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domingo, 8 de setembro de 2013

LEITURA DE DOMINGO

Palavreado 

Luis Fernando Veríssimo


Gosto da palavra “fornida”. É uma palavra que diz tudo o que quer dizer. Se você lê que uma mulher é “bem fornida”, sabe exatamente como ela é. Não gorda mas cheia, roliça, carnuda. E quente. Talvez seja a semelhança com “forno”. Talvez seja apenas o tipo de mente que eu tenho.

Não posso ver a palavra “lascívia” sem pensar numa mulher, não fornida mas magra e comprida. Lascívia, imperatriz de Cântaro, filha de Pundonor. Imagino-a atraindo todos os jovens do reino para a cama real, decapitando os incapazes pelo fracasso e os capazes pela ousadia.

Um dia chega a Cântaro um jovem trovador, Lipídio de Albornoz. Ele cruza a Ponte de Safena e entra na cidade montado no seu cavalo Escarcéu. Avista uma mulher vestindo uma bandalheira preta que lhe lança um olhar cheio de betume e cabriolé. Segue-a através dos becos de Cântaro até um sumário - uma espécie de jardim enclausurado -, onde ela deixa cair a bandalheira. É Lascívia. Ela sobe por um escrutínio, pequena escada estreita, e desaparece por uma porciúncula. Lipídio a segue. Vê-se num longo conluio que leva a uma prótese entreaberta. Ele entra. Lascívia está sentada num trunfo em frente ao seu pinochet, penteando-se. Lipídio, que sempre carrega consigo um fanfarrão (instrumento primitivo de sete cordas), começa a cantar uma balada. Lascívia bate palmas e chama:

- Cisterna! Vanglória!

São suas escravas que vêm prepará-la para os ritos do amor. Lipídio desfaz-se de suas roupas - o sátrapa, o lúmpen, os dois fátuos - até ficar só de reles. Dirige-se para a cama cantando uma antiga minarete. Lascívia diz:

- Cala-te, sândalo. Quero sentir o seu vespúcio junto ao meu passe-partout.

Atrás de uma cortina, Muxoxo, o algoz, prepara seu longo cadastro para cortar a cabeça do trovador.

A história só não acaba mal porque o cavalo de Lipídio, Escarcéu, espia pela janela na hora em que Muxoxo vai decapitar seu dono, no momento entregue aos sassafrás, e dá o alarme. Lipídio pula da cama, veste seu reles rapidamente e sai pela janela, onde Escarcéu o espera.

Lascívia manda levantarem a Ponte de Safena, mas tarde demais. Lipídio e Escarcéu já galopam por motins e valiums, longe da vingança de Lascívia.

*

“Falácia” é um animal multiforme que nunca está onde parece estar. Um dia um viajante chamado Pseudônimo (não é o seu verdadeiro nome) chega à casa de um criador de falácias, Otorrino. Comenta que os negócios de Otorrino devem estar indo muito bem, pois seus campos estão cheios de falácias. Mas Otorrino não parece muito contente. Lamenta-se:

- As falácias nunca estão onde parecem estar. Se elas parecem estar no meu campo é porque estão em outro lugar.

E chora:

- Todos os dias, de manhã, eu e minha mulher, Bazófia, saímos pelos campos a contar falácias. E cada dia há mais falácias no meu campo. Quer dizer, cada dia eu acordo mais pobre, pois são mais falácias que eu não tenho.

- Lhe faço uma proposta - disse Pseudônimo. - Compro todas as falácias do seu campo e pago um pinote por cada uma.

- Um pinote por cada uma? - disse Otorrino, mal conseguindo disfarçar o seu entusiasmo. - Eu devo não ter umas cinco mil falácias.

- Pois pago cinco mil pinotes e levo todas as falácias que você não tem.

- Feito.

Otorrino e Bazófia arrebanharam as cinco mil falácias para Pseudônimo. Este abre o seu comichão e começa a tirar pinotes invisíveis e colocá-los na palma da mão estendida de Otorrino.

- Não estou entendendo - diz Otorrino. - Onde estão os pintores?

- Os pintores são como as falácias - explica Pseudônimo. - Nunca estão onde parecem estar. Você está vendo algum pinote na sua mão?

