Páginas

sexta-feira, 5 de julho de 2013

MÚSICA NA SEXTA


Imagine reunir numa mesma banda músicos de orientações tão diversas, como o bruxo dos mil instrumentos Hermeto Pascoal, o herói da guitarra pós-tropicalista Lanny Gordin, o bossanovista Cido Bianchi (ex-pianista do Jongo Trio e do Milton Banana Trio), o violonista Olmir Alemão Stocker (autor de O Caderninho, hit da geração jovem guarda) e o jazzista Nilson da Matta (contrabaixista que hoje vive nos EUA). Esse encontro inusitado aconteceu mesmo, mais exatamente em 1968. Marca um capítulo pouco conhecido da história da nossa música instrumental, intitulado Brazilian Octopus, e resultou num álbum homônimo ouvir 30s que hoje é disputado por colecionadores. "Sem dúvida, o grupo mais estranho surgido na música brasileira", comenta Marcelo Dolabela, em seu dicionário ABZ do Rock Brasileiro (ed. Estrela do Sul, 1987).


 "Naquela época, não pensávamos em grana, só queríamos tocar. Foi uma experiência maravilhosa", recorda Cido Bianchi, hoje também maestro e arranjador. O Brazilian Octopus foi formado em São Paulo, no início de 1968, por iniciativa de Lívio Rangan, o todo-poderoso diretor de eventos da Rhodia - empresa da área têxtil que produzia arrojados shows-desfiles para promover seus produtos. "O Lívio gostava muito de mim. Chegou a dizer que ia me transformar em um novo Sérgio Mendes", conta o músico paulista, encarregado por Rangan de coordenar o grupo.

 Por sinal, o Brazilian Octopus já nasceu com uma regalia incomum no mercado musical da época: um contrato de trabalho por um ano, que incluía três meses de ensaios pagos. Da primeira formação, além de Bianchi (piano e órgão), Lanny (guitarra) e Alemão (violão e guitarra), participavam também Douglas de Oliveira (bateria), João Carlos Pegoraro (vibrafone), Carlos Alberto Alcântara (sax tenor e flauta), Cazé (sax alto) e Matias (contrabaixo). Na época, esses mesmos músicos gravaram um disco com o saxofonista japonês Sadao Watanabe, que não chegou a ser lançado no Brasil.

 Rangan formou o Brazilian Octopus para executar ao vivo a trilha sonora do Momento 68, o mais ambicioso dos espetáculos institucionais da Rhodia produzidos até então no país. Com direção musical do maestro Rogério Duprat e direção cênica de Ademar Guerra, esse show-desfile tinha os atores Raul Cortês e Walmor Chagas encabeçando o elenco, ao lado dos cantores Gilberto Gil, Caetano Veloso, Eliana Pitman e do bailarino Lennie Dale. Os textos eram assinados por Millôr Fernandes. "Eu me fantasiei de leão várias vezes naqueles desfiles da Rhodia. O grupo todo se vestia de bicho e tocava dentro de uma jaula", lembra Hermeto, que veio a substituir Cazé, alguns meses depois, junto com Nilson da Matta, que assumiu o contrabaixo. Apesar de suas trajetórias diversas, quase todos os integrantes do grupo já se conheciam da noite paulistana, especialmente da boate Stardust (dirigida pelo pai de Lanny), onde Hermeto, Bianchi e Alemão tocavam com freqüência.

  "Lembro bem de que estava ensaiando com o Brazilian Octopus, quando recebemos a notícia de que o Wes Montgomery havia falecido dois dias antes", conta Alemão, referindo-se ao lendário guitarrista de jazz norte-americano, que morreu em 15 de junho de 1968. "Como sempre, aconteciam aquelas briguinhas", conta o saxofonista Carlos Alberto (hoje integrante da big band que acompanha Wilson Simoninha), lembrando que a "incompatibilidade de idéias" era freqüente nos ensaios do grupo, especialmente na hora de decidir o repertório.

Não foi diferente quando, após alguns meses de ensaio, o diretor de eventos da Rhodia propôs ao octeto a gravação de um disco. "A idéia do Lívio Rangan era que a gente incluísse no repertório algumas músicas mais comerciais, para tocar no rádio", recorda Alemão, encarregado por ele de contactar compositores com os quais já havia trabalhado. "Consegui várias músicas inéditas, que o Cido Bianchi, interessado apenas em tocar jazz, recusou. Uma delas era País Tropical, do Jorge Ben", alfineta o violonista.
 
 "Mesmo quando tínhamos que tocar músicas italianas e francesas do repertório da Rhodia, nós não brincávamos, tocávamos sempre bonito. Esse trabalho influenciou muita coisa que eu faço até hoje. É por isso que eu acho que a música é universal. Todo mundo tem influência de todo mundo", diz Hermeto, que assumiu a tarefa de coordenar os arranjos coletivos, depois de alguns desentendimentos entre os músicos. Ele compôs também dois temas, que aparecem entre as 12 faixas do hoje raríssimo LP Brazilian Octopus (editado pela Fermata, em 1969): Rhodosando e Chayê, fusões de música pop com o ritmo cubano do chá-chá-chá. "Para compor essas músicas, inspirei-me nas modelos e nos rapazes que desfilavam para a Rhodia. Eu era músico da noite naquela época e já tocava de tudo", lembra o compositor alagoano.
 
