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sexta-feira, 12 de julho de 2013

O CADERNO

Ele não vai seguir você. Mas você vai levá-lo de qualquer maneira. Debaixo do braço, normalmente. Afinal todo mundo aparece na reunião com seu caderno. Ah... esse fantástico mundo corporativo. “Mais uma reunião”, diz o pequeno cidadão colocando seu pobre caderno no sovaco e fingindo detestar reuniões.

O caderno é como o “squezze”. Você sabe como funciona “squeeze”, não é? É uma garrafinha que você enche de água da pena para se hidratar aos chupões, como uma mamadeira, enquanto anda pelo escritório. Mas claro, de nada adiantará se o “squeeze” for branco, pálido. Precisa ter o logotipo de outra corporação. Se não, não acaba com a sede. O que dirá hidratar alguém.

Assim como o caderno. Um caderno da Tilibra é uma coisa vulgar, de se esquecer num canto qualquer depois de anotar fórmulas de báskara ou belos poemas adolescentes.

Um caderno com emblema de outra corporação é melhor que seu colega. É motivo de orgulho. E seus problemas ajuda a resolver. Ou pelo menos disfarçar que está anotando loucamente uma ideia durante a reunião que vai mudar o rumo da empresa. Nesse momento, vale escrever até letra de pagode pra não pegar no sono. Afinal, o que está escrito nele ficará guardado. Se lhe dá prazer. O importante é fazer cara de “o problema não é tão simples”. Sorrir desdenhosamente nem sempre pega bem, só quando visto pelas pessoas certas.

O melhor momento da reunião é quando se marca a próxima reunião. Você anota a data com cara de profundidade no seu caderno.

A porta então se abrirá para um feroz carrossel: a realidade de novo. Voltar pra mesa de trabalho. E você vai rasgar o papel.
E eu peço a você uma favor, se puder. Me esqueça em um canto qualquer.
Luiggi


LUIGGI PERGUNTA


Quando os restaurantes vão entender que espaguete à bolonhesa não é massa com guisado?

FRASE DO DIA

"O futuro tem por ofício ser incerto."
 Pedro Malan

quinta-feira, 11 de julho de 2013

ÁLBUM DA QUINTA

IGUAÇU (1977) PASSPORT

Liderado pelo saxofonista Klaus Doldinger, o grupo alemão Passport esteve em atividade de 1971 a 2000, gravando vários discos para a Atlantic e Warner Bros.



Em 1976 o grupo excursionou pela América do Sul, e em sua passagem pelo Brasil Doldinger ficou impressionado com os ritmos da terra. Nasce, então, o projeto do álbum Iguaçu, que seria lançado no ano seguinte pela Atlantic Records e que contou com a participação de vários músicos brasileiros.


Lado1
01. Bahia do sol - 5:53
02. Aguamarinha - 4:10
03. Bird of paradise - 5:36
04. Sambukada - 4:30

Lado 2
01. Iguaçu - 8:42
02. Praia Leme - 2:58
03. Heavy weight - 4:30
04. Guna Guna - 4:28


Musicians:
Curt Cress / drums, berimbau
Klaus Doldinger / soprano & tenor saxes, organ, Moog, flute
Elmer Louis / percussion
Roy Louis / electric guitar
Wolfgang Schmid / bass

Guest Musicians:
Mats Björklund / guitar
Wilson Das Neves / atabaques, pandeiro
Roberto Bastos Pinheiro / surdo
Noel Manuel Pinto / cuíca
Clélio Ribeiro / berimbau
Marcello Salazar / percussion
Pedro Santos / percussion, whistles




REDE SOCIAL

Americano cria aplicativo antissocial para não se encontrar com pessoas na rua


O Hell is other people usa as referências de localização do Foursquare para avisar onde o usuário não deve ir

Por Thiago Cid - 10/07/2013
Tela do aplicativo Hell is other people, que mostra onde estão as pessoas que você não quer encontrar na rua (Foto: Divulgação)
No livro Sem Saída, do filósofo e escritor francês Jean-Paul Sartre, o personagem Joseph Garcin afirma que “o inferno são os outros”, explicando que nenhuma maneira de tortura é tão contundente quanto ser obrigado a aturar pessoas das quais não se pode escapar. 
O empreendedor americano Scott Garner levou a frase de Sartre tão a sério que criou um aplicativo que permite aos usuários localizar e escapar daquelas pessoas que não gostam de encontrar na rua.
O nome do aplicativo é Hell is other people, exatamente a mesma frase traduzida para o inglês. Já chamado de rede antissocial, o app usa o serviço de georreferenciamento do Foursquare para localizar pessoas que fizeram check-in nas redondezas. As referências então são passadas para um mapa, que mostram os lugares a evitar. O aplicativo até calcula a distância mínima que o usuário deve ficar dos pontos de perigo para evitar um encontro pelas redondezas.
No mapa dos lugares a manter distância, pontos em laranja sinalizam os últimos 20 locais onde as pessoas seguidas – ou evitadas – fizeram check-in. Já os pontos em verde representam as áreas onde há risco de um encontro acidental.
A grande ironia é o fato de o usuário antissocial precisar ser cadastrado na rede social Foursquare e seguir as pessoas que não deseja encontrar.
O programa não é voltado apenas para os inimigos. No vídeo descritivo sobre sua aplicação, Garner afirma que ele pode ser usado também para os amigos verdadeiros, caso o usuário esteja atrasado ou simplesmente não esteja no clima para conversar com um conhecido que acabou de encontrar na rua.
No vídeo do aplicativo, Garner também diz que o app é uma sátira, a expressão de seu desdém por mídias sociais e uma forma de explorar as próprias dificuldades e ansiedades sociais. Seu próximo passo será incorporar dados de localização de outras plataformas, como Twitter e Facebook.