- Nenhum.

- É sinal de que eles estão aí. Não deixe cair.

E Pseudônimo seguiu viagem com cinco mil falácias, que vendeu para um frigorífico inglês, o Filho and Sons. Otorrino acordou no outro dia e olhou com satisfação para o seu campo vazio. Abriu o besunto, uma espécie de cofre, e olhou os pinotes que pareciam não estar ali!

Na cozinha, Bazófia botava veneno no seu pirão.

*

“Lorota”, para mim, é uma manicura gorda. É explorada pelo namorado, Falcatrua. Vivem juntos num pitéu, um apartamento pequeno. Um dia batem na porta. É Martelo, o inspetor italiano.

- Dove está il tuo megano?

- Meu quê?

- Il fistulado del tuo matagoso umbráculo.

- O Falcatrua? Está trabalhando.

- Sei. Com sua tragada de perônios. Magarefe, Barroco, Cantochão e Acepipe. Conheço bem o quintal. São uns melindres de marca maior.

- Que foi que o Falcatrua fez?

- Está vendendo falácia inglesa enlatada.

- E daí?

- Daí que dentro da lata não tem nada. Parco manolo!

FRASE DO DIA

"A intuição é aquele estranho instinto que permite à mulher saber que está certa, esteja ela ou não."
Hellen Rowland

DAS MADRUGADAS

Marcelo Duani - Até Mais



marceloduani.com 

DAS MADRUGADAS

A música que eu ouvia realmente em 1968 era James Brown, o grande guitarrista Jimi Hendrix, e um novo grupo que acabava de sair com o sucesso em disco "Dance to the Music", Sly and the Family Stone, liderado por Sly Stewart, de San Francisco.A coisa que ele fazia era boa pra caralho, tinha tudo que era tipo de funky. Mas foi Jimi Hendrix que primeiro curti, quando Betty Mabry me indicou.


Conheci Jimi quando seu empresário me ligou pra pedir que lhe mostrasse como tocava e compunha. Jimi gostara do que eu fizera em Kind of Blue e em algumas outras coisas, e queria pôr mais jazz no que estava fazendo. Gostava do jeito de Coltrane tocar, com todas aquelas camadas de som, e tocava de um modo semelhante. Além disso, disse que ouvira a voz de guitarra que eu usava em meu modo de tocar trompete. Começamos a nos encontrar. Betty gostava realmente da música dele - e também dele, fisicamente, como acabei descobrindo - e assim Jimi começou a aparecer.

Miles Davis - A Autobiografia (Miles Davis e Quincy Troupe)

sábado, 7 de setembro de 2013

ABAPORU


Abaporu, de Tarsila do Amaral, é a tela brasileira mais valorizada no mundo. Ela custou US$ 1,5 milhão. Abaporu é um nome tupi, que significa "homem que come gente". Tarsila estava na fase antropofágica do Modernismo, que propunha deglutir a arte e cultura estrangeira e adaptá-la ao Brasil. Um dos criadores deste movimento foi o marido da pintora, Oswald de Andrade, a quem a obra foi oferecida.
 
 

A artista brasileira criou Abaporu com mãos e pernas grandes para valorizar o trabalho braçal pelo qual passava a maioria dos trabalhadores do País. Em detrimento, percebe-se que a cabeça dele é bem menor que os outros membros, mostrando a desvalorização do trabalho mental na época.

 

Ficha Técnica - Abaporu:

Autora: Tarsila do Amaral
Onde ver: Museu de Arte Latino-Americana de Buenos Aires, Argentina
Ano: 1928
Técnica: Óleo sobre tela
Movimento: Modernismo

COVER DO SÁBADO

Dois pra lá, dois pra cá é uma canção de João Bosco e Adir Blanc gravada pela primeira vez no disco de João Bosco "Caça à Raposa", de 1975. 


O bolero, com letra magnífica de Aldir, já havia estourado com Elis Regina, no disco "Elis", de 1974.

FRASE DO DIA

"A história é um conjunto de mentiras sobre as quais se chegou a um acordo."
Napoleão Bonaparte

DAS MADRUGADAS

Paul Simon e Art Garfunkel formaram uma dupla de grande sucesso no final dos anos 60 e início dos 70.