Outros integrantes do grupo também contribuíram com composições próprias: Alemão (Canção Latina, parceria original com Vitor Martins, que já tinha conquistado o segundo lugar no Festival Internacional da Canção do México), Pegoraro (a jazzística Summerhill) e Lanny (a singela O Pássaro). A gravação desta última, por sinal, acabou provocando um bate-boca no estúdio entre Hermeto e os técnicos de som. "Como essa música tinha uma linha melódica repetitiva, ele escreveu um contracanto tocado por duas flautas, para variar um pouco. Só que, na hora da mixagem, o contracanto tinha sumido da gravação. O Hermeto ficou tão bravo que queria pegar o técnico", diverte-se o saxofonista Carlos Alberto, lembrando também que o bruxo de Lagoa da Canoa não aparece na capa do disco porque não pôde comparecer à sessão de fotos. Um funcionário da agência de propaganda Standard, que gerenciava a conta da Rhodia, foi fotografado ao piano. Assim como um velhinho, um cachorro e uma criança, que não tinham nada a ver com a gravação mas aparecem na capa. A sessão de fotos foi realizada num terreno descampado, cuja aridez lembrava a superfície da Lua - referência à então badalada corrida espacial entre os Estados Unidos e a União Soviética.

Produzido por Mário Albanese e Fausto Canova, o álbum do Brazilian Octopus inclui ainda arranjos das conhecidas Casa Forte (de Edu Lobo), Pavane (Gabriel Fauré), Canção de Fim de Tarde (dos bossa-novistas Walter Santos e Thereza Souza), Gosto de Ser Como Sou e Gamboa (ambas de Mário Albanese e Ciro Pereira), que exploravam uma característica sonoridade produzida pelas flautas com o vibrafone, o órgão e as guitarras. "Nunca recebemos um tostão por esse disco. Parece que ele foi lançado na Europa, onde fez até um certo sucesso", diz Carlos Alberto, lembrando que os integrantes do Brazilian Octopus chegaram a procurar a diretoria da Fermata, para tirar satisfações sobre a vendagem do álbum. Em vez de cheques, receberam apenas elogios e um convite para gravar outro disco. Como imaginaram que não receberiam nada novamente, recusaram. Terminou ali o inusitado octeto.

Três décadas depois , Hermeto Pascoal não se surpreende, nem mesmo se incomoda, ao saber que cópias domésticas do único álbum do Brazilian Octopus vêm circulando no formato CD, em São Paulo. "Se a gravadora não se interessa em fazer o CD, essas pessoas têm que copiar mesmo. É o único jeito que o público tem de ouvir a nossa música", referenda um dos pais dessa raridade da MPB instrumental dos anos 60.
 
Carlos Calado, no site UOL

Conferimos abaixo a faixa 6 - Momento B8.


 

FRASE DO DIA

“Eu fiz tudo o que a Bíblia diz, mesmo as coisas que contradizem as outras coisas!”

 Ned Flanders

DAS MADRUGADAS

Bebeto Mohr, sempre atento (sujeito de extremo bom gosto), escreve:

Para "iniciados". Uma das últimas apresentações do Azymuth. Três meses depois dessa "gig", Zé Roberto Bertrami faleceu. 

A musicalidade  do Mamão é de "caí os butiá do bolso"!!!  Cuidem só, dos 6:24 em diante, o que o "véio" faz.  Inclusive, ele usa um "pad" eletrônico com timbres muito diferentes.... 
 
Aumenta o som aí meu!!!! 

quinta-feira, 4 de julho de 2013

COMO ENLOUQUECER UM GARÇOM - PARTE UM


Sr. A. analisa o cardápio do restaurante, olha detidamente a parte das massas: “Vocês tem espaguete ao alho e óleo?” pergunta ele ao garçom com o dedo na parte do cardápio que diz “espaguete ao alho e óleo”. “Sim, senhor”. “E como é o espaguete ao alho e óleo?”. “Bem, é o espaguete com alho e óleo, senhor”. “Mas e vem tudo junto, misturado?”. “Sim, senhor”. “E tem como trazer separado? O espaguete em um prato e o alho e óleo em um potinho?” “Sim, senhor”. “Muito obrigado”.

Minutos depois o garçom volta à mesa com um prato de espaguete e um pote com o molho alho e óleo. Sr. A. derrama sobre o prato de espaguete todo o conteúdo do pote com seu molho. O garçom, um inocente, não entende nada. Os restantes da mesa também não entendem. Sr. A. come tranquilo a sua massa.

PEDALANDO

Vejo um ciclista tranquilamente em meio aos carros, ocupando o lugar de um, sinalizando com as mãos que não poderia ser ultrapassado, passar, em seguida, por um sinal vermelho no trânsito. Logo adiante, esse mesmo ciclista, querendo ir para a calçada oposta, utilizou a faixa de segurança para forçar os carros a pararem para que ele atravessasse a rua calmamente.

Mas o que ele é, afinal? Que tratamento ele quer ter no trânsito? De veículo ou de pedestre? Os dois? Na minha opinião, nem um e nem outro. 

Mas, vá lá, está na moda usar bicicleta para ir ao teatro, ir namorar, ir à feira comprar produtos orgânicos, que devem ser engolidos após 45 mastigadas, e ir às livrarias comprar livros que serão de-vo-ra-dos em noites insones.  Parece que até pra trabalhar algumas pessoas usam. Enfim, para salvar o mundo. 

Mas divago. Afinal, estamos tratando de um pedestre ou de um veículo? Não dá para escolher ser ora um, ora outro. Quando convém sou veículo, quando convém sou pedestre?

