticamente pra que eles toquem “Vincent Price”, música do supra citado novo
disco. Quem vai ao um show do Purple – e sei lá que motivo levaria alguém hoje
ao show do Purple – não está interessado no novo disco da banda. Ritchie
Blackmore está há anos fora do Deep Purple. Jon Lord já estava fora da banda
quando morreu ano passado.
E Ian Gillan – que
diz estar escrevendo dois livros: “um mais político, outro mais filosófico” – diz
que quer mais rock and roll. Pobre rock and roll.
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