A relação entre eles azedou no meio da década de 80, quando Simon excluiu os vocais de seu parceiro de um álbum e o lançou como um trabalho solo. 

Art Garfunkel só se manifestou em 1990, durante cerimônia de inclusão da dupla no Hall of Fame, quando declarou: “Quero agradecer a todos aqueles que enriqueceram minha vida e colocaram tantas canções por mim. Meu amigo Paul.” Com expressão irônica, Paul foi até o palco e disse: “Arthur e eu concordamos em quase nada. Mas é verdade, eu enriqueci a vida dele.” 

Onze anos depois, Paul foi incluído no Hall of Fame como artista solo e disse estar arrependido de terminar sua relação com o parceiro. Na ocasião, manifestou sua vontade de voltar a tocar com ele. A lucrativa turnê Old Friends aconteceu em 2003.

DAS MADRUGADAS

Um clássico do grande Toots Thielemans...

sexta-feira, 6 de setembro de 2013

PAUTA EXTRA


Pauta Extra 31. Gravado em 06/09/2013.
 
 

DOS MEIOS-DIAS


DE IMPRENSA

Notícia veiculada no site BOL informa que os laudos apresentados pelo Instituto de Criminalística de São Paulo apontam que o menino Marcelo Pesseghini, 13 anos, esperou no banheiro da casa pela chegada da mãe, a cabo da PM Andréia Pesseghini, depois de ter executado o próprio pai, o sargento da Rota Luís Marcelo Pesseghini, no crime ocorrido no começo de agosto na Vila Brasilândia, zona norte de São Paulo. 

A investigação indica que Andreia estaria de joelhos sobre o corpo do marido, quando o garoto realizou o disparo. Para chegar à essa conclusão, a perícia técnica realizou nove laudos e 35 exames.

A matéria encerra dizendo que o menino também é "suspeito" de matar a avó, a tia-avó e depois se suicidar.

O caso é trágico, mas essa coisa de "suspeito" é muito chata. Depois dessa conclusão, fico pensando em quem mais poderia ter sido o executor das outras mortes. 

Lembrei, novamente, do homem de um braço só da série (e do filme) O Fugitivo.

Ora, por favor...

AOS INCAUTOS

O violoncelista aposentado Larry Rawdon, morador da Flórida, nos Estados Unidos, já tinha passado por um transplante de pulmão devido à fibrose pulmonar idiopática quando descobriu que a música poderia ajudá-lo na recuperação.


Assim que sua mulher soube de estudos que sugeriam que a prática de instrumentos de sopro poderia fazer parte do processo de recuperação pulmonar, presenteou o marido com duas gaitas no natal de 2007.
(globo)

N. R.: Mais detalhes sobre instrumentos de sopro em http://pt.wikipedia.org/wiki/Instrumento_de_sopro


AOS DETRATORES


A gaitinha de boca vem sofrendo ataques e mais ataques de burocratas da música através dos anos. Inclusive neste blogue, que é um espaço democrático.
Agora ela está salvando vidas. Veja a matéria do site G1.
 
 

FRASE DO DIA

"A diferença entre o sexo pago e o sexo grátis é que o sexo pago costuma sair mais barato."
H. L. Mencken

MÚSICA NA SEXTA

“Eu não gosto de fazer mal a ninguém. Por isso, é que não tenho medo quando me vêm estes pensamentos.”

Assim, Lupicínio Rodrigues abre sua coluna que escreveu para a Última Hora em 28/12/1963 e publicada posteriormente em uma edição da L&PM.

Essa crônica, intitulada “Do amor ao ódio”, conta a história da música “Vingança”,
provavelmente seu maior sucesso comercial (Lupicínio costumava dizer que cada vez que ele era enganado acabava ganhando dinheiro: “As mulheres boazinhas nunca me deram dinheiro, só as que me traíram”) e, dizem, responsável por uma onda de suicídios quando de seu lançamento por Linda Batista.