Mas, quero dizer que sou altamente a favor das bicicletas. Ou como os adeptos gostam de falar, acho lindo que “pedalem”. Nos parques, nas praças, nas praias, nas ravinas, nos vales verdejantes ou nos desertos. Que não se esqueçam de seus capacetes em forma de meio pingo e a garrafa de mamar água para se hidratar.

Luiggi

MOUSE

Morre aos 88 anos Douglas C. Engelbart, inventor do mouse




Do UOL*, em São Paulo
  • Wikimedia Commons
    Douglas Carl Engelbart, inventor do mouse, faleceu aos 88 anos nos Estados Unidos
    Douglas Carl Engelbart, inventor do mouse, faleceu aos 88 anos nos Estados Unidos
O cientista americano Douglas C. Engelbart faleceu nesta terça-feira (2) em sua casa na Califórnia (Estados Unidos) por insuficiência renal. Engelbart morreu aos 88 anos e detém a patente da invenção de uma série projetos. No entanto, ele ficou conhecido por ter sido o criador do mouse. A informação da morte do cientista só foi confirmada na tarde desta quarta-feira (3) pela instituição Doug Engelbart.
Engelbart teve a ideia de criar o mouse em 1964. Na época, quase toda a interação entre o homem e o computador era feita por meio de cartões. Ele concebeu o conceito da necessidade de haver um "periférico de indicação" de direções em um computador durante uma conferência de computação gráfica realizada nos Estados Unidos.
O cientista, então, fez um esboço do que ele havia pensado e mostrou para William English, um engenheiro mecânico que colaborava com ele em projetos de pesquisa. Os primeiros modelos de mouse tinham três botões, pois era o máximo que a estrutura acomodava. Para Engelbart, quanto mais botões disponíveis, mais ele seria útil. A patente do mouse foi registrada em 1967 nos Estados Unidos e oficializada em 1970.
Contrariando a ideia do criador do mouse, na década de 90, Steve Jobs, cofundador da Apple, adaptou o periférico para a linha de computadores Macintosh da companhia. Para o cofundador e os designers da companhia, um botão era o suficiente para o periférico. Segundo o "New York Times", Jobs argumentava que com apenas um botão fica impossível de a pessoa apertar algo sem querer.

1º MOUSE

  • Reprodução/Doug Engelbart Institute
    Imagem do primeiro mouse feito por Douglas Engelbart no fim da década de 60
A primeira apresentação do mouse em público foi em 1968 durante uma conferência de cientistas da comunicação realizada em San Francisco, na Califórnia (EUA). Após isso, a Xerox e o Laboratório de Inteligência Artificial de Stanford aprimoraram o periférico e só na década de 80 ele se tornou disponível para uso comercial.
Douglas Carl Engelbert nasceu em janeiro de 1925 em Portland, no Estado de Oregon. Ele deixou três filhas, um filho, a esposa do segundo casamento (a primeira faleceu em 1997) e nove netos.

ÁLBUM DA QUINTA

O GRANDE CIRCO MÍSTICO (1983)  EDU LOBO E CHICO BUARQUE

Criado originalmente para o Balé Teatro Guaíra, e inspirado no poema homônimo do parnasianista/modernista Jorge de Lima (da obra A Túnica Inconsútil, 1938), O Grande Circo Místico foi um espetáculo preparado durante todo o ano de 1982. Estreou em 17 de março de 1983, mesclando música, balé, ópera, circo, teatro e poesia. 

O sucesso originou uma turnê de dois anos pelo país, assistida por mais de 200 mil pessoas, em quase 200 apresentações. Consagrou umas das mais completas obras já apresentadas no país, lotando o Maracanãzinho e o Coliseu dos Recreios, em Lisboa.

A trilha sonora, lançada pela Som Livre, foi musicada pela dupla Chico Buarque e Edu Lobo e conta a história do grande amor entre um aristocrata e uma acrobata e a saga da família austríaca proprietária do Grande Circo Knieps, que vagava pelo mundo nas primeiras décadas do século XX.


A obra de Edu Lobo e Chico Buarque conta com participações de Gal Costa, Milton Nascimento, Gilberto Gil, Zizi Possi, Tim Maia, Simone e Jane Duboc.


Lado A
1. "Abertura do Circo (Instrumental)"   3:30
2. "Beatriz - Milton Nascimento"   5:01
3. "Valsa dos Clowns - Jane Duboc"   3:39
4. "Opereta do Casamento - Coro"   3:55
5. "A História de Lily Braun - Gal Costa"   3:51
6. "Oremus - Coro"   1:57

Lado B
1. "Meu Namorado - Simone"   2:44
2. "Sobre Todas as Coisas - Gilberto Gil"   5:00
3. "Ciranda da Bailarina - Coro Infantil"     2:22
4. "O Tatuador (Instrumental)"   3:26
5. "A Bela e a Fera - Tim Maia"   2:55
6. "O Circo Místico - Zizi Possi"   3:41
7. "Na Carreira - Chico Buarque & Edu Lobo"  




Músicas de Edu Lobo / Letras de Chico Buarque
Criado para o Ballet Guaíra
Interpretações : Milton Nascimento, Jane Duboc, Gal Costa, Simone, Gilberto Gil, Tim Maia, Zizi Possi, Chico Buarque e Edu Lobo
Direção artística: Edu Lobo
Arranjos: Chico de Moraes e Edu Lobo
Orquestrações e regência: Chico de Moraes
Concepção, roteiro, ilustrações da capa e encarte: Naum Alves de Souza
Produção: Homero Ferreira
Baseado no poema “O Grande Circo Místico” de Jorge de Lima
Coreografia: Carlos Trincheiras
Técnico de gravação: Edu de Oliveira
Técnico de mixagem: Alan Sides
Gravado nos estúdios da Som Livre, Rio de Janeiro, entre agosto e dezembro de 1982. Mixado nos estúdios da Ocean Way, Los Angeles, em janeiro de 1983.