BEBER E DIRIGIR

Beber e dirigir só é crime se há perda de reflexos, decide Justiça

Tribunal do Rio Grande do Sul livrou motociclista de prisão por não haver prova de 'capacidade psicomotora alterada'

Luciano Bottini Filho - O Estado de S.Paulo



O motorista que bebeu álcool só comete crime de trânsito se há provas de que seus reflexos foram alterados, segundo decisão do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul (TJ-RS). O julgamento é resultado de uma discussão jurídica que começou em dezembro do ano passado, quando a nova lei seca passou a permitir o flagrante de condutores embriagados por meios diferentes do bafômetro, como imagens e testemunhas.

A decisão fez uma interpretação ao pé da letra da nova lei, que diz que o crime, com pena de detenção de 6 meses a 3 anos, ocorre quando alguém dirige um veículo "com capacidade psicomotora alterada" por causa de álcool ou outra droga. Ou seja, para a Justiça gaúcha, não importa a quantidade de álcool, se a condução for normal.

O caso avaliado é o de um motoqueiro que foi pego no bafômetro com 0,47 miligramas de álcool por litro de ar expelido. Como a polícia não fez nenhum exame clínico, os desembargadores o livraram de uma condenação de 6 meses de reclusão, decretada na primeira instância. Além disso, trata-se de um caso de 2011, antes da nova lei. Pelo princípio de que vale sempre a regra favorável ao réu, o precedente pode beneficiar acusados de qualquer época.

Para o relator, o desembargador Nereu José Giacomolli, "não mais basta a realização do exame do bafômetro"; é preciso também constatar se houve perda de capacidade psicomotora, com exame clínicos ou perícias.

O professor da Universidade Federal de Santa Catarina, Leonardo do Bem, discorda. "A intenção do legislador foi permitir a averiguação da alcoolemia por qualquer meio de prova permitido."

"As discussões nos tribunais estão indo para um lado da não proteção da vida", afirma o médico Flávio Emir Adura, diretor científico da Associação Brasileira de Medicina de Tráfego.

Apesar da divergência na área criminal, as autoridades de trânsito podem aplicar multa de ao menos R$ 1.915 e cassar a carteira do motorista que tenha 0,1 miligrama de álcool no ar expelido. 

FRASE DO DIA

"Para mim, o primeiro instrumento é a voz; o melhor é o
corpo. O resto é consequência..."
Naná Vasconcelos

DAS MADRUGADAS

Dona Maricota, a matriarca dos Borges, conta um fato ocorrido com Milton Nascimento quando ele passou a morar com a família em BH. 



"Saiu da pensão e ficou lá em casa. Igual um doido, ele bebia demais da conta. Um dia eu cheguei do grupo com os cadernos todos na mão, cansada feito não sei o quê, desci do ônibus, ainda tinha que andar um pedação e quando cheguei na portaria vi que ele estava segurando o edifício, com as duas mãos. Ele já estava morando comigo. 

Eu falei: “Bituca, o que você está fazendo aí?”. E ele sussurrando: “Dona Maricota, fala baixo, o edifício vai cair”. Eu falei sussurrando também: “O edifício vai cair e você está deixando seus irmãos todos lá dentro?”. “Mas eu não posso subir porque ele vai cair.” “Olha para cima para você ver.” 

E a gente olhou pra cima e parecia que o edifício ia cair mesmo. Eu vi que ele estava ruim, não adiantava discutir com ele. Eu falei: “Ih, vai cair mesmo, Bituca. Deixa eu te ajudar”. Pus os cadernos todos no chão: “Bituca, eu estou achando que ele agora firmou”. Ele olhava assim: “Eu não, eu não”. Eu falei: “Olha, Bituca, acho que agora ele firmou. Não vai cair mais não, não está balançando mais não. Pega meus cadernos e vamos subir depressa de elevador para nossa casa”. 

Aí subimos. Chegou lá, e o Salomão já tinha chegado do Jornal. Colocou-o dentro da banheira e deu banho nele. Mas olha, deu tanto banho no Bituca, mas tanto banho… Quando uma pessoa está daquele jeito, tem que tomar banho para ver se melhora. 

www.museudoclubedaesquina.org.br

quarta-feira, 10 de julho de 2013

MACANUDO TAURINO (SANTIAGO)


OS QUATRO ELEMENTOS

Sou um sujeito passional. Minhas avaliações acerca de qualquer coisa sempre envolvem critérios muito técnicos, como, por exemplo, a simpatia que sinto pelo que estou ouvindo, vendo, lendo. Enfim, avaliando, que é o que a gente faz o tempo todo.