Há um depoimento no qual ele fala sobre a música:

“Era época do carnaval, ela endoidou. Botou um “Dominó". "Dominó” é aquela fantasia preta, que cobre tudo. No carnaval, feito louca foi me procurar. Uma certa madrugada, ela, num fogo danado - parece que deu fome - entrou num bar onde a gente costumava comer. Foi obrigada a tirar o "Dominó” pra comer, e o pessoal a reconheceu. Perguntaram - “Ué, Carioca, que você está fazendo aqui a essa hora”? Cadê o Lupi?" Ela sozinha.” E continuou: “Ai ela começou a chorar. Eu estava num restaurante do outro lado. Uns amigos chegaram e me disseram: encontramos a Carioca vestida de "Dominó”, num fogo tremendo. Começou a chorar e perguntar por ti. O que que houve, vocês estão brigados?" Aí foi que eu fiz o "Vingança". Na mesma hora comecei, saiu (canta) "Gostei tanto, tanto, quando me contaram ... ".

Na citada crônica, Lupicínio justifica o sentimento: “Nunca se está livre de ter, em um momento de rancor, algum desejo de vingança”.
 Vingança
 Lupicínio Rodrigues

 Eu gostei tanto,
 Tanto quando me contaram
 Que ihe encontraram
 Bebendo e chorando
 Na mesa de um bar,
 E que quando os amigos do peito
 Por mim perguntaram
 Um soluço cortou sua voz,
 Não ihe deixou falar.
 Eu gostei tanto,
 Tanto, quando me contaram
 Que tive mesmo de fazer esforço
 Prá ninguém notar.
 O remorso talvez seja a causa
 Do seu desespero
 Ela deve estar bem consciente
 Do que praticou,
 Me fazer passar tanta vergonha
 Com um companheiro
 E a vergonha
 É a herança maior que meu pai me deixou;
 Mas, enquanto houver força em meu peito
 Eu nao quero mais nada
 Só vingança, vingança, vingança
 Aos santos clamar
 Ela há de rolar como as pedras
 Que rolam na estrada
 Sem ter nunca um cantinho de seu
 Pra poder descansar

quinta-feira, 5 de setembro de 2013

ÁLBUM DA QUINTA

DÉJÀ VU - 1970 - CROSBY, STILLS, NASH & YOUNG

Déjà Vu é o segundo álbum de Crosby, Stills & Nash  e o primeiro na configuração de quarteto, com o ingresso de Neil Young (Crosby, Stills, Nash & Young), lançado em março de 1970 pela Atlantic Records.


O disco liderou a parada pop por uma semana e gerou três singles que figuraram no Top 40 -  "Woodstock "," Teach Your Children "e" Our House" - e um - "Carry On" -, na Bilboard 100. Em 2003, o álbum entrou para a lista da revista Rolling Stone dos 500 Maiores Álbuns de Todos os Tempos.


Stephen Stills estima que o álbum consumiu cerca de 800 horas de estúdio. As músicas, com exceção de "Woodstock", foram registradas em sessões individuais por cada membro. Neil Young não aparece em todas as faixas, e Jerry Garcia toca pedal steel em " Teach Your Children".
Side One
1. Carry On  (Stephen Stills) 04:26
2. Teach Your Children   (Graham Nash) 02:53
3. Almost Cut My Hair   (David Crosby) 04:31
4.  Helpless  (Neil Young) 03:33
5. Woodstock   (Joni Mitchell) 03:54

Side Two
1. Déjà Vu   (David Crosby ) 04:12
2.  Our House  (Graham Nash) 02:59
3.  4 + 20  (Stephen Stills) 02:04
4. Country Girl (Whiskey Boot Hill/Down Down Down/Country Girl I Think You're Pretty)   Neil Young 5:11
5. Everybody I Love You (Graham Nash - Stephen Stills) 02:22

David Crosby - vocals , guitarra
Stephen Stills - vocals, guitar , guitarras , bass , keyboards
Graham Nash - vocals, guitar, keyboards
Neil Young - vocals, guitar, keyboards, harmonica
Dallas Taylor - drums , percussion
John Sebastian - harmonica in "Déjà Vu"
Greg Reeves - bass in "Almost Cut My Hair", "Helpless", "Woodstock", "Country Girl" and "Everybody I love You"
Jerry Garcia - pedal steel guitar in "Teach Your Children"



FRANGOS

Kevin dia desses convidou Luiggi pra ir a uma galeteria – conta e bebidas por conta do convidante – para discutirem sobre uma palestra que Alex Atala – dono de um dos restaurantes mais caros do mundo (parece que um picolé lá custa o preço de um apartamento dos médios, e os pratos devem ser todos na base da “mandioquinha” com alguma carne crua e o prato lambuzado aqui e ali com alguma coisa marrom e uma folhagenzinha na beira), proferiu em algum congresso.