Piano: Cristóvão Bastos
Piano Yamaha: Cristóvão Bastos e Chico de Moraes
Piano Rhodes: Antônio Adolfo e Raimundo Nicioli
Baixo Acústico: Sérgio Barroso e Ken Wild
Baixo Elétrico: Jamil Joanes e Jorjão
Violão: Edu Lobo, Gilberto Gil e Nelson Angelo
Percussão: Paschoal Meirelles, Chico Batera e Jorge de Oliveira
Flauta: Mauro Senise, Celso Woltzenlogel e Paulinho Guimarães
Bateria: Paulinho Braga
Guitarra: Hélio Delmiro
Bells e Xilofone: Pinduca
Minimoog: Chico de Moraes
Clarinete: Biju, Macaé, Mazinho, Zé Bodega e José Botelho
Requinta: José Botelho
Picollo: Celso Woltzenlogel
Trompa: Zdenek Svab, Antônio Cândido, Luiz Cândido e Luciano
Sax-Alto: Netinho, Oberdan Magalhães e Macaé
Sax-Tenor: Leo Gandelmann, Biju, Nivaldo Ornellas e Zé Bodega
Sax-Barítono: Aurino e Leo Gandelmann
Trompete: Formiga, Barreto, Niltinho, Bidinho, Hamilton e Márcio Montarroyos 
Trombone: Edmundo Maciel, Edson Maciel, Flamarion, Berto, Jessé, Manoel Araújo e Serginho
Fagote: Noel Devos
Gaita: Maurício Einhorn
Harpa: Dorothy Ashby
Oboé: Braz
Violinos: Giancarlo Pareschi (spalla), Aizik Geliër, Alfredo Vidal, Carlos Hack, Francisco Perrota, João Daltro de Almeida, Jorge Faini, José Alves, Luiz Carlos Marques, Marcelo Pompeu, Michel Bessler, Walter Hack, Paschoal Perrota, André Charles Guetta, João de Menezes, José de Lana e Virgilio Arraes
Violas: Arlindo Penteado, Frederick Stephany, Hindemburgo Pereira, Murilo Loures, Nelson Macedo e José de Lana
Cellos: Alceu de Almeida Reis, Jacques Morelenbaum, Jorge Ranevsky, Márcio Mallard e Henrique Drach
Contrabaixos: Gabriel Bezerra de Mello e Sandrino Santoro
Coro: Luna, Márcia Ruiz, Maucha Adnet, Regininha, Rosa Lobo, Verônica Sabino, Chico Adnet, Dalmo Medeiros, Márcio Lott, Paulinho Pauleira, Paulo Roberto, Ronald Vale e Zé Luiz
Coro Infantil: Bebel, Isabel, Lelê, Luiza, Mariana, Silvinha, Bernardo, Cristiano e Kiko
Arregimentação e Regência do Coro Infantil: Cristina

FRASE DO DIA

"Uma vez morto, você está feito para o resto da vida."
 

Jimmi Hendrix

quarta-feira, 3 de julho de 2013

MOTÖRHEAD

Motörhead cancela resto da turnê por problemas de saúde de Lemmy

(G1)

Seis novas apresentações foram desmarcadas pela banda.
Vocalista pede desculpas e diz que é obrigado a seguir ordens médicas.

Lemmy Kilmister, vocalista do Motorhead, durante show no Rock in Rio. (Foto: Felipe Dana/AP)
Lemmy Kilmister, vocalista do Motörhead, durante show no Rock in Rio, em 2011. (Foto: Felipe Dana/AP)
Depois de desmarcar três shows e prometer que voltariam em breve aos palcos, os integrantes do Motörhead foram obrigados a cancelar o restante da turnê europeia por causa dos problemas de saúde de seu vocalista, Lemmy Kilmister.

Embora mencione os problemas de Lemmy, o comunicado da banda em seu site oficial não explica exatamente o que ele tem. “Infelizmente, o Motörhead anuncia que precisa cancelar suas seis participações remanescentes em festivais. A banda odeia decepcionar seus fãs por perder qualquer show, mas espera retornar com toda força no outono. Como vocês devem ter ouvido, na primavera Lemmy teve que passar por um tratamento médico de longo prazo. Na época, ele foi aconselhado a manter repouso, mas, ao se sentir melhor, obviamente retomou sua vida normal. Ele foi então avisado de que deveria imediatamente tirar mais um tempo para descansar”.

“Então é isso! Vocês podem agora parar de se preocupar e redirecionar esses cartões, flores e chocolates a alguém que vocês amem (e que vai apreciá-los muito mais), se acalmarem e seguirem em frente. Lemmy e o Motörhead certamente o farão. Obrigado e vejo vocês no outono”, conclui o texto.

O próprio vocalista também fez questão de emitir um comunicado para tranquilizar os fãs, no qual promete que estará em forma até setembro, quando o Motörhead vai lançar “Aftershock”, seu 21º disco.

“Gostaria de agradecer a todos que me desejam melhoras, foi uma decisão dura para mim, já que não gosto de decepcionar os fãs, especialmente em uma época na qual a economia está ruim e as pessoas gastam seu dinheiro para nos ver. Mas, às vezes, você não pode fazer nada além de obedecer às ordens dos médicos. Mas tenham certeza que iremos voltar e chutar os traseiros de todo mundo”, disse o cantor de 67 anos.