Tenho simpatia pelo Naná. Naná Vasconcelos, o percussionista pernambucano. Pode ser simplesmente a simpatia que nós, bebedores moderados, nutrimos uns pelos outros, embora eu desconfie que ele tenha diminuído consideravelmente as quantidades industriais de drinques que consumia com naturalidade. É um sujeito sinceramente envolvido com questões sociais, mesmo que por conta disso coloque mais gente tocando berimbau neste mundo.

Seus milhões de prêmios e Grammys não me impressionam. Seu imenso currículo, com Pat Metheny, Egberto Gismonti, Itamar Assumpção, Milton Nascimento, B.B. King, Paul Simon, Gilberto Gil, Miles Davis, Gal Costa, Gato Barbieri e mais um montão de gente se não impressiona pelo menos me faz entender que, acima do meu gosto pessoal, o sujeito não é de brincadeira. Não pode essa turma toda estar enganada e o distinto aqui cheio de razão.

Música - essa coisa que ocupa parte considerável na minha vida e ainda assim nem tanto quanto gostaria - pra entrar na minha coleção depende da resposta de uma ou duas perguntas: Gostei? Arrepiou? Me diz alguma coisa bacana? Se sim, entra pra lista. Simples assim.

Portanto nem currículo, nem Grammy e nem mesmo minha simpatia pessoal pelo Naná conseguem me fazer gostar de sua música. Gosto é gosto, mas não consigo entender como é que depois de o mundo inventar tambor, cuíca, bumbo – pra ficar na área de Naná – o sujeito precise utilizar o corpo como instrumento. Sim, o corpo. Ele não “bate no couro”. Bate no próprio peito, nas coxas, na bochecha. Ou, se preferirem, no “próprio couro”. O que, convenhamos, não é legal.

Depois de “Sinfonia das Águas”, que Naná gravou no disco “Sinfonia & Batuques”, ele resolveu gravar um novo disco como consequência: “Os quatro elementos”. O som da água envolve praia, mar e a piscina de Naná. A terra vem representada pelos habitantes do planeta, mais especificamente seus corpos, com os quais é possível fazer música, segundo ele (Eu avisei....). O fogo surge na forma de sonoplastia, o som é tirado de sacos de salgadinho. O que, de certa forma, é até um conforto, pois imaginei que a faixa seria o crepitar de uma fogueira. E para o ar, o quarto elemento, transcrevo a explicação do próprio: "Pra significar o ar e criar essa trilha da minha imaginação, pensei em um grupo de astronautas africanos indo fazer uma dança nos anéis de Saturno".

Enfim, não escutei e provavelmente não escutarei os quatro elementos de Naná. Mas tenho muita curiosidade em saber qual será sua próxima inspiração.

Luiggi

NO JORNAL DO BRASIL

O ‘caso’ Eike Batista

    Pedro Simon

O empresário Eike Batista e suas empresas, que aparentavam rivalizar com potentados árabes do petróleo em exuberância, continuam descendo a ladeira. Suas ações estão em queda livre na Bolsa e, dizem os especialistas, podem valer R$ 0,10 cada, preço bem distante dos cerca de R$ 50,00 de poucos anos atrás. O risco de um calote fenomenal na praça é alto.

Estimulado e incensado pelo governo, apontado como modelo de empreender nacional, Eike obteve empréstimos camaradas junto a bancos públicos. O BNDES, sempre pródigo com grandes grupos econômicos que bem poderiam, privadamente, buscar financiamentos em bancos internacionais, entrou com R$ 10,4 bilhões a juros subsidiados. A diferença entre as taxas oferecidas ao empresário e os juros reais de mercado é bancada pelo Tesouro, isto é, com o meu, o seu, o nosso dinheiro.

A economia brasileira passa por apuros. Para superar essa fase crítica não falta quem defenda taxas de juros mais elevadas e cortes drásticos nos gastos do governo, atingindo programas sociais e investimentos. Nesse ambiente, que conta ainda com as ruas vigilantes e eletrizadas pelos protestos, é impensável que o governo tente novamente socorrer Eike Batista.

O capitalismo brasileiro sempre manteve uma relação muito íntima com o Estado, ao longo de nossa história. Nossos grandes empreendedores surpreendem seus colegas no mundo por sua aversão aos riscos próprios dos negócios. Já os micros e pequenos empresários brasileiros ficam entregues à própria sorte, enfrentando restrições ao crédito e submetidos a uma burocracia infernal.

O “caso Eike” é hoje um exemplo de uma política equivocada de incentivos a grupos privados gigantescos, com retorno duvidoso para a sociedade sob qualquer aspecto.

GRANDES FRASES DE GRANDES FILMES

“No Brasil, quem não é canalha na véspera, é canalha no dia seguinte. Não há ninguém que trepe na mesa e diga: – ‘Eu sou canalha!’ Pois bem, eu digo! ‘Eu sou canalha!’ Digo isso de boca cheia! ‘Sou um canalha!’