Pra quem não leu, o texto é este AQUI.

Enquanto a ocasião não chega, fico a divagar sobre o frango. Ou galinha. É uma confusão. É um bicho estranho, meio desengonçado, e parece que não tem uma inteligência muito avançada. Segundo alguns, se se encostar o bico dele no chão e fizer um risco com um giz a partir do bico ele ficará ali parado para todo o eterno sempre. E estão sempre desconfiados.

E sempre paira uma injustiça entre os galináceos. Por exemplo, o frango morre e vira galinha. Porém, ao frango é reservada, para a posteridade, a parte mais nobre da galinha – pelo menos pra mim – que é o peito. A gente come coxa de galinha e peito de frango.

E o dono do bar  aquele verme tampinha – fica suando e cuspindo enquanto prepara o X-Galinha, essa nada nobre, porém, tradicional iguaria da MuiLeal.

E às vezes, vem acompanhado de “fritas”. Que é uma coisa que a gente só come na rua. Em casa a gente come “batata-frita” mesmo. Mas isso é outra história...

LUIGGI PERGUNTA

Por que no dia que você resolve se conceder uma folga e dormir até mais tarde seu vizinho resolve fazer uma reforma ou demolir o apartamento dele?



VERDICES

Saiu uma reportagem na revista “Isto É” de umas semanas atrás que explica muita coisa do que está acontecendo por aí. É claro que a intenção da reportagem não é essa e a conclusão é minha.

A reportagem de Ana Carolina Nunes destaca os “camarins verdes” e politicamente corretos dos novos – e alguns velhos – astros.
É claro que ninguém está aí pra detonar com o mundo e provocar imundície sem necessidade, mas esse tipo de atitude parece um tanto forçada. A reportagem e o espírito TOA falam por si, e o inteligente leitor entenderá o recado.

Para os que não entenderem, Luiggi desenha depois. Para os que se chocarem, lamento.

Destaque para a lista de exigências de Frank Sinatra  um TOA honorário, tenho certeza que falo pelo restante da redação toda – que só não foi um Wilbury ativo por um detalhe.

A reportagem está nesse LINK.

LUIGGI PERGUNTA

Por que em restaurantes tem gente que olha para a comida das outras mesas ao invés de olhar o cardápio?

FRASE DO DIA

"A descoberta do clarinete por Mozart foi uma contribuição maior do que toda a África nos deu até hoje."
Paulo Francis

CURTA NO TOA - EDIÇÃO EXTRA


Do site TERRA

Lígia Mesquita
Buenos Aires

"Enrique, é María Teresa, atende. Até quando tenho que esperar? Não faça isso. Não me sinto bem." Tu-tu-tu.

"Enrique, sei que você está aí. Por que não para de mentir? Senão é melhor se internar." Barulho de fita rodando.

"Lamentavelmente sempre falo com uma máquina [...] É sempre essa ausência. Amor, jamais. Nem uma só palavra de amor." Tu-tu-tu.

Esses e outros 11 recados deixados em uma secretária eletrônica podem ser ouvidos ao longo dos oito minutos do curta-metragem argentino "Ni Una sola Palabra de Amor" (nem uma só palavra de amor), do diretor El Niño Rodríguez.

No filme, a atriz Andrea Carballo interpreta María Teresa em sua tentativa solitária de conseguir falar com Enrique pelo telefone.

Em tempos nos quais diálogos importantes acontecem cada vez mais por e-mails e torpedos, o roteiro focado na audição de uma DR (discussão de relacionamento) desperta curiosidade e nostalgia.