Os shows cancelados pela banda aconteceriam na Suécia, Alemanha, França, Finlândia,Rússia e Bélgica, entre os dias 4 de julho e 4 de agosto.

GRANDES FRASES DE GRANDES FILMES

"There are three ways to make a living in this business: be first, be smarter, or cheat."

“Existem três maneiras de sobreviver nos negócios: ser o primeiro, ser o mais esperto ou trapacear."


John Tuld (Jeremy Irons) – O Dia Antes do Fim – 2011

DE TV

Deus é um cara gozador, adora brincadeira. Não me deu pernas compridas e também não preciso fugir da polícia. Me deu muita preguiça. E alguma implicância. Me deu também o gosto de assistir televisão. Ou melhor, de mexer no controle remoto, que é infinitamente melhor do que ver televisão. E, com tudo isso, consigo ouvir comentários do tipo: “Eu super entendi”. Isso foi no Saia Justa. 

Estava falando um desses intelectuais pop. Desses que escrevem livros que os muilealevalerosenses DE-VO-RAM nas eternas madrugadas de vigília pela cultura. Quando acabou a explanação, que ninguém entendeu, mas todos ficaram fazendo cara de Marília Gabriela, a apresentadora me larga essa: “Eu super entendi!”. E, claro, aproveita pra fazer uma piada, pois ali não haveria mais condições para um comentário "cabeça".


No entendimento deste modesto blogueiro, “entender” faz parte daquelas coisas que a gente deve marcar “sim” ou “não”. “Entendeu?” “Mais ou menos”. Obviamente, é um eufemismo de “porra nenhuma”. E “super entendeu”? Entendeu e foi além? Não parecia ser o caso. Eu vou me indignar e chega.

Outra boa que peguei, num desses instantes em que a imagem se fixou na tela, na dúvida se se vai adiante ou se fica pra ver até que ponto aquilo vai chegar, foi a seguinte apresentação: “Ele é um shopping de cultura!”. Essa só podia ser na MuiLeal. E o sujeito apresentado, certamente, deve ter feito a anotação mental: “Essa vai pra lápide, SE um dia eu morrer, vai pra lápide: aqui jaz um shopping de cultura!“.

(Não é querer esvaziar o elogio, mas na MuiLeal todo mundo é shopping cultural. Quem faz música, quem faz teatro, quem faz cinema, quem escreve, quem tem mais ideias, e quem tem programa na rádio...)

Espero que alguém me desafie, mas não bote a mãe no meio. Como já disse, não se deve dar pernadas curtas a três por quatro. E não me despenteio.

Aquele abraço pra quem fica.

FRASE DO DIA

"Família, religião e amigos... são esses os três demônios que você precisa matar se quiser ter sucesso nos negócios". 
Montgomery C. Burns

AMIGO, POR FAVOR LEVE ESTA CARTA...

E-mail de um amigo...


Acordei cedo, tomei banho, escovei os dentes. Todos os dentes. Sem carona, peguei um ônibus lotado e poeirento, com simpáticas senhoras conversando aos gritos dentro de seus peludos casacos com ácaros.


Nem tomei café, mas estou aqui, escanhoado, trabalhando, sorridente. Deus certamente vai me recompensar por isso, tenho certeza...

O MORRO NÃO TINHA VEZ

A origem da bossa nova é no morro e não em Ipanema, defende pesquisador

São famosas as histórias sobre encontros em apartamentos e saraus fechados que deram origem à bossa nova. E é quase impossível dissociar o ritmo surgido no final dos anos 50 da zona sul carioca, de Ipanema, Corcovado e Redentor. Mas o pesquisador Enrique Menezes, da USP, resolveu  estudar o samba e cravou em sua tese de mestrado: ao contrário do que todos pensam, há muito mais do morro do que de Ipanema na bossa nova.

Menezes se debruçou sobre a música de João Gilberto, inventor da bossa nova, para identificar as origens populares do ritmo. E o que ele percebeu é que a malandragem carioca dos anos 30 e seu samba sincopado é que são, na verdade, a origem da bossa nova - e não aquelas imagens clássicas de Ipanema, rua Nascimento Silva e os apartamentos de Nara Leão.

 Ele explica: João Gilberto foi fortemente influenciado pelo “samba sincopado” do morro, o “desencontro estruturado” em que o músico cria um segundo ponto de apoio rítmico sobre a base segura fornecida pela batucada. E o compositor baiano fez uma leitura que conseguiu aproximar o ritmo típico da marginalidade à elite, dando origem ao clássico ritmo.

“Associar a bossa nova à zona sul do Rio é uma estratégia da elite para se apropriar dessa importante criação cultural”, explica Menezes. A GALILEU foi atrás dele para entender como ele estudou o samba e está reconstruindo a origem da bossa:

Por que você resolveu investigar esse tema?

Sempre admirei muito João Gilberto como artista, e sempre tive vontade de entender melhor comentários despretensiosos como “o João Gilberto canta baixinho”, “é difícil acompanhar o ritmo do João” ou ainda “o João Gilberto é um chato”. Acredito que nos perguntarmos sobre o sentido desses comentários pode revelar muita coisa sobre João Gilberto e, de quebra, sobra a cultura brasileira.

A bossa nova sempre foi associada à elite, à zona sul carioca, aos saraus nos apartamentos. Mas sua pesquisa apontou que a base dela foi no morro. Como você chegou a essa conclusão?