 Peixoto (Milton Moraes) - Bonitinha, mas ordinária - 1981

FRASE DO DIA

"Tenho muita saudade de quando não existia essa amolação de cigarro dar câncer, nem de mulher ser magra." 
Adélia Prado

terça-feira, 9 de julho de 2013

LUIGGI PERGUNTA


 
Por que todo fanho é irritado?

PAUTA EXTRA


Pauta Extra 10


 

DE RÁDIO

Acompanhei, como já disse aqui, o incêndio do Mercado Público pela TV e também pelo rádio, já que tenho o hábito de ouvir rádio e também porque normalmente as informações do rádio são mais ágeis e precisas.

Dessa vez, entretanto, as informações não foram assim tão precisas. Ouvi que havia 25%, 50% de comprometimento do prédio e até a desgraça total. Tudo bem, pelas imagens eu também adivinhava o pior. Mas saltou aos olhos – ou aos ouvidos, no caso – a quantidade dos novos talentos da rádio presentes no local, todos dispostos a mostrar serviço.

É bacana o sujeito gostar do que faz e ser comprometido com seu trabalho. Mas parecia que ali havia mais do que isso em jogo. Eu não sei se arrivismo ou se a necessidade de ser mais profissional do que todo mundo. 

Era um acontecimento de grande porte. Mas que foi estranho pingar repórter de tudo quanto é lado, isso foi.

PRIMEIROS PARÁGRAFOS INESQUECÍVEIS

"No princípio era o Verbo e o Verbo estava junto a Deus, e o Verbo era Deus. Ele estava no princípio junto a Deus e dever do monge fiel seria repetir cada dia com salmodiante humildade o único evento imodificável do qual se pode confirmar a incontrovertível verdade. Mas videmus nunc per speculum et in aenigmate e a verdade, ao invés de cara a cara, manifesta-se deixando às vezes rastros (ai, quão ilegíveis) no erro do mundo, tanto que precisamos calculá-lo, soletrando os verdadeiros sinais, mesmo lá onde nos parecem obscuros e quase entremeados por uma vontade totalmente voltada para o mal."
O Nome da Rosa - Umberto Eco - 1980

FAMPPA

Eu tento, mas é difícil. Tentei organizar o sentimento de desconforto com o incêndio do mercado público. Quem sabe até escrever algo edificante sobre o triste ocorrido.

Durante o evento, reportei informações a parentes distantes, também preocupados e tocados com o incêndio.

Mas aí vem o dia seguinte e as repercussões. Fica difícil mensurar quem ama mais o mercado. Parece que foram todos feridos de morte. Os mais sensatos que vejo nessa turbulência toda são os permissionários, que querem voltar ao trabalho sem se importar com sentimentos ou caça às bruxas.

É claro que, como todo fato, esse também se torna um fato político. Quem é contra o prefeito só falta dizer que ele riscou o fósforo; quem é favor, diz que tudo estava perfeito e deve ter sido influência do exu que mora lá a culpa pelo sinistro. Mas, até aí, é do jogo.

O que perturba é o festival de melodramas. O mercado público virou o quintal da casa de todo mundo. Cada um passou mais tempo dentro do mercado do que o outro. Acho até que na semana passada passou mais gente por lá do que na estreia do Tangos & Tragédias no Espaço IAB, local em que todo muilealevalerosense esteve. Inclusive pessoas com 20 e poucos anos hoje.

E também é bacana a onda de “precisamos fazer alguma coisa”. Já vi gente dizendo que “precisamos fazer alguma coisa” com os trabalhadores do mercado (só eu, na MuiLeal, provavelmente não conheça todos pelo nome ou apelido), “precisamos fazer alguma coisa” para reabrir o mercado, fazer algo pelos azulejos do mercado, pelos urinóis do mercado.

Declaro aberto o FAMPPA – Festival de Amor ao Mercado Público de Porto Alegre.

Luiggi

CORAGEM

Bueno, começo pela vacina tradicional – e sincera, neste caso – porque a patrulha politicamente correta me viciou. Não torço pelo azar de ninguém. Tá bem, de quase ninguém, como disse já o Luis Maurício.

Eu não sou um sujeito previdente. Pago alguma coisa de previdência pública orientado pela minha “ermã” contadora. Não pago previdência privada, conforme me aconselha o alarmado amigo Marcelo Alabama. Não sei, portanto, como será minha velhice. Espero que Marcelo guarde algum para suprir os vinhos da minha velhice. De minha parte, coloco rocks antigos de sua predileção no Pauta Extra para garantir esse vinho futuro.

Leio na Zero Hora de hoje (08/07/2013) que o poeta Luiz de Miranda pede socorro à sociedade por causa de sua vida precária. A mesma reportagem lembra outros ilustres amparados pelo estado: Lourdes Rodrigues, Plauto Cruz e o velho lambe-lambe Varceli Freitas Filho.

Luiz de Miranda lançou 34 livros. Não entendo nada de direitos autorais, e só vejo gente queixosa falando a esse respeito. Mas imagino que 34 livros deveriam dar alguma graninha. Donde se conclui – novamente – que poetas não leem poetas. A quantidade de poetas somente na MuiLeal certamente teria catapultado as vendas de Miranda às alturas.