Ainda mais quando o espectador descobre que nenhuma das frases ditas pela protagonista é ficção. E que María Teresa e Enrique existem e tiveram uma briga feia em 1998, que terminou com ela jogando as coisas dele pela janela. E ele indo morar no apartamento de um amigo, onde a secretária eletrônica registrou todos os apelos posteriores da mulher.

"Um dia, recebi um e-mail com o áudio dessa fita, que estava circulando pela internet. Quando ouvi, pensei: essa história dá um filme. Mas desconfiei que fosse uma montagem", conta Rodríguez à Folha.

Não era. A fita cassete estava dentro de uma secretária eletrônica de segunda mão comprada pelo editor de som Mariano Germán Lorca em um mercado de pulgas de Buenos Aires.

El Niño Rodríguez (seu nome verdadeiro é Javier), desenhista e chargista do jornal "Clarín", conversou com Lorca e explicou que queria dirigir seu primeiro filme em cima daquele áudio. O dono da fita topou e, em dois dias, filmaram.

"A primeira coisa que decidi é que a câmera seria o telefone ou Enrique. E que a atriz falaria o tempo todo com a câmera", conta Rodríguez.

Quando o curta ficou pronto, começou uma trajetória por festivais internacionais. No Brasil, foi exibido em Porto Alegre e Florianópolis.

Nota da Redação: Não adianta esperar, Ricardo Darín não vai aparecer no filme. Segue versão legendada.

quarta-feira, 4 de setembro de 2013

CALVIN


CRIATURAS QUE O MUNDO ESQUECEU

Malcolm James Roberts (Blackley, Manchester, Inglaterra - 31 de março de 1944 - Chertsey, Surrey, Inglaterra - 7 de fevereiro de 2003) apareceu no Brasil em 1969 como o representante britânico no Festival Internacional da Canção (FIC) daquele ano. 

Roberts se apresentou com uma canção especialmente escrita para ele por Les Reed e Barry Mason chamada Love is All. A canção se tornou, de longe, a favorita do público, que se encantou com o cantor loiro e bem apessoado que vestia um smoking branco e lembrava o ator americano Robert Redford. 

Porém, apesar desse apoio maciço, ele obteve apenas o terceiro lugar, o que fez com que a plateia que lotou o Maracanãzinho vaiasse impiedosamente o júri e os vencedores do festival. O público só se acalmou quando ele repetiu o seu número, o que fez com que fosse aplaudido ininterruptamente durante 20 minutos após o término de sua performance.



Love is All

Yesterday, I knew the games to play
I though I knew the away
Life was meant to be
And now there's you
My foolish games are through
Now at last I have found
Just what makes this old world turn arround

Love is all, I have to give
Love is all, as long as I shall live
(So) take it all and I'll always be there
When you call my name
I know now, the love is all

Every night, I long to hold you tight
Until the morning light
Shines into your eyes
Love me now
We'll get along somehow
Won't you please, take my hand

And together forever we'll stand


(wikipedia)

GRANDES FRASES DE GRANDES FILMES

"O Maior truque realizado pelo diabo foi convencer o mundo de que ele não existe."
Verbal Kint (Kevin Spacey) - Os Suspeitos (The Usual Suspects) - 1995

FRASE DO DIA

"O dinheiro não tem a mínima importância, desde que a gente tenha muito."
Truman Capote

terça-feira, 3 de setembro de 2013

BREGA CHIQUE

Marcos Roberto Dias Cardoso, nasceu em São Paulo, em 26 de junho de 1941. Fez muito sucesso na década de 60 como cantor e compositor. Na década de 80, reapareceu com a música A Última Carta, que vendeu mais de dois milhões de cópias.

Chegou a participar da Jovem Guarda e trabalhou como produtor até a sua morte, em 21 de julho de 2012, na cidade de Osasco.


Será
(Marcos Roberto)

Será?
Que Você não percebeu
que o meu amor
é todo seu.
Será?

Será?
Que eu tenho que chorar.
Prá Você me acreditar.
Será?

Será que Você
já tem alguém.
E então, não
pode amar ninguém.
Meu Deus, eu só
quero ter Você,
eu Preciso de Você.
Sem Você,
o que será.
será.

Será?