É simples. Na chamada “era de ouro” do rádio no Brasil houve cantores de samba que ficaram conhecidos como “sambistas de bossa”, que estavam ligados ao universo da malandragem e do morro. O gingado malandro do corpo aparecia também no andar, no falar e no cantar, e essa é a bossa de cantores como Moreira da Silva, Jorge Veiga e Luiz Barbosa, entre muitos outros que fizeram sucesso na rádio entre os anos 30 e 50.

A “bossa nova” é um “novo” modo de interpretar esse estilo de samba. Esse novo modo, criado por João Gilberto no final da década de 50, tornou-se tão rico e culturalmente decisivo porque conseguiu percorrer todo o arco social brasileiro, do inferno da favela passando pelo confortável apartamento da elite e chegando até as principais salas de concerto do mundo. Completa assim um movimento de integração simbólica das classes pobres na indústria cultural, movimento desejado e iniciado pelos sambistas de morro que já haviam conseguido chegar até o rádio.

Associar a bossa nova à zona sul do Rio é uma estratégia da elite para se apropriar dessa importante criação cultural, e também mais um momento no qual ela cava sua própria cova, pois a bossa nova é toda feita com o 'dna' do morro, da favela, dos pretos, ex-escravos e da massa brasileira de espoliados com a qual a elite não gostaria de se misturar. A bossa nova revela em sua forma a massa preta sobre a qual a elite zona sul sempre sustentou seus caprichos.

Você fala em ‘samba sincopado’. O que é isso? E como isso se manifesta na música do João Gilberto?

O samba sincopado faz parte do universo mais geral da malandragem, ligado à bossa do sambista de morro e ao samba de breque. Seu nome vem da síncopa, um termo tradicional da música cujo significado tem algo de um desencontro entre dois pontos rítmicos, que teoricamente deviam estar juntos. No caso desse estilo de samba isso é explorado de modo estrutural: é quase um “desencontro estruturado”, e o cantor/compositor cria um segundo ponto de apoio rítmico sobre a base segura fornecida pela batucada. Complexifica assim a estrutura rítmica, dando origem a um novo jogo musical que se desenvolve entre o canto e o acompanhamento. É mais ou menos como a estrutura de um drible do Mané Garrincha. Em João Gilberto, junte-se a essa estrutura a precisão de um passe de Pelé.

Quais são os grandes sambistas do morro que influenciaram a bossa e João?

Uma das coisas mais impressionantes e pouco lembrada nessa história toda é que o morro tem muitos, mas muitos “grandes sambistas”. Onde você vai encontra vários. Trabalhando em processo colaborativo e de certa forma anônimo, o samba já constitui uma tradição sólida que vem desde o final do século XIX, na qual um grande número de instrumentistas, cantores e compositores reconhecem e desenvolvem mutuamente seus trabalhos.

 Inicialmente, são os ex-escravos recém libertos que tiveram que se virar sem a atenção do governo. Por isso, poderia escrever muitas páginas citando nomes e nomes de sambistas, tanto cantores quanto instrumentistas. Vou me contentar em lembrar apenas de mais alguns, conhecidos mas pouco ouvidos: entre os cantores, Ciro Monteiro, Geraldo Pereira e Araci de Almeida; entre os instrumentistas, o conjunto “gente do morro”, o “regional do canhoto” e os ritmistas do Estácio de Sá nos anos 20.

Dá para isolar os elementos que João Gilberto usou em sua música para identificar essa influência? Em quais músicas, por exemplo?

Podemos notar esse trabalho de João Gilberto em todas as músicas que gravou. No aspecto rítmico, a boa pergunta que se faz é “porque é difícil cantar junto com o João Gilberto?” Em linhas muito gerais, é porque ele está lidando livremente e de forma pessoal com processos de sincopação e derramamento métrico, elementos desenvolvidos pelos sambistas de bossa. Note-se por exemplos as diferenças nas gravações de Corcovado (Tom Jobim) feitas no disco “O amor, o sorriso e a flor” e “Live at Umbria Jazz”. Já o “cantar baixinho” vem de um tipo de timbragem que por uma lado está em consonância com o estilo de Mário Reis, e por outro liga-se ao fraseamento de um Orlando Silva, sem esquecer dos timbres “estranhos” como os de Adoniran Barbosa e Nelson Cavaquinho.
Mas não podemos falar simplesmente em “influências”, já que tanto no âmbito do timbre quanto no do ritmo, João Gilberto alcança um tipo de complexidade que encontra dialogo também com processos avançados da composição erudita. Não podemos reduzi-lo nem a um nem a outro.

Você diz que “João Gilberto subverte o abismo entre ricos e pobres”. Ele fez isso de maneira consciente ou foi um movimento natural que veio de seu próprio processo de composição?

A música de João Gilberto surge da análise consciente e minuciosa da “bossa” do samba criado nas favelas das capitais brasileiras em expansão. Sua interpretação adamantina multiplica a voz potente do morro nos meios industriais da cidade, devolvendo para o centro da indústria cultural – de forma analisada e refletida – a criação forte daqueles que têm sido esbulhados por essa mesma indústria. Nesse sentido, ele procura reduzir a distância entre pobres e ricos.

Entretanto, a inconsistência do arco social percorrido por João Gilberto é tão grande que chega-se à conclusão de que essa realidade não permite ser mudada de forma simbólica. Ou, dito de forma mais simples, a música não consegue reduzir efetivamente essa distancia, que segue incólume. A cisão é de tal forma engessada que, às vezes, cabe à música atuar de forma negativa: denunciar a ideologia, mas principalmente formar com ela um forte contraste, que acentue e deixe definitivamente claras as potências sociais que não encontraram sua forma real de serem potentes.