A escritora Cinthia Moscovich, de quem já fui aluno, aparece com o tradicional discurso muilealevalerosense: “Deveriam se juntar para ajudá-lo.” Segundo ela “não é justo que alguém que se dedicou tanto à poesia e à literatura esteja nesse estado”. Como se a vida fosse justa. De qualquer forma, não é decente que ninguém, poetas ou contadores, terminem a vida contando os caraminguás para fazer uma refeição por dia.

Mas o que realmente me chamou a atenção na reportagem foi a postura corajosa do também poeta Fabrício Carpinejar, com quem raramente concordo. Diz ele: “O Miranda sempre viveu nesse sobressalto financeiro, dependendo dos outros. Acho que ele está se aproveitando da questão do poeta sem condições, essa sombra do Quintana. O poeta não é semideus. O Estado não tem obrigação de sustentá-lo”.

Fazia tempo, mas tempo mesmo, que não via uma declaração despida assim de autocensura. Pode ser que eu esteja sempre lendo e ouvindo as mesmas coisas. Os mesmo poetas, a mesma praça, o mesmo jardim.

Luiggi

FRASE DO DIA

"A vida é assim: complexa e bonita, como os travestis”.
Caetano Veloso

DAS MADRUGADAS

A melhor guitar band de todos os tempos com sua melhor formação. 

ESCLARECENDO O GARÇOM

Sr. A., certamente, tem adeptos de sua prática. Um deles colocou nos comentários de um texto que escrevi sobre uma de suas tantas práticas em restaurantes pelo mundo um pequeno tratado sobre pastas. Ei-lo:


Sei que todo mundo sabe como cozinhar esse cereal, e ele é um dos primeiros pratos que aprendemos a preparar (em alguns casos, o único). Mas vi tanto macarrão sendo massacrado por aí que o artigo me chamou atenção.

A cena descrita, não deveria enlouquecer o garçom, e sim deixá-lo embasbacado. Ele teve a oportunidade de ser questionado por um profundo conhecedor. Se o garçom fosse, digamos assim, esperto, haveria convidado o chefe, o gerente e os demais clientes para apreciar a cena que não deveria ser deslindada.

Graças ao fascínio que Ana tem por macarrão, aprendi com ela algumas máximas. Sei que todo mundo pensa que sabe fazer um macarrão e está contente com o que prepara, mas vamos lá:

Já que raramente sinto vontade de comer macarrão, ele precisa ser muito, muito bom pra me empolgar. E o detalhe nas perguntas feitas pelo tal A... é reflexo do pavor que um verdadeiro apreciador de uma massa de qualidade tem, que é sopa de macarrão ao alho e óleo.

- Os italianos costumam dizer que fora da Itália cozinha-se o macarrão demais e salga-se a água do cozimento de menos. Pra cozinhar o macarrão nas regras da arte, leve uma grande quantidade de água ao fogo e quando começar a ferver junte uma dose generosa de sal (se você acrescentar o sal no início, a água demorará mais pra ferver). O que significa “uma dose generosa de sal”? Na Itália, é costume dizer que a água em que cozinhamos o macarrão deve ser tão salgada quanto o mar Mediterrâneo.

- Cozinhe o macarrão al dente. Isso significa que ele deve ficar macio, mas ainda ligeiramente firme. Não precisa ter medo de comer macarrão cru no jantar. Durante o processo de escorrer a massa, misturar com o molho (que também deve estar quente) e servir, ela continua cozinhando, e quando você começar a comer ela estará perfeitamente cozida. Pode confiar. Se, ao contrário, você esperar o macarrão cozinhar totalmente antes de escorrer, ele vai acabar passando do ponto. E nada menos apetitoso do que papa de macarrão.

- Antes de escorrer a massa, retire uma xícara da água do cozimento e reserve. Essa água, rica em amido, ajuda o molho a “colar” na massa e também serve pra afinar um molho que ficou espesso demais. Nem sempre uso a água reservada, mas às vezes ela é extremamente útil (principalmente quando uso molhos à base de creme).

- Outra regra de ouro: sempre prepare o molho antes de cozinhar o macarrão. O molho pode esperar (e ser requentado sem problemas), já o macarrão, não. A exceção aqui é macarrão ao alho e óleo, já que o molho fica pronto em segundos e não pode ser requentado, e deve ser adicionado sobre o macarrão na hora em que será saboreado, nada de deixar o alho, impregnar toda a massa, ele deve servir de desvio do paladar.

- A única maneira de fazer com que sua massa não grude é escorrer o macarrão e misturá-lo imediatamente ao molho. Mais uma razão pra fazer o molho antes de cozinhar a massa. Esqueça essa história de colocar óleo na água do cozimento e nem pense em “enxaguar” seu macarrão depois de cozido (além de esfriar o macarrão, o enxague retira o amido que envolve a massa e o molho não vai aderir).