PRIMEIROS PARÁGRAFOS INESQUECÍVEIS

"Pelo meu relógio, sem soltar o punho esquerdo do guidom da motocicleta, vejo que são oito e meia da manhã. O vento, embora estejamos a noventa por hora, é morno e úmido. Se às oito e meia o tempo já está assim abafado e quente, imagine como não estará à tarde..."

Zen e a arte da manutenção de motocicletas - Robert M. Pirsig - 1974

FRASE DO DIA

"Justo a mim coube ser eu!"
Mafalda

segunda-feira, 2 de setembro de 2013

PROTESTO DO DIA

Ermã escreve sobre o protesto do dia. (O único, até o momento, que eu saiba.)

Mui Leal. A cidade dos protestos. Hoje, carroceiros. (Vestidos, para o nosso alívio.)

Passou a valer, no domingo último, uma lei que pretende tirar de circulação, até 2016, as carroças das ruas da nossa megalópole.

Os carroceiros não gostaram. E chicotearam seus pangarés mal tratados da Av. Ipiranga (Zona Leste) até o Paço Municipal (Centro).

Um dos cidadãos que terá de sair das ruas mostrava-se preocupado por não ser alfabetizado, o que, em tese, só lhe deixa o ‘carrocear’ como forma de subsistência.

O interessante é que, aos carroceiros, então e futuros desempregados, a prefeitura ofereça cursos de formação e garantia de alocação em postos de trabalho, ‘com carteira assinada’.
Mas o que importa, aqui, é protestar. E atravancar, derradeiramente, o trânsito.

Fonte: http://zerohora.clicrbs.com.br/rs/geral/transito/noticia/2013/09/carroceiros-fazem-protesto-por-restricao-de-circulacao-nas-ruas-de-porto-alegre-4255067.html

CLÁSSICOS PARA A VIDA ETERNA

YOU ARE THE SUNSHINE OF MY LIFE (1973) STEVIE WONDER

Sérgio Luiz Gallina

You are the Sunshine of my Life, do álbum  Talking Book, de 1972, foi lançada em single no ano seguinte. A canção se tornou o terceiro single de Woder a figurar na primeira posição no Billboard Hot 100 chart e foi o seu primeiro na Easy Listening. Ele ganhou ainda um Grammy de Melhor Performance Vocal Pop Masculina . 

A Rolling Stone classificou a canção como número 281 em sua lista das 500 Maiores Músicas de Todos os Tempos. As duas primeiras linhas da canção são cantadas por Jim Gilstrap e Lani Groves, e os sopros da versão do LP foram suprimidos. 


You are the sunshine of my life
That's why I'll always be around
You are the apple of my eye
Forever you'll stay in my heart

I feel like this is the beginning
Though I've loved you for a million years
And if I thought our love was ending
I'd find myself drowning in my own tears

You are the sunshine of my life
That's why I'll always stay around
You are the apple of my eye
Forever you'll stay in my heart

You must have known that I was lonely
Because you came to my rescue
And I know that this must be Heaven
How could so much love be inside of you?

You are the sunshine of my life, yeah
That's why I'll always stay around
You are the apple of my eye
Forever you'll stay in my soul

You are the sunshine of my life, baby
That's why I'll always stay around
Can't stop living
You are the apple of my eye



FRASE DO DIA

"É difícil ser religioso quando certas pessoas nunca são incineradas por relâmpagos."
Calvin

domingo, 1 de setembro de 2013

DO FUNDO DO BAÚ

Hugo Mario Montenegro  nasceu em Nova York em 2 de setembro de 1925. Fez carreira como maestro, compositor e diretor musical na indústria cinematográfica americana. Ficou muito conhecido pelas trilhas de westerns (entre eles, The Good, the Bad and the Ugly) e pelo tema da série Jeannie é um Gênio. No final da década de 70, afastou-se do trabalho devido a um enfisema que acabou matando-o em 1981.


O disco Hang'Em High, com a trilha sonora do filme de Ted Post, estrelado por Clint Eastwood (No Brasil, A Marca da Forca), foi lançado em 1968. Tomorrow's Love foi sucesso no Brasil e serviu de cortina em inúmeros programas de rádio e TV (inclusive o Pauta Extra).