BRAVA GENTE

Faz parte da cultura popular que ser trabalhador e acordar cedo é uma grande virtude, uma grande coisa. E tudo mundo – que acredita nisso – enche a boca pra dizer que acorda cedo.

O que eu não consigo entender é como é que neste país de virtuosos que se esfalfam desde cedo é tão difícil achar uma birosca pra tomar um café e comer um sanduíche antes das 8 horas da manhã. Banca de jornal então, nem pensar. E é melhor o cidadão ter dormido cedo e comportadamente, pois se precisar de uma farmácia também vai ser problema.

Existem, existem, eu sei que existem lugares que vendem pão “bem queimadinho” e uma taça de café “bem moreninha”. Mas convenhamos que não é assim tão simples encontrar um desses, o que é estranho nessa república de gente que acorda cedo, de passarinhos urbanos, gentes de bons modos... Com licença, foi engano.

O FENÔMENO

Ahh...O povo...

Não é que se queira, pelo contrário, mas às vezes fica impossível não escutar a conversa dos companheiros em uma aglomeração qualquer.

E uma das coisas que mais escuto é “Esse tempo maluco, a gente sai de casa pela manhã tem que se encher de casacos, meio-dia tá esse calor". Dessa feita, a pessoa que falou isso deve ter uns 50 anos.

Eu tenho certeza que há 50 anos, nessa mesma época do ano, era assim. E há 40, e há 30 e há 20 anos era a mesma coisa. E se tudo der certo, vai continuar sendo assim pelos próximos 20, 30, 40 e 50 anos. Mas será que ainda não deu pra perceber que todo ano é a mesma coisa?

PAUTA EXTRA


Pauta Extra 08

 

TOA RECOMENDA

EL NEGRO - PÉ NO TALO 


terça-feira, 2 de julho de 2013

PRIMEIROS PARÁGRAFOS INESQUECÍVEIS

"Lolita, luz de minha vida, labareda em minha carne. Minha alma, minha lama. Lo-li-ta: a ponta da língua descendo em três saltos pelo céu da boca para tropeçar de leve, no terceiro, contra os dentes. Lo. Li. Ta. Pela manhã ela era Lô, não mais que Lô, com seu metro e quarenta e sete de altura e calçando uma única meia soquete. Era Lola ao vestir os jeans desbotados. Era Dolly na escola. Era Dolores sobre a linha pontilhada. Mas em meus braços sempre foi Lolita. Será que teve uma precursora? Sim, de fato teve. Na verdade, talvez jamais teria existido uma Lolita se, em certo verão, eu não houvesse amado uma menina primordial."



Lolita - Vladimir Nabokov - 1955

FRASE DO DIA

"É por isso que eu amo a escola primária; as crianças acreditam em qualquer coisa que você diga a elas."
W. Seymour Skinner

segunda-feira, 1 de julho de 2013

DAS MADRUGADAS

Finalmente a bailarina com pentelhos.

 

 

DAS MADRUGADAS


Jorge Ben sem seus óculos escuros. Os óculos certamente viraram necessários depois que Ive Brussel ganhou versões, homenagens, releituras e (Deus nos guarde) revisitações de ninguém menos do que Só Pra Contrariar, Simone, Jota Quest, Jauperi, Daniela Mercury, Luis Maurício (Lulu Santos para os íntimos), Grupo Sururu na Roda e Banda Moinho. Só faltou a Sandra "demônio colorido" Sá pra fechar a lista com chave de ouro. Só de óculos e mudando de nome mesmo.
 
 
 
Nota da Redação: Ive Brussel, segundo o próprio Jorge, é o nome de uma fã belga por quem ele se apaixonou em uma de suas turnês.
 

HOMENAGEM

Luciano, amigo de fé, irmão, camarada, faz aniversário hoje! Vida longa!!!

CLÁSSICOS PARA A VIDA ETERNA

PEOPLE ARE STRANGE (1967) THE DOORS

Sérgio Luiz Gallina

People Are Strange é uma canção do grupo The Doors lançada no seu segundo álbum, Strange Days. O single chegou ao 12º posto na parada dos EUA. A canção aborda a alienação e a posição de marginalizado.  Foi escrita pelo guitarrista Robby Krieger após ele e Morrison, em depressão, terem andado até ao topo do Laurel Canyon. O baterista John Densmore acredita que a canção era a manifestação da "vulnerabilidade" de Morrison." 




People are strange, when you're a stranger
Faces look ugly when you're alone
Women seem wicked, when you're unwanted
Streets are uneven, when you're down

When you're strange, faces come out of the rain
When you're strange, no one remembers your name
When you're strange, when you're strange, when you're strange

People are strange, when you're a stranger
Faces look ugly when you're alone
Women seem wicked, when you're unwanted
Streets are uneven, when you're down

When you're strange, faces come out of the rain
When you're strange, no one remembers your name
When you're strange, when you're strange, when you're strange

People are strange, when you're a stranger
Faces look ugly when you're alone
Women seem wicked, when you're unwanted
Streets are uneven, when you're down

When you're strange, faces come out of the rain
When you're strange, no one remembers your name

When you're strange, when you're strange, when you're strange

HELP!


Restaurado, filme 'Help!' dos Beatles é lançado online.