É isso: queria ter conhecido a nobre criatura!!

segunda-feira, 8 de julho de 2013

CLÁSSICOS PARA A VIDA ETERNA

EVERYBODYS' TALKIN  (1969) HARRY NILSSON

Sérgio Luiz Gallina

Harry Edward Nilsson III (15 de junho de 1941 – 15 de janeiro de 1994) foi um cantor e compositor americano de grande sucesso na década de 1970. Suas canções apareceram em diversos filmes e programas de televisão, e ele foi premiado com dois Grammy: um por "Melhor Vocal Masculino Contemporâneo" por "Everybody's Talkin'" e outro por "Melhor Vocal Masculino Pop" por "Without You". Morreu em 1994, vítima de insuficiência cardíaca.

Everybody's Talkin (Fred Neil), do disco "Aerial Ballet", de 1969, foi incluída na trilha sonora do filme Midnight Cowboy (Perdidos na Noite), estrelado por Jon Voight e Dustin Hoffman, vencedor de três Oscars. O single atingiu a segunda posição da Bilboard.


Everybody's talking at me
I don't hear a word they're saying
Only the echoes of my mind

People stopping staring
I can't see their faces
Only the shadows of their eyes

I'm going where the sun keeps shining
Thru' the pouring rain
Going where the weather suits my clothes
Backing off of the North East wind
Sailing on summer breeze

And skipping over the ocean like a storm

MAMICAS PENSANTES

Dani Bananinha faz topless em praia


(tiguana.com.br)
Dani Bananinha postou uma foto em seu perfil do Instagram, onde aparece de topless. Com as costas de fora sem a parte superior do seu biquíni, a coleguinha de palco do Luciano Huck, mostra que está magérrima.
"Ando devagar porque já tive pressa e levo esse sorriso porque já chorei demais. Bom dia. Agradeço à Deus por mais um dia #abençoado", escreveu Dani na legenda.

FRASE DO DIA

“O desenvolvimento cerebral nunca se compara ao abdominal.” 
Millôr Fernandes

domingo, 7 de julho de 2013

GET BACK TO RADIO


Primo escreve sobre uma canção de Roger Waters:

Get back to radio ficou perdida nas gravações do Radio Kaos, o segundo disco solo pós-Floyd do Roger Waters. Resta saber as razões desta esquisita opção: ela é superior a várias canções do Radio Kaos e se encaixa tematicamente no conceito do disco. Musicalmente bem construída - e repleta de efeitos de teclado, sax ao fundo com direito a pequeno solo -, ela recupera um estilo vocal que Waters vinha construindo e trabalhando desde o Final Cut (além dos efeitos de pedal de voz e de duplicação de voz): cada frase é cantada de um jeito diferente, exprimindo com sua voz, é claro, aquilo que a frase exatamente quer dizer.

Pode-se dizer que a limitada voz do Roger Waters é um instrumento; mas não é um instrumento de virtuose. É um instrumento (no sentido lato do termo) a serviço daquilo que o Roger tem a dizer. Ninguém consegue fazer isto no rock and roll (embora, tecnicamente falando, todos cantem melhor que o Roger Waters). E o resto todo mundo sabe (mesmo quem não gosta do Roger Waters): ele sempre tem alguma coisa a dizer.

Bom, sabe-se que o Roger Waters, ainda que não possa ser considerado um monotemático, é um repetitivo incorrigível e incoercível. Sua mãe, Syd Barrett, a morte do pai. Há quarenta anos é a mesma estória. E, quando a estória muda de personagem, trata-se ainda da mesma estória: o personagem está encolhidinho, do lado de lá do muro, oprimido por uma sociedade sem valores.

Se você entrevistar algum destes músicos esquerdinhas que vivem por aí, é possível que ele fale mal da MTV. Mas se você não entrevistá-lo e, ao invés, encontrá-lo num bar, ele vai dizer a mesma coisa que diria na entrevista. Para ele, é um fato (um fato bruto) que a MTV é ruim. Ele só precisa dizer isso.

Não é o caso do Roger Waters. Pegue o caso de Get back to radio: antes de falar mal da MTV, vamos lembrar de um soldado que ficou congelando no frio, pois alguém precisa ficar representando o país diante de um bandeira tremulando. Antes ainda é bom lembrar que estamos todos sozinhos, mas podemos nos conectar por alguma espécie de onda sonora (isto havia sido tema do Radio Kaos, é bom lembrar). Agora sim: nós não vamos nos dobrar para a MTV!!!! Eu sou um homem e não um número!!!!! Acabou???? Não. Nesta solidão toda, no meio do desespero que ele inventou, implora para que a primeira ex-mulher pegue na sua mão. Agora: é um homem sozinho ouvindo rádio. E então a grande invenção: não é só ele – há toda uma geração esperando por um novo rádio (ele berra nesta hora da música). Mas é invenção. Invenção de um gênio. Olhando o rádio, lembra do Bob Geldoff: que Deus o abençoe, fecha Roger Waters.

Se o Roger Waters aparecer no Nicko’s em uma tarde fria de sábado e nos encontrar, ele vai acrescentar algumas coisas, mudar outras. Mas vai falar a noite toda, quantas vezes for necessário, até que eu e o primo deixemos bem claro que entendemos o que ele quis dizer.
 