HILDETE



Ela foi espancada pelos pais ainda bebê, molestada sexualmente aos oito anos, mendiga aos treze, prostituta aos quatorze, grávida aos quinze, uma médica caridosa fez o aborto clandestinamente, mãe solteira aos dezoito, espancada e explorada pelos homens com quem viveu, mas a tudo superou.

Ela é Hildete, uma mulher que estará transmitindo para milhões esta mensagem: - Fui ao fundo do poço, passei pelos piores sofrimentos, mas dei a volta por cima e o meu exemplo pode ser seguido por todos.
Baseado em um conto de Rubem Fonseca.

Elenco
Simone Benfica - "Hildete"
Jorge Lucas - "Alex"
Sarito Rodrigues - "Selma"
Talita Vaccaro - "Lili"
Carlos Sato - "Zé"

Equipe Técnica
Roteiro: Alexander Mello - Adaptação do conto Hildete de Rubem Fonseca;
Direção: Alexander Mello;
Assistente de direção: Paulo Maurício;
Fotografia: Rodrigo Alayete;
Arte: Fernanda Teixeira;
Som direto: Deise Cristina F. Dos Santos;
Assistente de som: Vicente Marinho;
Produção: Viviane Persa;
Produção de Elenco: Zoraia Correa;
Edição: Diego Lourenço;
Desenho de som: Alexander Mello;
Projeto Gráfico: Alexander Mello, Diego Lourenço e Rodrigo Alayete;
Still: Paulo Maurício

Música: Bobby Shakespeare
Guitars In The Manfire Cave do álbum Fuck The Industry Standard
Cortesia de Alpha Cat Boobie/ Kids on the Moon

http://projetohildete.blogspot.com

LEITURA DE DOMINGO

Apelo

Dalton Trevisan


Amanhã faz um mês que a Senhora está longe de casa. Primeiros dias, para dizer a verdade, não senti falta, bom chegar tarde, esquecido na conversa de esquina. Não foi ausência por uma semana: o batom ainda no lenço, o prato na mesa por engano, a imagem de relance no espelho.

Com os dias, Senhora, o leite primeira vez coalhou. A notícia de sua perda veio aos poucos: a pilha de jornais ali no chão, ninguém os guardou debaixo da escada. Toda a casa era um corredor deserto, até o canário ficou mudo. Não dar parte de fraco, ah, Senhora, fui beber com os amigos. Uma hora da noite eles se iam. Ficava só, sem o perdão de sua presença, última luz na varanda, a todas as aflições do dia.

Sentia falta da pequena briga pelo sal no tomate — meu jeito de querer bem. Acaso é saudade, Senhora? Às suas violetas, na janela, não lhes poupei água e elas murcham. Não tenho botão na camisa. Calço a meia furada. Que fim levou o saca-rolha? Nenhum de nós sabe, sem a Senhora, conversar com os outros: bocas raivosas mastigando. Venha para casa, Senhora, por favor.

"Mistérios de Curitiba, Editora Record - Rio de Janeiro - 1979

FRASE DO DIA

"O melhor movimento feminino continua sendo o dos quadris." 
Millôr Fernandes

DAS MADRUGADAS

Sumiço na noite

Naquela semana, o autor da capa do disco, Geoffrey Holder - o exótico e admirado artista de quase dois metros de altura, capazes de englobar um misto de bailarino, coreógrafo, diretor, escritor e pintor -, ofereceu uma grande festa em seu espetacular apartamento de Manhattan para comemorar o lançamento de Amoroso.  Holder é uma figura dominante em qualquer recepção que vá, mas nessa noite todas as personalidades presentes cercavam João Gilberto, que parecia desejar sumir e  que, providencialmente, esquecera o violão no hotel
.

 A noite avançava quando ele comunicou que iria atender aos insistentes pedidos para que cantasse. Alguém foi com ele buscar o violão. O tempo passava, e nada. Mais da metade dos convivas desistiu, indo para casa.

Duas horas mais tarde, João retornava com o violão para um recital inesquecível para os poucos que nele confiaram. um grupo de privilegiados que, em meio a um silêncio sepulcral, ouvia extasiado aquele artista magnífico, reverenciado no mundo.

Zuza Homem de Mello (BRAVO!, novembro de 2011)