O segundo filme dos Beatles, 'Help!', de 1965, fez sua estreia em formato digital nesta semana na iTunes Store. O longa restaurado inclui vários extras, como um documentário de 30 minutos sobre o making of do filme, memórias do elenco e da equipe, cenas cortadas, trailers originais, spots de rádio, uma introdução feita pelo diretor do filme, Richard Lester, e comentários de Martin Scorsese.

Dirigido por Richard Lester, também diretor do filme de estreia da banda, 'A hard day’s night' (1964), 'Help!' segue os Beatles em uma jornada na qual eles se tornam passivos de uma conspiração exterior que gira em torno da posse de um anel, que não pode ser retirado do dedo de Ringo. Como resultado, ele e seus colegas de banda, John, Paul e George são perseguidos desde Londres até os Alpes austríacos e as Bahamas por membros de seitas religiosas, um cientista louco e da polícia britânica.

A restauração de'Help!' para seu lançamento em DVD, em 2007, fez jus à expectativa dos fãs ganhando cinco vezes as vendas de platina dos Estados Unidos e elogios de meios de comunicação do mundo inteiro, incluindo USA Today, The Guardian e The Los Angeles Times. Canções clássicas dos Beatles, como 'You're going to lose that girl', You've got to hide your love away', 'Ticket to ride', 'I need you', 'The night before', e 'Another girl' estão no filme.

Restauração inclui vários extras, como um documentário de 30 minutos sobre o making of do filme.

Assista ao trailer de 'Help!'

 

É MELHOR QUE IR À IGREJA


Em uma entrevista à BBC, Keith Richards afirmou – quando questionado sobre o assunto - que os Stones não estão velhos pra tocar no Festival Glastonbury, onde se apresentam pela primeira vez nesse sábado.


"Simplesmente, nunca sucedeu. Esteve muitas vezes na lista das turnês, mas, por uma razão ou outra, nunca conseguimos coincidir", falou Richards.

"Faz muito bem para a saúde tocar rock & roll em uma banda de vida limpa como os Rolling Stones. Deveriam prová-lo, é melhor que ir à igreja".

Nota da Redação: Veja a entrevista na íntegra em BBC. É recheada de pérolas ao estilo Keith Richards.

FUTEBOL, EFEITO ESTUFA E O JOGO GLOBAL

Hoje é dia da final da Copa das Confederações, imagino que a maioria absoluta dos brasileiros esteja grudada na TV. (Eu sou um deles, mesmo daqui dos EUA).

Interessante o contraste das culturas; por aqui, esse tipo de conexão nacional não existe em nenhum esporte. Não vejo os americanos unidos, torcendo pelo seu país em massa em um jogo, como ocorre no Brasil e tantos outros países.


Isso é coisa do futebol e da Copa, um fenômeno único mesmo. Olimpíada é diferente, uma outra espécie de manifestação patriótica. Não é tanto um esporte, mas muitos juntos, e cada um vê o que gosta mais.

Isso faz do futebol uma coisa à parte, uma manifestação em massa quase que religiosa, algo que antropólogos culturais estudaram já em detalhe. Uma expressão de patriotismo, sem dúvida, mas muito mais do que isso. Aqui nos EUA, isto ocorre mais com as guerras do que com os esportes.

O que me faz pensar no próximo nível de adesão cultural em massa, quando não somos mais um país, mas uma espécie. Uma das assinaturas do novo milênio é a transcendência cultural por meio da globalização digital; todos têm, em princípio, uma voz, a informação que antes era difícil é acessível com alguns cliques; cursos dados por grandes professores, palestras sensacionais sobre ideias de vanguarda, vídeos políticos (como aqueles mostrando as manifestações no Brasil), filosóficos, esportivos...tudo ao alcance, basta só saber procurar conteúdo. E é este o grande desafio da educação moderna: orientar as pessoas a buscar conteúdo de qualidade, coisas que nos ajudem a aprender, a crescer como indivíduos e mesmo como espécie.

Pois se uma coisa fica clara com essa globalização e com outra característica dos nossos tempos, o aquecimento global, é que qualquer ação local pode ter repercussão global. O moto "pense globalmente e haja localmente" diz tudo. Semana passada, o presidente Obama declarou a necessidade de os EUA mudarem sua politica com relação à emissão de carbono: "os cientistas estão convencidos na sua maioria absoluta de que o aquecimento global está sendo acelerado pelas atividades humanas; falo isso pelos meus filhos e as gerações futuras", declarou. Finalmente!

Não há mesmo dúvida de que estamos pondo uma espécie de cobertor em torno do planeta, que vai ficando cada vez mais sufocado. A conscientização conjunta de uma globalização pela internet e pelo clima deveria também despertar uma noção da necessidade de lutarmos como espécie para a preservação da nossa casa cósmica. Algo que a ciência moderna nos ensina é que a vida é rara e a vida complexa mais ainda; ademais, dadas as variações de planeta a planeta, e dado como a vida depende dessas variações, podemos afirmar que nós, humanos, somos únicos, futebol e tudo.

Se as variações culturais ainda são enormes, como no caso da devoção nacional ao futebol no Brasil e sua ausência nos EUA, estamos todos juntos neste mesmo planeta. Independentemente do resultado do jogo, a Terra continuará sendo nossa casa, e continuará a aquecer. Torço para que o Brasil ganhe, claro, e para que nosso planeta vença também. Pois neste jogo ganhamos ou perdemos todos juntos.

Marcelol Gleiser, do site da Folha
Nota da Redação: Não gosto de cientista pop, mas o texto é bom.

FRASE DO DIA

"Faço tudo com amor, inclusive o amor." 

 Dadá Maravilha