Primo


 

A LOIRA FANTASMA


Baseado em fato verídico, o filme conta a história acontecida em Curitiba, no verão de 1975, quando uma bonita loira fantasma vira a sensação da imprensa.

Direção:Fernanda Morini
Tipo:Ficção
Formato:35mm
Ano Produção:1991
Origem:Brasil (PR)
Cor / PB:cor
Duração:10 min.

Elenco:Bronie Lozneau, Emílio Pitta, Marco Antônio Pamio
Roteiro:Nelson Padela
Fotografia:Flávio Ferreira
Música:Celso 'Pirata' Lock
Montagem:Máximo Barro
Produção:Jussara Locatelli

LEITURA DE DOMINGO

Adélia Prado


Tenho um pouco de pudor de contar, mas só um pouco, porque sei que vou acabar contando mesmo. É porque lá em casa a gente não podia falar nem diabo, que levava sabão, quanto mais... ah, no fim eu falo. Coisa do Teodoro, ele quem me contou, você sabe, marido depois de um certo tempo de casamento fala certas coisas com a mulher. O seu não fala? Pois é, e de novo tem um tempão que aconteceu. Lembra aquela história dos queijos? Igual. Demorou um par de anos pra me contar. 

O pessoal dele é assim, sem pressa. Tem uma história deles lá, que o pai dele, meu sogro, esperou 52 anos pra relatar. Diz ele que esperou os protagonistas morrerem. Tem condição? Mas o Teodoro — foi quando a gente mudou pra casa nova — teve de ir nas Goiabeiras tratar um marceneiro e passou, pra aproveitar, na casa da tia dele, a Carlina do Afonso, e encontrou lá o Gomide. Tou encompridando, acho que é só por medo do fim, mas agora já comecei, então. 

Então, diz o Teodoro, que o Gomide tirou do bolso do paletó uma trouxinha de palha de milho, cortadas elas todas iguaizinhas e amarradas com uma embirinha da mesma palha. Escolheu, escolheu, pegou uma bem lisa e bem branquinha, tirou o canivete do outro bolso, lambeu a palha pra lá, pra cá, e ficou um tempão lhe passando firme a lâmina, do meio pras pontas, de ponta a ponta, entremeando com lambidas. Depois, ainda segurando a palha entre os dedos, foi a hora de tirar e picar o fumo de rolo bem fininho. Ia picando e pondo na concha da mão. Acabou, guardou o rolo e ficou socavando o fumo na mão com a ponta do canivete. Depois pegou a palha, mais uma lambida e foi pondo nela o fumo, espalhando ele por igual na canaleta formada, pressionando bem pra ficar bem firme. Deu mais uma lambida na parte mais próxima do fumo e com os polegares e indicadores foi enrolando o cigarro devagarinho, uma enrolada e uma lambida, uma enrolada e uma lambida. Com o canivete dobrou uma das pontas para o fumo não escapar, tirou a binga do bolso, acendeu e pegou a pitar. Agora é que vem, ai, ai. 

Teodoro falou que o tempo todo da operação ele não despregava o olho daquilo. Disse que nem sabe o que tia Carlina arengava, só punha sentido no Gomide fazendo o pito. Diz ele que foi uma coisa tão esquisita — esquisita, não —, tão encantada que ele ficou de pau duro. É isso. Falou também que ficou doido pra sair dali, comprar palha, fumo de rolo e repetir tudo igualzinho ao Gomide. 

Eu entendo. Quando conheci o Teodoro, ele fumava e eu achava muito emocionante. Tenho muita saudade de quando não existia essa amolação de cigarro dar câncer, nem de mulher ser magra. A gente tinha mais tempo para o que precisa, não é mesmo? Será que faz mal mesmo? Colesterol, depois de tanto barulho, estão falando que já tem do bom. Qualquer dia vou pedir ao Teodoro pra dar uma fumadinha, só pra fazer tipo.

FRASE DO DIA

“Eu não levo a sério quando me chamam de grande poeta. Tem fita métrica para medir poeta?"
 Thiago de Mello, se importando mas não levando a sério.

TOA PERGUNTA

Três grandes guitarristas, três grandes temas. O que há em comum em Something, Europa e Are you going with me?, além do fato de serem músicas compostas e executadas por grandes mestres da guitarra (George Harrison, Carlos Santana e Pat Metheny)? Cartas para a redação.






sábado, 6 de julho de 2013

VERISSIMO

A revista ISTO É desta semana traz uma entrevista com Luis Fernando Verissmo. Duas respostas interessantes e com a marca do escritor.


Como é sua relação com a internet e a tecnologia?

LFV - Uso o computador como uma máquina de escrever com memória, uso bastante o Google, que  fornece erudição instantânea, e não poderia mais viver sem o e-mail. Mas não frequento muito a internet. E participaria de qualquer passeata contra o telefone celular.

Dos textos atribuídos ao sr. que circulam na internet, há algum que o incomode mais ou que tenha captado sua atenção tanto positiva quanto negativamente?

LFV - Nenhum incomoda porque não há o que fazer para impedi-los. Alguns são bons, e neste caso eu aceito os elogios, inclusive para não desiludir as pessoas. Teve um, chamado “Quase”, que correu o mundo e foi até publicado num livro em francês. Uma sr.a me disse que não gostava do que eu escrevia, até ler o “Quase”. Agradeci, emocionado. Outro texto, sobre uma diarreia no aeroporto, também fez muito sucesso.

RELATIVIDADE

Relatividade, obra do holandês Escher, trata-se de uma litografia em planos de gravitação que agem verticalmente uns sobre os outros.

Três superfícies terrestres, com seres humanos vivendo em cada uma delas, intersectam-se em ângulo reto. As 16 figuras que aparecem na gravura podem ser divididas em três grupos, nos quais cada uma delas vive no seu próprio mundo. Para cada um dos grupos o seu mundo é tudo o que acontece na representação.

Dois habitantes de mundos diferentes não conseguem andar, sentar ou mesmo ficar em pé no mesmo solo, pois sua concepção de horizontal e vertical não se conjuga. Entretanto, eles podem usar a mesma escada.

Na escada mais alta entre as representadas na composição, movem-se, lado a lado, duas pessoas na mesma direção. Contudo, uma desce e a outra sobe. É claramente impossível um contato entre elas, já que estas vivem em mundos diferentes e, por isso, não sabem da existência uma da outra.

Cada um dos grupos se dá conta das coisas de forma diferente e dá nomes diferentes para as coisas. o que para um grupo é um teto, para outro é uma parede; o que parece ser uma porta em um dois grupos, para outro é um buraco no chão.

Ficha Técnica - Relatividade:
Autor: Escher
Ano: 1953
Técnica: Litografia
Movimento: Op-Art

Fonte: Universia Brasil

COVER DO SÁBADO

Never, Never Gonna Give Ya Up foi composta, produzida e gravada por Barry White em seu segundo álbum, "Stone Gon", lançado em junho de 1973. O single chegou à segunda posição  no Hot R&B/Hip-Hop Songs e ao sétimo lugar na Billboard Hot 100. Na Europa, foi lançado no início de 1974 e chegou ao número 14 no UK Singles Chart.

Em 1997, a cantora britânica Lisa Stansfield gravou Never, Never Gonna Give You Up no seu álbum homônimo. O disco recebeu críticas favoráveis, e a voz de Lisa foi descrita como "sedutora" e "sexy".

A canção foi lançada como o segundo single de Lisa Stansfield na Europa, na Austrália, no Japão e nos EUA em junho de 1997. Frankie Knuckles, produtor, ganhou o Prêmio Grammy de Melhor Gravação Remixed, Non-Classical em 1998. O vídeo, dirigido por Rocky Schenck, fez enorme sucesso.

FRASE DO DIA

"A fome a doença, não sei mais por quê.  Que noite, que lua, meu bem, pra quê?"
 

Sidney Miller

sexta-feira, 5 de julho de 2013

TÁXI AÉREO

Avião da FAB não é táxi aéreo grátis
   

POR FREDERICO VASCONCELOS
folha de s. paulo
O uso de um avião da Força Aérea Brasileira para levar o presidente da Câmara dos Deputados, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), parentes e amigos ao jogo do Maracanã –fato revelado pelo repórter Leandro Colon, na Folha desta quarta-feira (3/7)– é apenas o abuso mais recente dessas práticas, agravado pela insensibilidade do parlamentar diante das manifestações de rua.

Conta-se que um ministro da Aeronáutica, ainda durante o governo militar, fez chegar ao então general-presidente a insatisfação de seus oficiais com o tratamento que um ministro civil dispensava à equipe da FAB responsável pelo deslocamento de autoridades. O tal ministro era conhecido pela impontualidade, o que obrigava os militares a refazer sucessivos planos de voo. A gota d’água que gerou a reclamação ao presidente foi a companhia que o ministro escolheu para um traslado: duas jovens que, decididamente, não aparentavam pertencer ao staff ministerial. O mais grave: durante o voo as convidadas trataram os oficiais e seus auxiliares como se comissários de bordo fossem e, pior ainda, reclamaram da qualidade dos serviços oferecidos porque não havia nenhuma bebida alcoólica disponível.

A falta de transparência no uso de equipamentos públicos militares para finalidades no mínimo discutíveis não é fato novo. Aqui neste espaço já se divulgou a tentativa da Marinha de evitar confirmar  que helicópteros da Força haviam sido usados para transportar magistrados a um evento festivo em final de semana prolongado num resort no Rio de Janeiro.

Mais recentemente, o Superior Tribunal Militar não quis prestar maiores informações sobre o uso de aeronaves da FAB e helicópteros do Exército para transportar uma comitiva de mais de 30 pessoas, formada por ministros do STM, chefes de gabinete, oficiais auxiliares, assessores e convidados, em visita a fábricas de veículos militares e de material bélico em São Paulo e Minas Gerais, programa que nada tem a ver com as atividades jurisdicionais da Corte.


No momento em que a sociedade cobra mais transparência, essas autoridades aparentemente preferem continuar nas nuvens, evitando pôr os pés no chão.

PAUTA EXTRA


Pauta Extra 09